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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quinta-feira, 1 de setembro de 2022

SOBRE A ARTE DO FUTEBOL - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.


Se a arte não espanta, não é arte.

É outra coisa.

Sem a arte, a vida do homem seria de um vazio absurdo.

Uma alegoria ao nada.

O que busco no futebol, além de algumas observações táticas, é a arte, a poesia, a beleza.

Sem isso, um jogo de futebol é tomado por um tédio insuportável.

Quando o jogo é ruim, meus pensamentos voam para outros lugares.

Bem sei das fragilidades da beleza.

Minha glicose (sou diabético) dá pulos ornamentais, quando escuto: "O que vale no futebol é o resultado. O mais é irrelevante".

A gestão da bola exige arte, para protegê-la e não utilizá-la à esmo.

Na consecução do passe, o que Ganso e Arrascaeta fazem é poesia, é arte.

As bicicletas de Pedro, do Flamengo, e Rony, do Palmeiras, me arrancaram da poltrona, com um berro fescenino que ecoou por todo o apartamento.

A bola vem pelo alto, prestando-se ao cabeceio. O jogador dá um passo à frente, gira o corpo e, de costas para o gol, dá um salto e pega a bola no ar, com os pés.

Um espanto.

Contorcionismo de trapezista.

A bicicleta no futebol foi inventada por Leônidas da Silva, "O Diamante Negro", em 1932, quando ainda defendia o Bonsucesso, do Rio de Janeiro

Arrascaeta, Ganso, Pedro e Rony são coautores dessa croniqueta.

O velho Nelson sempre teve razão: "O que se espera de um clássico do futebol a uma reles pelada é a poesia".

Um comentário:

  1. Prezado Wilton Bezerra - Por falar em arte, certa feita eu assistia pelo radio uma partida entre Santos e Portuguesa. A bola foi alçada na área, Pelé subiu, matou no peito e antes de tocar os pés no chão emendou de pé esquerdo no ângulo da baliza. O narrador Fiori Gigliote considerou uma obra de arte e o comentarista Mauro Pinheiro chamou de obra prima. Hoje vendo o vídeo do gol temos a certeza absoluta que eles estavam com a razão.

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