quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Ida da presidente Dilma ao Congresso - Por Miriam Leitão.

"Decisão foi boa, mas Dilma não aproveitou a oportunidade que ela mesma criou por passar muito tempo falando bem do próprio governo", diz Miriam.

“Foi uma boa decisão ir ao Congresso. O problema é que ela não aproveitou bem a oportunidade que ela mesma criou porque passou muito tempo falando bem do próprio governo com números muito discutíveis. 

Era preferível que ela fosse mais direta, e falasse com sinceridade do tamanho da crise, porque isso ajudaria a mobilizar o Congresso e apoiá-la”, diz a comentarista.


O chefão - Augusto Nunes.

A analista do Santander demitida por ordem de Lula acabou de derrotar na Justiça o chefão prepotente e o banqueiro sabujo

Há duas semanas - um ano, cinco meses e vinte dias depois de perder por ordem de Lula o emprego no Santander -, Sinara Polycarpo Figueiredo ganhou a segunda etapa da batalha judicial travada contra o banco que a demitiu. 

Neste 21 de janeiro, a juíza Cynthia Gomes Rosa, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, manteve a sentença expedida em agosto de 2015 pela juíza Lúcia Toledo Silva Pinto Rodrigues, que condenou a instituição financeira a pagar uma indenização de R$ 450 mil por danos morais causados à funcionária punida por ser honesta.



Sinara Policarpo Figueiredo.

Ao recorrer da decisão em primeira instância, o Santander apenas adiou a consumação da derrota.

Dilma e Lula - Por REINALDO AZEVEDO

Dilma e Lula decidem se dar o abraço de afogados. Querem saber? Eu acho é bom!Em vez de se livrar da mistificação e recomendar a seus ministros que se mantenham longe dessa operação, que coisa de governo não pode ser, Dilma se deixa convencer de que ela só será salva se Lula conseguir recuperar o seu prestígio.

Consta da mitologia criada sobre Dilma Rousseff que ela foi, como vou dizer?, professora de marxismo. Eu duvido um pouco. Em primeiro lugar, porque, fora o tatibitate do Marx escrevendo sobre ideologia ou relendo a história, aquele troço não é simples — o que não quer dizer que seja nem bom nem correto. Mas fácil não é. Se, hoje, já bastante madura, a presidente tem um raciocínio notavelmente confuso, a gente pode imaginar como era quando tinha pouca experiência. Como sabemos, ela sempre perde a luta para a sintaxe.

Raciocínio confuso costuma combinar com escolhas igualmente atrapalhadas. Dilma chegou a ter a chance de se salvar, já escrevi aqui, lá pelo começo do ano passado. Deveria ter apeado do PT, enviado ao Congresso uma emenda parlamentarista e proposto um governo de coalizão. Não o fez. Preferiu se agarrar ao partido. Está afundando junto com ele, e continuo a achar que não conclui o seu mandato. O “esfriamento” do impeachment me parece aquela bonança que antecede a tempestade. O povo de verdade ainda não disse o que acha da crise.


A imagem de Lula se desintegra, se esfarela. E não porque alguém conspire contra ele, mas porque, a gente nota, o homem se mostra incapaz de dar explicações convincentes. E que se note: isso só está em curso porque, finalmente, alguém teve a ousadia de cobrar. E, como se sabe, até agora, não foi Rodrigo Janot, não foi o Ministério Público Federal. A Operação Triplo X, no que diz respeito a Lula, por enquanto, é apenas um trocadilho.

Eis aí. De novo, com um pouco de inteligência política, só um pouquinho, Dilma poderia tentar passar pela porta estreita e tentar se descolar de Lula. Ocorre que ela se cercou de conselheiros… lulistas! E estes a convenceram de que ela só se salva se ele se salvar. Por mim, acho o conselho excelente porque intuo que todos eles naufragarão juntos.

Nesta quarta-feira, na abertura do ano legislativo, Jaques Wagner, ministro da Casa Civil, conclamou parlamentares da base a fazer a defesa de Lula. O ministro disse aos aliados que o ex-presidente é alvo de uma perseguição e que a história de Lula “precisa ser respeitada”. Para muitos, a fala de Wagner teve um tom de desabafo, quase um pedido de ajuda.

Wagner só ecoava a cascata dos petistas no Senado, que decidiram argumentar abertamente não em favor de Lula, mas, até onde dá para entender, de sua inimputabilidade e, pois, da impunidade.

O petista Jorge Viana (AC) presidiu a primeira sessão do ano e mandou brasa, prestem atenção:

“Vamos tratar o presidente Lula com respeito porque ele merece o respeito por tudo de bom que fez pelo nosso povo, pelo nosso país. Vamos deixar o presidente em paz com sua família, sua esposa Marisa, para que ele possa ter o direito de uma vida depois de ter sido presidente da República”.

Como? Observo que Viana nem mesmo se ocupou de declarar que Lula é inocente. Pede que o deixem em paz em razão da sua biografia. Também fazendo de conta que nenhuma suspeita pesa contra o ex-presidente, Humberto Costa (PE), líder do partido no Senado, afirmou: “São ataques sistemáticos, que têm como objetivo desqualificá-lo como homem público e desconstruir a imagem de um presidente que deixou o cargo nos braços dos brasileiros, com mais de 80% de aprovação popular”.

Questão: se Lula tivesse deixado o poder com 100% de aprovação, isso lhe daria o direito de pairar acima das leis? A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), investigada numa operação parente da Lava-Jato, também resolveu dar a sua opinião, aí com um pouco menos de, vá lá, sagacidade do que os outros. E provocou: “Talvez vocês pudessem acusar o Lula de ter tirado 40 milhões de pessoas da miséria, de ter feito o maior programa de investimento em moradia popular que este país de já teve”. Digamos que assim seja: Lula está se enrolando todo por isso?

Eis por que, apesar da aparente calmaria, eu duvido que Dilma vá conseguir sair do sufoco e salvar o próprio pescoço. Os petistas ainda não se deram conta do quão velho e ultrapassado é esse discurso. Vá às ruas, converse com as pessoas comuns, vejam a quantas anda a imagem daquele que eles insistem em tratar como demiurgo.

Em vez de se livrar da mistificação e recomendar a seus ministros que se mantenham longe dessa operação, que coisa de governo não pode ser, Dilma se deixa convencer de que ela só será salva se Lula conseguir recuperar o seu prestígio.

Não é um sinal de inteligência política.

Querem saber? Dado o que eles pensam, eu acho é bom.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

‘Você vai dar esse dinheiro todo para o filho do Lula?’ - Por Vera Magalhães.


Cristina Mautoni, mulher e sócia do lobista Mauro Marcondes, ambos presos na Operação Zelotes, depôs nesta terça-feira na Justiça Federal em Brasília.

Diante do juiz, Cristina disse que estranhou o pagamento de 2,4 milhões de reais a Luís Claudio Lula da Silva pela empresa da qual é sócia e questionou o marido: “Você vau dar esse dinheiro todo para o filho do Lula?”.

A Mautoni & Marcondes é suspeita de ter repassado para o filho do ex-presidente dinheiro que recebeu de montadoras para fazer lobby pela prorrogação dos benefícios de uma medida provisória.

Luís Claudio afirmou que prestou consultoria para a empresa de Marcondes. Nos documentos que apresentou para comprovar o serviço, foram anexadas páginas extraídas do site Wikipedia.

O público e o privado - POR MERVAL PEREIRA.

Marcelo Odebrecht, então presidente da empreiteira, comentou com conhecidos, pouco antes de ser preso pela Operação Lava-Jato, a atuação de Leo Pinheiro, presidente da OAS, no sítio de Atibaia: “O que que tem o Léo ajudar o Lula naquele sítio dele? São amigos, não custa nada ajudar”.

Sabe-se agora, pela reportagem da Folha, que o comentário era, na verdade, uma defesa prévia, pois também a Odebrecht ajudou a reformar o sítio cuja propriedade é atribuída ao ex-presidente.

E o cerne da questão é justamente esse, a complacência com que o público e o privado foram sendo misturados nesses anos petistas, em trocas de favores entre o estado brasileiro e empresas privadas, tipo “uma mão lava a outra”.

É verdade que esse sistema não foi inaugurado com o PT, mas foi esse partido que o institucionalizou, demonstrando uma capacidade insuspeitada de organização. Diz-se que o ex-presidente Fernando Henrique acreditava que Lula e o PT não teriam condições de governar o país em 2002, quando foi eleito pela primeira vez, e procurariam um acordo com o PSDB.

Ledo e ivo engano, como gosta de dizer o Cony. A capacidade de aparelhamento do estado revelada pelo PT nesses 13 anos de poder é impressionante, não deixando pedra sobre pedra da construção institucional que vinha sendo organizada depois do controle da hiperinflação.

É nesse contexto que se inserem as investigações sobre os possíveis bens ocultos do ex-presidente Lula, e suas palestras pelo mundo patrocinadas por diversas empreiteiras, todas envolvidas na Operação Lava-Jato. Seria uma resposta definitiva se Lula enviasse ao Ministério Público as gravações de todas as palestras que deu pelo mundo, provando que não há nada de ilícito na sua atividade.

O maior indício do temor de Lula é a prioridade de sua equipe de advogados de defesa: retirar do juiz Sérgio Moro a responsabilidade do processo, alegando que o tríplex do Guarujá nada tem a ver com a Operação da Lava-Jato. Só que tem.

A propriedade do hoje famoso tríplex de Guarujá é controvertida justamente pelas declarações do próprio Instituto Lula, que desde que uma reportagem do Globo de dezembro de 2014 denunciou que Lula recebera o tríplex com adendos incorporados ao projeto original pela OAS, inclusive um elevador privativo interno, já confirmou a propriedade de Lula e voltou atrás diversas vezes.

Seria simples convocar uma entrevista coletiva com os blogueiros oficiais e mostrar a eles documentos que provassem que o presidente, ou Dona Marisa, devolveram as cotas que dizem ter tido no Bancoop e receberam de volta da OAS o dinheiro aplicado.

Eles não fariam perguntas embaraçosas e a defesa estaria disponível na internet. Claro que é difícil explicar por que a OAS gastou mais de R$ 700 mil num apartamento avaliado em R$ 1,5 milhão e ainda devolveu dinheiro para o antigo proprietário. Ou por que um engenheiro importante da Odebrecht aproveitou suas férias para fazer de graça um trabalho no sítio de Atibaia sem saber direito para quem estava trabalhando e por que.

Mas nada de concreto é feito, só negativas vazias e ataques ao que seria uma “caçada” a Lula, que mereceria, por seu histórico, um tratamento “mais respeitoso”, de acordo com o ministro Jaques Wagner.

O contrário é que seria necessário, que Lula tivesse mais respeito com a população e desse explicações razoáveis sobre o tríplex do Guarujá e também sobre o sítio de Atibaia, que está em nome de sócios de um filho seu.

É inegável que a propriedade é usada por Lula e sua família como se fosse deles, pois até mesmo parte da sua mudança foi mandada para lá quando ele deixou o governo, em 2010. Há depoimentos diversos, nos dois imóveis, de gente que viu Lula e parentes usufruindo do local, orientando obras, e comprovação da participação de executivos e engenheiros das duas empreiteiras.

Ontem Lula admitiu que frequenta o sítio, que seria propriedade de amigos da família. E por que esse proprietário, Fernando Bittar, que é sócio de um filho de Lula e filho de um líder petista, não vem a público revelar que tem muito prazer em que Lula use seu sítio como se fosse seu? E que gostou muito que a Odebrecht tivesse feito reformas de graça na sua propriedade para dar mais conforto a Lula. Ou que prove que pagou pelas reformas. O outro sócio, Jonas Suassuna, já tirou o corpo fora dizendo sua parte no sítio não tem nada a ver com a que Lula frequenta.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Notas oficiais do Instituto Lula desnudaram Lula - Por Josias de Souza.


Há uma originalidade perversa nas notas oficiais do Instituto Lula. Elas transformam Lula numa caricatura burlesca do velho mito. É como se os textos tivessem a missão inconsciente de desnudar Lula. Desvendam a promiscuidade imobiliária do personagem confessando-a em conta-gotas.

As notas do Instituto Lula travam uma relação instável com a verdade. Tratam o noticiário como ficção urdida para difamar o grande líder. Escoram seus desmentidos em meias verdades, realçando exatamente a metade que é mentira. A absoluta verdade, só em caso de última necessidade.

Nas notas do Instituto Lula, a verdade não só é muito mais incrível do que a ficção como é muito mais difícil de inventar. Tamanho é o desejo de criar uma verdade particular para Lula, que os textos mentem mal. Ao tentar remendar a situação, deixam as mais espantosas pistas.



Na primeira versão, Lula não era dono do triplex do Guarujá. Sua mulher Marisa adquirira apenas uma cota-parte da Bancoop. E o advogado da família não tinha a mais remota ideia de que uma empreiteira enrolada na Lava Jato reformara o apartamento que o Ministério Público suspeita pertencer ao clã dos Silva.

Na penúltima versão, as meias verdades anteriores aproximaram-se dos fatos narrados pelas testemunhas inquiridas pelo Ministério Público. Súbito, a cota-parte de Marisa transformou-se no apartamento 141, uma unidade padrão do prédio do Guarujá. Que ela comprara da Bancoop na planta, em 2005.

A mulher de Lula pagara as prestações do imóvel até 2009. Nesse ano, a cooperativa foi à breca. E a OAS assumiu a obra. Sustenta-se que Marisa não quis aderir ao novo contrato com a empreiteira. Ainda assim, preservou o direito de requerer seu dinheiro de volta a qualquer tempo.

Nesse novo enredo, o célebre triplex foi visitado por Lula e Marisa. Ciceroneou-os ninguém menos que Léo Pinheiro, o dono da OAS. O casal avaliou que, como estava, o imóvel não interessava. A empreiteira investiu quase R$ 1 milhão para adaptar o triplex. Instalou-se até elevador privativo.

Admitiu-se que Marisa e o filho Fábio Luís, o Lulinha, visitaram o triplex durante as obras. Sonegou-se o número de vezes. O Instituto Lula absteve-se também de esclarecer se as obras foram realizadas por encomenda dos Silva. Informou-se apenas que a família desistiu de comprar o triplex, mesmo reformado.

Por quê? Lula e Marisa abespinharam-se com o noticiário infundado, apinhado de boatos e ilações. Em novembro de 2015, solicitaram a devolução do dinheiro investido, com desconto de 10%, nas mesmas condições dos outros cooperados que não aderiram ao contrato com a OAS.

Mesmas condições? Lorota. A nenhum outro cliente foi concedida a prerrogativa de esperar seis anos para pedir a devolução da grana. Os outros tiveram de fazer a opção em 2009. Curiosamente, o distrato que teria sido assinado por Marisa em 2015 consta de um documento de 2009. Coisa da Bancoop. Resta saber como uma cooperativa quebrada ressarcirá a família Silva.

Nenhum outro casal visitou o edifício na companhia do empreiteiro Léo Pinheiro. A OAS não mandou remodelar nenhuma unidade além do triplex 164-A. Empreteiro que derrama quase R$ 1 milhão numa reforma sem exigir o compromisso de compra do imóvel é coisa jamais vista na história desse país.

A pretexto de desmentir as relações promíscuas de Lula com a OAS, a entidade de Lula terminou reforçando-as. Nesse tipo de ligação, a alma do negócio é o segredo. O ziguezague das notas do Instituto Lula avilta a alma do negócio. Especialistas no ramo, como Paulo Maluf, têm a manha da coisa. Lula não. Maluf jamais modifica versões.

Ao fornecer suas verdades em suaves prestações, o Instituto Lula rompe a normalidade de um modelo de transgressões secular. Em menos de duas semanas, Lula foi metido em narrativas imobiliárias que o acomodaram num apartamento à beira mar, ao lado de um empreiteiro tisnado pela corrupção, e o transformaram em visitante contumaz de um sitio em Atibaia reformado por uma construtora cujos executivos suam o dedo na Lava Jato.

Sempre tão loquaz, Lula deveria convocar uma entrevista para assumir sua própria defesa. Só um suicida terceirizaria a tarefa ao didatismo revolucionário dos redatores do Instituto Lula.

Marisa Letícia, a fábula - Por Mary Zaidan.

Protagonista de absurdos - dos canteiros em formato de estrela que mandou plantar nos jardins do Palácio da Alvorada e da Granja do Torto à requisição e obtenção de cidadania italiana para ela e a prole no segundo ano do primeiro mandato presidencial de seu marido -, Marisa Letícia Lula da Silva volta à cena. E em grande estilo. Seria dela a opção de compra do tríplex frente ao mar no Guarujá, alvo de investigações do Ministério Público de São Paulo e da Lava Jato. O mesmo imóvel que já foi, era e nunca foi de Lula.

Idealizado pela Bancoop, cooperativa criada em 1996 pelos petistas ilustres Ricardo Berzoini, hoje ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, e João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, condenado a 15 anos e quatro meses pelo juiz Sérgio Moro, o tríplex apareceu na declaração do candidato Lula, em 2006, com um valor irrisório de R$ 47,6 mil. Referia-se a uma parcela do financiamento do Edifício Solaris, então na planta, em que outros petistas, incluindo Vaccari, tinham comprado apartamentos.

Até aí, o anormal era apenas o fato de a Bancoop lançar um empreendimento de alto luxo depois de já ter dado cano na praça, usurpando a poupança e os sonhos de mais de três mil cooperados. Algo que Lula, como sempre, alegará que não sabia.


A estapafúrdia história do tríplex não para aí.

Em 2010, a assessoria de Lula garantiu que o apartamento pertencia ao ex. Quatro anos depois, o Globo publicou reportagem sobre o Solaris apontando que o prédio tinha sido concluído enquanto os mutuários da Bancoop continuavam a chupar dedos. E que a unidade de Lula e sua mulher tinha recebido tratamento de alto luxo da OAS, empreiteira que assumiu o empreendimento: elevador interno, substituição de pisos e da piscina. Tudo supervisionado e aprovado por Marisa Letícia.

De repente, com as investigações esquentando, o frente ao mar do casal (ou de Lula, conforme declaração anterior) virou um negócio exclusivo de Marisa Letícia. Do qual, no papel de The good wife, ela desistiu.

Sabe-se hoje que as idas da ex-primeira-dama ao Solaris causavam frisson. Flores eram colocadas nas áreas comuns, todos ficavam sabendo quando ela chegava. Sabe-se ainda que o presidente da OAS, Leo Pinheiro, condenado pela Lava Jato a 15 anos de reclusão, esteve lá com ela em pelo menos uma das visitas.

E aqui vale a questão: o que faria o dono de uma das maiores empreiteiras do país acompanhar Marisa Letícia na vistoria de uma simples reforma de um apartamento se o imóvel não fosse do ex-primeiro-casal?

Mas há muitas outras perguntas sem respostas. Em um artigo didático, o jornalista Josias de Souza mostra a ausência absoluta de nexo nas explicações de Lula. Argumentos que não explicam, confundem.

Confundir. Talvez seja essa a ideia ou a única saída imaginada por Lula.

Sem conseguir dizer quanto pagou além dos R$ 47,6 mil declarados em 2006 ou apresentar recibos da desistência, com data e valores de reembolso exigidos, tudo que o Instituto Lula fala beira papo para engambelar otário. Nem mesmo a cota nominal para demonstrar que a opção de compra do apartamento foi mesmo de Marisa veio a público. São documentos simples, claros, objetivos. Mostrá-los livraria o Instituto Lula e o próprio ex de torturar os fatos.

Sem isso, resta a Lula, ao PT e aos militantes mais aguerridos atribuir tudo à perseguição histórica ao ex. Tudo – tríplex reformado pela OAS, sítio recauchutado pela Odebrecht, filho que recebe R$ 2,5 milhões por consultoria via Google, os “não sabia” do Mensalão, do escândalo da Petrobras e tantos outros – não passa de uma conspiração para “derreter Lula” e “destruir o PT”, como clama o presidente da sigla, Rui Falcão.

O conto do tríplex ainda vai longe. Mas de cara já se sabe: tem orelha de lobo, focinho de lobo, boca e dentes de lobo. Ninguém vai acreditar que é a vovozinha.


LULA TRATA OS BRASILEIROS COMO SE FOSSEM IDIOTAS - Por Ricardo Noblat

Em respeito à inteligência coletiva, recomenda-se a Lula que invente outra desculpa para a reforma do sítio de Atibaia. A do tríplex não colou.

Sem despesas pessoais, pelo menos, durante os 8 anos em que governou o país, e tendo recebido rios de dinheiros de empreiteiras para fazer palestras e, desconfia-se, lobby, nada mais natural do que Lula dispor de renda suficiente para comprar um tríplex com vista para o mar na praia do Guarujá, e reformar seu sítio em Atibaia, interior de São Paulo.

Mas não é disso que se trata. Trata-se do que existe de escandaloso, de imoral, de agressão à ética pública em se aceitar “agrados” de empreiteiras fornecedoras do governo.

Vejam que nem falo da suspeita de que as reformas do seu apartamento no Guarujá e do sítio em Atibaia serviram para que a OAS e a Odebrecht o remunerassem por fora.

Caberá ao Ministério Público e, mais tarde à Justiça, dizer se a suspeita tinha cabimento ou não.

Um homem público não pode aceitar regalos de quem quer que seja, muito menos de quem está sujeito aos efeitos de suas possíveis decisões.

É por isso que mesmo um presidente da República, ou principalmente ele, é proibido de receber presentes que excedam determinado valor.

A condição de ex-presidente ou de ex qualquer coisa que dependa do voto, não libera ninguém da obrigação de se comportar com sobriedade, bom senso, e respeito ao que manda a lei ou o consenso social.

Lula não é um ex-homem público. Continua sendo um homem público. E costuma apresentar-se como a “alma viva mais honesta” do país.

Ou, num surto de modéstia incontida, como uma das almas vivas mais honestas. De resto, como ele mesmo admite, ainda poderá ser candidato à presidência da República. Seria a sexta vez.

Só um idiota acreditará na história de que a OAS gastou mais de um milhão de reais para reformar um tríplex que poderia ou não vir a interessar a Lula.

Ela o reformou, sim, para atender às exigências do casal Lula da Silva, que só renunciou ao mimo porque a maracutaia acabou descoberta.

Quanto ao sítio, onde a Odebrecht gastou, pagando com dinheiro vivo, mais de R$ 500 mil: certamente Lula dirá que não lhe pertence. Que está registrado em nome de dois sócios de um dos seus filhos.

Isso significa que a Odebrecht gastou uma boa nota com um sítio de terceiros só porque o ex-presidente, de vez em quando, lá se hospeda.

Quanta generosidade! Quanto cinismo!

Em respeito à inteligência coletiva, recomenda-se a Lula que invente outra desculpa para a reforma do sítio de Atibaia. A do tríplex não colou.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Diário Brasil.

De líder confiante e dono do mundo, restou apenas um idoso destruído. O fim do papudo pode ser na Papuda.

Parece que Lula já gastou todos os trunfos que tinha. Ele fez de tudo. Indicou ministros para o STF, recrutou políticos da pior espécie, corrompeu, ameaçou, negou (como sempre) ,chantageou, desafiou  e fez um pacto com tudo o que não presta.

Lula ordenou, mandou, pediu. implorou, se humilhou e esgotou seus recursos. Agora já era.

A cada detalhe jurídico do STF, enlameado com a falta de ética dos Teori e Levandowski da vida, Moro e Cia criavam um antídoto. Trabalho meticuloso. Mescla de xadrez, prevendo lances futuros.

Paciência, sabendo esperar a hora certa para pegar o touro na unha.

A Coisa foi tão bem cercada, que o STF, guiado por interesses puramente politico partidários, quase colocou em xeque toda a credibilidade do judiciário brasileiro.

Lula não tem não tem força. Agora é esperar a mordida. A jugular está exposta.

Da imagem do líder arrogante, confiante e dono do mundo, restou um velho destruído, derrotado, sem controle de seu destino, com problemas de saúde física e mental.

O retrato de um moribundo que tende a se agravar. O tsunami mal começou. Familiares temem até uma tentativa de suicídio, vindo de “outrem”.

Em Terra que avião cai sem caixa preta, ser suicidado não é improvável. Batata sempre assa, antes de arquivo começar a queimar. Ele está no chão e cada dia mais solitário. Seguidores “leais” estão a lhe dar um sonoro dane-se, e crescem em sequência geométrica.

As provas contra o barbudo não param de chegar. Mas a Policia Federal quer mais. Quer se alinhavar de tal forma para que tudo seja executado num bote só.

O fim do papudo poderá ser na Papuda, em companhia de velhos “cumpanheros”. Quando lá chegar, certamente não será bem recebido. Tem gente lá dentro, louco pra servir seu fígado no jantar.

Mesmo os maiores opositores se rendem. Moro é muito bom no que faz. Corre à boca miúda:

Depois da queda do Chefe, vai atrás de determinados magistrados marionetes. Esse o Brasil levanta pra aplaudir.

Congresso inicia 2016 sob escombros de 2015 - Por Josias de Souza.

Termina nesta terça-feira o recesso parlamentar. Quem olhar para o Congresso verá o pretérito passando diante dos olhos. Deputados e senadores abrirão o ano legislativo de 2016 sob os escombros de 2015. Vivo, Cazuza definiria a agenda legislativa do ano como um museu de novidades: o impeachment, as contas de Dilma rejeitadas pelo TCU, a DRU, a CPMF… Tudo isso sob o comando dos suspeitos de sempre: Eduardo Cunha e Renan Calheiros —o primeiro mordendo Dilma Rousseff na Câmara. O segundo soprando a presidente no Senado.

O Congresso saiu em férias pouco depois de o petista Nelson Barbosa assumir o Ministério da Fazenda, com o compromisso de virar a página do ajuste fiscal que o governo não deixou Joaquim Levy executar. E volta à ativa uma semana depois de Dilma informar aos membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, que a página do ajuste será virada para trás. Contra a recessão, ideias velhas como a oferta de R$ 83 bilhões em crédito subsidiado. Contra o rombo nas contas públicas, a recriação da CPMF.

Noutros tempos, os 45 dias de férias talvez dessem aos parlamentares uma perspectiva renovada do Brasil, pois enxergariam o antes e o depois sem a dispersão que os distrai nos plenários da Câmara e do Senado. Hoje, se um congressista pergunta aos colegas o que estão achando do Brasil na volta ao trabalho, arrisca-se a ouvir uma mesma resposta: como piorou, né?

Como manda a Constituição, Dilma enviará ao Congresso uma mensagem para ser lida na primeira sessão do ano. Nela, a presidente prestará contas do que imagina já ter realizado e informará o que ainda se julga capaz de fazer. Em fevereiro de 2015, a mensagem de Dilma partia de premissas frágeis, para chegar a conclusões equivocadas. A credibilidade da peça pode ser medida em dois trechos.

Num trecho, a presidente prometia ajustar a economia sem “recessão e retrocesso.” Noutro, sustentava que seu governo tem “combatido sem trégua a corrupção.” Em 2016, o Brasil caminha para o terceiro ano de recessão. E a Lava Jato já se acerca até de Lula. A despeito disso, Dilma manterá o timbre otimista na nova mensagem ao Legislativo. Anotará que o país sairá da crise mais forte e competitivo. Para facilitar, pede a abertura de um diálogo inspirado no lema dos mosqueteiros: um por todos, todos por hummmm…

Prevalecendo o modelo preconizado por Dilma, o sistema econômico vigente no Brasil não será nem o capitalismo nem o socialismo, será o crédito consignado. Os brasileiros se dividirão em credores (poucos) e devedores (todo o resto). O crédito (empresarial e pessoal) será a nova religião. O diabo é que, já mergulhados em dívidas, os devotos talvez prefiram se abster.

Com a inflação a pino, Dilma atravessa seu sexto ano no poder. Há cinco anos, ela achou que era hora de enfrentar o tigre. Por algum tempo, acreditou poderia continuar correndo na frente do tigre. O tigre pegou o Brasil. Agora, Dilma tenta o milagre de convencer o Congresso e o país que foi melhor assim, que o tigre não é tão ruim quanto parece e, pensando bem, é bom ser devorado pelo tigre. Desde que o Congresso colabore e o brasileiro se finja de bobo. Pelo bem do Brasil.

Ateismo, moda e status - Antonio Alves de Morais



"O ateísmo, que por sinal, hoje é moda e status não é coisa nova. No tempo de Cristo havia milhares e milhares de incrédulos e perseguidores.

Tinham um coração de pedra, fechados nos seus preconceitos. Os pecados dos homens não incomodavam tanto a Cristo, mas sim a falta de fé. Para os pecadores ele se torna amigo, mas quando se trata da falta de fé repreende severamente.

Vergonha não é ter uma fé, uma religião. Ridículo é negar a Deus por ter vergonha de segui-lo".


Lulinha na mira da Lava Jato - Revista Veja


O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, aceitou contar para a Lava Jato detalhes sobre a compra da Gamecorp, de Lulinha.

Diz a Veja:

Azevedo dirá que a antiga Telemar, que foi rebatizada de Oi, comprou cerca de 30% da Gamecorp, por 5 milhões de reais, em 2005, a pedido de Lula.

Naquela época, o presidente sabia que o banqueiro Daniel Dantas apresentara uma oferta para se tornar sócio da Gamecorp. 

Como queria Dantas longe de seu filho e de seu governo, o petista, segundo Azevedo, pediu aos donos da Telemar/Oi, entre eles a Andrade Gutierrez, que apresentassem uma oferta agressiva de compra dos papéis da empresa de seu primogênito. 

"Assim foi feito”.

Janot assina acordo de delação da Andrade Gutierrez, que implica Sérgio Cabral, dois senadores e um ministro - POR LAURO JARDIM.


Depois de quase cinquenta dias, Rodrigo Janot assinou, enfim, o acordo de delação premiada da Andrade Gutierrez. Ou mais precisamente dos onze executivos do grupo.

O que está prometido atinge diretamente gente graúda da política, como Sérgio Cabral (foto), os senadores Edison Lobão e Jader Barbalho, e o ministro Eduardo Braga.