Páginas


"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


terça-feira, 4 de setembro de 2018

O que fizemos ao Museu da Nação?

Nota do Instituto Dona Isabel I, a Redentora

    Destruímos o Museu da Nação.

   Agora aparecerão mil especialistas, evidentemente vários não especialistas entre eles, para dizer o que se perdeu, em matéria de objetos e memorablia. Não se sabe o que se perdeu.
    O Brasil ateou fogo ao seu Museu.

    Dom Pedro II e Dona Isabel, que nasceram naquele palácio, mas também a mãe do primeiro e avó da segunda, Dona Maria Leopoldina, que assinou o “decreto” da Independência do país -- ata do Conselho de Estado -- naquela Quinta da Boa Vista, no mesmíssimo dia em que o prédio ardeu em chamas (02 de setembro de 1822) acreditavam que somos um país abençoado. E se eles estiverem errados e formos o extremo oposto disso?

      O Museu da Nação não padeceu somente porque o Presidente Juscelino Kubitschek visitou-o e depois inaugurou a Ilha Brasilis, inaugurando também o costume presidencial de relegar a baratas e cupins os infindáveis prédios históricos do Rio de Janeiro; ele padeceu, também, porque boa parte dos brasileiros atuais aceita, corrobora e inconscientemente apoia a destruição da cultura nacional.

      Brasileiros adoramos terceirizar a culpa. Eis um esporte nacional não declarado. Não fazemos quase nada pela Nação, por sua História. Não damos um centavo ou dia de trabalho pelas instituições históricas e culturais. As manchetes dos jornais reproduzirão o Brasil. A culpa será sempre de Fulano, de Sicrano ou de Beltrano. 

     Que as labaredas do palácio-museu tenham levado consigo a purgação de muitas culpas desta Nação, tal como ocorria em algumas das culturas de que ele era repositório.

     Que o Museu da Nação, nascido em 1818 e falecido em 2018, possa perdoar o Brasil e os brasileiros pelo seu trágico fim.

  Brasília, 03 de setembro de 2018.

Um comentário:

  1. Não vejo nenhum artista super rico afirmando que o dinheiro leberado pela "Lei Rouanet" teria melhor finalidade se aplicado na conservação dos museus e casas de culturas.

    O fato é que o museu não fala, não faz protesto, não defende o governo, não vota.

    Já os artistas são uma fonte de votos, carregam o santo no andor.

    ResponderExcluir