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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Cangaço - XIII

Segundo Ultimato ao Prefeito.
Virgulino estava preocupado, sem saber o que passava na cidade. Apenas Massilon e Julio Porto conheciam-na, de algum tempo. A luta a ser deflagrada seria diferente, fugia as táticas das guerrilhas nas caatingas. Luis Joaquim de Siqueira, vulgo Formiga, natural de Afogados de Ingazeira, Trabalhava em Mossoró. No oficio de erradicar formigas, visitava as fazendas da redondeza. Espionava a serviço de um dos chefes dos quadrilheiros. Esperavam-no em Passagem de Oiticica. No terreiro da casa de Manuel Santino, o triunvirato do mal confabulava quando chega Formiga. Correu, prazenteiro, de braços estendidos a Virgulino e exclamou alto, como se fosse um velho amigo: Como vai capitão? E dá-lhe um abraço. O companheiro Amadeu Lopes, que de nada suspeitava, ficou atônito. Foi logo afastado para o meio dos prisioneiros do lugarejo, na maioria carentes conhecidos. Porem, o Caolho recebeu Formiga com frieza, que desnorteado, pede proteção. Seu Lampião me garanta a vida! Ninguém lhe ofende aqui. Vem de Mossoró? Sim. Como está a cidade? Bem guardada, a espera de um grupo de cangaceiros. Quantos homens tem em armas? Uns duzentos, no mínimo. Lampião fez um gesto desdenhoso e disse: Confere – eles brigarão menino? O intuito é brigar.
A carta de Gurgel não intimidara Rodolfo Fernandes. Lampião entrou em casa de Miguel Santino com Formiga. Retirou do bolso um pedaço de papel, encimado com seu timbre. Tomou do lápis e redigiu um bilhete. Julgava, assim, conseguir o intento. Escreveu com dificuldades numa péssima caligrafia:
Cel. Rodolfo.
Estando eu até aqui pretendo o dinheiro, já foi um aviso, ahi, pro Senhoris, si por causo resolver, mi a mandar será a importância que aqui nos pede. Eu envito de entrada ahi, porem não vindo esta importância eu entrarei, até aí penço qui a Deus querer, eu entro. E vai aver muito estrago por isto, si vir o dinheiro eu não entro, ahi ,mas nos resposte logo.
Capitão Lampião.
Entrega-o a Formiga e manda recado:
Se não for enviada a importância até as duas da tarde entrarei na cidade fazendo depredações de toda sorte.

Um comentário:

  1. Bilhete escrito de proprio punho por Virgulino. Clik em cima para ampliar.

    Lampião logo mandou
    Uma atrevida embaixada
    Ao cel. Rodolfo
    Esta lhe foi respostada
    Negando o que ele queria
    Muita gente dizia
    Isto não é caçoada.

    Logo se segue outra
    Que não teve melhor sorte
    Era impossível arranjar
    Aquele tributo forte
    E no ponto de defesa
    Que não temia a morte.

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