quinta-feira, 3 de maio de 2012

OS GALEGOS DE QUILARA - Por Mundim do Vale.

Reprisado para Danúbio Bezerra Primo.

Eram meus vizinhos em Várzea Alegre, os irmãos Pereira. Pedro, conhecido como Pedão de Clara, Antônio, tinha o apelido de Topa-tudo e Cícero, era chamado de Ciço Louro. Moços católicos e muito trabalhadores, só tinham um defeito, quando bebiam ficavam violentos.

Os três bebiam juntos e quando estavam de fogo acabavam: Feira, samba, velório, fogo de broca, briga de galo, queima de caieira, pescaria e até batizado coletivo.

Era no mês de janeiro, Chagas Bezerra promovia a festa de Nossa Senhora Aparecida na cidade e para garantir a segurança na cidade, trouxe do quartel de Juazeiro um reforço de cinco soldados.

No sábado pela manhã horário de feira os irmãos bebiam e jogavam caipira,quando Pedão cismou com um Santeiro. Aí não teve santo que desse jeito, foi cacete pra tudo quanto é lado, o pobre do santeiro depois de levar uma bordoada de cada um, pegou o beco da Liberdade, subiu o alto da prefeitura e até hoje anda sumido.

Com a fuga do santeiro os três ficaram mais violentos ainda, aí foi quebra-quebra geral. Era caixão pra cima, trança de alho no chão, colorau misturado com farinha, caldo de cana com querosene e o povo correndo sem direção certa.

Nessa hora o anão Patola correu pra debaixo do caminhão de Auto Pimentel gritando:

-Eita qui os galego de Quilara hoje tão é cá gota!

Nesse momento em que a feira parecia ter recebido a visita de uma tsunami os soldados do reforço se apresentavam ao delegado civil para tomarem posse.

O delegado recebeu os cinco e foi logo dando as ordens:

- Muito bem para começar vão ali no mercado e me tragam os meninos de Clara presos, mas vão com cuidado,assim como quem procura pinico no escuro. Porque os meninos de Clara tem costume de botar soldado para correr.

Enquanto isto na feira era Pedão quebrando as mesas, Topa-tudo as cadeiras e Ciço Louro rasgando as toalhas. Quando Pedão acabou de quebrar a garapeira de Zé Dias e Ciço Louro moeu uma cana no lombo de Zé Terto, chegou o reforço dos cinco soldados novatos e um deles foi falando logo com Pedão:

- Teje preso!

- Num Tejo!

- Teje preso caba safado!

- Num Tejo sordado fí duma égua.

Aí fechou-se o tempo.

Os irmãos formaram um triângulo humano, deixando que os soldados ficassem no centro. Quando Pedão dava um pescoção num que ele caia fora do triângulo, Ciço Louro varria ele de volta pra dentro.

Pedão aberturou um, que foi conta de rosário pra tudo quanto é lado, rebolou o infeliz por cima dos potes de Maria Curta lá mesmo ele ficou. Topa-tudo pegou outro deu um murro tão condenado que o chão tremeu, depois pegou pelo fundo da farda jogou de cabeça pra baixo num camburão de lixo. Ciço Louro pegou outro arrastou pelos pés depois deu um balanço e gritou:

- Uma, duas, três, meia e já! Rebolou o coitado dentro do cacimbão do meio da rua, chega fez tibungo.

Tendo ficado apenas dois praças no triângulo, Pedão ficou com um e os dois irmãos dividiram o pé do ouvido do outro.

Pedão em um momento se distraiu enquanto dava um pesqueiro num cambista que passava e o soldado que estava com ele, fugiu pegando a mesma rota do vendedor de santos.

Com essa segunda fuga foi que aumentou a raiva dos três, aí não sobrou mais nada inteiro, nem banca de meisinha foi poupada.

Vicente Grande entrou na barbearia de Antônio Bento gritando:

- Fecha, fecha qui os minino dos Pereira tão acabando tudo!

Nesse momento Luis Bezerra vinha na rua Major Joaquim Alves quando avistou Vicente Cesário, perguntou:

- Vicente. Que corre-corre é aquele ali pro lado do mercado?

- Não é nada não Luís, é só os galegos de Clara, dando as boas vindas aos soldados que Chagas Bezerra trouxe.

"Várzea do Éden".


A Polícia Federal desencadeou na manhã desta quinta-feira, 03, a operação "Várzea do Éden", que investiga fraudes em prefeituras, tendo como foco atos fraudulentos cometidos na prefeitura da cidade de Jardim.

Aqui em Várzea Alegre, agentes da Polícia Federal cumprem mandados de busca e apreensão nas empresas e residências pertencentes ao contador "Cição", que já prestou serviços de contabilidade em Jardim.

O delegado da Polícia Federal, Dr. Bonfim, estará dando entrevista coletiva às 15h00, na sede da delegacia, na cidade de Juazeiro do Norte, na qual dará detalhes da operação.

Fonte - Site Várzea-Alegre.


A música do dia 008 - Por Antonio Morais

Por sugestão da colaborador Tereza Araújo "Iracema" de Adoniram Barbosa - Demônios da Garoa. Não se pode  contestar a interpretação do conjunto "Demônios da Garoa", mas eu rendo meu aplauso ao  amigo João Dino: Foi com ele a melhor interpretação de Iracema que eu vi e ouvir.

Pra você João Dino - Iracema.



Histórias do Sanharol 085 - Por Antonio Morais


Eleições a antiga. Essa historia é do tempo do bumba, está sendo reprisada para se ter ideia de como eram as eleições  no final de década de 40 inicio de 50. 

O meu avô Pedro Alves Bezerra, o conhecido Pedro André do Sanharol, chegou a sede do município, num dia de eleição, foi até o local de votação e votou. Ao sair foi procurado por Raimundo Otoni de Carvalho, líder da UDN que queria saber da possibilidade dele vir a ocupar  a vaga  de candidato a vereador do partido em vista da desistência de um postulante.  

Como era um substituição era possível fazer, a legislação permitia. Pedro André  não aceitou de inicio elegando o obvio. Não haveria a menor chance, pois até ele já tinha votado. Raimundo Otoni argumentou que  era apenas para  ajudar a legenda. Assim é que Pedro André aceitou e saiu falando com os amigos, distribuindo as chapas com o seu nome.

No final do dia e da eleição, quando fizeram a apuração o homem estava eleito. Demorou comemorando com os amigos o tempo suficiente para Frazo do Garrote subir e avisar a sua esposa madrinha Zefa que era  adversaria da UDN. A vingança veio na hora, não fez o jantar neste dia. O vereador dormiu com fome. Nestes tempos quaisquer 50 votos elegia um vereador.


Rosa Guedes tá no Crato 03 - Por Helder França.


Pai, aqui é um paraizo
Cuma o Crato nunca vi
É um eterno surriso
Qui nunca pára de rir
Logo qui aqui cheguei
Seu Dedé eu logo achei
Ele veve im toda parte
E purali, nesses mei
Eu logo simpatizei
Um tá de Jaquis Duarte

Seu Dedé me apresentô
E fez recumendação
O Jaquis de mim gostô
Nois fiquemo cuma irmão
Sempre cum ele é que fico
Ele é um bancaro rico
Separado da muié
Anda todo prefumado
Pissui um carro zerado
E é dono de dois moté

Mi levô lá no Grangero
O coiza linda, meu pai
Lá cum ôtos cumpanhero
Jaquis foi jogar barái
Era mermo uma alegria
Somente Jaquis batia
Documeço inté o fim
Seu Siebra no azá
Dizia prá Valdemar
Só quem num perde é Dezim

Nenen chorando seu pranto
Fui armado i num bati
Muntas vez trocô de canto
Cum Siebra e Vanduí
E Jaquis sempre batendo
Os bolso de ficha inchendo
Era uma coiza danada
E a turma se irritava
Quando ele as fichas arrastava
Dizendo assim: fui sem nada.

Até a proxima


quarta-feira, 2 de maio de 2012

AS FERAS DO IMPROVISO 036 - Por Mundim do Vale.

Mote;

A CASA QUE TEM CRIAÇA,
 DEUS VISITA TODO DIA!

Jó Patriota

Quando a criança adormece;
A mãe cansada do parto,
Nos quatro cantos do quarto,
Deus, em  pessoa, aparece!
O Espírito  Santo desce,
Distribuindo alegria!
Vem aquela mão macia,
Da rede, o punho balança,
A CASA QUE TEM CRIANÇA,
DEUS VISITA TODO DIA!

A musica do dia 07 - Por Antonio Morais

A sugestão é do ex-colega do Colégio Estadual em Crato Anário. Sempre que ele aparece, trás boas lembranças. Ele comenta, com muita propriedade, o quanto era difícil um rapaz de origem pobre, tomar chegada e namorar uma moça filha de um homem que tinha 10 vacas no curral, um paiol de arroz e dez contos de reis no baú. 

É verdade, quanta imbecilidade, mas era assim mesmo. Muitas preferiram a prateleira, e ficaram. Anário sempre foi metido a sem juízo ou se fazia ser, mas desta feita, foi perfeito em seu depoimento. 

A música sugerida por ele vale apena ser ouvida. Dedicada aos ex-colegas Cesário e Nonato Paraíba.

Pobreza - Leno e Lilian.


Rosa Guedes tá no Crato 02 - Por Helder França.


Cumê saco de pipoca
E chupá os picolé
Cumê inté tapioca
Se puracauso tiver
Quero vê os cantadô
E os ôtos imboladô
Qui sempre faz desafio
Vê o concurço das vaca
Sentado lá nas barraca
Cumeno bolo de mio

Apois se é isso que quer
Viage, vá com coidado
Percure lá seu Dedé
Qui é home muito falado
E ele pur gentileza
Pode assumi as despeza
Qui adispois eu vou pagar
Ele é um home dereito
Vai tratá tu cum respeito
E tudo vai lhe amostrar

Viajei no ôto dia
Mi sintindo bem feliz
Provei de toda alegria
E lá fiz tudo que quiz
O pueta seu Dedé
Home de fôça e de fé
Mi arrecebeu cum amor
E em pôcas horas somente
Eu cunheci muita gente
Qui ele mi apresentô

Só dispois de uma sumana
Foi qui de pai mi alembrei
Fiz uma carta bacana
E lá pra casa mandei
Foi uma carta cumprida
Cum as letras bem iscrivida
Que seu Davi fez pra mim
Tudo que eu ia dizendo
Seu Davi ia iscrevendo
A carta foi mermo assim:

Até a próxima.


terça-feira, 1 de maio de 2012

MAIO - MÊS DAS MÃES - Por Valdênia Almeida

MAIO - MÊS DAS MÃES


Diante
da solidariedade às mães
Venho neste mes prestar também minha homenagem
A mãe cujo filho lhe enriquece a alma
Mas, lembrando também nesta postagem
A amargura do coração materno que entristecida
Foi pelo filho abandonada e esquecida
Não sabe onde anda, qual é sua paragem.

Sim... Rogo a Deus, paz e vida longa
Para todas as mães desta sofrida terra
Mas, sem esquecer aquela mãe pelos anos carcomida
Sofrendo pelo filho que perdeu na guerra
E a enfermidade deste outro já quase sem vida
Ela ao pé da sua cama de si mesma esquecida
Chorando de dor... Seu coração de mãe não erra.

Muitas
mães transbordam de alegria
Com tudo que o filho em tenra idade apronta
Aquelas outras amanhecem o dia
A porta da prisão assim que o sol desponta
Para ver o filho amado
Ali confinado
Por motivos que ela nem faz conta.

O amor pelas mães enriquece as lojas
Onde os filhos lhes compram o presente pioneiro
Já na casa de outras mães o filho chora
E elas com eles choram o desespero
De não ter o alimento necessário
A panela vazia, o coração cheio de amor mas solitário
No fogão só cinzas fogo apagado e sem brasileiro.

E neste mês as mães recebem muitos abraços
Carinhos e beijos de modo ardente
Bem podiam retribuir em orações
Agora... Neste mês somente
Em benefício das mães que vivem em constante luta
Sem lamentar o cansaço da labuta
E a orar pelos filhos de forma permanente.

Se me perguntares: Onde estão essas mães que não se vê
Andando nas ruas, nas praças, em qualquer parte?
Responderei: Como operárias ou domésticas
O tempo não lhes dá chances de compras e desta arte
Vivem no silêncio do anonimato, no trabalho honrado
Conduzindo no regaço do coração o filho amado
Finalmente te digo: Mãe assim existe em toda parte.

Esta é a minha homenagem às mães neste mês.

Escrito por: Valdênia Almeida - 01/05/2012

MES DE MAIO - MES DE MARIA - Por Vicente Almeida


Estímulando a sua da fé!
01/05/2012

A musica do dia 006 - Por Antonio Morais

A sugestão de hoje é da colaboradora Maria de Fátima Bezerra Cordeiro, Fátima Gibão.

Entretanto - Martinalia.



Rosa Guedes tá no Crato 01 - Helder França.


Eu cansei de ficar presa
Nos matos sem diversão
Sem pudê ver as beleza
Da festa da ispuzição
Ontonce dixe: meu pai
Dessa vez a casa cai
Vai haver ispaiafato
Acabe, pai, cum orguio
Pruquê agora im juio
Vô passiá lá no Crato

O véio dixe: minha fia
Os tempos tão tão moderno
Cada noite e cada dia
Parece mais um inferno
As nutiça qui se tem
É qui ninguem faz o bem
O qui ixiste é matrato
Todo respeito acabôsse
Num quiria que tu fosse
Rozinha, nunca no Crato.

Mais agora já mintendo
Já posso fazer meus prano
O sinhor tá sisquecendo
Qui eu tenho dezoito ano?
E eu vejo o povo falando
Qui dezoito compretando
A gente é maioridade
E é pur isso qui digo
Nem qui se zangue comigo
Vô passiar na cidade.

Quero ver a ispuzição
As vendas de animar
Quero ver as diversão
Qui o povo diz qui tem lá
Quero oiá os carrocé
Os cavalim cuma é
E o som dos auto-falante
Me assubi nos avião
Dá volta nos minhocão
Rodá na roda gigante.

Até a proxima.

Blog em Prosa - Por Geovane Costa.


Hoje vou contar, a pedido do Geovane Costa, a história do casamento de Clara de Manuelzinho do Pita com Manuel Leandro Bezerra.

Clara veio a passeio a Varzea-Alegre onde já tinha um irmão e duas irmãs casadas com  filhos de José Raimundo do Sanharol. Na casa de Zefinha, casada com Viturino Alves de Menezes, o conhecido Bitu,  ela demorou o primeiro dia. Num determinado momento, Viturino falou pra Clara: Você devia se casar com Manuel Leandro meu irmão, ele é um homem muito bom, foi um excelente marido  no primeiro casamento. Clara respondeu em cima da bucha: se Manuel Leandro vier com dois Santo Antonio de ouro nas mãos eu ainda não quero. Viturino se aborreceu com a proposta de Clara e, resolveu ir deixa-la na casa do pai em Arneiroz.

Quando chegou no Pita,  fazenda onde morava a familia Manuelzinho perguntou: o que houve, que Clara foi para passar um mes e já voltou? Viturino contou a historia e, o velho acrescentou: ela vai ganhar muito com isso. Nunca mais põe os pés no Machado. A Clara ouviu a conversa de onde estava. 

Quando Viturino se despediu  a Clara chegou para o vaqueiro que o acompanhava e disse: Ei, quando chegar  lá diga a Manuel Leandro que se ele quiser eu me caso com ele, que eu quero ver se meu pai empata que eu vá ao Machado.

Quando Manuel Leandro soube da historia foi correndo a Arneiroz buscar Clara. Clara era engenhosa.