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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 6 de março de 2017

039 - Preciosidades antigas de Várzea-Alegre - Por Antônio Morais.


Em carta endereçada ao Bispo em 03 de Janeiro de 1889 os paroquianos varzealegrenses queixam-se sobre o Pe. Joaquim Manoel de Sampaio, e citando caso anterior ocorrido na freguesia de Milagres pedem seu afastamento.

"Continua o vigário Joaquim Manoel de Sampaio a afastar-se cada vez mais do caminho que devia trilhar como sacerdote, e sacerdote encarregado de promover o bem das almas dos fiéis de uma paróquia.

Não somos inimigos de padres, Exm. Sr. Bispo.
Conhecemos alguns que, infelizmente, são o terror das famílias e vivem entregues a todos os vícios, especialmente ao da embriaguez, e que não ocultam, pelo contrário ostentam o seu ódio à moralidade e aos bons costumes.

Conhecemos outros que, acobertados com a capa da hipocrisia, querem ser tidos na conta de virtuosos, quando são mais perigosos do que aqueles, pois se pode evitar-se muito bem a mordedura de um cão danado, é difícil evitar-se a de um que morde de furto.

Lastimamos, porém, que isso se dê e, se estivesse em nossas mãos, a igreja católica, a quem temos por mãe, não seria obrigada tantas vezes a envergonhar-se das misérias de alguns dos seus ministros.

O vigário Joaquim não é um homem perdido, como muita gente talvez suponha; mas é incapaz de exercer o cargo de que se acha investido.

Completamente falto de bom senso, e amante da paraty, não liga aos deveres de seu cargo a devida importância, e ei-lo a descompor e a injuriar aos seus paroquianos, ora de púlpito, ora pelas colunas de jornais, obrigando a muitos a afastarem-se da igreja e a pedirem a S. Exc. que os livre de tamanha praga, como já pediu e felizmente obteve o povo da freguesia de Milagres, onde o vigário Joaquim chegou ao ponto de excomungar do púlpito ao juiz de direito d’aquela comarca, Dr. Barros, como afirmou o Dr. Cartaxo em artigos publicados no Cearense.

Não somos inimigos de padres, Exm. Sr. Bispo, repetimo-lo, e a prova é que até hoje temos tratado com a maior consideração a todos os padres que tem estado n'esta freguesia.

Não somos inimigos de padres, mas não podemos ser amigos do vigário Joaquim, que não o quiz, ser nosso, e que está incompatibilizado conosco.

E como nada nos contriste mais do que sermos obrigados a fugir da igreja, por sabermos que em lugar do um bom pastor iremos encontrar lá um inimigo, pedimos a S. Exc., pelo amor de Deus e da nossa santa religião, que nos dê um vigário que tenha juízo, porque o que o tiver saberá cumprir os seus deveres e conseguintemente conquistará o respeito e a amizade de todos os seus

Paroquianos.

Pesquisa - George Ney Almeida Moreia.

Um comentário:

  1. No meu entendimento 1919 com a venda do patrimônio de São Raimundo pelo Padre Lima teria sido o primeiro desentendimento entre paroquianos e o padre. Mas que nada, desde 1889 o padre Joaquim Manuel Sampaio já fazia suas estripulias.

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