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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Crônica - Por Socorro Moreira.

Namorar não significa fazer sexo. Se bem, que também significa. Namorar é andar de mãos dadas, ficar horas penduradas no telefone, rindo e falando bobagens. Ir ao cinema, dançar de rosto colado, trocar poemas e bilhetes, fazer coisa, em parceria, enfim.

Namorar é pensar que está namorando, e pronto. Mesmo que o namoro seja irreal, unilateral. mesmo que seja indefinido: Romance ou amizade.

Tanto faz.
Por essas pequenas emoções, de certa forma, existencialmente vitais, corri riscos, paguei vultosos preços... Tudo por um par de asas, que me levassem, onde moram os meus desejos. Descontando a minha insensatez juvenil, simplesmente, peguei o beco da vida.

Igual a todos os que não ousaram, igual aqueles que nunca precisaram sair do caminho do meio, igual aqueles enfileirados e disciplinados. Fui triste, fui só, e fui estupida, e maravilhosamente feliz.

Recife, primeira estação. Lá, busquei o Cais de Santa Rita. Não como o buscam as doidivanas, mas, como buscam as santas, e ligeiramente profanas. Santos sonhos, com gosto de todas as culpas. Fiz dois anos de terapia pra soltar o meu primeiro porra! Depois foi ficando pô, até ficar, só no p da vida. Dois anos de terapia pra ficar bem com aquilo que sou, e como vou ficando... Consegui.

Agora como pecadora remida, uso créditos, solto meus pós de artifícios. Salpico afetos pelo reino da memoria, e o subproduto, eu reciclo. Posto aqui, nesta radio, imaginaria, que as vezes, se chama blog. Com margaridas e girassóis nos cabelos, talos de lírios na boca, eu reviso, em boas companhias, minhas incursões e excursões amorosas.

Eu tenho uma prima que conhece os meus causos... Combinamos um dia, que ela os publicaria, depois da minha morte. Por via das duvidas, resolvi antecipar o ato, e não a sorte. Os bem sucedidos, os engraçados, e os sardidos, vou posta-los na sequência. Será o meu café presente, com aromas do passado. Estou em 1975. Quem quiser fazer regressão no tempo... è bem-vindo.

Estou no auge da minha performance feminina.
Meu nome é Dora.

Um comentário:

  1. Este texto da Socorro é de uma perfeição impar. Está no Livro "Diversos autores do Cariricaturas".

    Postei sem pedir permissão. Espero não desagradá-la. Entendo que um texto destes tem que correr o mundo encorajando as pessoas a serem felizes.

    Parabens Socorro Moreira.

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