domingo, 31 de agosto de 2014

Pânico na elite vermelha - Por Guilherme Fiuza, O Globo

Pela primeira vez em 12 anos, os companheiros avistam a possibilidade real de ter que largar o osso. Nem a obra-prima do mensalão às vésperas da eleição de 2006 chegara a ameaçar a hegemonia dos coitados sobre a elite branca. A um mês da votação, surgem as pesquisas indicando que o PT não é mais o favorito a continuar encastelado no Planalto. Desespero total.

Pode-se imaginar o movimento fervilhante nas centrais de dossiês aloprados. Há de surgir na Wikipédia o passado tenebroso dos adversários de Dilma Rousseff. Logo descobriremos que foram eles que sumiram com Amarildo, que depenaram a Petrobras, que treinaram a seleção contra os alemães.

É questão de vida ou morte: como se sabe, a elite vermelha terá sérias dificuldades de sobrevivência se tiver que trabalhar. Vão “fazer o diabo”, como disse a presidente, para ganhar a eleição e não perder a gerência da boca.

O Brasil acaba de assistir à queda de um avião sobre o castelo eleitoral do PT. Questionada sobre as investigações acerca da situação legal da aeronave que caiu, Dilma respondeu que não está “acompanhando isso”, e que o assunto não é do seu “profundo interesse”.

sábado, 30 de agosto de 2014

Marina é favorita para se eleger presidente - Por Ricardo Noblat


O que a pesquisa Ibope mostrou na última terça-feira e a pesquisa Datafolha acaba de confirmar é que Marina Silva, no curto período de três semanas, conquistou a condição de favorita para se eleger presidente da República.

É improvável que Marina se eleja no primeiro turno. Por mais que encolha, Aécio tem um partido e aliados capazes de lhe garantir dois dígitos de intenção de votos nas pesquisas. Aécio é a garantia de que haverá segundo turno.

PT e PSDB amadurecem o melhor modo de desconstruir a imagem positiva de Marina. O problema não é encontrar o modo. É correr contra o tempo que resta para o dia da eleição. Haverá tempo suficiente até lá?

Ganha eleição quem erra menos. Porque todos erram. Esse é o desafio que Marina começa a enfrentar a partir de agora. Não a subestimem. Ela está vendo a chance de vencer. E não está disposta a desperdiçá-la.

O grande trunfo de Marina: rejeição baixa. A dela de apenas 15%. A de Dilma, 35%.

De sua parte, Dilma carece de trunfo para jogar na mesa e, assim, evitar o desastre que se desenha para o PT. Lula deixou de ser um trunfo poderoso desde que ela fracassou como governante.


Jogaram a toalha - Por Ilimar Franco, O Globo

Os estrategistas da campanha do PSDB entregaram os pontos. Os da presidente Dilma ainda têm um fio de esperança. Os especialistas em pesquisas consideram que Marina Silva está a um passo do Planalto.

Explicam que Marina encarna o sentimento de junho de 2013, contra tudo que está aí. E que sua onda é consistente. Lembram que em 2010 ela se formou a uma semana do pleito. Agora, rebentou 40 dias antes.

A análise das pesquisas realizadas até aqui levam cientistas políticos a concluir que a presidente Dilma tem teto: 40%. Os atuais 34% são seu núcleo duro. Pesam contra ela: o cansaço com os 12 anos de PT, escândalos como o da Petrobras e o seu jeito de poucos amigos.

Os dados mostram também que Aécio Neves não parou de cair. O PSDB tem informes, de pesquisas estaduais, que reforçam essa projeção. Isso ocorre, diz um analista, porque a rejeição ao PT é forte, mas há também um sentimento contra o PSDB. Por isso, Aécio não convencia como sujeito da mudança. Essa qualidade foi incorporada por Marina, que ainda tem a vantagem de ser muito conhecida.

A ilusão dos tecnocratas no Brasil - Ana Clara Costa e Gabriel Castro.


Governo ‘técnico’ de Dilma Rousseff não passou de crença esperançosa num Brasil mais eficiente, mas que jamais se concretizou. Dilma Rousseff: o governo que deveria ser técnico não saiu do discurso.

O ano de 2011 foi marcado por uma crise sem precedentes na Europa. Foi o período em que o peso das dívidas públicas de países como Grécia, Irlanda, Portugal e até mesmo a Itália chegou a ameaçar a existência do próprio euro. Com a missão de recobrar a confiança externa e a saúde de suas contas, alguns governos europeus — em especial Itália e Grécia — dispensaram grandes oligarcas da política, como Silvio Berlusconi, e colocaram no poder os chamados tecnocratas. Com perfil técnico e pouca paixão pela política, esse estrato da elite do capitalismo tende a propor saídas pragmáticas para problemas de gestão pública. Naquele ano, tecnocracia era o jargão da vez no mundo econômico — e a chanceler alemã Angela Merkel era sua principal expoente. 

Por obra da máquina de propaganda petista, não demorou para que Dilma Rousseff, antes mesmo de ser eleita, fosse alçada ao posto de técnica exímia. Nove entre dez artigos sobre a presidente em seus primeiros meses de mandato retratavam-na como gestora experiente e "gerentona" características que a distanciavam de Lula, que nada sabia de gestão, mas mantinha notório apreço pela arte do conchavo. Após a "faxina ministerial" que Dilma se viu forçada a empreender no início de seu governo, além de tecnocrata, também passou a ser vista como "pouco tolerante" com a corrupção. Quase quatro anos depois, inúmeros são os fatos que mostram que avaliação que se tinha não passava de ilusão.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Quatro motivos pelos quais Marina incomoda PT e PSDB - Gabriel Garcia


Insatisfação do eleitorado.

Marina conseguiu o que nenhum outro candidato havia conseguido: capitalizar a insatisfação do eleitorado com a política brasileira. De acordo com pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), mais de 70% dos insatisfeitos manifestaram intenção de votar em Marina. No ano passado, quando a população foi às ruas protestar, Marina era a preferida de pouco menos de 30% dos eleitores.

Religião e política.

Política e religião acabam vinculados. Em 2010, Dilma perdeu votos por causa da defesa do aborto. Abandonou o tema na campanha. Marina é evangélica. A formação cristã ajuda. Em 2002, Anthony Garotinho disputou a eleição presidencial, conquistando 15,1 milhões de votos, 17,8%. Quase tira o ex-governador de São Paulo José Serra do segundo turno. No primeiro turno, Serra foi votado por 19,7 milhões de eleitores, 23,19%. Lula foi eleito o presidente.

Pai e mãe dos pobres.

O PT, sob comando de Lula, vendia a ideia de que se preocupa com os mais pobres. Sem Lula, Marina Silva torna-se dona de tal retórica. Filha de seringueiros e nascida no Acre, Marina foi analfabeta até os 16 anos de idade. Hoje, concorre à Presidência pela segunda vez. Muita semelhança com o discurso de Lula.

Adeus, segundo turno.

Hoje com 50 deputados, o PSDB vem perdendo espaço na Câmara a cada eleição. Pode haver ainda mais redução neste ano. Além disso, desde 1994, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente, o partido sempre disputou com chance de vitória. Quando não levou (1994 e 1998), pelo menos foi para o segundo turno (2002, 2006 e 2010). Agora, pode-se tornar mero coadjuvante e ficar fora do segundo turno.


Mercado financeiro celebra a onda Marina Silvan- Carla Jiménez, El País


O Brasil dormiu Dilma Rousseff e acordou Marina Silva nos últimos dias com a reviravolta nas pesquisas eleitorais. A pesquisa do instituto Ibope de quarta-feira, que revelou um salto no número de seus potenciais eleitores, virou o humor do país. Marina, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), tem 29% das preferências, a petista Dilma tem 34%, enquanto Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), 19%.

Se nas redes sociais se estabeleceram os debates contra e a favor do avanço da ambientalista, na Bolsa de Valores de São Paulo ela já é tida como a próxima titular no Palácio do Planalto. A bolsa fechou na quarta-feira em 60.950 pontos, seu melhor resultado desde janeiro de 2013. Os analistas atribuem o desempenho à divulgação da pesquisa eleitoral, que colocou Marina num movimento ascendente, com capacidade de bater Rousseff no segundo turno.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Revendo conceitos - Por Merval Pereira, O Globo


Nos últimos 19 dias, muita coisa mudou para a candidata à Presidência da República pelo PSB Marina Silva, inclusive algumas ideias. Para se manter na condição em que deve aparecer na pesquisa Ibope / Estadão a ser divulgada hoje, à frente do tucano Aécio Neves e abrindo boa vantagem para a presidente Dilma no segundo turno, Marina está tendo que rever alguns de seus conceitos mais arraigados.

No dia 5 de agosto, então candidata a vice na chapa de Eduardo Campos, a ex-senadora Marina Silva elogiou o decreto da presidente Dilma Rousseff que cria conselhos populares em órgãos do governo, medida que teve uma forte reação contrária do Congresso e da sociedade civil independente.

Para Marina, o decreto era tão bom que foi classificado como uma “medida eleitoral” de Dilma, pois já deveria ter sido editado antes. “A participação da sociedade é algo muito bom em um país como o nosso, com essa dimensão territorial e diversidade cultural. É fundamental que os governos façam coisas com as pessoas e não para as pessoas.

Mas isso é para ser feito ao longo de toda uma vida, e não apenas vinculado à eleição. É algo a ser cultivado, independente de ser estratégia eleitoral. É uma inovação na gestão pública”.

A ideia era tão boa que foi parar no programa que o PSB estava organizando para o candidato Eduardo Campos, e que agora Marina herdará. O que se buscaria era o “controle social” da política, com a criação de “instâncias próprias para o exercício de pressão, supervisão, intervenção, reclamo e responsabilização”.

Política lucrativa - Por José Casado, O Globo


Um dos melhores negócios do mercado brasileiro é ser dono de partido político. Convive-se com 32 deles, dos quais duas dezenas têm bancadas no Congresso. Na essência, diz o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, se transformaram num “agregado de pessoas que querem um pedacinho do orçamento”.

Partido político no Brasil se tornou ativo financeiro de alto retorno, sem risco e com recursos públicos garantidos por lei, elaborada e votada pelos próprios interessados.

Em ano de eleição, as doações de empresas representam cerca de 60% das receitas declaradas, mas é do orçamento federal que sai o financiamento das despesas regulares da estrutura e da propaganda partidária (o horário eleitoral gratuito só é gratuito para partidos e candidatos, quem paga a conta é o público, telespectador ou não, via isenção fiscal).

Nunca os partidos brasileiros receberam tanto dinheiro público como neste ano: R$ 313,4 milhões, dos quais 57% já repassados.

O Fundo de Assistência Financeira, que sustenta as máquinas partidárias, aumentou 184,5% nos últimos dez anos. Seu valor nesse período subiu em ritmo muito acima da inflação, da correção da poupança e do salário mínimo, da valorização da Bolsa de Valores (Ibovespa) e do Certificado de Depósito Bancário (CDB).

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Recepcione Dilma e Lula. E ganhe uma dentadura - Por Ricardo Noblat


Sou tentado a acreditar, aos 65 anos de idade e 48 de jornalismo, que já vi tudo. Mas que nada! A vida é surpreendente. Os políticos são surpreendentes. Os governantes então... Nem se fala.

Na semana passada, a prefeitura de Paulo Afonso, no norte da Bahia, recebeu um telefonema do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza.

Um funcionário do ministério pediu que se providenciasse uma prótese dentária para a agricultora Marinalva Gomes Filha, dona Nalvina, 43 anos de idade e pessoa muito conhecida no lugar.


Dona Nalvina estava escalada para recepcionar, dali a dois dias, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Os três gravariam cenas para o programa de propaganda eleitoral de Dilma na TV.

Pegaria mal a anfitriã de Dilma e de Lula aparecer com alguns dentes a menos.

Uma vez que a Folha de S. Paulo contou a história, a ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, foi acionada para sair em socorro de Dilma e de Lula.

A ministra explicou que a encomenda de uma dentadura para dona Nalvina não passou de “uma ação de rotina” do seu ministério. Foi além:

É uma prática nossa. Qualquer situação que a gente identifique, a gente encaminha para o órgão competente - disse.

Quer dizer: dona Nalvina ganhou uma dentadura porque precisava – não porque fosse virar personagem do programa eleitoral de Dilma. Sempre que o ministério sabe de alguém com poucos dentes, aciona as prefeituras. 

Você acredita nisso?

Eu também não.

Teoria e prática - Antonio Alves de Morais


O problema está na diferença entre a prática e a teoria. A célere frase acima do Ruy Barbosa, que ainda hoje marca as paginas da literatura brasileira mostra a verve dantes como agora.

Ruy Barbosa foi Ministro da Fazenda na transição da monarquia para republica, no governo do Marechal Deodoro da Fonseca, um alagoano como Collor de Melo. Mandou buscar madeira de lei no exterior para fabricar o gabinete do presidente. Com a sobra da madeira, fez o gabinete pessoal em sua casa.

Durma-se com um negocio desses e acredite  em  politico. Veja a frase acima, ela ilude a todos pela aparência e enganação. O Lula aprendeu com o Ruy. Mente pra cacete.


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

O papel dos partidos - Por Merval Pereira, O Globo

Com o retorno da ex-senadora Marina Silva ao proscênio da vida política brasileira na disputa pela Presidência da República, está em debate a importância dos partidos na democracia representativa. Marina, em reunião com aliados no primeiro dia de candidata, insistiu no descrédito do que chama de “velha política” junto à opinião pública e ressaltou que a aliança que importa neste momento é com a sociedade, não com os partidos.

Em outra ocasião, disse que o presidente “não é propriedade de um partido. A sociedade está dizendo que quer se apropriar da política. E as lideranças políticas precisam entender que o Estado não é o partido, e o Estado não é o governo”. Sua velha amiga e agora coordenadora da campanha presidencial, Luiza Erundina, do PSB, fizera há algum tempo uma crítica a essa visão de Marina, que agora foi revivida na internet.

Erundina dizia, em síntese, que Marina, embora seja “uma pessoa maravilhosa”, “entra no senso comum da sociedade do ponto de vista de negar a política, de negar o partido. Tanto é que (criou) uma Rede, não partido. Acho que isso desorganiza, deseduca politicamente. Não há política e não há democracia sem partidos. Pode ser um partido dentro da concepção do que ela defende, mas não negando o partido, não negando a política”.

 

O PT não é mais aquele - Por Ilimar Franco, O Globo


O ex-presidente Lula vai intensificar sua presença na campanha do PT na TV. Sua figura é o antídoto para tentar amenizar o desgaste do partido e conter a arrancada de Marina Silva (PSB). A direção petista teme a redução dos votos na legenda para a Câmara e treme com os indicativos de que a presidente Dilma pode ser batida no segundo turno. 

Um dirigente petista diz que, mesmo assim, fica a incerteza: “Não sabemos se vai resolver”.

O staff da candidatura Marina Silva vive grande expectativa com o resultado das pesquisas Ibope e Datafolha. Elas ficam prontas nos próximos dias. No fim de semana, o grupo recebeu pesquisa que confirma o Datafolha, do início da semana passada, com Marina superando a presidente Dilma no segundo turno. Só mudou a vantagem.

O mais alvissareiro, segundo seu time, é que a candidata aparece em empate técnico no primeiro turno com a presidente Dilma. Isso decorre de seu desempenho no Sudeste, no Sul e no Nordeste. Os marineiros comemoram a liderança na juventude, setor da sociedade sempre mais disposto a sair às ruas em defesa de suas ideias, ideais e objetivos.

domingo, 24 de agosto de 2014

Marina Silva diz que Brasil não precisa de gerente - Por Letícia Lins, O Globo


Marina Silva fez na manhã deste sábado seu primeiro ato de campanha como candidata à Presidência da República pelo PSB com caminhada pelo bairro popular de Casa Amarela, no Recife. Sem tempo para refazer o material de campanha, muitos dos cartazes dispostos pelas ruas ainda constavam a imagem e nome de Marina como vice, ao lado de Eduardo Campos, morto na semana passada em acidente de avião.

Após comício no final da caminhada, a candidata do PSB disse que o Brasil não precisa propriamente de um “gerente”, nome muito utilizado pelo PT na campanha passada, para qualificar a presidente Dilma Rousseff.

O Brasil tem essa história. É preciso ter um gerente. Mas a gerente tem que ter argumento. O Brasil pode até precisar de um gerente, mas precisa mesmo é de quem tem visão estratégica. O gerente tem que ter argumento para conversar. O ex-presidente Itamar não era gerente, mas tinha visão estratégica. Fernando Henrique era um acadêmico e também tinha visão estratégica. Lula era um operário e também tinha. Quando se tem visão estratégica, se sabe escolher os melhores gerentes -ressaltou Marina.