Parecia uma visão.
Uma visão de sonhos!
Aquele cacho de bananas, caído no chão, lhe enchia os olhos. Dava até para sentir o gosto da banana madura na boca!
Mas, uma cerca os separava:de um lado, o menino. Pé no chão, água na boca.Do outro, aquela penca de bananas a lhe chamar.
O menino pisava em suas terras, mas as bananas estavam nas terras do tio.
Uma vontade louca foi lhe subindo pelo corpo e embaralhando seus pensamentos.
Seria necessário apenas um minuto.
Em um minuto, poderia pular a cerca e as bananas seriam suas.
A vontade ficou tão grande que ele não via mais nada. Somente o amarelo ouro das bananas brilhando na sua frente.
Pois ele foi.pulou rapidinho a cerca e agarrou com as duas mãos o tesouro valioso.Foi aí que escutou, como se estivesse despertando de um lindo sonho:
Que é que tu tá fazendo, cabra? Querendo pegar o que não é seu?
Virou rapidamente a cabeça e viu os pés do tio bem ao lado da bananeira. Nem teve coragem de levantar a cabeça,saiu em disparada,correndo como nunca e só foi parar quando teve a certeza de que estava seguro.
A vontade de comer foi vencida pelo medo. Medo do tio, e medo que seu pai soubesse, pois aí levaria uma surra das grandes!
Mas,o segredo ficou guardado entre os dois.Apenas o sol foi testemunha daquela tarde.Tarde da qual o menino jamais se esqueceu!
Mas, naquele dia, ele, na sua inocência de criança, já sabia uma lição que o tio ainda não aprendera(e que talvez não tenha aprendido nunca):
Que, apesar das cercas que existem, nesta vida não somos donos de nada, e nada levaremos dela, além do amor e do bem que fizermos a alguém.


Prezada Loudes Morais.
ResponderExcluirpara ilustrar sua bela cronica estou mostrando este cacho com l.ll2 bananas colhido no Quintal do Bizim em Varzea-Alegre.
Ele é tão real quanto a historia narrada por voce.
Parabens pelo belo texto.
Lourdes Morais - Disse:
ResponderExcluirMuito obrigada pelo espaço que está dando aos meus pequeninos textos em seu blog.Estou muito feliz por isso.
Estou lendo muita coisa interessante e aprendendo muitas lições de vida através das suas mensagens e de todas as outras postadas no blog do Sanharol, do qual já me tornei fã. Acredito que assim,cada dia estou me tornando uma pessoa um pouquinho melhor, mais preocupada com o próximo. Sou mãe e professora e, acredite a oportunidade de escrever é a realização de um sonho antigo(que o seu blog está me ajudando a realizar)e,assim serei um pouquinho melhor para meus filhos e meus alunos.
Gostaria também de poder ler seus livros e os livros de seus conterrâneos. Como posso fazer isso? Posso adquirir algum livro pela internet?
Outra pergunta,se você puder me responder:Como é seu parentesco conosco? Ou seja, quem era irmão,ou filho de quem até chegar em você e em meu pai?(Desculpe a curiosidade).
Abraços,
Lurdinha.
Loudes Morais.
ResponderExcluirEm resposta ao seu questionamento devo dizer que: Antonia Alves de Lima e Pedro Alves de Morais eram irmãos, filhos de Jose Raimundo do Sanharol. A Antonia era avó de seu pai e o Pedro Alves de Morais era o meu avô. Portanto somos parentes bem proximos. Quanto ao livro foi lançado um muito interessante ano passado. Depois darei o local onde é possivel encontrar. Fragmentos para Historia de Varzea-Alegre da Dra Linda lemos tem tudo de nossa terra. Não deixa nada de fora.
Abraços.