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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 4 de julho de 2016

COM A DEVIDA VÊNIA - POR XICO BIZERRA.

A placa estava lá: PROIBIDO ESTACIONAR. Também estavam lá as listas no chão e o meio-fio pintado de amarelo indicado a proibição de ali estacionar. Havia, porém, a truculência, a prepotência e a falta de educação de quem deveria zelar pelas leis. Parou seu carro e desafiou todas as outras autoridades locais. Achando pouco, saiu esbravejando: - daqui não saio, daqui ninguém me tira. Jogou no lixo todo e qualquer resquício de dignidade, de respeito à missão que abraçou. Achou-se Deus e era apenas um juiz a desrespeitar toda a população e o estado de direito. O povo, atônito, a tudo assistia naquele circo-esquina de uma cidade do interior. Deu-se o poder a alguém que passou a ser a verdadeira pessoa que é. A autoridade fez prevalecer sua vontade e seu carro ali ficou, indiferente à lei e aos pedidos de outras autoridades mobilizadas para contornar a situação. Na outra esquina, o vendedor ambulante parou de vender suas canetas. Ninguém as queria e a população sequer o enxergava. Ele também assistia ao espetáculo grotesco que se lhe oferecia. O Camelô, com a dignidade de um magistrado, perdeu de 1x0 pro juiz enfezado. A cidadania, impiedosamente goleada.

3 comentários:

  1. Prezado Xico Bizerra.

    Uma bela cronica como sempre. Nós leitores aguardamos ansiosos a quarta-feira.

    Abraços.

    Antonio Morais.

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  2. É...

    Xico Bizerra:

    Aqui no Crato se deu bem diferente e há menos de um mes.

    Um Juiz local estacionou seu automóvel em área proibida em frente ao Banco do Brasil, onde foi fazer uma transação finaceira e demorou.

    Ao retornar havia uns três guardas de transito e um reboque recolhendo o seu automóvel.

    Ao se deparar com a cena ele disse: Vocês tem toda razão em rebocar meu veículo e faço questão de pagar a multa.

    Sou Juiz de Direito e irei para o Forum a pé. Será a minha lição.

    Os guardas tentaram contornar a situação querendo dispensar o reboque e a multa.

    Mais uma vez o Juiz disse: Não senhores, façam tudo conforme a lei, ela não pode me beneficiar em prejuízo dos outros.

    Contudo, faço uma exigência legal: Multem também este reboque pois ele está com todos os pneus sem condições de conduzir qualquer veículo e vocês ainda o contratam.

    Os guardas não tiveram alternativa, multaram o reboque.

    Muita gente se juntou ali como se houvesse um acidadente, inclusive eu, mas o Juiz deu uma grande lição, mostrou-se digno da toga que usa.

    Abraços do

    Vicente Almeida

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  3. Vicente.

    Que belo exemplo você presenciou. Muito dificil de se vê nos dias atuais.

    Abraços.

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