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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Cangaço - XIV


Resposta do prefeito.
Formiga ao encontrar o piquete da caieira ao lado da estrada, antes da ponte, explica a que vinha. O Soldado João Antonio de Oliveira o escolta ao solar do prefeito. Era, aproximadamente, uma da tarde. Rodolfo lê o bilhete para o pessoal em casa. Ali, se encontravam comerciantes e trabalhadores – gente amiga. Declara, com firmeza, que não cederia às exigências do facínora. Não faria concessões. Lutaria. Devido a pouca munição, recorreria à arma branca, caso fosse necessário. Por esse motivo não exigia sacrifícios, nem teria queixas de quem deixasse a trincheira. Nesse ínterim, Francisco Calixto de Medeiros rompe o silencio. Bate no bornal e grita:
O dinheiro está aqui! Lampião que venha buscar! Viva Rodolfo Fernandes! Viva nosso prefeito! Viva Mossoró! Todos vivaram uníssonos. Jubilosa aclamação alastrou-se aos piquetes da defesa. No calor do entusiasmo, Julio Fernandes Maia e outros companheiros mandavam recados desafiantes ao chefe bandoleiro. Da trincheira da rua, o mensageiro, meio desconfiado, ouvia a demonstração de valentia. Rodolfo aviu-se com Laurentino de Morais, sediado no prédio do telegrafo e o diretor da rede ferroviária, Vicente Sabóia Filho. A gente da trincheira sabendo que o assalto se daria em breve ficou alerta. Por falta de meios de comunicação, os entendimentos se alongavam. Retardaram a volta de Formiga, por mais de meia hora. O Edil procura impressioná-lo sobre a fortaleza dos mossoroenses e o numero de pessoas em armas.
Por fim, entrega-lhe a resposta:
Virgulino Lampião.
Recebi o seu bilhete e respondo-lhe dizendo que não tenho a importância que pede e nem também o comercio. O Banco está fechado, tendo o funcionário se retirado daqui. Estamos dispostos a acarretar com tudo que o Senhor queira fazer contra nós. A cidade acha-se, firmemente, inabalável na sua defesa, confiando na mesma.
13.06.1927.
Rodolfo Fernandes – Prefeito.

A invasão - Bando em fuga.

Deu tudo errado para Lampião em Mossoró. O resultado está nesta poesia de Jose Otavio Pereira Lima, referindo-se ao resultado da investida - feridos e mortos:

As cinco e meia da tarde
Lampião disse a negrada
Acabemos com esse fogo
Que isso não é caçoada
Jararaca e meu Colchete
Diabo levou no colete
Perdemos nossa caçada.

Seu Massilon eu me queixo
De você e mais ninguém
Dizer a mim que esse povo
Muita coragem não tem
Mas veja que em Mossoró
Os seus homens não tem dó
De bandidos que aqui vem.

Fujamos logo daqui
Eu estou envergonhado
De ir dizer ao Padre Cicero
Que por cá fui derrotado
Em que camisa me metir
Meus dois amigos perdir
Estou aterrorizado

Iam no grupo feridos
Que gemiam em grande dor
Outros calados qual mudos
Transpassados de pavor
Chorando sua desgraça
A beber em negra taça
O fel cortante do horror.
Raul Fernandes.

Um comentário:

  1. Lampião banca valente
    É mentira é corredor
    Tá andando de tamanca
    Seu Quelé foi quem botou.

    Oh seu Virgulino
    M’inspera. Faz favor
    Pra receber um recado
    Qui seu Quelé te mandou.

    Conta tanta valentia
    Mas num pisa na Rebêra
    Quando ver Quilimintino
    Sai danado na carreira

    Já correu por duas vez
    Qui num foi de caçoada
    Lá na serra das panelas
    Daquilo.. correu lavada.

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