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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quarta-feira, 18 de março de 2020

Diocese de Crato reza a São Sebastião pedindo a proteção contra o Corona vírus – por Armando Lopes Rafael



Foi muito bem recebida, nas redes sociais, a mensagem gravada pelo Exmo. e Revmo. Sr. Dom Gilberto Pastana de Oliveira, Bispo Diocesano de Crato, rezando a oração de São Sebastião, e suplicando a proteção deste santo para nos livrar da pandemia do Corona vírus que se alastra por todo o mundo.

Crato já experimentou, em 1862, a proteção especial de São Sebastião na epidemia do cólera-morbo que matou centenas de cratense. Leia abaixo o relato a este respeito.

Quem percorre a estrada Barbalha-Arajara-Crato, em direção à última cidade, é surpreendido — cerca de cinco quilômetros, antes de chegar ao destino — quando avista, no lado direito, uma singela e respeitável capelinha, típica dos templos rurais de antanho. Trata-se da Capela de São Sebastião do sítio Currais, erguida para atestar, às gerações futuras, uma grande graça concedida por Deus, à população daquela localidade, na segunda metade do século XIX.

Corria o ano de 1862. Uma doença contagiosa e mortal, causada pelo vibrião colérico, se abateu, e dizimou considerável parcela da população sul cearense. O pânico se espalhou pelas cidades, povoados, fazendas e sítios do Vale do Cariri. Mas, naquele tempo, a fé do nosso povo, diferente de hoje, era patente. As pessoas tinham o costume de se voltar para Deus, nas grandes dificuldades coletivas. Isso ocorria nas freqüentes crises climáticas e nas epidemias. Estas mais raras.

Capela de São Sebastião dos Currais, em Crato

Damos a palavra ao historiador Irineu Pinheiro que fez menção deste fato no seu livro “O Cariri”, página 245:

“Em 1862 prometeu o major Felipe Teles Mendonça erigir uma capela em seu sítio Currais, a uma légua do Crato, dedicada a S. Sebastião, se não morresse de cólera-morbo nenhum dos membros de sua família ou de seus moradores. Naquela época a epidemia do mal asiático abateu milhares de pessoas em todo o Ceará. Nada sofreram o major Felipe e os de sua casa e sítio. Em 12 de outubro de 1863, para cumprir o seu voto, pediu ao Bispo D. Luiz Antônio dos Santos licença para edificar a igrejinha, licença que lhe foi dada no dia 13 do mesmo mês e ano, depois de informação favorável do vigário Joaquim Aires do Nascimento. Mas só em 1888, após ter o segundo Bispo do Ceará, D. Joaquim José Vieira, confirmado a graça concedida por D. Luiz, foi erguida a capelinha e benzida pelo vigário do Crato, Antônio Fernandes da Silva”.

Como há cerca de 160 anos,  os cratenses se voltam  novamente para São Sebastião, pedindo a proteção deste grande Santo, neste 2020.

2 comentários:

  1. Prezado amigo Armando Rafael - Quanto ao "coronavirus" até então se tem noticias de ministros, deputados e autoridades infectadas. Exatamente aqueles que podem e tem condições de atender aos procedimentos recomendados pelo ministério da saúde e OMS.

    Para as favelas que proliferam nas periferias das grandes cidades patrocinadas pela republiqueta de meia pataca que parecem mais uma Somália, perguntas estão sem respostas : Como lavar as mãozinhas? Como Usar álcool gel? Como uma alimentação saudável? Como hábitos saudáveis de higiene? Triste realidade.

    Resta a esperança e a misericórdia de Deus com a imunidade e resistência ao vírus.

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  2. Você sintetizou muito bem: só a misericórdia de Deus. E Deus é misericordioso. Daí porque achei muito oportuna o Bispo de Crato pedir orações, da população, para São Sebastião. Este Santo é reconhecido, desde os primórdios do cristianismo, como o protetor da humanidade contra as epidemias, pestes, doenças e guerras.
    Nesta republiqueta brasileira governo nunca foi solução. sempre foi “o problema”.

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