segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

CONTO DE CARNAVAL Por Raimundinho Piau


A nossa Charanga foi uma batucada, criada para animar os carnavais de rua e os jogos de futebol de salão em Várzea Alegre.O grupo era composto por:Luís Filho, Marconi Proto, Célio e Tércio Costa, Mario Leal, Noberto Rolim, Joemilton Martins, Gonzaga Teixeira, Nilton Freire, João Piau e outros, inclusive esse contador de causos.Nos ensaios nós procurávamos locais reservados, para que nos dias de desfiles, o público tivesse novidades. Uma vez nós estávamos na busca do local para o ensaio, quando Nilton falou:
- Nós podemos ensaiar na casa de Dona Maria Edite, eu arranjo a chave.
Eu perguntei: - E ela não acha ruim não?
- Não que a casa tá alugada a papai.
Nós entramos e fechamos a porta da frente com muito cuidado para que não entrasse curiosos. Com a gente estava o saudoso Fernando de Raimundo Leandro, que nós chamávamos carinhosamente de Castelo Branco. O garoto contava apenas com quatro anos mas não perdia um ensaio da Charanga.Armamos a nossa tenda na sala onde hoje funciona os estúdios da rádio Cultura. Começamos a tocar quando de repente eu notei um claro no corredor. Olhei para a porta e vi entrando Dona Maria Edite vestida de preto, que era luto de sentimento por uma pessoa próxima. Vendo aquela visita entrando eu gritei:
- Lá vem Dona Maria Edite!
Dizendo isso eu corri pela parte traseira da casa, escalei o muro que dava acesso a minha casa e notei que Noberto Rolim ia logo atrás com um surdo de mão quase do tamanho dele. João Piau e Tércio Costa entraram num chiqueiro e ficaram escondidos atrás de uma pilha de pneus velhos. Gonzaga Teixeira que não sabia nadar, pulou o muro depois pulou uma cerca de arame e saiu nadando na lagoa de São Raimundo. Depois foi bater na casa do Sr. Matias onde ficou escondido. Mário Leal pulou para a casa de Valdeliz e enrolou-se no pano de Jesus Cristo, Que era um cenário que Jesus usava nas fotos de primeira comunhão. Só que depois Mário disse, que teria sido melhor enfrentar Maria Edite. Joemilton e Luís Filho, saíram pulando muros até chegar no Recreio Social.Só quem ficou para encarar a proprietária, foi Marconi, Célio e Nilton. Enquanto Marconi e Célio pediam desculpas e Nilton gritava:
- Mas a casa não tá alugada a papai?
- Tá mas eu aluguei foi para morar, não foi pra bater macumba não. E ainda mais que estou de luto.
Enquanto isso eu fui chegando pela porta da frente, com jeito de curioso. A proprietária apontou o dedo na minha direção e falou:
- Taí outro irresponsável sem futuro Na minha reação eu falei:
- Êpa! Eu não tenho nada a vê com isso não. Eu tou chegando agora.
- Tá chegando agora porque atrasou-se. Mas você faz parte da mesma gangue. Com aquela zoada o nosso amiguinho Fernando chorava que desciam lágrimas. Eu peguei o garoto nos braços, me aproximei de Maria Edite e falei:
- Tá vendo o que a senhora fez? A criança chora que corta a voz.
- E eu com isso? Eu não sou babá não. Tá com pena leve ele pra sua avó dar de mamar.
Reprisado para: Luís Gonzaga Teixeira ( Padeco ) e Noberto ( Sibitim )

8 comentários:

  1. Ah! Como tenho saudade da CHARANGA!Adoro esse conto.
    Francesinha

    ResponderExcluir
  2. Pois é Francesinha.
    Você esqueceu de me avisar se recebeu uma mensagens que lhe mandei vi imail.

    ResponderExcluir
  3. Pois é Francesinha.
    Você esqueceu de me avisar se recebeu uma mensagens que lhe mandei vi imail.

    ResponderExcluir
  4. Raimundim, não recebi seu e-mail ainda, por onde vc mandou? Francesinha está esperando ainda.

    ResponderExcluir
  5. Mandei em um dos seus endereços, vou tentar emoutro.

    ResponderExcluir
  6. Raimundim, só agora vi seu recado, o poema já está comigo, vou adicionar uma foto, peça aos outros amigos para fazerem os devidos comentários. Ela merece.
    Abraço Francesinha

    ResponderExcluir