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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


segunda-feira, 23 de maio de 2022

UM DRIBLE NA DEPRESSÃO - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Não sei ficar calado, nem para mim mesmo.

Ainda mais quando tenho a me ouvir a numerosa plateia representada pela escassa presença de uma só pessoa: minha "mulé", Araci.

Saio dos muxoxos e vou aumentando os decibéis da minha forma de falar gritando.

Foi Barbara Heliodora, especialista em Shakespeare, que disse: "Temos que falar alto para que sejamos ouvidos."

Claro, se referiu aos atores de teatro.

Como que narrando um filme que acabei de assistir, digo o que estou sentindo: saudade.

De repente, sou envolvido por lembranças, mesmo que esteja ocupado na transmissão de um jogo de futebol.

Subitamente, recordo de pessoas que já se foram. E  mesmo de quem não vejo há um bom tempo.

E, também, de fatos que marcarama nossa caminhada nessa vida de "bailarino."

Uma visita inesperada. Dessas que nos levam a uma outra dimensão da alma.

Passo a achar tudo sem o menor sentido.

Indago: "Que porra é essa, se tudo, aparentemente, está bem?"

Mesmo porque basta uma risada de Irene para me tirar do porão.

Como gostava de dizer o saudoso confrade Itamar Monteiro, antes de uma escrachada gaitada: "Qualquer paixão me diverte".

Ou seriam os efeitos desse mundo louco que nos enlouquece e nos leva, de repente, a outras "estações?"

Ao atingir o paroxismo da sensação que nos invade, suspeito que seja o inferno da depressão "tomando chegada".

Aí, dou um drible desconcertante na questão, ao raciocinar como os antigos: "Depressão é uma doença de quem é rico".

Me deixo engabelar pela sentença e emendo outra, bem ao gosto popular: "Sai de mim, abacaxi, que eu tomei leite."

Lembrando o genial frasista e publicitário Carlito Maia: "Se me fecham as saídas, escapulo pela entradas".

Se tocaram?

2 comentários:

  1. Um parente meu da Rajalegre numa audiência com o juiz falou auto. O juiz pediu que ele falasse baixo. Ele respondeu que não sabia falar baixo não. O juiz disse : você vai ficar preso até aprender a falar baixo. A familia mandou o meu pai interceder junto ao Juiz. Depois dos argumentos o Juiz falou para o meu pai : Ele já aprendeu a falar baixo - E, meu pai emendou : Já está cochichando.

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