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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Agora como dantes - Por Antônio Morais.

O município de Várzea-Alegre foi criado pela Lei Provincial, de 10 de Outubro de 1870. Desmembrado do município de Lavras da Mangabeira, instalado em 02 de Março de 1872 e extinto pelo Decreto 193 de 20 de março de 1931, quando o território ficou anexado ao município de Cedro. 

Restaurado pelo Decreto 1.156 de 04 de Dezembro de 1933, quando foi instituída a Câmara Municipal, o prefeito de Várzea-Alegre Coronel Antônio Correia Lima, 1912 a 1926, perguntou ao Dudau: "Pra que serve Verador"? Isto mesmo VERADOR. 

Dudau respondeu: para auxiliar o prefeito na administração, criando leis e fiscalizando o executivo. O Coronel, a seu modo, Observou: Ora mais tá, se eu preciso que ninguém me diga o que devo fazer!

Assim é que o Coronel escolheu um compadre do Mururipe, Distrito de Naraniú, para presidir a câmara municipal, mesmo depois de ouvir deste esta significativa expressão: Compadre, eu não sei falar, eu só sei aboiar.

Na década de 50 do século passado um rapaz foi preso por uma estripulia qualquer, a família revoltada o resgatou da cadeia e o delegado fez bunda de ema, o que foi considerado, à época, uma afronta a justiça, um tremendo desacato a autoridade constituída.

O governador nomeou outro delegado com a determinação de botar moral. O homem chegou poderoso, se instalou e partiu para a ação que lhe fora dada.

Otacílio Correia era o presidente da Camara municipal. Depois de uma reunião que nada discutiu, porque nada tinha a discutir, tudo já estava decidido, o presidente sugeriu que fossem  fazer uma visita de cortesia ao novo delegado. Assim se fez.

Na delegacia, encontrou-se um homem sisudo, poderoso, com ares de valentia, matando palavras cruzadas na falta de outra coisa para fazer. Otacílio o cumprimentou e acrescentou que ali estava uma representação da Câmara Municipal para lhe desejar boas vindas e bons trabalhos.

O delegado suspendeu o serviço ou seja a palavra cruzada e, disse: "Eu quero que vocês saibam que vereador e merda pra mim são a mesma coisa".

Dantes como agora, pouco evoluiu. Por conta dos eleitores que elegem legisladores que nada entendem ou conhecem da função. Outro dia ouvir pela rádio uma arenga, um arranca rabo entre dois vereadores sobre saúde pública. De um lado, um médico conhecedor dos males que afligem a sociedade, do outro se contrapondo, um desinformado que no minimo deveria ter a humildade de reconhecer sua insignificância para o tema, visto que como o velho do Mucuripe também só sabe aboiar. 

Foto Coronel Antônio Correia Lima - nasceu em 17.07.1846 e faleceu em 30.03.1939 no exercício de prefeito de Várzea-Alegre. Com ele não tinha queré-quequé, menino não fazia munganga, sua palavra era a última, os do seu tempo que o digam.

Um comentário:

  1. Naquele tempo o vereador era um servidor voluntario. Não recebia salario.

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