quinta-feira, 10 de abril de 2025

Palavras proferidas na inauguração do "espaço-memorial" do Padre Cícero, no Palácio Episcopal de Crato -- Por Armando Lopes Rafael

   Na mensagem de outubro de 2014, enviada pelo Secretário de Estado de Vaticano, Cardeal Pietro Parolin ao Bispo do Crato – em nome do Papa Francisco – contém um parágrafo, emblemático. A conferir.

“(...) não é intenção desta Mensagem pronunciar-se sobre questões históricas, canônicas ou éticas do passado. Pela distância do tempo e complexidade do material disponível, elas continuam a ser objeto de estudos e análise, como atesta a multiplicidade de publicações a respeito, com interpretações as mais variadas e diversificadas. Mas é sempre possível, com a distância do tempo e o evoluir das diversas circunstâncias, reavaliar e apreciar as várias dimensões que marcaram a ação do Padre Cícero como sacerdote e, deixando à margem os pontos mais controversos, pôr em evidência aspectos positivos de sua vida e figura, tal como é atualmente percebida pelos fiéis”.

    Esta solenidade se insere dentro dos pequenos gestos, advindos após aquela mensagem oficial, enviada há oito anos pela Santa Sé. Ela se insere nos gestos, sempre crescentes, das análises sobre os frutos advindos da herança espiritual deixada pelo Padre Cícero. Estamos, agora, materializando um pequeno gesto. Dando continuidade às pequenas atitudes – algumas vezes feitas com pequenas (e grandes) palavras...  De olho nas perspectivas da História. Os grandes acontecimentos históricos resultam, muitas vezes, do somatório de pequenos gestos... Estamos agora fazendo, embora tardiamente, uma significativa homenagem – há muita reclamada - a um dos mais ilustres homens nascidos nesta Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara.

     Parabéns ao Pe. Ivo, idealizador deste pequeno memorial.  Parabéns ao Pe. José Vicente, o qual, como Administrador Diocesano temporário, apoiou esta iniciativa. Nem é necessário justificá-la. Pois, dentre as personalidades nascidas no Cariri, Padre Cícero tornou-se a mais conhecida em todo o Brasil. Ele veio ao mundo, aqui, neste pequeno chão, que agora pisamos, da então Real Vila do Crato, em 24 de março de 1844. Homenagem justa.

       Deus lo vult.  (Deus o quer)

    Padre Cícero foi, inegavelmente, um padre humilde e obediente aos seus superiores. Também obedientes às autoridades da nossa Igreja foram – e continuam sendo – os devotos deste sacerdote. Sobre o Padre Cícero já foram escritas mais de duas centenas de livros; dezenas de teses de doutorados (em renomadas universidades brasileiras e estrangeiras) e centenas de monografias de mestrado. Abordando a figura do Padre Cícero, foram realizados filmes (de curta e longa metragem), além de documentários, seriados e reportagens para a televisão. Incontáveis são as matérias e reportagens publicadas em revistas e jornais sobre este sacerdote. Sem falar nas canções gravadas e nos cordéis publicados pelo povo. Inimaginável o número de ruas, praças e estabelecimentos comerciais – com o nome do Padre Cícero – espalhados Brasil afora. Incontáveis os monumentos públicos e particulares – pequenos bustos ou de corpo inteiro – espalhados na vastidão da Nação Romeira, como é chamado o semiárido nordestino, onde o Padre Cícero continua a ser, cada vez mais, admirado, venerado e amado... 

     E agora, neste gesto concreto, nesta Cúria Diocesana de Crato, é afixada uma placa comemorativa ao local do nascimento do Padre Cícero. Nada mais precisa ser dito. O fato fala por si. Parabéns à Igreja Particular de Crato pela continuação deste diálogo (prudente, transparente e verdadeiro) com seus fiéis daqui e de longe sobre a figura do Padre Cícero. Afinal, a influência da Diocese de Crato não se restringe ao espaço geográfico do extremo meridional do Ceará.  Vai além. Chega ao imenso Sertão Nordestino e até em menor escala noutras partes do Brasil. Tudo isso graças à memória do Padre Cícero.  

     Obrigado pela atenção!

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Memória prodigiosa - Antonio Alves de Morais.

Foto - Da esquerda para direita : Pedrinho Sanharol, Sinésio Sousa e Antonio Vicelmo.

Em 1971, eu estava na Praça Siqueira Campos aguardando o Banco do Cariri S/A abrir, onde eu prestava serviços, observando uma turma de amigos levando um lero animado. 

Lembro-me do Vieirinha, Macário de Brito Monteiro, Júlio Saraiva, Afonso Matos e Afrodizio Nobre da Cruz.

Afonso era um barbalhense apaixonado por sua terra, a terra dos canaviais. Olhou para o Afrodizio e desparou : Afrodizio, você só fala besteira, diga outra besteira.

Afrodizio emendou : "Barbalha". 

Foram risos e mais risos.

Ontem, na mesma praça, encontrei os amigos Sinésio Sousa e Antonio Vicelmo. A foto mostra a praça vazia de gente, de beleza.

Sinésio me fez lembrar o Afonso e disse : Morais, você mente muito, fale mais uma mentira. 

Respondi-lhe no embalo, não precisei pensar : Lula.

E, como não sou de confusão sair de perto. O meu amigo Sinésio Sousa tem a minha amizade e admiração. Foi um dos fundadores do PT do Crato em décadas do século passado. 

Nossa amizade permite-nos que brinquemos como brincávamos nos velhos e bons tempos.

terça-feira, 8 de abril de 2025

O TIBETE TEM O DALAI LAMA. A CBF SÓ A LAMA - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

Há poucos dias, escrevemos neste espaço: "Quem disse que as confederações tratam o futebol de maneira decente?" Basta lembrar que muitos larápios que as dirigiram foram parar na cadeia.

Pois é.  A CBF está, de novo, envolvida em denúncias.

A reportagem "As extravagâncias sem fim da CBF", publicada pela revista Piauí, mostra como a entidade dirigida por Ednaldo Rodrigues "torra" o rico dinheirinho do futebol.

Coisa de nababo. É uma chuva de contracheques para tudo quanto é "roçado".

E sobrou, também, para as federações estaduais que elegem o feudo.

A reportagem revela que um presidente de federação ganha R$ 215 mil, com direito a décimo sexto salário. 

O último balanço da CBF aponta uma receita líquida de um bilhão de reais. 

E pasmem. Segundo a revista, a entidade deve 2,6 milhões em protestos em cartórios.

É. Vai ver o dinheiro ainda é pouco para sustentar a "realeza".

Operando no vermelho, Correios bancam R$ 4 milhões da turnê de Gilberto Gil - Por Diário do Poder.

Gilberto Gil, de antigas ligações a Lula e ao PT: direito a selo e faturamento de R$ 4 milhões .

Servidores dos Correios estão indignados com os R$4 milhões que a estatal desembolsou para virar “patrocinador master” da turnê do cantor Gilberto Gil. Os shows começaram no fim de março, quando a empresa já havia admitido prejuízos de R$2,2 bilhões somente este ano e os trabalhadores já passavam sufoco e denunciavam a falta de repasse de valores ao FGTS. 

Desta vez, a revolta com o patrocínio se soma a outra dor de cabeça dos trabalhadores: o descredenciamento do plano de saúde que, sem receber, suspendeu os atendimentos.

Só aparência.

Sob ameaça de greve e com transportadores recebendo em atraso, os Correios figuram ao lado de patrocinadores como a luxuosa Rolex.

Tá salgado.

Apesar do farto dinheiro público, o pobre vai passar longe. Os ingressos chegam a custar R$1.530; mais do que um salário mínimo (R$1.518).

Dinheiro pelo ralo.

No “Encontro de Novos Prefeitos e Prefeitas em Brasília”, esse ano, os Correios bancaram R$ 1,3 milhão. O ato teve Lula bajulando os novatos.

Fala, Correios.

À coluna, os Correios defendem o patrocínio como reposicionamento de marca. E diz que está em tratativas para manter o plano de saúde ativo.

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Política no Brasil - Antonio Alves de Morais.

Outro dia eu conversava com um amigo sobre politica. Ele falou que desconfiava do desconhecido. Eu revidei, disse que eu desconfiava do conhecido. 

Do Lula e do Bolsonaro eu não desconfio, eu tenho certeza absoluta. Nefastos, putrefatos, sebosos e nocivos à pátria.

Qualquer outro terá o meu voto, menos eles. Eles foram, nas últimas décadas, o que de pior poderia acontecer com o Brasil. 

Infelizmente o povo, massa falida, decide pela emoção, paixão, e, principalmente vendido por esmolas oferecidas por demagogos hipócritas, que sustentam esse sistema que o condena a pobreza e miséria eterna e absoluta.

Difícil saber quem é pior. Nem botando o baralho. 

O Brasil não merece nem um nem o outro.

SAUDADE DO QUE NÃO VIVI - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Mais do que lembrar de coisas no passado, andei, subitamente, com nostalgia de época não vivida.

O que confirma: o passado tem um futuro glorioso.

Como isso é possível? Vamos encontrar uma resposta nas leituras de um livro.

Com bastante atraso (comprei o livro e o esqueci ), acabo de ler "A noite do meu bem", de Ruy Castro.  

A obra do cronista e acadêmico é sobre o Rio de Janeiro, capital da República, no Brasil do pós-guerra. 

Tempo dos cassinos, das boates, da moda, da música e da vida glamourosa. Tudo estava lá.

Se o País era uma "Sibéria florestal", viver no Rio era uma delícia.

Ao final de leitura, fiquei encharcado de saudade da vida que não vivi na cidade maravilhosa.

domingo, 6 de abril de 2025

Três amigos e uma história - Antonio Alves de Morais.

Foto - Da esquerda para direita : Pedrinho Sanharol, Sinésio Sousa e Antonio Vicelmo.

Passei a admirá o Sinésio Sousa pelo seu talento como craque da bola pesada, "futebol de salão" que foi defendendo as cores de equipes na quadra Bi-centenário lotada de torcedores vibrantes. 

Minha admiração por ele não nasceu por eu ter sido professor no curso de admissão ao ginásio do seu irmão "Ivan de Sousa", hoje vigário da "Paróquia de Nossa Senhora de Fátima" em Fortaleza, o mérito foi todo dele.

Um amigo que tenho prazer em encontrá-lo.

Antonio Vicelmo, "o homem da notícia". Às 12.30 estávamos todos em frente da "Sé Catedral de Nossa Senhora da Penha". Ali nos juntávamos as turminhas e subíamos para o Colégio Estadual. 

Na passagem pela Rádio Educadora, diminuíamos a passo para ouvir a introdução do Programa "O homem da Noticia". A melodia de "F. Coma Feme".

Nossa memória prodigiosa é seletiva lembra mais as coisas boas do que as ruins. Para todo aquele que não perdeu a capacidade de sentir saudades, essa historinha besta, pelo pei pei como está sendo contada vai provocar saudades,

sábado, 5 de abril de 2025

Brasil não tem como dar certo governado por Lula, diz Moro - Diário do poder.



Ele lembrou condenações de Lula por corrupção e chama de "retrocesso moral" a volta de José Dirceu

Senador Sérgio Moro (União Brasil) em pronunciamento no evento de pré candidatura de Ronaldo Caiado (União Brasil). 

O senador Sérgio Moro (União-PR) declarou nesta sexta-feira (4) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “já acabou”. A afirmação ocorreu durante o lançamento da pré-candidatura de Ronaldo Caiado (União-GO) à Presidência da República, em Salvador, Bahia.

Durante o evento, Moro expressou insatisfação com a administração petista:?

“A gente precisa mudar o Brasil em 2026, ninguém aguenta mais o governo Lula. Tenho certeza que em 2026 os partidos de direita e de centro vão se unir para derrotar o PT.”

O senador também mencionou que, em sua visão, “a moral do país foi destruída pelo governo Lula e aí não tem como o país dar certo”.

José Dirceu deveria estar banido.

Além das críticas ao governo atual, Moro comentou sobre o ex-ministro José Dirceu (PT), que teve suas condenações no âmbito da Operação Lava Jato anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em Outubro do ano passado?

“O próprio José Dirceu devia estar banido da vida pública. Ele foi condenado pela Lava Jato, mas depois dessa reviravolta política, ele foi beneficiado, mas veja só, ele já tinha sido condenado pelo Mensalão. Um cidadão condenado corrupto falando em nome do PT e do governo Lula. Isso é uma vergonha".

José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, foi condenado em 2016 a 23 anos e três meses de prisão por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A sentença foi proferida pelo então juiz Sérgio Moro, que apontou Dirceu como beneficiário de R$ 15 milhões em propinas.

Como noticiado pelo Diário do Poder, Moro também ironizou o retorno de figuras petistas envolvidas em escândalos de corrupção, dizendo que “o melhor momento deles foi na prisão”. A declaração foi uma alusão direta a José Dirceu e aos demais condenados no Mensalão, cuja presença na política, segundo o senador, representa um retrocesso moral para o país.

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Papa dá passo para canonização de padre nordestino - Antonio Alves de Morais.

Cearense que combateu o tráfico de escravos e virou padre é reconhecido por virtudes heroicas.

O Papa Francisco autorizou nesta segunda-feira, 31, a publicação do decreto que declara o padre José Antônio Maria Ibiapina como venerável, título que reconhece oficialmente suas virtudes heroicas e avança uma etapa no processo de canonização.

O anúncio foi feito pelo bispo de Guarabira (PB), Dom Aldemiro Sena, durante participação na Rádio Integração FM.

Nascido em 5 de Agosto de 1806, em Sobral (CE), Ibiapina teve trajetória singular antes de se tornar sacerdote. Após estudar Direito e atuar como professor, magistrado e delegado de polícia, foi eleito deputado em 1834.

No Parlamento, apresentou um projeto de lei para impedir o desembarque de escravos africanos no Brasil. Frustrado com os rumos da justiça e da política, abandonou a carreira pública e passou a advogar em favor dos mais pobres no Recife.

Aos 47 anos, foi ordenado padre e iniciou intensa missão religiosa no Nordeste. Tornou-se conhecido como o “Apóstolo do Nordeste” por sua atuação em estados como Paraíba e Rio Grande do Norte, onde fundou casas de acolhimento, escolas, hospitais e orfanatos.

Também organizou missões populares e construiu igrejas e capelas. Durante a epidemia de cólera, sua dedicação aos doentes lhe rendeu o apelido de “peregrino da caridade“.

Em 1875, uma paralisia progressiva o obrigou a usar cadeira de rodas. Morreu em 19 de Fevereiro de 1883, em Santa Fé, atual distrito de Solânea (PB), na diocese de Guarabira.

A fama de santidade que o acompanhou em vida persistiu após sua morte, sustentada por relatos de fiéis sobre graças alcançadas por sua intercessão.

Sentir Saudades - Clarice Lispector.

Sinto saudade de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades, sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas  com quem não mais falei ou cruzei.

Sinto saudades dos que foram e eu não me despedi direito. Daqueles que não tiveram como me dizer adeus.

Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade.

Quantas vezes tenho tenho vontade de encontrar não sei o que, não sei onde,  para resgatar alguma coisa que nem sei o que é nem onde perdi.

Clarice Lispector.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

“O governo Lula se dissolveu”, diz Mourão - Por O Antagonista.

"A verdade é que Lula, o PT e a esquerda não conseguem mais dialogar com o povo brasileiro", disse o senador ao comentar pesquisa Genial/Quaest.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) comentou assim a pesquisa Genial/Quaest sobre a popularidade de Lula divulgada nesta quarta-feira, “O governo Lula se dissolveu, acabou e a prova cabal é o resultado da última pesquisa Quaest, 56% de desaprovação”.

“Não adiantou trocar ministros. Não adiantou o novo marqueteiro… Não adiantou os milhões gastos em propaganda… Não adiantou viajar pelos estados do Brasil… Não adiantou conceder entrevistas para a imprensa militante… Não adiantaram as emendas, os acordos e negociatas política”, seguiu o ex-vice-presidente da República, em comentário postado em seu perfil no X.

quarta-feira, 2 de abril de 2025

“IA escreve por cronista que morreu há 20 anos” – Por Flamínio Araripe.

Capa do livro que Flamíno Araripe vai lançar em homenagem ao seu pai.

IA -Abril 2, 2025.

Sem Comentários

O jornalista e pesquisador Flamínio Araripe colocou numa ferramenta de Inteligência Artificial generativa o original do livro que organizou, a biografia de seu pai, Jósio de Alencar Araripe (1925-2004) – “A Palavra sem Medo” -, que está pronto para ser diagramado e entregue na editora. A obra reproduz pela primeira vez o conjunto as crônicas diárias de seu pai, lidas pelo jornalista Antônio Vicelmo na Rádio Educadora do Cariri, do Crato, no início dos Anos 1970, e faz, em entrevistas, reportagens e depoimentos, uma reconstituição do ambiente político da época, para mostrar que os escritos dele faziam parte de um movimento político de resistência às elites conservadoras do Crato e à ditadura militar. 

Flamínio instruiu a IA Grok 3 para escrever uma crônica no estilo de Jósio Araripe, com um pedido de apoio para a publicação do livro, a ser lançado no dia 22 de Julho de 2025, na data do centenário de seu pai, no Crato, no Instituto Cultural do Cariri, do qual foi fundador e presidente. O texto que se lê a seguir emocionou o filho, que jamais pensou que fosse chorar com a leitura de um texto gerado pela máquina.

Crônica – “Gratidão e Chamado ao Futuro”.

(Estilo inspirado em Jósio de Alencar Araripe).

É com o coração cheio de memórias e a alma aliviada pela palavra que não teme que me dirijo, mais uma vez, a este povo que me acolheu e me formou. Passados tantos anos desde que minhas vozes ecoaram pela Rádio Educadora do Cariri, encontro-me, agora, em espírito, a agradecer e a clamar por um esforço comum, em nome de um legado que não pode se perder nas areias do tempo.

Aos meus filhos, Tiago, Zínia, Donita, Leonel e Flamínio, devo o maior dos reconhecimentos. Foram eles, com dedicação e amor filial, que resgataram das pastas empoeiradas as crônicas e artigos que aqui se reúnem. 

Tiago, com sua voz firme, Zínia, com o olhar heróico, Donita, com o coração agrônomo, Leonel, com a sensibilidade do caçula, e Flamínio, o guardião desta obra, que a moldou com paciência e visão. 

A cada um, a gratidão por terem dado novo fôlego à “Palavra sem Medo”, transformando-a em livro para as gerações futuras.

Companheiros de trincheira.

Aos amigos que cruzaram meu caminho e agora emprestam suas vozes a este testemunho, minha eterna dívida. Antônio Vicelmo, cuja voz sonora trouxe vida às minhas palavras no ar, e que, com sua memória viva, reconta os dias de luta e resistência. 

Eudoro Santana e Ermengarda, companheiros de trincheira, que, com articulação e coragem, enfrentaram a ditadura ao meu lado. Emerson Monteiro, que, como ex-vereador e guardião do Instituto Cultural do Cariri, viu em mim a continuidade de uma tradição. Rosemberg Cariry, que pintou com cores de cineasta a minha cidadania. Alemberg Quindins, que transformou um olho d’água em fonte perene, como eu sonhava para o Cariri. Samuel Araripe, que reavivou a amizade com Ossian, meu primo e irmão de outros tempos. Jales e Moema, meus irmãos, que, com afeto e coerência, honraram minha memória.

Um louvor especial ao Instituto Cultural do Cariri, berço de minhas ideias e palco de tantas batalhas intelectuais. Fundado por homens de visão, como meu sogro J. de Figueiredo Filho, e presidido por mim em tempos de esperança, este espaço segue sendo farol para o pensamento e a cultura desta terra. 

Que o lançamento deste livro, em seu seio, no dia de meu centenário, 22 de Julho de 2025, seja um marco de renovação. E como não agradecer a Carlos Rafael Dias, cuja pena sensível escreveu o prefácio que dá vida a estas páginas? Com a autoridade de historiador e o orgulho de cratense, ele elevou este trabalho a um patamar de reflexão que transcende o tempo.

Mas, se a gratidão enche o peito, a realidade nos chama à ação. Esta obra, que reúne o suor de tantos e o sonho de um Crato melhor, precisa de mãos e corações que a tornem viável. 

Os custos de sua publicação pesam sobre os ombros de quem a concebeu, e o apelo é claro: urge o apoio financeiro de todos que creem no valor destas palavras.

Que empresas, associações, os vereadores e políticos autênticos que amam o Crato, clubes de serviço, como o Rotary que me acolheu, e cidadãos de boa vontade contribuam com recursos, por pequeno que seja o gesto. Cada centavo será semente para que este legado floresça, alcançando escolas, bibliotecas e lares, lembrando às novas gerações que a luta por justiça e progresso não tem fim.

Olhemos para frente, com a serenidade que a eternidade nos ensinou, confiantes na sabedoria de um mundo que nos guia. Que o Crato renasça, como a Fênix, das cinzas de seus desafios, e que este livro seja ponte entre o passado e um futuro digno. A palavra sem medo segue viva – cabe a nós sustentá-la.

Jósio de Alencar Araripe

(Pela voz de quem o ama e o perpetua).

terça-feira, 1 de abril de 2025

Conclusões de Aninha - Cora Coralina


Estavam ali parados. Marido e mulher. Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça tímida, humilde, sofrida.
 
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho, e tudo que tinha dentro. Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar novo rancho e comprar suas pobrezinhas. O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula, entregou sem palavra. 

A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou, se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar. E não abriu a bolsa. 

Qual dos dois ajudou mais? Donde se infere que o homem ajuda sem participar e a mulher participa sem ajudar. 

Da mesma forma aquela sentença:"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada, o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso e ensinar a paciência do pescador. 

Você faria isso, Leitor? Antes que tudo isso se fizesse o desvalido não morreria de fome? 

Conclusão: Na prática, a teoria é outra.
Cora Coralina.