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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 22 de julho de 2015

José Cavalcante, politico paraibano - Por Antonio Morais

José Cavalcanti, (1918 -1994) político Paraibano, Prefeito, Deputado, era muito engraçado e sarcástico. Escrevera muitos livros entre eles, Potocas, piadas e pilhérias; Casca e nó; Sem peia e sem cabresto; Bicho do cão; Gaveta de sapateiro; Bisaco de cego; Quengada de matuto; Papo furado; Espalha brasas; Rabo cheio; Caga-fogo; Busca-pé; Um setentão; e outros tantos. Assumiu a sua Cadeira na Academia Paraibana de Letras, no dia 19 de setembro de 1981.

Essas são de 1969, porem super atuais:

Numa eleição, primeiro aparecem as dúvidas, depois as dívidas.

Político pobre é como mamoeiro: quando dá muito dá duas safras.

Um político na sela e um eleitor na garupa, o cavalo é do eleitor.

Eleitor de político pobre é como eco: responde, mas não vem.

Político pobre é como jabuti: tem as pernas curtas.

Político não mente: inventa a verdade.

Político pensa uma coisa, diz outra, e faz o contrário.

Quando o político diz que tem dúvidas sobre uma coisa, no íntimo já tem certeza.

A política é cega: o seu guia é o interesse.

A Ambição política é como tosse: ninguém consegue escondê-la.

O triste na política é pensar que o amigo está lhe traindo, e ver que está mesmo.

Político é um sujeito hábil que nunca falha na solução de um caso, se o caso é dele.

Político sabido é o que vende os correligionários e compra os adversários.

O político sempre deixa pra amanhã o que promete hoje.

Quando dois políticos confabulam e negociam, um terceiro será vítima.

Deputado é um sujeito que adora discussão, mesmo sem saber o que discute.

Político é como mandacaru: nem dá sombra nem encosto.

Quem faz política é como quem amassa barro: não tem medo de respingos de lama.

Quem faz política é como quem atira no vôo: só aperta o gatilho na hora certa.

Em política não se tem alternativa: ou engana ou será enganado.

A reeleição é mais uma oportunidade que o povo dá ao político pra ele errar de novo.

Política também é uma religião: o poder é o paraíso, a oposição o purgatório e o ostracismo, o inferno.

Governo é como dono de roleta: todos torcem contra ele.

Político é como gato: pede miando e come rosnando.

Governo não faz saneamento básico, porque esgoto é como erro de médico: a terra esconde.

Político, em campanha, é como taxista: se oferece sem ser chamado.

Político é como vendedor de fumo em corda: mede comprido e corta curto.

Bajulação é como moeda falsa: compromete tanto quem a dá como quem recebe a recebe.

Político é como relógio: uns adiantam, outros atrasam, poucos regulam.

A vaidade política é como água salgada: quanto mais se bebe, mais aumenta a sede.

O governo pode destinar o dinheiro para investimento ou para propaganda: com o primeiro ele conquista obras para o povo, com a segunda ele conquista povo para o governo.

Em política, a lisonja é como labareda: destrói a quem abraça.

Oposição é como pedra de amolar: afia, mas não corta.

Democracia sem oposição é como casa sem mulher: nela, vive-se triste.

Quem perde eleição é como quem apanha da mulher: não presta queixa a ninguém.

Oposição deve ser tratada como grama de jardim: tem o direito de viver, mas não pode crescer.

terça-feira, 21 de julho de 2015

BRINCANDO COM A SAUDADE - Por Claude Bloc


Cacilda toda faceira
Passeava pela mesa
Me disse, dessa maneira:
"Sou mesmo uma princesa
E brindo a liberdade...
Não se vá de Rajalegre
Pois eu vou sentir saudade"


Neguim escutou a prosa
E balançou a coleira
"Sei que tu és corajosa
E que não falas besteira
Mas eu tenho pra dizer
Uma profunda verdade
Quem vem até Rajalegre
Sempre volta com saudade."

Os gansos se assanharam
E correram muito aflitos
"Por que foi que se espantaram
Tão com medo desse grito?
Eu belisco, se eu quiser
E berro mais que cabrito
Mas que vem a Rajalegre
Tem saudade, eu acredito"...

O galo fazendo pose
Olhou pra mim e falou:
"Eu já contei até doze
E hoje já sou doutor
Olha só o colorido
Qua a natureza aprontou...
Nessas penas que carrego,
Só a saudade ficou..."



Pitombeira segredou
Muita coisa para mim
Falou de gente querida
Da beleza do jardim
Das coisas da natureza
Do perfume do jasmim
Do Sanharol e de todos
Que me conheceram, enfim
E que eu vou sentir saudade
De quem se lembrar de mim...


Claude Bloc