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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


sábado, 11 de fevereiro de 2017

023 - Preciosidades antigas de Várzea-Alegre - Por Antonio Morais.

Foto - José Gonçalves de Carvalho.

Não conheci udenista maior que José de Ana do Sanharol. já sua prima legitima Zefa  de Pedro André, pela  amizade que  tinha com as filhas do Coronel Antônio Correia era partidária dos pessedistas.

Em 1958, declarada a seca, ainda existiam aqueles de muita fé, e, dentre os preceitos de quem tem boa fé  está a simpatia que diz que roubando-se um santo faz chover.

Na parede da sala da frente da casa de José de Ana do Sanharol existiam  quadros com tudo que era santo. Estava facilitado o furto. 

Zefa de Pedro André, minha avó, escalou os filhos José e Joaquim para efetuarem o roubo do santo. 

Os dois encontraram José de Ana e a esposa Bibia sentados no banco de angico na frente da casa.  José André era engenhoso, começou entretendo o casal para facilitar o trabalho do irmão. Entrar  na sala e retirar o Santo sem que os donos da casa  percebessem.  

Mostrou um suposto relâmpago para o lado da Serra Negra, o casal  colocou as butucas de olhos naquela direção e Joaquim entrou sossegado na casa.

Escuro de meter o dedo no olho, Joaquim  chega a sala retira um quadro e coloca  debaixo da camisa. De posse do santo, os dois voltaram para casa e quando madrinha Zefa pegou a moldura era  uma foto do José Carvalho, candidato  a prefeito pela UDN nas eleições  daquele ano..

É claro que o roubo não fez chover, nem podia. Tivemos naquele ano a maior seca da história do século passado. Pra que essa historia do Sanharol  não se perca na vala profunda do esquecimento estou compartilhando com os  netos de José de Ana, o maior udenista que conheci.

2 comentários:

  1. Enquanto Zé de Ana era o maior udenista, Josefa do Sanharol era pessedista. É claro que a foto do José Carvalho não foi do seu agrado nem fez chover.

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  2. Eu fui plantado,no seco e na primeira chuva de janeiro de 1959 eu comecei a germina ,dizem que quando uma planta passa sede seu fruto não é tão robusto ,forte e doce; eu era tão pequeno que se alguém tentasse roubar um santo com tanta pressa e encontrasse eu domino ia levar achando que era uma relíquia de um santo sem nome.Só sei que não ia fazer chover e se eu acordasse o susto era grande...

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