sábado, 3 de junho de 2017

Em VEJA desta semana:Valério: “Ronan ia entregar Lula como mentor do assassinato”

Preso, operador do mensalão diz que empresário ia denunciar o ex-presidente no caso Celso Daniel se não recebesse 6 milhões de reais
Lula: mentor? (Leonardo Benassatto/Reuters)

Em setembro de 2012, o publicitário Marcos Valério prestou depoimento ao Ministério Público Federal e revelou que  foi informado em 2004 pelo secretário-geral do PT, Silvio José Pereira, que o presidente Lula estava sendo chantageado. A conversa entre os dois ocorreu dois anos após o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. O publicitário disse que o empresário Ronan Maria Pinto exigia 6 milhões de reais para não divulgar informações relacionadas ao caso Santo André, envolvendo o presidente Lula, o ex-ministro José Dirceu e o então assessor particular Gilberto Carvalho.

Marcos Valério diz agora que quer  esclarecer todos detalhes da chantagem. Pelo menos foi o que ele garantiu à deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), que colheu um longo depoimento do publicitário: “O Valério me disse que Ronan ia apontar  o ex-presidente Lula como mentor do assassinato do Celso Daniel”, disse a deputada. Segundo ela, Valério garantiu ter as provas da chantagem.
Valério: o publicitário decidiu revelar os segredos do Caso Santo André (Vara Federal de Curitiba/Reprodução)

A primeira conversa de Valério com a deputada foi no dia 11 de outubro. Ela foi ao presídio atender às reivindicações de presos portadores de necessidades especiais e encontrou o publicitário em uma das celas. No ano passado, Mara, que é filha de um empresário que foi extorquido pela quadrilha que atuava na Prefeitura de Santo André,  tinha entregado ao juiz Sérgio Moro um dossiê sobre o assassinato.  No dia 3 de abril, Mara enviou um ofício ao procurador de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio, narrando as conversas com o publicitário e pedindo andamento às investigações do crime.

“Ele (Valério) deixou muito claro que o senhor Ronan Maria Pinto ia entregar o senhor Luiz Inácio Lula da Silva para a polícia como mentor do assassinato do prefeito Celso Daniel”, escreveu a deputada. Para ela, o depoimento de Valério pode ajudar a desvendar o crime.
Deputada Mara Gabrilli: duas conversas com Valério na cela (Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

Valério já vem negociando sua delação premiada com três promotores de Minas Gerais e dois procuradores da República. O publicitário disse que o ex-prefeito, pouco antes do assassinato, ia entregar um dossiê para a Polícia Federal e para o presidente Lula, envolvendo petistas com o crime organizado. Após o envio do ofício da deputada ao procurador de Justiça de São Paulo, dois promotores foram visitá-lo. O  publicitário quer depor  somente à Polícia Federal.

Perguntado sobre a acusação, Ronan, por intermédio de seu advogado, informou que jamais chantageou quem quer que seja.   A  assessoria do ex-presidente Lula não comentou.
Fonte: VEJA

Ministério Público Federal pede prisão de Lula e pagamento de multas de mais de R$ 87 milhões de reais

O Ministério Público Federal de Curitiba (MPF), responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, pediu ontem (2) à noite ao juiz Sérgio Moro a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros seis réus pelos crimes de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro. O MPF quer que todos cumpram as respectivas penas em regime fechado e que Moro determine a apreensão de R$ 87.624.971,26, correspondente ao valor das propinas que teriam sido pagas nos contratos da OAS com a Petrobras.
 Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva -- Foto: Reuters

O pedido foi encaminhado à Justiça Federal de Curitiba e faz parte das alegações finais do processo que apura o suposto pagamento de propina por parte da OAS, envolvendo um apartamento triplex no Guarujá, litoral paulista e que, segundo o MPF, seria entregue a Lula, como contrapartida por contratos que a empreiteira fechou com a Petrobras.

Do total estabelecido pelo MPF, Lula teria recebido cerca de R$ 3 milhões, incluindo os valores do triplex e do contrato entre a OAS e a transportadora Granero, responsável pela guarda de parte do acervo que o ex-presidente recebeu ao deixar o cargo.
Outros réus

Também são réus no caso o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, os executivos da empresa Agenor Franklin Medeiros, Paulo Gordilho, Fábio Yonamine e Roberto Ferreira, e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Todos são acusados de lavagem de dinheiro e corrupção ativa. A ex-primeira-dama Marisa Letícia teve o nome excluído da ação após a sua morte, em fevereiro passado.

O MPF informou ainda que Léo Pinheiro, Agenor Franklin e Paulo Gordilho devem ter as penas reduzidas pela metade, "considerando que em seus interrogatórios não apenas confessaram ter praticado os graves fatos criminosos..., como também espontaneamente optaram por prestar esclarecimentos relevantes acerca da responsabilidade de coautores e partícipes nos crimes, e tendo em vista, ainda, que forneceram provas documentais... que não eram de conhecimento das autoridades".

Conforme os procuradores que fizeram o pedido, as defesas têm até 20 de junho para contestar os argumentos do MPF. Depois da apresentação das alegações de todos os envolvidos, o processo volta ao juiz Sérgio Moro, que vai definir se condena ou absolve os réus.
Fonte: VEJA on-line

Silêncio ensurdecedor -- por Beatriz Campos (*)

O que dizer do silêncio do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e do ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre as delações dos irmãos Batista, que também denunciaram Lulla e Dillma? Pelo jeito, quanto mais alta a propina, menos importante se torna.

Lulla continua com movimentos para se eleger agora, caso passem no Congresso as diretas já, ou em 2018. São US$ 150 milhões de propina, meio bilhão de reais, que vieram de empréstimos do BNDES e poderiam ter sido investidos nas microempresas, as que empregam 75% dos brasileiros.

 Por enquanto a espuma foi centrada no presidente Michel Temer, que representa o presente. Mas o passado delinquente insiste em voltar. Vai ficar por isso mesmo? A conferir...

(*) Beatriz Campos  - E-mail: beatriz.campos@uol.com.br

Editorial do Estadão - A recuperação ameaçada

Treze anos de populismo devastaram a economia. Mas nem todos aprenderam com os fatos e o risco de retorno à orgia de incompetência, mentira e corrupção está longe de ser desprezível.

O Brasil pode ter saído da recessão no primeiro trimestre, puxado pelo excelente desempenho da agropecuária e pela incipiente reanimação da indústria, mas isso foi antes do recrudescimento da crise política. A recuperação pode ter continuado no trimestre seguinte, mas neste momento é inútil consultar as bolas de cristal sobre o futuro próximo: estão embaçadas como nunca estiveram nos últimos 12 meses. A diferença entre o antes e o depois da visita do empresário Joesley Batista ao presidente Michel Temer foi dramaticamente realçada num intervalo de menos de 24 horas. Na manhã de ontem apareceu a boa notícia sobre a economia pré-crise. O Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre foi 1% maior que o dos três meses finais de 2016. Foi o primeiro resultado positivo, depois de oito trimestres de recuo. Na quarta-feira, ao anoitecer, o Banco Central (BC) havia divulgado a redução dos juros básicos de 11,25% para 10,25%. A palavra incerteza foi usada cinco vezes no comunicado. Polidamente, o redator da nota deixou de explicitar a relação entre a nova insegurança e o assédio ao presidente. Nem precisaria ser mais explícito.

Seria muito mais fácil apostar na continuação do crescimento econômico, neste ano e no próximo, se houvesse alguma segurança quanto ao ritmo de redução dos juros. Dinheiro mais barato faz diferença tanto para a expansão do crédito – para o consumo e para o capital de giro das empresas – quanto para o investimento em máquinas, equipamentos e construções. Essa segurança inexiste, neste momento.

Se as incertezas persistirem, o próximo corte de juros, dentro de um mês e meio, poderá ser inferior a um ponto porcentual, padrão seguido ainda nesta quarta-feira pelo Copom, o Comitê de Política Monetária do BC. A advertência está no final da nota distribuída pouco depois da reunião. O novo quadro de insegurança, segundo o comunicado, pode afetar tanto a evolução dos preços como as possibilidades de avanço no ajuste das contas públicas e no programa de reformas.

Nada disso se fará sem racionalidade, criatividade, respeito à aritmética e às limitações de recursos e, é claro, compromisso com a estabilidade monetária e fiscal. Treze anos de populismo devastaram a economia. Mas nem todos aprenderam com os fatos e o risco de retorno à orgia de incompetência, mentira e corrupção está longe de ser desprezível.

PT: Casa de Mãe Joana -- Irritado com Lindbergh Farias, Lula afirma: ‘Esse garoto não tem futuro’

Fonte: Radar on-line - VEJA -Maurício Lima
Militância chegou a ensaiar vaias ao ex-presidente
Irritado (Paulo Whitaker/Reuters)
Lindbergh Farias ganhou espaço cativo na caixinha de mágoas de Lula desde que se recusou a abandonar a disputa pela presidência do PT.Esses dias, o ex-presidente, que pediu a ele para desistir do plano e apoiar Gleisi Hoffmann, sentenciou a interlocutores: “Esse menino não tem futuro”.
Mas o pior estava por vir.
Ontem, Lindbergh saiu diminuído do Congresso Nacional do partido, em Brasília. Ele sequer estava convidado para se sentar à mesa das autoridades no evento. Só ocupou uma cadeira depois que sua militância, na plateia, gritou pelo nome dele.
Ao pegar o microfone, Lula não perdoou: declarou voto na mulher que ele transformou em favorita para comandar o partido e nem felicitou o adversário dela. “Quero dizer aqui que minha candidata a presidente do PT é a nossa líder e senadora Gleisi Hoffmann”.
A militância reagiu de novo e, ao fundo, esboçou uma vaia ao ex-presidente, rapidamente abafada pelos correligionários. Ao fim, vários petistas acompanharam Lula e Dilma Rousseff à sala VIP do local onde ocorreu o Congresso. Lindbergh tomou o caminho de casa, bem menor do que entrou.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Santana rasga a fantasia dos estadistas de galinheiro - Por Augusto Nunes

Nem Santana consegue entender por que tanta gente acreditou por tanto tempo nas fantasias que inventou para tapear o eleitorado

Em novembro de 2010, numa entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, o marqueteiro João Santana, deslumbrado com a vitória da dupla formada por Dilma Rousseff e Michel Temer, garantiu que a seita lulopetista havia chegado ao reino dos céus pela rota do Planalto. 

Acabara de eleger uma mulher que tinha tudo para ocupar no imaginário brasileiro o trono à espera de uma rainha. E no banco de reservas, além do príncipe consorte Michel Temer, sentava-se ninguém menos que Lula, o Pelé da política.

Neste outono, nos depoimentos à Lava Jato, o delator premiado demonstrou que até Maria I, a Louca, era muito mais confiável e mentalmente equilibrada que a monarca provida de um neurônio só, transferiu o Pelé de araque para o banco dos réus e provou que Michel Temer fez bonito enquanto esteve alojado na corte infestada de vigaristas. 

O que nem Santana consegue entender é por que tanta gente acreditou por tanto tempo nas fantasias que criou para apresentar como salvadores da pátria três estadistas de galinheiro.  

Janot se prepara para denunciar o quadrilhão.

Rodrigo Janot vai denunciar os membros do quadrilhão nas próximas semanas.

Diz a IstoÉ:

“Políticos apontados como principais chefes da ‘organização criminosa’ incrustada dentro de três partidos – PT, PMDB e PP – devem sofrer um novo revés nas próximas semanas.

Antes de deixar o cargo em 17 de setembro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai apresentar a maior parte das denúncias contra os 23 integrantes do chamado ‘quadrilhão’ da Lava Jato.

Serão denunciados políticos como o ex-presidente Lula e o ex-ministro Antonio Palocci, pelo PT, e os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá pelo PMDB do Senado.

A acusação contra eles será a de crime de organização criminosa, cuja pena varia de três a oito anos de cadeia”.

Quantos presidentes já teve a república brasileira? – por Armando Lopes Rafael


Este ano, a República Federativa do Brasil (nome que substituiu a antiga denominação oficial dos “Estados Unidos do Brasil”, em vigor de 1889 a 1967) completará 128 anos de triste existência. Segunda a “contabilidade” republicana nesses 128 anos tivemos 33 presidentes. E a lista oficial inclui 2 presidentes que não chegaram a tomar posse: Júlio Prestes e Tancredo Neves. Ora, se incluiu até quem não assumiu o mandato, cometeu uma tremenda injustiça, pois outros brasileiros chegaram a exercer a Presidência da República (seja por meses, semanas ou mesmo dias) e não constam na lista oficial...

E quem foram esses que assumiram o mandato de Presidente da República e não são citados? Abaixo relaciono os “injustiçados”:

1) Augusto Fragoso
2) Isaias de Noronha
3) Mena Barreto
(Essa “Junta Presidencial” esteve na Presidência da República entre 24 de outubro a 3 de novembro de 1930, antecedendo a posse de Getúlio Vargas como “Chefe do Governo Provisório”, que existiu de 1930 a 1934. Depois, Getúlio Vargas emendou o mandato como “Presidente Constitucional” – ele outorgou uma nova Constituição – de 1934 a 1937 e virou ditador por mais 8 anos, até 1945. Getúlio ficou 15 anos na Presidência e ainda é o mais longevo dos nossos presidentes)

4) José Linhares (cearense de Baturité, que era presidente do Supremo Tribunal Federal e exerceu a Presidência da República após a queda da ditadura Vargas, entre outubro de 1945 a janeiro de 1946).

5) Carlos Luz (era presidente da Câmara dos Deputados e foi investido como Presidente -- de 8 a 11 de novembro de 1955-- em face de um golpe militar que tirou do poder o presidente Café Filho).

6) Nereu Ramos (era presidente do Senado Federal e foi investido como Presidente -- de 11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956 -- em face de novo golpe militar que derrubou o presidente interino Carlos Luz).

7) Rainieri Mazzilli (como Presidente da Câmara dos Deputados assumiu durante a renúncia de Jânio Quadros 25 de agosto a 7 de setembro de 1961)

8) General Aurélio de Lira Tavares
9) Brigadeiro Márcio de Sousa e Melo
10) Almirante Augusto Rademaker

(os últimos três citados eram os Ministros do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, e assumiram - numa Junta Militar -  "o exercício temporário da Presidência da República", para o que não havia qualquer previsão constitucional. Estes ministros militares proibiram o emprego da expressão “Junta Militar”, quando, em 6 de outubro de 1969, declararam "extinto" o mandato do presidente Costa e Silva, que sofrera um AVC e estava impossibilitado de continuar na Presidência. E não deixaram o Vice-Presidente Pedro Aleixo, que era civil, assumir como previa a Constituição em vigor, naquela época).

Como se vê, deixam de incluir na  "lista oficial"  10 (dez) brasileiros que efetivamente exerceram a Presidência da República. Com isso o número de Presidentes da República no Brasil sobe para 43.
O que dá (apesar da famigerada reeleição que beneficiou Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Vana Rousseff com dois mandatos para cada um) uma média de menos de 3 anos para cada mandato dos nossos Presidentes da República...E isso se, daqui para novembro próximo, Michel Temer não for afastado da Presidência e no seu lugar assumir o cidadão Rodrigo Maia (que nasceu no Chile) e é o atual Presidente da Câmara dos Deputados...

Texto e postagem de Armando Lopes Rafael.

Editorial, Estadão dispara: “Lula, o cérebro por trás do descomunal esquema de corrupção”

Vez por outra, citamos editoriais do jornal O Estado de São Paulo. E esta é mais uma dessas ocasiões. Isso porque os textos são contundentes, valendo sempre lembrar que editoriais são, por assim dizer, artigos com a “opinião” dos veículos.

“A escassez de lideranças políticas no Brasil é tão grave que permite que alguém como o chefão petista Lula da Silva ainda apareça como um candidato viável à Presidência da República, mesmo sendo ele o responsável direto, em todos os aspectos, pela devastadora crise que o País atravessa.

Tudo o que de ruim se passa no Brasil converge para Lula, o cérebro por trás do descomunal esquema de corrupção que assaltou a Petrobrás, que loteou o BNDES para empresários camaradas, que desfalcou os fundos de pensão das estatais, que despejou bilhões em obras superfaturadas que muitas vezes nem saíram do papel e que abastardou a política parlamentar com pagamentos em dinheiro feitos em quartos de hotel em Brasília.

Para Lula, tudo é mero cálculo político, ainda que, na sua matemática destrutiva, o País seja o grande prejudicado.  É esse homem que, ademais de ter seis inquéritos policiais nas costas, pretende voltar a governar o Brasil. Que Deus – ou a Justiça – nos livre de tamanha desgraça.”

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Diretas, Já! O trunfo de Temer - Por Ricardo Noblat


O que une neste momento Temer e Lula, o PT e os que ainda defendem dentro do Congresso a permanência do presidente investigado pelo Supremo Tribunal Federal?

Lula e o PT pregam eleições Diretas, Já! para que possam sonhar com a volta ao poder. Temer e seus apoiadores acenam com o risco das Diretas, Já! para não largarem o poder.

Foi por isso que o governo liberou sua tropa para que aprovasse, ontem, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado a proposta de emenda à Constituição que prevê Diretas, Já!, se vagarem nos três primeiros anos de mandato os cargos de presidente e vice-presidente da República.

De autoria do senador José Reguffe (DF-sem partido), a proposta de emenda, aprovada por unanimidade, limita-se a dois artigos. E o segundo deles diz que nesse caso não se aplica o artigo 16 da Constituição que estipula:

“A lei que alterar o processo eleitoral só entrará em vigor um ano após a sua promulgação”.

Ou seja: se o Congresso aprovasse a Emenda Reguffe e Temer deixasse a presidência ainda este ano, haveria Diretas, Já!, para a escolha do seu substituto que governaria até 31 de dezembro de 2018.

Para que vá adiante e vire um fato consumado, a emenda terá que ser votada pelo Senado em dois turnos e depois também em dois turnos pela Câmara dos Deputados. E aprovada nas duas Casas por 3/5 dos votos de cada uma.

Seria difícil aprová-la sem modificações? Seria. Mas deixará de ser impossível se depender de um presidente acuado, de uma crise que se aprofunde e de políticos que aspiram à reeleição.

Por ora, o apoio da base do governo à Emenda Reguff é para tocar terror nos que receiam uma eventual candidatura de Lula. Não sem propósito, a Emenda Reguff já passou a ser chamada no Congresso de Emenda Fica Temer.

Porque Serraglio disse não - Por Dora Kramer.

O Osmar Serraglio que recusou o convite de Temer é o mesmo que atuou com independência como relator da CPI dos Correios. Não surpreende a recusa do deputado Osmar Serraglio de assumir o ministério da Transparência, após ser demitido da pasta da Justiça, para assegurar uma cadeira na Câmara ao homem de confiança de Michel Temer, o suplente Rodrigo Rocha Loures. O gesto de independência causa estranheza se medido pela régua da aliança de Serraglio com Eduardo Cunha. Torna-se natural, contudo, se o cotejo for com a atuação de Osmar Serraglio como relator da CPI dos Correios, aquela que resultou no processo do mensalão. 

Deputado da base governista, pois do PMDB, atuou de maneira independente. Assim como seu parceiro de comando da CPI, Delcídio Amaral, presidente do colegiado, petista e, por sua conduta à época, execrado no partido.

O passado não os redime de nada, mas ao menos não os condena e repõe a veracidade dos fatos.  Em relação a Serraglio, faltou ao presidente Michel Temer um pouco de memória antes de propor a parceria na trama, evitando o constrangimento da recusa.

O desembargador deveria chefiar a Secretaria da Cracolândia - Por Augusto Nunes.

O doutor que vetou a internação de seres humanos reduzidos a zumbis merece administrar a maior feira de drogas ao ar livre do Brasil. Suspeitos de usarem drogas reagem em confronto com a Polícia Militar na Cracolândia, em São Paulo, quando esta tenta retirá-los do local.

Na sexta-feira passada, 26 de maio, decidida a prosseguir o desmonte da Cracolândia, a prefeitura de São Paulo conseguiu do juiz Emilio Migliano Neto autorização para submeter viciados sem equilíbrio mental para exercer o livre arbítrio à avaliação de psiquiatras que recomendariam ou não a internação em clínica especializada. 

No dia 28, a segunda etapa da operação aplaudida por 999 em mil moradores foi suspensa pelo desembargador Reinaldo Miluzzi. Nesta terça-feira, a proibição foi ratificada pelo Tribunal de Justiça.

O prefeito João Doria deveria convidar o desembargador Miluzzi para assumir a chefia de uma Secretaria da Cracolândia. Em parceria com os demais defensores dos direitos humanos de seres desumanizados pelo vício, e com o apoio unânime da plateia de zumbis, o doutor adotaria as medidas necessárias para que todos morram em público e livres do assédio de quem deseja salvá-los.

Coisas da República

Entra mês e sai mês... E o Brasil continua como a cantiga da perua: de pior a pior.
Um bom termômetro é o que a grande imprensa publica. Vejam 4 notas, a primeiras que li neste dia 1º de junho de 2017:

1) Palocci pode citar mais de 20 empresas em delação premiada
Fonte: Monica Bérgamo -- Folha de S.Paulo, 1º/06/2017
 O ex-ministro Antonio Palocci pode citar mais de 20 empresas no acordo de delação premiada que faz com o Ministério Público Federal.Ele mesmo revelou o número a interlocutores com quem conversou recentemente em Curitiba. Palocci calcula que essa foi a quantidade de companhias com quem negociou contribuição em caixa dois para o PT.

2) Pega na mentira! -- por Antônio José Gomes Marques (*)

Mais um petista honesto e ético é apanhado na mentira: Guido Mantega, aquele que ajudou a afundar o País. A família anos atrás vendeu um imóvel de herança e, claro, porque nem ele confiava no Brasil, enviou o dinheiro para a Suíça. Simples assim. Ora, Mantega vive no Brasil. Se o dinheiro era legal, por que enviá-lo para a Suíça? Só dinheiro ilegal costuma ser enviado para fora sem ser declarado! Não dá mais para engolir tanta gente só baixando o sarrafo no Temer, de quem não sou advogado, esquecendo tanta corrupção dos petistas para terem o poder!
(*) ANTÔNIO JOSÉ GOMES MARQUES -- E-mail: a.jose@uol.com.br


3) Brasil em Crise -- por Wilson Haddad (*)
O cenário político e empresarial do Brasil é lamentável. Os políticos não querem largar o osso e os empresários, as vantagens, como desonerações e superfaturamentos. Bancos e empresários em geral nunca ganharam tanto dinheiro como nos 13 anos do PT na Presidência e agora, na crise, querem mudar para outros países, não pensando em contribuir para a recuperação nacional, que certamente virá, é só questão de tempo. São todos imediatistas, não gostam de plantar para colher. Mais cedo ou mais tarde a economia se recuperará, sim, mas graças ao capital estrangeiro, não só o especulativo, como o produtivo.

Empresas brasileiras do tipo JBS, Odebrecht, etc., bem como reservas naturais, tal como o pré-sal e áreas na Amazônia, serão vendidas a preço de banana. Mesmo assim, bilhões de dólares entrarão na nossa economia. Em tempo: é intolerável a cobrança de juros rotativos da ordem de 450% ao ano, quando os bancos remuneram seus clientes a taxas máximas de 12% ao ano. Não por acaso, mais de 60% dos brasileiros estão inadimplentes. Não se podem tabelar juros, mas é possível estabelecer um teto para não se configurar usura extrema? Se o teto fosse de três vezes a taxa Selic, por exemplo, teríamos juros máximos de 36% ao ano, que já seriam dos maiores do mundo.
(*) WILSON HADDAD -- E-mail: wilson.haddad@uol.com.br

4) Casa de Mãe Joana - por Izabel Avallone (*)

Vejo com decepção a minoria no Congresso lutar para permanecer no poder. Sem o menor constrangimento, essa minoria ensandecida aponta os erros dos outros e poupa seus pares. Alguém viu um petista assumir que o PT foi longe demais com os roubos? Tudo o que eles querem é garantir seu status quo. Fica cada vez mais claro que nossos parlamentares não estão preocupados com o Brasil, e sim com seus bolsos, os de seus familiares e as próximas eleições.

Em cada Poder existe um braço da corrupção. É ministro colocando filhos em cargos de destaque, é presidente comprando empresários para beneficiar seus filhos, são deputados e senadores cujos filhos seguem a carreira dos pais e assim se vão locupletando na esteira da corrupção, sem contar o nepotismo cruzado, que todos fazem. O pior é que a cada escândalo descoberto o brasileiro vai sentindo o quanto tem sido feito de trouxa neste país de oportunistas que não se cansam de golpear o trabalhador. E a Justiça, que deveria ser a esperança dos enganados? Ah, essa está vendo como decidir para não melindrar os colarinhos-brancos. É esse o Brasil que queremos?
(*) IZABEL AVALLONE -- E-mail: izabelavallone@gmail.com