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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

O último Coronel - Por Antônio Morais

Li, outro dia, um relato mencionando o coronelismo de outrora, e lembrando de uma preciosidade atribuída ao austero Cel. Mario da Silva Leal, chefe político da antiga UDN na região centro sul do estado.

Deputado Estadual por duas legislaturas e que fez historia por sua destacada liderança das décadas de 40 e 50. Proprietário de um grande latifúndio com base territorial no município de São Mateus, hoje Jucás.

O comentário sustenta que se o Cel Mario oferecesse guarida a qualquer recomendado de amigo não tinha nem perigo da policia entrar nas Tabocas, onde morava. Os macacos voltavam da primeira cancela.

Em uma escola municipal do Poço do Mato, hoje Caipu, a professora perguntou ao aluno: Dilermando onde está o sujeito desta oração? Xavier matou Joaquim! Dilermando cravou a resposta no ato: Na fazendo do Cel Mario Leal fessôra.

O Coronel Mário Leal nasceu na Fazenda Castro, do Município de Cariús, na época pertencente a Jucás (São Mateus), antigo solar dos Leais que já apareceu nas crônicas dos primeiros tempos do Império e nas lutas de Pinto Madeira, guarnecendo a região do Alto Jaguaribe.

Ele era filho do abastado fazendeiro e prestigiado chefe político daquela zona, o Coronel Manoel da Silva Pereira da Costa Leal, o “Né do Canto”. Cel. Mário fez os primeiros estudos na própria casa paterna, na fazenda Canto, com o professor Francisco Bezerra que deixou fama de mestre-escola rigoroso e eficiente ensinando a diversas gerações.

Deputado Estadual em duas legislaturas, marcou presença e posição em todas as grandes decisões do Estado, principalmente nas campanhas eleitorais, sempre ao lado de Virgílio Távora, já que era mais moço do que Fernandes Távora e o irmão João Leal.

Foram seus contemporâneos nas diversas frentes políticas do interior do Ceará os lideres Teodomiro Sampaio, de Jardim; José Geraldo da Cruz, de Juazeiro do Norte; Argemiro Sampaio, de Barbalha; Raimundo Augusto, de Lavras da Mangabeira; Chico Martins, de Mombaça; Coronel Feitosa, de Cococi, Dr. Gouveia, de Iguatu e Chico Monte, de Sobral, Filemon Teles, do Crato.

Considerado o último coronel do Sertão, Mário Leal, faleceu na clinica Gêneses de Fortaleza, aos 93 anos, no dia 13 de outubro de 1990.

8 comentários:

  1. Leitores.
    A primeira parte deste texto já foi postado neste Blog. A postagem de hoje vem mais completa, acrescenta dados interessantes e a estou fazendo porque de hoje em diante estarei contando alguns causos relacionados a Mario Leal, um cidadão autero, serio, respeitado e respeitador. Não há duvida, Mario Leal marcou a historia da nossa região.

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  2. Morais:
    Outra postagem bastante interessante que resgata um episódio da nossa história e sociologia.
    São textos assim que proporcionam excelente leitura aos navegadores deste blog.

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  3. Morais
    Conheci essa figura maravilhosa, e era padrinho de batismo de Zé Rodrigues.
    Graças a sua coragem e determinação que logramos êxito para desvendar o assassinato do meu pai, e além de compadres, eram grandes amigos.
    Essa homenagem justa, faz desse blog, uma enciclopédia de boas lembranças.

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  4. Caro Elmano.

    Conheci o Cel Mario Leal. Admiro sua historia pela coragem, pelos exemplos e pela decencia. Exigia respeito e respeitava. Não era fraco. Irei contar algumas historias e lhe convido a ler mesmo que já as conheça.

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  5. Amigo Morais, copiei esta postagem para o meu acervo genealógico.
    O que Seu Mário era do Luiz Leal e do pai do nosso grande amigo Jocildo Leal?

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  6. Antonio.

    Não sei dizer ao certo, mas eram parentes bem proximos: sobrinho ou primo legitimo.

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  7. Elle era meu avò, Lembro com Carinho das brincadeiras que eu brincava la nas tabocas, as vezes que andava de velocipe de baixo das arvores , que ia pros currais..

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  8. Prezada Amanda.

    Seja bem-vinda. Parabens pelo avô. Homem honrado, diciplinado e diciplinador. Viveu uma vida de ordem e respeito e merece nossa gratidão e reconhecimento.

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