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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Um pouco da história que lembramos - Por Antônio Morais


Aureliano Chaves de Mendonça.

Este cidadão mineiro era a medida padrão da decência, honradez e honestidade moral. Foi governador do Estado de Minas Gerais e seu ultimo cargo publico foi o de vice-presidente da Republica no governo João Batista de Figueiredo.

Algumas passagens históricas marcaram a vida de Antônio Aureliano Chaves de Mendonça: Com a viagem do presidente Figueiredo aos Estados Unidos para tratamento de saúde o Aureliano assumiu a Presidência da Republica. Logo nos primeiros dias no cargo é comunicado pelo Ministro Chefe da Casa Civil Leitão de Abreu que um avião havia sido preso no Rio de Janeiro carregado de muamba. Está correto respondeu para o ministro. Acontece que a muamba é do filho do Presidente Figueiredo, disse o Ministro. Prenda-o, respondeu Aureliano! Esta historia foi resolvida com a alta médica forçada e o retorno imediato do presidente Figueiredo ao Brasil, suspendendo o tratamento. Por conta deste fato o Ministro do Exercito General Sílvio Frota passou a nutri indiferença pelo Aureliano e numa solenidade do dia de Independência o ministro não prestou continência ao Vice - Presidente e foi preso por determinação deste. Depois o ministro se demitiu.

O fato mais importante de todos: o Aureliano foi indicado pela convenção nacional do PFL para candidato a presidente da Republica na eleição de 1988. Com Color de Melo disparado nas pesquisas, surgiu à possibilidade da candidatura Sílvio Santos, único nome, segundo as pesquisas de opinião, capaz de derrotar o Color. O presidente do PFL senador Jorge Bornhausen reuniu o diretório nacional que decidiu formar à chapa Sílvio Santos - Marcondes Gadelha, chegando a veicular no horário eleitoral. Acontece que para registrar essa candidatura haveria a necessidade de Aureliano renunciar.

Quando houve a comunicação ao Aureliano da decisão da cúpula do partido ele disse: Vocês deram esse encaminhamento sem me consultar, em razão disto eu não renuncio, serei candidato. Assim o fez mesmo sabendo que não tinha chances. É isto aí.


Nesta época os empresários eram  sérios, honrados,  dignos, probos e humildes.  Ficam portanto os exemplos do politica Aureliano Chaves e do empresário Antônio Ermírio.

Os batistas, incluindo o Eike não  teriam o direito de serem recebidos por Aureliano. Não restam dúvidas.

7 comentários:

  1. Compadre Morais

    Queria que no Brasil de hoje tivessemos um presidente com essa integridade moral. Mas naquele tempo, o Congresso Nacional, sem forças, era mas humilde e não mandava nos recursos da nação.

    É bom lembrar que nem tudo está perdido, temos ainda muitos Aurelianos na Pátria amada, mas no momento que passamos, eles têm vergonha de aparecer.

    Todo brasileiro correto, hoje se envergonha, lamenta e chora a ausencia de homens públicos honestos e sem comprometimentos espúrios.

    Mas, Rui Barbosa, do alto da sua sabedoria, havia previsto os dias de hoje, dizendo: Dia virá em que o homem terá vergonha de dizer que é honesto.
    CHEGOU!!!

    Vicente Almeida

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  2. Caro Morais,
    Oportuno o resgate que você fez do honrado Aureliano Chaves.
    A causa maior da indisposição dele com o general Figueiredo foi motivada porque o Dr.Aureliano Chaves era extremamente trabalhador e o general era preguiçoso. Quando Aureliano assumiu interinamente a presidência mudou o ritmo e Figueiredo interpretou como uma crítica...

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  3. Rapaz,

    Se ninguém fala nesse homem, eu jamais teria me lembrado de novo...

    Abraços,

    DM

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  4. Mesmo depois de se afastar das disputas eleitorais, Aureliano continuou tendo um papel de destaque na política brasileira se posicionando contra as escandalosas entregas das estatais, no período de Fernando Henrique. Foi uma grande voz em defesa da Nação e do seu patrimônio.

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  5. Hoje,uma decada,ninguem comenta, mas eu quero registrar que não esqueci e que faz falta a integridade moral de Aureliano.
    Como seria diferente este Brasil, se tivessemos mais outros ,muito mais outros,como Aureliano !
    Carlos Assis,carioca de Uberaba-MG

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  6. Carlos Assis - Obrigado pelo comentário. Ele testemunha o que escrevi no texto. Abraços.

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  7. Caro Morais:
    Ao par da honestidade, corria parelha a fama da coragem pessoal de Aureliano Chaves.
    Nas minhas andanças por Minas Gerais, soube de um episódio, de quando era Aureliano era jovem adolescente. Chegou a Três Pontas (MG), cidade natal de Aureliano, um circo. À noite o palhaço disse à plateia do picadeiro:
    ––Eu já conhecia corno com duas pontas, mas com três pontas é raridade.
    O jovem Aureliano Chaves estava presente. Na mesma hora saltou do poleiro para o picadeiro, e mandou o palhaço se retratar. O palhaço resistiu e só não apanhou mais porque correu. E nunca mais voltou à progressista cidade de Três Pontas...

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