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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Capela de São Caetano - Por Antônio Morais.


Com terreno doado pelo Coronel João da Cunha  Gadelha em 30 de Abril de 1735 surgiu a ideia de construir a Capela de São Caetano, em estilo barroco, edificação concluída em 1762 e tombada pelo IPHAN  em 2006 com mais de 252 anos, patrimônio do povo cearense.

A Capela fica com a frente para a BR 060 e de costas para o povoado. Há uma versão que terminada a construção, o empreiteiro recebeu o pagamento combinado e foi seguido por pessoas que o assaltaram e o assassinara no caminho de volta para sua cidade. 

Não tenho conhecimento de relatos escritos a esse respeito, mas, vi  muitas pessoas que conheciam essa historia, inclusive atribuindo a esse acontecimento o fato do povoado não ter desenvolvido com o passar de mais de dois séculos e meio. 

Nesta capela eram celebrados os atos religiosos de Várzea-Alegre. O Padre vinha do Icó em lombo de animais. Dizem que o Padre Manuel Caetano era muito austero, organizado e a sua visita era distribuída o tempo  de três dias de modo que no primeiro dia eram feitos os casamentos e batizados, no  segundo  dia as confissões e no ultimo dia  encerrava-se a visita com uma missa solene.

No amanhecer do ultimo dia nasceu uma menina na casa do casal José Raimundo do Sanharol e sua esposa Antônia de Morais Rego, nasceu fora de tempo, doente e muito fraquinha. Com medo da criança  morrer pagã, o pai procurou a secretaria da capela na tentativa de fazer o batizado da filha. 

Quando falou com o padre ele deu o maior pinote, então, houve o presente dialogo entre os dois:

Padre - O dia dos batizados foi ontem, hoje é a missa, eu não batizo.

José Raimundo - Padre ela está muito fraquinha e eu não queria que ela morresse pagã.

Padre - Porque você não trouxe ontem?

José Raimundo já brabo como o siri na lata respondeu abusado : porque ela nasceu hoje!

O Padre resolveu batizar Barbara de Morais Rego que foi a primeira esposa do Tenente Antônio Gonçalves de Oliveira, desse casamento não houve filhos. 

Do segundo casamento do Tenente Antônio Gonçalves com Maria da Gloria de Morais, sobrinha de sua primeira esposa, descende uma numerosa família.

4 comentários:

  1. Na calçada desta capela estavam todos a espera da chegada do Padre. Nesse tempo os assuntos eram outros. Não Tinha corrupção, ladroagem, ministério publico, policia federam porque não existiam o PT nem o Lula. Os assuntos eram agricultura e criação de gado etc.

    José Raimundo do Sanharol contou que um morador seu tinha uma roça e havia um pé de cabaça daquelas pequenas que se usava como cargueira para o caçador guardar pólvora, que causava admiração : Tinha palmo e meio de bico.

    Um caixeiro viajante que se encontrava presente duvidou : Taí, eu queria as sementes desta cabaça para plantar!

    José Raimundo passou a perna no cavalo e foi ao Sanharol, 20km de ida e 20km de volta, ao chegar se dirigiu para o viajante dizendo : Fure um buraco e tire as sementes, e, não me toque no bico para quando um cabra safado e atrevido como você duvidar eu ter para mostrar.

    O viajante fez bunda de ema com medo de apanhar e José Raimundo ficou aguardando a chegada do padre.

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  2. Morais:
    Mais uma postagem que reputo de importância para a preservação da memória de Várzea Alegre. Imprimi-a e coloquei na pasta da Paróquia de São Raimundo Nonato, que é mantida na Cúria da Diocese de Crato. Servirá, como subsídio, para quem se aventurar a escrever sobre o papel da Igreja Católica, em terras de Várzea Alegre. Parabéns!

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  3. Prezado Armando - José Raimundo do Sanharol era filho de papai Raimundo e de Maria Tereza de Jesus que posteriormente doaram o patrimônio para criação da Paroquia de São Raimundo, inclusive a casa que residiam onde, hoje está edificada a Igreja Matriz de São Raimundo.

    José Raimundo era avô de Zuza Bezerra de Brito, e como o Zuza no Crato, ele na Varzea ninguém da familia tomava qualquer decisão que fosse sem consultar, sem ouvir seu conselho.

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  4. achei linda esta história ai de são caetano, pois sou do sítio fantasma da família dos lucianos, e também tínhamos terras no mucuripe legal gostei muito...

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