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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 22 de março de 2017

038 - O Crato de antigamente - Por Antônio Morais.

Meu grande amigo e camarada Melito Sampaio com a neta nos braços.

Estávamos eu, o Audizio Brizeno, Chico Soares e o Melito Sampaio no comercio deste ultimo. 

Neste dia o Chico estava caladão, trombudo, não se sabia bem, ao certo, o que lhe perturbava, o fato é que não estava normal.

Duas coisas haviam que o Melito não tinha predileção por elas : Juazeiro do Norte e romeiro. Pra ele pouco importava se a pedra da Batateira rolasse e levasse tudo água a baixo. 

Neste dia o desanimo do Chico Soares contrastava com a disposição do Melito, o homem estava impossível. Malinava com todo mundo. 

Conversa vai, conversa vem, uma senhora com idade aproximada de 65 anos, indumentária de romeira, entra no estabelecimento com uma caixa de sapato apoiada no braço esquerdo, coberta com um véu branco.

Aproxima-se do Melito, retirou o véu, descobriu dentro da caixa uma imagem de São Sebastião e pediu uma esmola pelo amor do meu Padim! 

Melito cubou a mulher e lhe perguntou : espere, ainda não está aposentado? A mulher confundiu a pergunta e lhe respondeu : não, meu senhor, ainda não consegui. As exigências são muitas. Pedem documentos impossíveis de se conseguir apresentar.

O Melito já sem controlar uma gargalhada e prendendo os lábios para não rir aconselhou a suplicante : porque você não bota ele na emergência?  Emergência era uma frente de serviço criada pelo governo para ampara os agricultores em anos de seca.

A mulher saiu virada num tetéu, zangada como um siri na lata, a menor praga que rogou foi mandar Melito ir para os quintos dos infernos. Quanto mais desaforo dizia a romeira mais o Melito se derretia em risos.

Os meus melhores momentos foram sentado num tamborete ao lado do Melito conversando arezia com ele.

Saudades.


Um comentário:

  1. Tive a honra de ser amigo do Melito, com ele, Dona Vilani e os filhos Valeska, Adil e José tivemos uma convivência ordeira e de muita consideração. No Domingo era sagrado o encontro. Uma bebida preparada por ele chamada Rabo de Galo e muito lero. Melito e sua família mereceram e merecem o meu respeito.

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