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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sábado, 9 de março de 2019

Projeto ‘Lula Livre’ inibe o movimento ‘PT Livre’ - Por Josias de Souza


Um partido não apodrece por cair na lama. Ele apodrece por permanecer lá. O Partido dos Trabalhadores parece ter desenvolvido uma certa afeição pelo lodo. Não se pode dizer que a decadência do PT seja vocacional. Se perguntassem a Lula na década de 80 o que o partido dele seria quando crescesse, o então líder sindical jamais responderia: "Seremos a ética que caiu na vida." O apodrecimento do PT não foi planejado. Simplesmente aconteceu. Mas a permanência do PT na lama é um erro que os petistas cultivam com método.

No momento, o PT se divide em dois grupos. Um se esforça para manter o partido acorrentado ao slogan "Lula Livre". Outro tenta convencer Lula a aderir a um movimento novo: o "PT Livre". O primeiro grupo, liderado por Gleisi Hoffmann, acalenta a ilusão de que Lula pode ser agraciado com o próximo Prêmio Nobel da Paz. O segundo grupo sonha em obter de Lula uma espécie de habeas-PT, que libere a legenda para retirar a ré Gleisi Hoffmann de sua presidência.

O grupo anti-Gleisi empina o nome de Fernando Haddad como substituto ideal. Em privado, o presidenciável derrotado do PT até admite a hipótese de colocar sua cara a serviço de um esforço para melhorar a imagem da legenda. Mas não convive pacificamente com a ideia de ter que presidir a luta interna do PT consigo mesmo. É como se Haddad quisesse retocar a radiografia sem cuidar do paciente.

Embora sonhem com coisas diferentes, a turma do "Lula Livre" e a banda do "PT Livre" têm algo em comum: os dois grupos estão irremediavelmente acorrentados a Lula. Ainda não apareceu petista com autonomia para mover um dedo sem obter autorização do presidiário de Curitiba. E Lula, extasiado com a fantasia de que pode virar um Prêmio Nobel, revela-se um personagem capaz de tudo, menos de livrar o PT de sua bola de ferro.

Assim, o futuro do PT está atrelado à coleção de sentenças criminais de Lula. Duas vezes não é coincidência. Três vezes não será mistério. A quarta vez será um destino. O dedo do destino não costuma deixar impressão digital. Mas o apodrecimento do PT tem as digitais de Lula.

Um comentário:

  1. Se os petistas entendem que uma possível queda na popularidade do presidente Jair Bolsonaro vai melhorar a situação do Lula estão muito enganado. É possível que na próxima eleição o presidente perca, mas o presidiário não será o beneficiado.

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