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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A vingança do tenente Antonio - Parte III


Atendendo a uma sugestão de Sebastião, António de Amélia conta que, em companhia de pessoa indicada por Sebastião, se dirigiu para o local não muito distante do sitio onde o seu parente teria encontro com os cabras de Virgulino. Ali aguardaria as noticias de Sebastião ou a ordem para se apresentar na casa onde estavam os bandidos. António de Amélia conta que, durante oito horas, escondido no mato, ficou a espera de Sebastião, que só apareceu as 10 da noite, esclarecendo que teve que realizar algumas compras em Inhapi e, de volta, demorou numa festinha de casamento.

Pensei - disse António de Amélia, que tivesse denunciado o plano do seu parente: Não vai dar jeito para vocês, apesar de lampião não ter vindo com os cabras que já estão aqui. Quem veio comandando os cangaceiros foi Luiz Pedro,agora, tem muita gente. Estão distante daqui uma légua.

Fingiram haver morto um soldado para gozar da confiança dos cangaceiros. Distante uma legua do sitio onde se encontravam António de Amélia, seu primo Sebastião e António Tiago, compadre do primeiro e amigo para enfrentar as mais dificeis situações, estava acampado um dos grupos do famoso bandoleiro do Pageú. Foi neste local, conta António de Amélia, que Sebastião, conhecido do grupo, pois para eles trabalhava em serviço de consertos de armas, costura de embornais e outras atividades de sua profissão, apresentou-me a mim e ao compadre António Tiago: aqui é gente minhas,esclareceu na hora da apresentação, adiantando: Eles mataram um soldado e estão refugiados na Casa de João Aires. A policia os anda perseguindo, embora não saiba onde eles se encontram.

A historia da morte do soldado, ardilosamente criada por António de Amélia, foi o bastante para que os estranhos passassem a gozar da simpatia e confiança do grupo.Para eles, cabras de lampião era herói quem assassinasse um soldado e duas vezes herói quem matasse um oficial.

Integrados ao grupo, António e seus companheiros passaram a dar os últimos retoques no plano. Pelo menos já haviam conseguido penetrar no bando, o que muito facilitaria a execução de tudo quanto imaginaram perpetrar para vingar a morte do sócio Mizael. Naquele mesmo dia, a sombra das árvores, comeram, beberam e dançaram, homem com homem.

Interessante observação nos fez o Tenente António de Amélia, a nos explicasse que mesmo sendo em pequeno grupo, os cabras de lampião jamais dormiram todos agrupados num mesmo local. Na hora de dormir se espalhavam a fim de garantir uma reação no caso de serem surpreendidos por uma visita desagradável dos volantes policiais.

Andanças e lembranças.

Continua

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