quarta-feira, 23 de março de 2011

Drogas e prostituição de menores.

Nos ultimos dias, temos falado muito em nossa Varzea-Alegre, especialmente de sua gente hospitaleira, suas festas tradicionais, Padroeiro e Carnaval, e, desse mundo maravilhoso e encantado onde tudo parece flores. O que precisamos tambem é conhecer que nossa cidade padece das mesmas mazelas das demais comunas do Brasil. Temos um indice demasiadamente alto de mortes por acidente de transito, especialmente envolvendo motos. O trafico de drogas toma dimensão alarmante e perigosa. Semana antes do carnaval foi desarticulada uma quadrilha onde foram presos pelo menos uma duzia de suspeitos de associação ao trafico das mais diversas drogas. A prostituição de menoes é alarmante, segundo informações de procedimentos iniciados pela policia e enviado a justiça. Assim, nem tudo são flores. As autoridades precisam adotar medidas breves para avitar consequencias no futuro.

terça-feira, 22 de março de 2011

QUEM ENCHE CU DE JUDAS É MOLAMBO - Por Mundim do Vale

Festa dos Barreiros:
Chagas Taveira doido pra ir, mas onde arranjar dinheiro?
Recorreu a mãe:
- Mãe. me arrume uns corim de rato prumode eu ir pro samba nos Barreiros.
- Tu tá doido Chagas? Aquela festa é pra quem dinheiro. E isso é coisa que tu não tem.
- Mais mãe, laiga de ser miserave. Tu num sabe qui eu sou jove.
- E o que foi que tu fez nesse cabelo, que tá parecendo com Barrozo?
- Eu fis um pintiado ispeta caju, lá no salão Cabeça Feita, de Maria de Bogim e Fafá Fiuza.
- Pois eu não tenho dinheiro não.
- Apois eu vou nem qui chova canivete.
- Chagas pegou uma carona no carro da cerâmica Peri e foi bater nos Barreiros sem nenhum tostão nos bolsos.
Chegando lá viu o vereador José Carlos de Alencar, pagando umas entradas para os seus eleitores e resolveu pedir também:
- Seu Zé Carro, pague a minha entrada tombém, qui eu votei no Sinhô.
O vereador reagiu dizendo:
- Deixa de mentira Chaga. Tu pensa que eu não sei que tu vota é em Joaquim Fiuza.
- Mais pague minha entrada qui eu viro pru Sinhô.
- Vai pra baixa da égua Chagas, quem cria filho de pássaro preto é lavandeira.
Chagas foi tentar entrar de outro jeito, mas terminou levando uns tapas dos cabras do Peri Perí e ainda voltou para Várzea Alegre, sem o bidolo da chinela japonesa.
Chegou em casa foi dormir sem dizer nada a mãe. No dia seguinte a mãe perguntou:
- Chagas. Que conversa foi uma que eu ouví na padaria de Chico de Mundeira? Disseram que não choveu canivete, mas choveu foi muita peia no teu lombo. è de vera?
- É mãe, mais eu tombém açoitei os caba. Agora o qui eu fiquei cum mais raiva, foi de Zé carro. Ela pagou entrada pra mei mundo de gente e quando acabá num pagou pra eu. mais num tem nada não. Quando chegá a inleição eu vô me vingá. Sele vié pidí voto a eu, sabe o quié qui eu vô dizê?
Zé Carro. Quem enche cu de juda é mulambo.

Tico-tico no Fubá ... Um dueto Siqueira Lima




Dedico aos amigos do Sanharol
que apreciam a boa música.

Vale a pena ver!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Um nome de flor para Fafá Bitu...

Flor de Lis
(Uma flor pra Fafá)

A flor de lis (pré-AO 1990: flor-de-lis) é uma figura heráldica muito associada à monarquia francesa, particularmente ligada com o rei da França. Ela permanece extra-oficialmente um símbolo da França, assim como a águia napoleônica. Mas não tem sido usada oficialmente ao longo dos vários períodos republicanos por que atravessou este país. Nota[1]

A palavra lis, de fato, é um galicismo que significa lírio ou iris, mas também pode ser uma contração de "Louis", do francês, Luís, primeiro príncipe a utilizar o símbolo (ficando assim "fleur-de-louis", ou "flor de Luís"). Assim, a representação desta flor, e seu simbolismo, é o que os elementos heráldicos querem transmitir, quando a empregam sob as mais diversas formas.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Flor_de_lis

Acho que dá certinho...

Historias do Cangaço.

Por todos estes dias estarei transcrevendo algumas historias do Cangaço. Cruezas de Lampião. Historias contadas por testemunhas que viveram até bem pouco tempo ou que ainda vivem. Seguirei este roteiro dividindo a historia em pequenas postagens para não cansar o leitor. Segue o roteiro:
Primeira - Vila de Ipueira - Resistencia heroica ao cerco de Lampião.
Segunda - A fuga dramatica e astuciosa de Vicente Venancio.
Terceira - Manuel Marcelino, o homem que lampião temeu.
Quarta - A Vingança do Tenente Antonio.
Pra cada historia faremos quantas postagens forem necessarias de modo que o leitor não se canse. Historias contadas por testemunhas oculares dos fatos. Notas importantes para quem gosta do tema.

NAMORADA ADVERSÁRIA - Por Mundim do Vale

Meu primo João André, é o que pode se chamar de ganhão. Com esse modernismo dos jovens de hoje, o " FICO " com ele é abarcar mesmo.
Esse comportamento moderno do garoto vai de encontro a sua mãe Tonha, por ser ela muito conservadora dos costumes anteriores. mas os filhos mais novos e os netos vivem a dizer:
- Vó é carêta demais.
- Vó é do tempo do bumba.
- Mãe é muito cafona.
Aqueles mais respeitadores dizem:
- Eita. Vovó, como a senhora é retrógada.
Mesmo com o conflito de geração generalizado, aquela boa senhora não deixava de chamar à atenção de João, que é o que mora mais perto dela:
- João. Você tenha cuidado com essas quengas!
- Mas mãe. Elas é que precisam ter cuidados.
- Ou povo sem juízo. Pois quando amélia de Cirilo noivou com Doca de Dodô, o namoro era de dois em dois meses e era numa janela, ela pelo lado de dentro e ele pelo lado de fora. Agora esse povim de hoje, vive tudo pregado e ainda dorme junto sem se casar. Sei não meu Deus, esse mundo velho tá perdido.
Mas com todo esses cuidados, os assédios sobre João eram constante.
Um certo dia João viajou para o Crato e as garotas passaram o dia ligando atrás dele, Dona Tonha atendia aborrecida dizendo que ele não estava e não retornava tão cedo.
João chegou por volta das 11 horas da noite, tomou um banho e foi dormir. O telefone tocou uma vez ele não atendeu, tocou outra vez ele não atendeu, tocou pela terceira vez ele levantou-se e se dirigiu ao telefone. A cuidadosa mãe notando que ele ía atender, levantou-se e falou:
- Ou meu filho. Não atenda não, essa daí é uma das quengas. Essa bicha é ruim, é do Riacho Verde e vota em Zé Hélder.

PARA O JARDIM DO POETA PAULINHO - Por Mundim do Vale

Eu sou a pessoa indicada pra falar
Em jardim, em adubo e regador,
Só faltou ter nascido um beija-flor
Para as essências das rosas eu carregar.
Transformei minha vida em um pomar
Onde os frutos se confundem com as flores,
A borboletas e os pássaros são atores
De um teatro por mim improvisado.
O CORAÇÃO É UM VASO ARRANJADO
MAS QUEM CUIDA DE TUDO SÃO OS AMORES.

Dedicado a todas as flores do blog do Sanharol.

TOM e os adjuntos.

Está o TOM a me pedir um texto que resgate a historia dos adjuntos de apanha de arroz em Várzea-Alegre, e, em especial do Sanharol. Antes porem, eu quero escrever algo que traga alguns dados a respeito do tema. Nas decadas de 40, 50, 60 e 70 a principal atividade de nossa terra era a cultura do arroz, fato que levou a torna-la conhecida mundo a fora como terra do arroz. Nos anos bons de inverno, na época da colheita, a ribeira era transformada em verdadeiras festas. O numero de trabalhadores de cada adjunto era proporcional a produção, e, as diárias não tinham custos, no máximo, eram trocadas de uns para outros adjuntos. O arroz era colhido cacho por cacho fechado na mão num molho denominado moqueca. No fim o dia o arroz era juntado num monte denominado de Pote. Havia quase que um desafio entre as partes: os trabalhadores lutavam e tudo faziam para comer a comida toda, fato conhecido a época por "armar a arapuca". Já o dono do adjunto tudo fazia para não permitir tal desfeita. Não há registro que tenham armado a arapuca em adjuntos no Sanharol. Depois do jantar era servido uma sobremesa, uma comida típica conhecida por arroz doce, uma mistura de arroz, rapadura, midubim, leite, erva doce, cravo etc. Vi camarada comer três pratos fundos desta mistura de sobremesa. Depois da sobremesa a alegria tomava conta de todos: Jogavam maneiro pau e cantavam toadas, cortavam tesoura e faziam outras estripulias. Os adjuntos eram marcados de modo que não coincidissem com outros, para facilitar a presença de todos. Prezado Tom, em poucos dias conto a historia do adjunto de Zé André do Sanharol. Ele conseguiu reunir 120 homens na roça apanhando arroz, entre eles o padre, o prefeito, o promotor e o juiz da cidade. Também estavam presentes a Banda de musica e a banda cabaçal a alegrar os presentes nas extremidades do roçado.

domingo, 20 de março de 2011

Sávio Pinheiro


LUA BELA


A lua se insinua e flutua quase nua

Num céu todo azulado de paixão e de querer

E a minha tenra luz, que te seduz, se fez crescer

Na tua, toda nua, exuberância do prazer.


CONVITE PARA UMA PERSONALIDADE. Por Mundim do Vale

Flor da Serra Verde.

Nossa Várzea Alegre lhe espera para a festa do padroeiro, no mês de agosto.
Você é nossa convidada especial, como foi no carnaval.
Venha conhecer e registrar a SALVA DO MEIO DIA, Várzea Alegre lhe aguarda com todo o carinho quer você é merecedora. traga também o Vicente Almeida.

O verso que vai abaixo já é uma provocação

A SALVA DO MEIO DIA

Tudo quanto é atração
Na festa de agosto tem
Artista que vai e vem
Para o Creva e o calçadão.
Tem até um barracão
Onde se faz cantoria,
Recital de poesia
E o toque de sanfona.
Mas o que me emociona
É A SALVA DO MEIO DIA.

Os músicos fazem fileira
Pela rua principal
Nessa hora o pessoal
Já vai subindo a ladeira.
Quando o pano da bandeira
Balança na ventania
Vai provocando alegria,
Na mocinha da varanda.
Que desce e acompanha a banda
PRA SALVA DO MEIO DIA.

Quando a banda tá tocando
Na salva do padroeiro
A calçada do cruzeiro
Fica cheia esborrotando.
Chico Carrim vai chegando
Aciona a bateria,
A multidão esvazia
Depois volta com cuidado.
Para escutar um dobrado
NA SALVA DO MEIO DIA.

O conterrâneo que mora
Numa cidade distante
É pensando todo instante
No mês, no dia e na hora.
Tem deles até que chora
Quando perde a companhia,
Que a mente fica vazia
E o coração com tristeza.
Porque perdeu a beleza
DA SALVA DO MEIO DIA.

Da capital vem também
Muita gente todo ano,
Vem Marlene Salviano
Que muita saudade tem.
Waldefrance às vezes vem
E Otacílio não perdia,
Tanto que fez moradia
Num estratégico lugar,
Para de casa escutar
A SALVA DO MEIO DIA.

Quando estou na bebedeira
No clube recreativo,
Fico todo o tempo ativo
Pensando na saideira.
Depois que tomo a terceira
O bar perde a freguesia,
Porque pago a minxaria,
Do tira-gosto e a cerveja.
E vou por trás da igreja
PRA SALVA DO MEIO DIA.

Na hora de começar
Parece até formigueiro,
Moça corre pro cruzeiro
E rapaz pro patamar.
O padre manda tocar
E a banda com maestria
Executa a melodia
Com jovens fazendo coro.
Dali começa um namoro
NA SALVA DO MEIO DIA.

Mas esse conto de fada
De repente dá pra traz,
No outro dia o rapaz
Nem olha pra namorada.
Ela fica revoltada
Com raiva da covardia
E beija por ironia
Outro moço na esquina
E o namoro termina
NA SALVA DO MEIO DIA.

Quando eu subia a escada
Da casa paroquial,
Fazia o pelo sinal
E já via a meninada.
Eles vinham na calçada
Na maior estripulia,
Correndo pra bateria
Para ver Chico Carrim
Acender o estopim
NA SALVA DO MEIO DIA.

Zé Sávio um dia falou
Pra sua mãe Maria Dalva,
Que queria olhar a salva
E ela logo concordou.
Mas o calção se rasgou
Na hora que ele subia
E a moça que viu dizia:
- Sávio tá quase despido,
Devia vir prevenido
PRA SALVA DO MEIO DIA.

Se a banda tava tocando
O hino de São Raimundo,
Se juntava todo mundo
Emocionado cantando.
O padre ficava olhando
Do banco da sacristia,
Já pensando na quantia
Que os devotos iam doar.
Pra depois ele pagar
A SALVA DO MEIO DIA.

Mas antes do Padre Mota
Era um pouco diferente,
Mestre Antônio era o regente
E o povo fazia a cota.
Mamãe que era devota
Às vezes contribuía,
Com o pouco que podia
Pra ver a banda tocar
Depois ia me levar
PRA SALVA DO MEIO DIA.

Eita bandinha descente
Que tem na minha cidade!
Na religiosidade
Ela está sempre presente.
Toca salva no sol quente,
Alvorada em manhã fria
E São Raimundo é quem guia.
Porque lá do seu altar,
Quer ver seu hino tocar
NA SALVA DO MEIO DIA.

Um roceiro vai passando
Pra comprar sal e café
Chega lá em João Bilé
E vai logo se sentando.
Passa um tempo conversando
Pede um copo de água fria,
Depois diz: - Vixe Maria!
Tá na hora de ir embora,
Todo dia eu perco a hora
NA SALVA DO MEIO DIA.

Um cachaceiro sem graça
Que da rua vem tombando,
Chega logo perguntando
Se por ali tem cachaça.
Senta no banco da praça
Falando de carestia,
Sem saber de economia,
Nem ter no bolso um tostão.
Depois se lasca no chão
NA SALVA DO MEIO DIA.

Tinha um cachorro deitado
Curtindo a sombra de um muro,
Mas ou bicho sem futuro
É um cachorro assustado.
Quando ouvia o pipocado
Das bombas da bateria,
Se esperneava e grunhia
Como querendo dizer:
- Não sei o que vim fazer
NA SALVA DO MEIO DIA.

Meu povo tem devoção
A São Raimundo Nonato
E o padre fica grato
Com as prendas do leilão.
No dia da procissão
Vem aquela romaria
Quando é no fim do dia
Assiste a missa na praça.
Mas pra mim, o que tem graça
É A SALVA DO MEIO DIA.

Eu só estou descrevendo
A salva do meu lugar,
Porque pude acompanhar
O mestre Antônio regendo.
Não estou aqui querendo
Fazer uma apologia,
Mas acho que a poesia
Tem que ter muita pureza,
Comparada com a grandeza
DA SALVA DO MEIO DIA.


Dedicado a conterrânea Artemísia.

provocação.

SIMPLESMENTE TOM - Por Mundim do Vale

Todo mundo quer saber
Porém eu mesmo não digo,
De todos eu sou amigo
Mas eu não quero dizer.
Se alguém quiser aprender
Eu moro abaixo do sol
Assim como um caracol,
Mas vou deixar em suspense.
SOU MAIS UM VARZEALEGRENSE
DOS ANDRÉS DO SANHAROL.

Para a Flor do Chico e Antônio Morais.

A visita de Barack Obama -- por Armando Lopes Rafael

Segundo as notícias da mídia, divulgadas neste domingo, o povo carioca acorreu às ruas para ver o presidente Barack Obama na sua passagem pelo Rio de Janeiro.
Gesto emblemático, que deixou a esquerda jurássica estupefata! Por falar em mídia, esta se esqueceu de lembrar que o presidente dos EUA já ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Honraria que o ex-presidente Lula perseguiu por diversas vezes – sob o incentivo e a bajulação da sua Guarda Pretoriana –, mas viu frustradas todas as suas tentativas nesse intento.
Depois que a presidente Dilma Rousseff classificou de “êxito” o périplo de Barack Obama por Brasília e pelo Rio de Janeiro, fiquei perguntando a mim mesmo onde andam os assessores de política externa do ex-presidente Lula. Estes, em passado recentíssimo, convenceram o presidente-operário a se afastar dos EUA e de outras nações amigas e apoiar as sanguinárias ditaduras africanas, a do Irã, de Cuba, da Líbia e da Venezuela.
Esses “aspones” – com destaque para o “aspone-mor” Marco Aurélio “top-top” Garcia – induziram Lula a oferecer seus bons serviços para obter um acordo entre a ditadura iraniana e o Conselho de Segurança da ONU, devido à decisão dos aiatolás de construir a bomba atômica. Lula embarcou nessa canoa furada e deu com os burros n’água. Literalmente. A oferta foi de pronto recusada. Também convenceram o ex-presidente Lula a abrigar, na embaixada brasileira em Honduras, o ex-presidente Manoel Zelaya, deposto e expulso pelo Poder Legislativo daquela nação. Vê-se agora que tudo isso se constituiu numa série de fracassos diplomáticos que macularam a boa imagem tida – até então – pelo Itamarati.
Mais pragmática, a presidente Dilma Rousseff sabe que o declínio dos Estados Unidos é fato.
Mas esse declínio é lento e relativo. Os EUA continuam a ser a maior potência militar e econômica do planeta. E a luta para aumentar nossas exportações para os EUA é ainda mais rentável para garantir a expansão da nossa economia do que ficar bajulando ditadores quebrados como Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad, Fidel-Raúl Castro, Muammar Kadhafi, Mbasogo (da Zâmbia) et caterva...
Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

Um rosario extraviado no bosque - Lucia Ordonez Cebolla.

Historias para crianças ou adultos cheios de fé.

Aquele bosque sempre fora muito atraente. Seu ar de mistério e suas árvores centenarias, cujas folhas filtravam os raios de sol, eram um cenário perfeito para o entretenimento dos meninos da aldeia, que gostavam de aventura. Sobretudo nas ferias ou fins de semana, via-se grupo deles correndo por todos os lados, perdendo-se em meio as sombras da vegetação, enquanto ecoavam, ao longe, gritos alegres.
Certo dia, dois amigos, Mário e Alexandre, passeavam entre as árvores em busca de alguma novidade. Haviam sido companheiros de escola e sempre passavam as ferias juntos. Mário ainda morava na aldeia, mas Alexandre havia se mudado com a família para capital. Iam conversando animadamente sobre qual seria seu futuro. Afinal, estavam terminando o colégio e Alves não mais se encontrassem.
Vou ser medico - disse Alexandre. Já estou estudando para entrar na faculdade. Quero ajudar as pessoas! Fiquei comovido por ver como sofriam os soldados durante a guerra sem ter um doutor para auxiliá-los. E você já se decidiu?
Ainda não, respondeu Mário. Puxa, Mas você já está no ultimo ano. Precisa tomar uma resolução. Eu também gostaria de escolher uma profissão para ajudar as pessoas. Mas a medicina não me atrai.
Maria e Alexandre caminhavam devagar e a conversa ia tomando ares de reflexão. De repente, viram brilhar algo no meio de um arbusto e instintivamente apertaram o passo. Era um terço de madeira, gasto pelo uso, cuja cruz de metal reluzia a luz do sol.
Veja, é um rosário! Exclamou Mário, pegando-o e logo beijando o crucifixo.
Ah. é só um terço ordinário... Retrucou Alexandre. Um terço nunca é ordinário, por mais simples que seja! - Repreendeu Mário. Devemos buscar seu dono, pois deve estar bem triste por have-lo perdido. Alexandre tentou dissuadir o amigo. A aldeia não era tão pequena, e, ademais, poderia pertencer a um dos milhares de soldados que passaram por ali durante a guerra. Mário então, decidiu leva-lo até a Ermida, localizada no centro do bosque, e deposita-lo nos pés de Nossa Senhora. Talvez quem o perdera fosse busca-lo lá e o encontrasse.
Chegando a Ermida, Mário convidou seu amigo para entrar com ele e rezarem juntos a Maria santíssima como sempre fizeram, mas Alexandre não quis acompanha-lo. Preferiu esperar do lado de fora, contemplando as maravilhas da natureza. Mário entrou lá e ficou. Passaram-se cinco minutos, quinze minutos, meia hora, e nada de ele sair. Impaciente, Alexadre se perguntava o porque de seu amigo tardar-se tanto tempo lá dentro.. Por fim apareceu. Vinha sorrindo e parecia iluminado. Que aconteceu? Por que você demorou tanto? Indagou Alexandre. Decidi o que vou ser: sacerdote. Como? Que ideia é essa? Sim, você será medico de corpos e eu serei médicos de almas. Hoje vi claramente diante de Nossa Senhora qual era minha vocação e pedi muito a Ela para me ajudar a entrar logo no Seminário e me transformar em um sacerdote santo.
Alexandre não ousou dizer mais nada. Regressaram para casa de Mário, e terminadas as ferias cada um tomou seu próprio rumo. Alexandre para a Faculdade de Medicina e Mário ingressou no Seminario Diocesano. Os dois perderam o paradeiro um do outro. Vinte anos se passaram, e padre Mário foi designado capelão do Hospital modelo da capital. Ali se deparou com seu antigo amigo, agora renomado clínico e cirurgião. Havia progredido muito profissionalmente, mas, infelizmente, preocupava-se apenas, com assuntos concretos, sem se importar com a vida espiritual.
Um dia, o padre e o medico encontraram-se no quarto de um pobre doente que não parava de gemer . Depois de examina-lo, o Doutor Alexandre disse não entender a razão daqueles lamentos. A doença estava regredindo e não havia causa orgânica para as dores que pareciam atormenta-lo. Ai, ai, ai Doutor. E vou morrer... e não terei salvação. Repetia o enfermo angustiado. O sacerdote se aproximou para procurar anima-lo, exortando a ter confiança na Mãe de Deus. E convidou-o para rezarem juntos o rosario. Nem me fale em rosário! Mas, por que? Não há criatura mas doce e bondosa do que Maria. O pobre homem contou-lhe sua historia. Pouco mais de vinte anos atrás fora soldado de guerra. Antes de partir, sua mãe lhe dera um rosário, fazendo-lhe prometer que o levaria sempre consigo e rezaria diariamente. Durante algum tempo, o militar atendeu aquele pedido, mas não resistiu a zombaria dos companheiro, e ao passar pelo bosque de uma aldeia, jogou o terço num arbusto. Desde aquele dia, a consciência lhe pesava enormemente e não se sentia digno de rezar a Nossa Senhora, nem de olhar para imagens.
O sacerdote e o medico se entreolharam estupefatos! A aldeia era sua aldeia da infância, e o rosario era o que encontraram! O padre Mário tirou o terço de madeira do bolso e estendeu-o ao enfermo dizendo: Pois aqui está o seu rosário! Se Maria quis que ele fosse devolvido, era porque queria manifestar-lhe seu perdão. A fisionomia do doente se iluminou. O padre narrou-lhe então a cena ocorrida havia vinte anos, e como deva sua vocação sacerdotal aquele Terço que guardara como lembrança da graça recebida, e com a qual passou a rezar todos os dias. O medico ouvia padre Mário, banhado de lágrimas. Percebendo o quando havia se afastado de Deus, perguntava-se: De que adianta ser um grande profissional a custa de deixar abandonada a própria alma? Medico a paciente pediram a confissão e recuperação a paz. O velho soldado logo recebeu alta e saiu do hospital. E Doutor Alexandre e Padre Mário ainda trabalharam juntos por muitos anos, na mais feliz harmonia: um curava os corpos e o outro trazia a saúde as almas.