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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O Bem Amado - Dias Gomes

Primeira novela produzida em cores na televisão brasileira. O prefeito Odorico Paraguaçu, um político corrupto e cheio de artimanhas, tem como meta prioritária em sua administração na cidade fictícia de Sucupira, litoral baiano, a inauguração do cemitério local. De um lado, é bajulado pelo secretário gago, Dirceu Borboleta, profundo conhecedor dos lepidópteros; e conta com o apoio incondicional das irmãs Cajazeiras, suas correligionárias e defensoras fervorosas: Dorotéia, Dulcinéia e Judicéia.

Dorotéia é a mais velha, líder na Câmara de Vereadores da cidade. Dulcinéia, a do meio, é seduzida pelo prefeito. E Judicéia é a mais nova - e mais espevitada. São três solteironas avessas a imoralidades - pelo menos em público, já que Odorico sempre aparece de noite para tomar um "licor de jenipapo"…

De outro, tem que lutar com a forte oposição liderada pela delegada de polícia Donana Medrado, que conta com o dentista Lulu Gouvêia, inimigo mortal do prefeito e líder da oposição na Câmara - atracando-se constantemente com Dorotéia no plenário. E ainda com o jornalista Neco Pedreira, dono do jornal local, A Trombeta. O meio-termo se intensifica com a presença de Nezinho do Jegue, defensor fervoroso de Odorico quando sóbrio, e principal acusador, quando bêbado!

Maquiavelicamente, o prefeito arma tramas para que morra alguém, sendo sempre mal sucedido. Nem as diversas tentativas de suicídio do farmacêutico Libório, um tiroteio na praça e um crime lhe proporcionam a realização do sonho. Para obter êxito, Odorico traz de volta a Sucupira um filho da terra: Zeca Diabo, um pistoleiro redimido, que recebe a missão de matar alguém para a inauguração do cemitério.

Como se não bastasse, Odorico ainda tem que enfrentar os desaforos de Juarez Leão, médico personalístico da oposição, que se envolve com sua filha Telma e faz um bom trabalho em Sucupira, salvando vidas - para desespero de Odorico.
Ao final, uma irônica surpresa: Zeca Diabo, revoltado, mata Odorico, que, finalmente, inaugura o cemitério!

Postado Por A. Morais.

6 comentários:

  1. Todos os astustos politicos brasileiros, sem nenhuma exceção, são fieis aprendises e exemplos autenticos de Odorico Paraguaçu.

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  2. Presados amigos leitores do Blog.

    Eu quiz dizer "astuto" de astucia, esperto de esperteza. Aforasmente isto, convido a todos a ouvir a entrevista do Senhor Prefeito de Sucupira Odorico Paraguaçu. Prestem bem a atenção, comparem os velhos tempos com os atuais. Vejam os projetos e as promessas, veja a Doroteia desfilando e afirmando que o Odorico já nos ensinou como fazer.

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  3. É isso mesmo Morais. Ainda tem
    muito deles parecido com o Odorico.
    Abraço.
    Mundim

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  4. Gostei de rever um pouco o Bem Amado. Uma sátira divertida e o assunto atualíssimo nos dias atuais, infelizmente. Para mim, o personagem central se parece com um certo político de São Paulo, que para nossa felicidade seu apogeu já passou. Esse contrato com a Petrobrás e Sucupira ficar com o petróleo, sei não...
    Muito boa a sua esperteza, Morais, em trazer esse assunto à luz do dia. É bom ficarmos de olhos bem abertos.
    Quando passo no cruzamento da Av. Brasil com a Rua Estados Unidos, onde ocorreu o acidente que o levou, sempre lembro de Dias Gomes o bom dramaturgo.

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  5. É...

    Muito bom.

    É uma viagem no tempo.

    Como você vê, tudo está registrado no gravador cósmico, no Eter. Podemos ir lá sem sair da poltrona

    Uma magnifica postagem.

    Um grande abraço.

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