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O surgimento da Vila do “Joaseiro” deveu-se à devoção a Nossa Senhora das Dores. No início do século XIX, no local onde hoje se espalha essa imensa cidade, existia a fazenda Tabuleiro Grande, uma das várias propriedades pertencentes ao Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, patriarca da família Bezerra de Menezes, ramo do Cariri. Naquela propriedade, o Brigadeiro Leandro edificou uma Casa Grande e construiu outras residências pequenas, estas destinadas aos escravos negros e empregados da fazenda. Em 1827, Leandro Bezerra Monteiro resolveu construir uma capelinha que tinha por orago a Virgem Maria, sob a invocação de Nossa Senhora das Dores.
Era esta a invocação mariana predileta do Brigadeiro. A historiadora Amália Xavier de Oliveira esclarece – no livro “O Padre Cícero que eu conheci”, edição de 1981, páginas 33-35 – o motivo principal da construção dessa capela. Recém ordenado sacerdote, o Padre Pedro Ribeiro de Carvalho, resolveu fixar-se na fazenda Tabuleiro Grande. Este padre era neto do Brigadeiro, porquanto filho da primogênita deste, Luiza Bezerra de Menezes e de seu primeiro marido, o Sargento-mor Sebastião de Carvalho de Andrade. Construída a capelinha, o Pe. Pedro passou a celebrar diariamente a Santa Missa, sem necessidade de deslocar-se até Crato, Barbalha ou Missão Velha, para tanto.
A imagenzinha da Mãe das Dores da capelinha da fazenda Tabuleiro Grande foi mandada comprar em Portugal pelo Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro. Esta estatueta encontra-se, ainda hoje, em perfeito estado de conservação, na atual Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte. Na capelinha, a primitiva imagem de Nossa Senhora das Dores foi venerada por cerca de 60 anos.
O Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro era um dos maiores proprietários rurais do Cariri. Católico convicto, respeitado pela sua integridade moral, ele é o Patriarca da família Bezerra de Menezes, ramo do Cariri cearense. Leandro nasceu em 5 de dezembro de 1740, no sítio Moquém, município de Crato. Ocupou, no posto de Tenente-Coronel, o cargo de Comandante do Regimento da Cavalaria de Milicias de Crato. Deve-se a ele a derrota do movimento republicano conhecido por “Revolução Pernambucana de 1817”, que chegou à cidade de Crato. Por conta dessa sua ação, em defesa da monarquia, Leandro Bezerra Monteiro foi agraciado, por ato do Imperador Dom Pedro I, em 1825, com o título de Brigadeiro (o primeiro concedido no Brasil). “Brigadeiro” correspondia, à época, à patente de general do Exército brasileiro.

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