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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira - O apostolo da caridade.


Humilde de origem, pois filho de um modesto ferroviário da extinta Rede de Viação Cearense, Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira ocupa lugar na história da Diocese de Crato, como um dos seus mais valorosos sacerdotes. Um homem vocacionado por Deus para a missão de educar e servir aos semelhantes. Foi ordenado presbítero com 23 anos e seis meses de idade. Viveu apenas 57 anos, 34 dos quais exercendo um profícuo ministério sacerdotal. Tão logo foi ordenado sacerdote, Monsenhor Rocha passou a lecionar no Seminário São José, o que fez por seis anos, findos os quais assumiu o cargo de reitor dessa instituição, ali permanecendo por mais 15 anos. Mas suas atividades não se limitavam só a isso.
Foi, por 24 anos, Provedor do Hospital São Francisco de Assis, sendo que, nos últimos 12 anos de sua vida, residiu no próprio hospital. Por essa atividade ficou conhecido como “O Apóstolo da Caridade”. Simultaneamente, foi jornalista e diretor do jornal “A Ação”, órgão oficial da Diocese de Crato; orientador espiritual da Liga Feminina da Ação Católica; radialista, produtor e apresentador do programa “Consultório da Família”, levado ao ar pelas emissoras de rádio da cidade de Crato; Diretor Diocesano da Obra de Vocações Sacerdotais, entidade responsável pelo financiamento dos estudos de muitos sacerdotes. Sem falar que sempre foi muito requisitado para pregar retiros espirituais.
Um dos maiores oradores sacros do Sul do Ceará, Monsenhor Rocha era um líder entre seus colegas de sacerdócio. A muitos desses seus irmãos de ministério amparou, na velhice, dando, assim, o testemunho de um coração misericordioso e solidário. Vários dos pavilhões existentes no Hospital São Francisco foram por ele construídos. Possuía um espírito prático, sendo reconhecido como administrador competente e criterioso.
Certa feita, recebeu uma verba da entidade católica alemã Miserior, destinada à reforma e melhoramentos no Hospital São Francisco. Ao término das obras e como sobrara certa importância do dinheiro recebido, devolveu à instituição doadora essa sobra. Dos alemães, que vieram fiscalizar a construção, ficou este testemunho:
– Trata-se de caso único, na história da Miserior.
Monsenhor Murilo de Sá Barreto assim se referiu a Monsenhor Rocha, seu antigo mestre:
“Era um Reitor amigo, educador coerente, conselheiro paciente, conferencista polivalente, iniciador da Ação Católica nesta diocese, acolhedor dos pobres e dos simples, tanto no Seminário como no Hospital, tanto no confessionário como nas conversas informais de orientação”.
Sobre Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira assim escreveu Monsenhor Montenegro, no livro O Apóstolo da Caridade:
“Monsenhor Rocha era um homem simples, modesto, Sacerdote modelo. Um Santo. Simples como Deus o fez, e a vida não conseguiu jamais desfazer. Era um mesmo para todos. E, no entanto, cada um o sentia como se fosse diferente para cada um. O segredo daquele imenso afeto que todos lhe dedicaram, o segredo do prestígio incomparável que adquiriu, em toda a sua vida, estava em ter vivido não para si, mas para os outros, em Deus e por Deus, no próximo, como um Santo Sacerdote, filho dessa Igreja que ele amava apaixonadamente, até o seu último alento”.

(*) Armando Lopes Rafael é historiador.

7 comentários:

  1. Carissimo Armando

    Na decada de 70, quando passava em frente o Hospital São Francisco, indo ou retornando do Colegio Estadual via sempre Monsenhor Rocha nos jardins do Hospital cumprimentando os traseuntes que passavam, os familiares de enfermos,medicos e funcionarios. Sempre com um riso amigo. Parabens pelo belo resgate.
    A. Morais

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  2. Caro Morais:
    Na lápide do túmulo de Monsenhor Rocha - na capela do Seminário São José - está a inscrição:

    "Surgiu uma luz como sol
    e os humildes foram exaltados"
    "Homenagem sincera de quandos
    apreenderam dele o testemuno de:
    Dedicação à Igreja
    Serviço à comunidade
    Amor aos pobres"

    Acho que isso resume o itinerário de Mons. Rocha nesta terra...

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  3. Olá amigo Morais, veja no nosso Blog a edição de nº 25 do JORNAL PONTA DA SERRA.

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  4. Caríssimos amigos, Morais e Armando Rafael

    Monsenhor Rocha:
    Este eu conheci, e a sua narrativa histórica, traça uma rápida biografia do mesmo.

    Quero apenas acrescentar que Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira, era Provedor não só do Hospital São Francisco, mas de todo o conglomerado hospitalar sob a responsabilidade da Diocese do Crato, formado pelo Hospital São Francisco de Assis, Maternidade do Crato (também conhecida por Maternidade Dr. Joaquim Fernandes Teles) e Hospital Infantil (também conhecido por Lactário).

    No lactário, as mães iam amamentar seus filhinhos internados e quando esses estavam saciados, elas amamentavam também as criancinhas cujas mães não tinham leite. Era muito bonito este ato de solidariedade.

    O Hospital Infantil, ele dizia que era a menina dos seus olhos. Quando assumiu, percebeu a grande dificuldade que era manter sem recursos essa entidade, especialmente pela quantidade de lactentes carentes.

    Muitas crianças eram internadas por desnutrição e ele sabia da necessidade de não faltar alimento para esses pequeninos, que ele carinhosamente chamava de “Meus Passarinhos”. Sabia também e comentava que não adiantava dar remédio para subnutridos sem lhes proporcionar o conforto da saciedade.

    Então ele saía pedindo ajuda a população, não só do Crato, como também das cidades circunvizinhas, pois os enfermos convergiam para o Crato, que era naquele tempo a cidade mais desenvolvida da Região do Cariri e a única que um conjunto hospitalar de cunho beneficente.

    Se eu escancarar o portal do tempo e voltar a década de 60, vou encontrar Monsenhor Rocha em plena atividade, inclusive eu ao seu lado nos últimos seis anos, na qualidade de contador geral daquele conjunto hospitalar.

    Conheci de perto a sua luta, o seu carisma e o seu carinho durante a sua administração. Atendia a todos que o procuravam. Conhecia de nome todas as pessoas, bastava ver uma vez. Se alguém o convidasse para celebrar missa em determinada localidade ou sítio e ele estivesse com a agenda cheia, mesmo assim dava um jeitinho. Para ele o mais importante era servir. Talqualmente fizeram D. Quintino e D. Francisco.
    Basta pensar nele e o vejo em minha frente: homem forte, cabelos grisalhos e sempre cortados, andar apressado, batina de cor quase amarela e um semblante que externava amor, compreensão, compaixão e Paz.
    Durante a sua gestão, nunca faltou alimento para seus "passarinhos". De todos os sítios e cidades vizinhas chegava o necessário.
    O carinho que sentíamos por Monsenhor Pedro Rocha, não dava para externar com palavras, ele havia conquistado a todos, e seus feitos, de tão grandiosos, foram escritos nas linhas eternas do éter que o tempo não apaga.
    Nasceu na cidade de Iguatu em 22 de Maio de 1.914 e faleceu em Crato no dia 26 de Janeiro de 1971
    A sua morte inesperada, fez o Crato parar e chorar.

    Abraços do
    Vicente Almeida

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  5. Amigo Antonio.

    Estarei passando Nno Blog da ponta da Serra para vê o seu jornal.
    Abraços.

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  6. Meus caros amigos Armando Rafael e Vicente Almeida.

    Meus reconhecimentos. Agredeço pelos relatos apresentados sobre Mons. Pedro Rocha. O Blog do Sanharol está orgulhoso e honrado por oferecer estas informações para os leitores como respostas aos objetivos de qualquer pesquisador. Parabens aos dois.
    A. Morais

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  7. Caro Vicente Almeida:
    Suas palavras - verídicas e tocantes - me fizeram retornar mentalmente à década 60.
    Seu comentário fica incorporado ao articuleto que fiz sobre o saudoso Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira.
    Um gigante!
    Um Homem com "H" maiúsculo.
    Um Santo de Deus.

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