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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

LASQUE O JORGE - POR ANTONIO MORAIS



Jorge, um caboquinho baixo,  olhos miúdos, cabelo pichain, trabalhadorzinho como diabo, chegado a Várzea-Alegre vindo da Paraíba, enamorou-se  de Zabé, filha de João Riduzino.

Depois de 15 anos de namoro resolveram se casar e  formaram um novo lar. Com apenas um ano de casados Jorge morreu empanzinado  com uma buchada de carneiro e, o mundo acabou pra Zabé. A mulher vivia chorando pelos cantos da casa.  

Mandou fazer uma estátua de camaru com as características da imagem e semelhança do Jorge e colocou  no lado da cama. 

Mas, você sabe como é o tempo, se esvai e junto com ele vão-se as lembranças e, Zabé  terminou  se casando novamente  com Chico de Mané Chico, o primeiro pretendente  que apareceu em sua frente. Primeira providência tomada foi retirar a estatua do Jorge do quarto para outra parte da casa.

Um dia frio de inverno, a domestica não tinha  lenha seca  para fazer o fogo e bateu na porta do quarto: Dona Zabé, não tenho lenha seca pra fazer o fogo, o que eu faço? 

Lá de dentro, uma voz de quem estava se espreguiçando respondeu pausadamente: Lasque o Jorge. 

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