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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

019 - Preciosidades antigas de Várzea-Alegre - Por Antonio Morais.

José Felipe.

Não há duvidas, José Felipe foi o varzealegrense mais espirituoso de todos os tempos. Como camionheiro varou a Brasil inteiro e por onde passava levava o nome de nossa terra.

São tantas as suas historias que eu não conhecia esta do Mundim do Vale e talvez ele não conheça esta minha. Humor é o que não lhe faltava em tudo que fazia.

Certa vez estava retornando de São Paulo em seu caminhão e quando descansava para o almoço foi procurado por um senhor de Itabuna – Bahia para fazer um frete.

José Felipe não avaliou direito nem o percurso da viagem e muito menos a mercadoria a ser transportada. Cresceu a vista no preço oferecido e partiu para cumprir o trato.

O acordo era transportar uma carrada de porcos de Itabuna-BH para a cidade de Batalha -Alagoas. Vinte quilômetros depois de Itabuna já não tinha mais quem suportasse a catinga, o caminhão já estava uma porcaria.

Quando parava nos postos para abastecer o carro, que o vento dava na direção dos restaurantes só se via a correria dos clientes por conta da inhaca. Finalmente chegou no destino e fez a entrega, e, o dinheiro não deu nem para desinfetar o caminhão. Um mês depois ainda não tinha quem suportasse a catinga de merda no carro.

Depois de um bom tempo, José Felipe retornava novamente de uma viagem a São Paulo e quando chegou na cidade de Itabuna foi visto pelo proprietário dos porcos. O homem se derretia em alegria e procurou saber de José Felipe se ele podia levar outra carrada de porcos para o mesmo destino que ele pagava bem mais pelo frete etc.

José Felipe estava almoçando, suspendeu um pouco e falou para o homem: meu amigo, o problema não é o preço do frete. Eu só levo seus porcos se você amarrar um pinico no rabo de cada um. Diante da impossibilidade o homem desistiu.

7 comentários:

  1. Jose Felipe passava na cidade de Senhor do Bonfim na Bahia e pernoitou. na frente do patio da pensão tinha uma quantidade enorme de Cururu comendo besouros. Jose Felipe olhou para a Dona da pensão e disse: Eu tenho uma plantação de feijão que está sendo prejudicada pelo besouro que destroe a flor e o canivete. Dizem que o melhor remedio é cururu. Ele come os besouros. Se a senhora juntar na volta eu apanho e pago caro por cada um. Jose Felipe seguiu para São Paulo e ja volta a mulher estava com um chiqueiro com uns 600cururus. Jose Felipe observou e disse: Eu estou indo entregar esta mercadoria em Alagoas e vá juntando mais que na volta eu apanho e pago todos. Nunca mais retornou ao lugar. Sempre que viajava fazia pelo desvio.

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  2. Coitado do Zé Felipe... isso só vem alertar que olho grande não entra na China, rs rs rs. Ele era prezepeiro: como dizia meu Pai; mas era engraçado. Abraço

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  3. Maria de Fatima.

    Voce ja pensou a coitada da mulher esperando que Jose Felipe fosse buscar aquela ruma de cururus? E do credor da dona da pensão esperando receber a conta com o dinheiro dos cururus que ela estava para receber?

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  4. Maria de Fátima, vivendo e aprendendo. Desconhecia este proverbio "quem tem olho grande não entra na China". Valeu!
    O varzealegrense José Felipe era um presepeiro e tanto!
    Abraço

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  5. Por falar nesses cururus, ontem fomos jantar para comemorar os 33 anos de casamento. No cardápio havia rãs. Comentei com meu esposo: isto aí eu já provei, hoje não quero mais! (Tenho pavor desses bichinhos). Aí me veio a lembrança.

    No início dos anos 60, por volta dos meus 10 anos de idade, quando o atual Bairro Sossego era um sítio aonde costumávamos fazer pick-nicks, debaixo de um frondoso pé de umbu; no tempo que nós crianças tomávamos banho na chuva, a meninada toda correndo de casa em casa para descolar a melhor bica possível; quando, ainda, o Pimenta era pouco habitado. Nosso bom vizinho Sr. Felipe, acompanhado de algum outro vizinho ou de um irmão, em companhia da criançada, seus filhos: Sergio, Frederico e Adriano e meus irmãos Rubens e Renato, de vez em quando costumavam ir àquele Rio Granjeiro. O local era mais ou menos atrás da casa de Gerson Moreira, na Rua Cícero Araripe.
    Era uma onda medonha de irem buscar rãs. Bastante curiosa, com a euforia da meninada, embora de longe, observava como na maior simplicidade eles "assassinavam" as rãs, apenas uma espetada na cabeça com uma agulha de costura. Quando tiravam a pele das rãs, ficava tudo muito parecido com um galetinho. Me divertia vendo fritarem as rãs inteiras, elas pareciam que dançavam se remexiam todas na frigideira. Era tudo uma grande novidade para mim e até ensaiei provar daquela iguaria, queria mostrar garra e muita coragem! A carne muito macia, mais saborosa do que o frango.
    Minha tia Anuzia, que já morava em Fortaleza, muito amiga de minha mãe, quando chegava no Crato uma das primeiras coisas que fazia era almoçar lá em casa e passar a tarde inteira conversando para aliviar a saudada da irmã e amiga.
    A disgestão do almoço já era certa, então, meus irmãos e eu resolvemos fritar uma rã com o intuito de fazer uma peraltice com nossa tia. Chegamos com muita delicadeza e atenção oferecendo aquele franguinho muito especial feito com carinho para ela. A tia saboreou, elogiou, digeriu o quanto pôde e assim, resolvemos contar-lhe que a carne era de rã.
    Foi um Deus nos acuda com o mal estar de nossa tia. Nossa diversão acabou por ali porque não esperávamos criar tanto desconforto e desespero.

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  6. Parabens pelo aniversario de casamento. 33 anos. Que não falte a voce e ao Vicente a compreenção, o carinho, o afeto e o amor necessario para chegarem aos 70 de casados!
    Deus lhes abençõe.
    A. Moraisw

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  7. Obrigada, Morais!
    Que os Anjos digam amém!

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