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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 15 de abril de 2015

ESTRELAS E LUARES - Por Xico Bizerra

Ficava na parte alta da cidade e tinha nome de mulher: Cristina’s, assim mesmo, com apóstrofo e tudo. Lugar chique, o jantar era servido à sombra do céu e com a mesa salpicada de luares. Isto é o que me disseram, lá nunca fui. Até que passei pertinho, certa noite, e vi o neon anunciando a casa, mas não entrei; nem podia, era apenas um estudante e só em sonho poderia entrar ali. Soube, tempos depois, que o restaurante fechou: o proprietário vendia ilusão e ilusões. À chegada da Polícia, escondiam-se sob as mesas algumas estrelas brancas e um raio prateado de luar. Os lustres estavam apagados e as toalhas sujas de lagosta. Chovia.

Xico Bizerra.

2 comentários:

  1. Prezado Xico Bizerra.

    Que bela crônica. Receba os agradecimentos do Blog. É prazeroso lê textos com esta qualidade literária. Tinha que ser um Bizerra, com I, Bizerra do Zuza. Parabens.

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  2. Xico, Morais,

    Aos que ainda confundem o real significado de poesia, pasmem! Esse texto é uma real e bela poesia.

    Parabéns!

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