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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Do livro Lampião em Mossoró - Raimundo Nonato.

Houve, realmente, de 1912 a 1930, clima próprio ao vicejar dessa planta daninha e maldita que foi o banditismo nordestino.

As agitações politicas que abalaram os grandes centros do pais, tinham as suas raízes plantadas no obscuro sertão. 

Os coronéis e chefes políticos, de vilas e cidades, cercavam-se de contraventores da lei, a sua brigada de choque e paus para toda obra. Os afamados Contendas, Os Dungas, Os Zé-Inácio de Barros, os Maciéis e caterva, foram chefes temidos pelo seu poderio nos rifles de assalariados. 

Eles e outros, não eram mais que satélites de Juazeiro do Norte do Padre Cicero, centro convergente do fanatismo, mistico e criminoso : Uma horda sem lei, sem luz e sem ordem. E, segundo o testemunho de abalizados observadores do meio e do homem, e que fixaram a gênese da Sedição de Juazeiro foi daquele antro todo o nordeste, a onda canibalesca do banditismo.

O banditismo oficializado tomou forros de coisa aceita de fato, nos vastos sertões do nordeste, sendo Juazeiro a Meca das hordas bárbaras que iam receber a benção do padrinho Cicero.

Lampião, ali, invernava com os sequaces, descansando, refazendo-se, e se restabelecendo de armas e munições que lhe eram ofertadas ou vendidas pelos seus agentes e protetores, existentes até nos meios mantenedores da ordem. 

Só depois que Lampião assaltou Mossoró e diante do movimento geral de repulsa e repercussão causada pela sinistra aventura, fracassada felizmente, é que se generalizou o combate ao banditismo no nordeste, numa ação convergente de todos os governos. 

Uma caça as feras, constante e sistemática, foi estabelecida, até que, afinal o valoroso e valente Tenente Bezerra deu cabo da vida ao quadrilheiro famoso pelas suas correrias, sangrentas através de seu vasto trato do sertão nordestino.

3 comentários:

  1. Na verdade sem o apoio das autoridades nordestinas, especialmente as do Ceará, Lampião não teria sido tão temido no nordeste. A história dos encontros e desencontros com essas autoridades estão mal contadas. Contam-nas de acordo com os interesses e conveniências atuais.

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  2. A decisão de atacar Mossoró foi um erro. A cidade estava estava preparada para enfrentar o Rei dos Cangaceiros com um efetivo calculado entre 259 a 300 homens distribuídos em pontos estratégicos. Lampião não enfrentava um inimigo senão debaixo de condições que lhe favoreciam o sucesso. Em Mossoró, as cartas estavam contra ele. Desafiou a sorte é perdeu. Mossoró, o empreendimento mais ambicioso e o mais imprudente de sua carreira, fora um erro. Extratos do Livro Lampião O Rei dos Cangaceiros. Autor Billy Haynes Chandler.Traducao de Sarita Linhares Barsted. Rio de Janeiro,1980.Ed Paz e Terra, pag. 107 a 111.

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  3. Corrigindo: ... efetivo calculado entre 150 a 300 homens...

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