domingo, 23 de junho de 2013

O PT afônico - Por Mary Zaidan

O PT nunca amargou desilusão tão profunda: as ruas se abarrotaram de gente sem que o partido as mobilizasse. Gente que, em sua maioria, prefere que a “onda vermelha” convocada, oportunista e extemporaneamente, pelo presidente da sigla Rui Falcão, fique longe.

Golpe duro para quem sempre se vangloriou da sintonia com as massas, de ser o senhor das vozes das ruas. Que se arvorava a ser quase, senão o único, na interlocução com os jovens. Que paga centenas de blogueiros, sabem-se lá quantos tuiteiros e facebuqueiros para falar bem do governo e rechaçar opiniões contrárias. Mas que não foi capaz de nem mesmo sentir o cheiro da mobilização, via redes sociais, que nas duas últimas semanas sacudiu o país de ponta a ponta.

É fato que nenhum partido, pouquíssimos políticos e só alguns analistas conseguiram traduzir, pelo menos parcialmente, o que está se passando. Mas, para o PT, estar divorciado disso, não ser o dono da voz, é quase mortal.

Tanto que se expõe ao rechaço enfiando-se em manifestações que, pelo menos por enquanto, agremiação ou político algum é bem-vindo. Até porque os partidos políticos - mais preocupados com os seus umbigos e com a eleição seguinte - são alvos da grita.

Estar apartado disso é tão letal para o PT que fez seus dirigentes esquecerem os disfarces habituais. No olho do furação, enquanto o prédio da Prefeitura de São Paulo era vandalizada e o prefeito Fernando Haddad deixado nu, lançado à sua própria sorte, a presidente Dilma Rousseff reunia-se com o seu inventor Lula, o marqueteiro João Santana, o ministro Aloizio Mercadante e Rui Falcão.

Na pauta, o PT e a manutenção do poder depois do estouro da boiada – da qual eles se imaginavam donos - falavam mais alto do que o País.


Grupo depredou e tentou invadir a Prefeitura de SP. Foto: ABr

O petista Haddad abrigou-se ao lado do tucano Geraldo Alckmin e, juntos, anunciaram a suspensão do reajuste das tarifas de ônibus, metrô e trens. No dia seguinte, quinta-feira, ambos colheram uma manifestação em paz, que ocupou toda a Avenida Paulista.

Dilma só falou ao País na sexta-feira, um dia depois de a “pequena minoria” - esse pleonasmo que deixou rastros de destruição em dezenas de centros urbanos - fazer estragos diante de seus olhos, importunando-a no Palácio do Planalto, ameaçando o Congresso Nacional, ateando fogo e quebrando os vidros do Palácio do Itamaraty.

Seu pronunciamento foi correto no tom, medido, bem escrito. João Santana teria acertado em tudo, não fosse o deslize costumeiro de, mais uma vez, colocar o PT antes do País; de anunciar um pacto nacional com a pauta da campanha eleitoral já desenhada para 2014. De amenizar, mas não eliminar a soberba.

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

EM  DEFEZA  DO  SERTÃO.

MOTE:

QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NãO   FALE   MAL  DO   SERTÃO.

Amigo da capital
Manere seu linguajar,
Não venha você falar
Do nosso torrão natal.
Você, só quer ser o tal
Mas na alimentação,
Vai daqui nosso feijão
E é por isso que eu digo.
QUEM QUISER SER  MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL   DO   SERTÃO.

Tudo que você falou
Foi um tanto improcedente,
Fez uma crítica indecente
Com as besteiras que citou.
Para Deus você pecou
Com tamanha aberração,
Mas Padim Ciço Romão
Vai aplicar seu castigo.
QUEM QUISER SER  MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL   DO   SERTÃO.

No sertão tem alegria
Como em qualquer lugar,
Você generalizar
É ato de covardia.
Se você quiser um dia
Durante o mês de São João,
Conhecer animação
Pode até contar comigo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL  DO   SERTÃO.

Você mora na cidade
E eu moro aqui no mato,
Mas vamos fazer um trato
Sem faltar com a verdade.
Curta a sua vaidade
Viva a vida de barão,
Deixe eu curtir o torrão
Onde enterrei meu umbigo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL  DO   SERTÃO.

Quem é você pra falar
De um lugar que não conhece?
Nosso sertão não merece
É bom você se calar.
Eu defendo o meu lugar
Em qualquer situação,
Não gosto de confusão
Mas se precisar, eu brigo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL  DO   SERTÃO.

Fique com o seu conforto
Que eu fico com o aperreio,
Mas eu acho muito feio
Esse seu assunto torto.
O sertão não está morto
Só precisa de atenção,
A sua provocação
É coisa que eu não ligo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO  FALE   MAL   DO   SERTÃO.

Falou da nossa pobreza
Que o sertão tem carência,
Mas esquece a violência
Que existe em Fortaleza.
Em você faltou nobreza
De quem se diz cidadão,
Meteu o pé pela mão
E lhe entender não consigo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL  DO   SERTÃO.

Se você me prometer
Não falar do meu lugar,
Eu posso lhe convidar
Para você conhecer.
Mas você tem que saber
Que lá não tem divisão,
Trate o povo como irmão
E não como um inimigo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL   DO  SERTÃO.

Não diga lá a ninguém
Que o sertão é carente,
Converse com a nossa gente
Como um matuto também.
O sertanejo é do bem
E não gosta de questão,
Eles dão o seu perdão
E oferecem um abrigo.
QUEM QUISER SER MEU AMIGO
NÃO   FALE   MAL  DO   SERTÃO.

Mundim  do  Vale
V. Alegre - Ceará

A ordem da multidão aos oportunistas: ‘Fora PT, leva a Dilma com você!’

Devotos da seita lulopetista resolveram pegar carona no ato de protesto que começou às cinco da tarde desta quinta-feira. 

Em São Paulo, tropeçaram na repulsa dos muitos milhares de manifestantes que já não suportam o espetáculo do cinismo. O que acaba de acontecer na Avenida Paulista avisa que a “onda vermelha” vai bater  com o mar de bandeiras do Brasil.

Como a vidraça continuou fazendo de conta que é estilingue, o aviso foi ampliado pelos engajados na luta contra a corrupção: ‘Fora PT, leva a Dilma com você!’.


ESCRITOS QUE NINGUEM LÊ - Xico Bizerra.

Seu ofício era escrever. Tinha compromisso com os editores dos jornais que lhe cobravam uma crônica semanal. Quando inspirado, ele escrevia 4, 5, 6 crônicas de uma só vez e as guardava, distribuindo-as, semanalmente, entre as editorias a que servia. E assim foi durante anos até que se exauriram suas idéias. Nada mais lhe surgia à mente para escrever. Recorreu, algumas vezes, a simplesmente transcrever textos de outros autores, mas dando-lhes o devido crédito e nunca deixando de esclarecer que aquilo se devia à falta de imaginação sua, à falta de idéias. Até que resolveu parar de escrever, comunicando o fato aos jornais todos em que assim fazia. Depois de um tempo percebeu que sua ausência em nada afetou o mundo, o estado, a cidade, seu bairro e que ninguém sequer percebeu que ele deixara de escrever. Voltou a fazê-lo, para alegria dos Editores e indiferença dos leitores. Poderia, ao invés disso, ter-se internado numa clínica para loucos ou exilar-se, ir embora pra Compostela. Poderia, ainda, colocar um anel no dedo, usar um cajado e roupas de mago. Sair pelo meio do mundo inventando anjos, fazendo chover, tirando coelhos da cartola e iludindo o mundo. Mas não. Preferiu voltar a escrever suas crônicas que ninguém lê.
Xico Bizerra.

sábado, 22 de junho de 2013

Sem lírios no campo - Por Sandro Vaia

Não confunda vândalos com indignados.

Eles podem até andar juntos mas não são unidos pelos mesmos ideais. Uns querem quebrar caixas eletrônicos, depredar ônibus e levar umas roupas ou umas tvs de plasma das lojas Marisa.

Outros querem paz e amor, ônibus mais baratos, estádios menos faraônicos , políticos menos corruptos e, por via das dúvidas, um mundo melhor - o que inclui educação, saúde e presumivelmente mais vergonha na cara.

Essa espécie de “primavera” sem bússola tem a pauta mais longa de todas as primaveras que vimos pela TV.

Os líbios queriam botar Kadafi pra fora, os sírios transformaram a oposição a Assad numa guerra civil, os egípcios queriam mais liberdade, os turcos menos autoritarismo, os gregos menos austeridade e os europeus mais empregos.

Os brasileiros começaram indignados com um aumento de 20 centavos no preço das passagens de transporte coletivo urbano e em dez dias foram daí para o infinito.

Os 20 centavos foram o estopim e não se pode dizer que o Movimento Passe Livre seja um anjo de candura e de inocência apolítica. Ele tem uma pauta claramente política que vai da catraca livre a uma proposta contra “latifúndios urbanos”que não tem pé nem cabeça.


A massa genericamente indignada com tudo, desde o superfaturamento dos estádios da Copa aos calamitosos serviços de saúde pública, se juntou ao movimento, de tal forma a acuar os governos e provocar um recuo no aumento das tarifas de transporte urbano.

Quinta-feira foi o dia de sair à rua para comemorar a vitória” do movimento e os partidos políticos e as “organizações sindicais que quiseram tirar uma casquinha desfraldando as suas bandeiras nas manifestações, foram escorraçados, demonstrando claramente que os elos entre a população e os meios convencionais de representação política estão irremediavelmente danificados.

A mídia, principalmente a eletrônica, festejou essa “linda manifestação democrática” como se fosse um baile junino, sem se dar conta da profundidade e da gravidade do verdadeiro significado da presença das marés humanas na rua.

Não foi apenas uma “semana de saco cheio”, como aquelas que os estudantes fazem nas faculdades, mas uma prova objetiva de que as instituições convencionais de representação política estão feridas de morte e não são mais capazes de mediar com eficácia as relações entre a sociedade e quem pretende representá-la.

A democracia brasileira refundada pela Constituição de 1986 foi maltratada pelos governos, pelos partidos e pelos políticos e seria demais esperar que fosse afagada e respeitada apenas pela população.

Seria ingênuo esperar que do pântano do rebaixamento ético-institucional a que o País vem sendo submetido nos últimos anos brotassem lírios do campo.

ENVIADO POR AMIGOS DE DEUS

Estou sossegado no quarto de um hotelzinho tranquilo escondido entre os pinheiro. Passa de meio dia, fim de Julho, e escuto o som de uma desesperada luta de vida ou morte perto de mim.

Uma mosca está gastando as últimas energias de sua curta vida na vã tentativa de voar através da vidraça. O zumbido das asas rápidas conta a pugentente historia da estratégia da mosca: tentar sempre! Mas não está dando certo. Os esforços frenéticos não dão esperança de sobrevivência. Ironicamente,  luta é parte da armadilha. Por mais que tente, é impossível para a mosca atravessar a vidraça. Contudo, esse pequeno inseto empenha a vida para atingir sua meta através de puro esforço e determinação.

A mosca está condenada. Vai morrer na vidraça. A três metros dela, a porta está aberta. Dez segundo de voo e essa criaturinha poderia chegar ao mundo externo que deseja. Apenas uma fração desse esforço desperdiçado bastaria para se livrar da armadilha criada por ela mesma. A possibilidade de travessia está ali. Seria tão fácil. Por que a mosca não tenta algo drasticamente diferente?

Como se fechou tanto na ideia de que determinada via e determinado esforço prometem? Como se fechou tanto na ideia de que determinada via e determinado esforço prometem o sucesso? Que lógica há em continuar até a morte procurando chegar a um lugar diferente através da mestice? Sem dúvida, essa solução faz sentido para a mosca. Infelizmente, é uma ideia que leva à morte. Tentar sempre não é necessariamente a solução para chegar a um fim.

Pode não ser uma promessa verdadeira de obter o que se quer na vida. De fato, às vezes, é uma boa parte do problema. Se você empenha suas esperanças de travessia e tentar sempre a mesma coisa, pode matar as oportunidades de sucesso.

Price Pritchett

sexta-feira, 21 de junho de 2013

ENVIADO POR AMIGOS DE DEUS

Por mais que lhe falem de tristeza
. . . prossiga sorrindo!
Por mais que lhe demonstrem rancor
. . . prossiga perdoando!
Por mais que lhe tragam decepções
. . . prossiga confiando!
Por mais que lhe ameacem de fracasso
. . . prossiga apostando na vitória!
Por mais que lhe apontem erros
. . . prossiga com os seus acertos!
Por mais que discursem sobre a ingratidão
. . . prossiga ajudando!
Por mais que noticiem a miséria
. . . prossiga crendo na prosperidade!
Por mais que lhe mostrem destruições
. . . prossiga na construção!
Por mais que acenem doenças
. . . prossiga vibrando saúde!
Por mais que exibam ignorância
. . . prossiga exercitando sua inteligência!
Por mais que o assustem com a velhice
. . . prossiga sentindo-se jovem!
Por mais que plantem o mal
. . . prossiga semeando o bem!
por mais que sua luta seja grande
... DEUS é maior!

Desconheço o Autor

Limites e consequências das manifestações - Por Murillo de Aragão


A eclosão de uma sucessão de manifestações no país é um ponto fora da curva e que pode ser caracterizado como um cisne negro: algo inesperado que pode mudar as tendências predominantes.

Mesmo sendo prematuro especular sobre o alcance dos acontecimentos, o certo é que existem algumas poucas certezas sobre o que se passa.

Uma dessas certezas é a de que a cena eleitoral de 2014 está definitivamente afetada por esses eventos. Seja pelo fato inconteste de que as redes sociais e a internet estão sendo essenciais nas mobilizações, seja pela clareza da mensagem que as classes médias altas e as franjas das classes populares estão enviando à classe política: “Estamos de saco cheio!”

Alguém em 2014 vai ser alavancado pelos rescaldos desses movimentos. No momento, parece que a ex-senadora Marina Silva é a que mais se aproxima do perfil de vencedora. Os danos na popularidade de Dilma Rousseff serão evidentes.

Outra certeza é a de que os protestos podem morrer, caso não se transformem em um projeto político claro. As passeatas de hoje têm um menu variado de temas que inclui o preço do transporte público e os gastos com a Copa, a rejeição à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37, que limita os poderes de investigação do Ministério Público, a condenação da corrupção e do projeto de lei que trata da “cura gay”, além de expressar o desejo de contestar autoridades e/ou de praticar vandalismo, e por aí vai.

Tal agenda, ampla e difusa, revela a existência daquilo que Elias Canetti, em seu magistral livro "Massa e poder", identifica como massa aberta. Canetti aponta algumas características importantes no fenômeno.

A primeira é o fato de que a massa aberta reclama um interesse universal que una tudo e todos. É a busca pela universalidade ampla dos interesses em oposição a projetos específicos típicos de massas fechadas.

A universalidade do interesse das massas abertas é essencial para promover a igualdade de todos os seus participantes em torno de um objetivo comum. Porém, a mesma universalidade que pode unir é a que fragiliza e destrói a massa aberta. Pois a falta de unidade de interesses nos homens e mulheres termina rompendo a universalidade sonhada. Tal questão, hoje no Brasil, se comprova nessa agenda difusa.

Para evitar a dissipação das manifestações, o movimento deve se organizar. Em um primeiro momento, até mesmo ampliando suas agendas e incorporando reivindicações pontuais de funcionários públicos, trabalhadores, aposentados, sem-teto, sem-terra, estudantes etc.

Apenas assim prosseguirá crescendo e se consolidando em busca de um projeto de poder. Para adiante poder depurar a agenda e se posicionar claramente no ciclo eleitoral que se aproxima. Mas essa não parece ser, agora, a tendência mais evidente.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

LUGAR DE PEREGRINAÇÃO - CAPELA DE MARIA DE LICOSA.


Galeguinho, João, Buzuga, César, Wilson Moreno e Eldir.

Maria de Licosa, desfilava sua demência perambulando  pelas ruas e sítios sem que, em nenhum momento, oferecesse  perigo algum aos seus semelhantes. O relato a seguir com fonte  no site  Várzea-Alegre.com trata de mais uma historia de sofrimento e tristeza em nossa cidade.

"Aos poucos a população de Várzea Alegre começa a conhecer um novo lugar de peregrinação religiosa: a capela de Maria Alves de Oliveira “Maria de Licosa”, em Tabuleiro, entre os sítios Bravas e Traíras, divisa entre Várzea Alegre e Cariús.

Maria de Licosa era natural de Várzea Alegre, filha de Raimundo José dos Santos (Raimundo Ferreira) e Antônia Brígida de Oliveira (Tia Tonha).

Segundo conta a sua história, Maria de Licosa sofria das faculdades mentais e costumava andar sem rumos pelas ruas e sítios de Várzea Alegre e de Cariús.

Um dia, nessas andanças, teria tomado banho em um açude e um animal que se alimentava próximo teria comido as suas vestes que estavam nas margens do açude. Com vergonha, ela se embrenhou na mata e morreu de sede e de fome.

O corpo de Maria de Licosa foi encontrado por Joaquim Ferreira e já estava em adiantado estado de decomposição e ali mesmo foi sepultado.

Esse acontecido trágico foi em outubro de 1958, quando Maria de Licosa tinha 25 anos.

O sofrimento da jovem tocou o coração do senhor Pedro Martins, que teve a ideia de construir uma capela para marcar o local da morte de Maria de Licosa. A capela foi construída com a ajuda do pai de Maria, Raimundo Ferreira.

A pequena capela, que fica distante cerca de 20 quilômetros da sede de Várzea Alegre, recebe dezenas de admiradores de Maria de Licosa, que rezam e pedem graças. Uns dizem que já alcançaram milagres ao pedir a intercessão de Maria de Licosa".

Trovinhas - Por Claude Bloc

Cada um no seu Quadrado” 
(Claude Bloc)

MAS, SE VOCÊ PREFERIR UM CÍRCULO... PODE FICAR A VONTADE!!!

Eu ando por esse mundo
Um mundo desajeitado
Cada um é cada um...
Cada um no seu quadrado

Mas eu sinto que eu não posso
Me esquecer do meu estado
Se estou com cada um
Cada um segue ao meu lado

Por isso fico no canto
E depois fico de lado
Giro em torno de você
E saio do meu quadrado

Mas se falo por aqui
Com o coração disparado
Eu falo com cada um
Cada um no seu quadrado

Com o devido respeito
Coração bem assentado
Tocando todas as cordas
De um violão afinado..

Brincando como crianças
Nesse tapete dourado
Contamos tanta história
Desse mundo encantado

E vamos tecendo a trama
Nesse espaço arrochado
Quero você, meu amigo/( minha amiga)
Sempre perto, deste lado.

Porque agora eu volto
De novo pro meu quadrado
De onde só sairei
Pra estar bem ao seu lado.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Corrupção é o foco - Por Merval Pereira, O Globo


Mesmo que as reivindicações sejam várias e muitos cartazes exibam anseios mal explicados ou utopias inalcançáveis, há um ponto comum nessas manifestações dos últimos dias: a luta contra a corrupção.

A vontade de que o dinheiro público seja gasto com transparência e que as prioridades dos governos sejam questões que afetam o dia a dia do cidadão, como saúde, educação, transportes, está revelada em cada palavra de ordem, até mesmo nas que parecem nada ter a ver com o fulcro das reivindicações, como no protesto contra a PEC 37.

Nele está contido o receio da sociedade de que, com o Ministério Público impedido de investigar, o combate à corrupção seja prejudicado. Todas as questões giram em torno do dinheiro público gasto sem controle, como nos estádios da Copa do Mundo, todos com acusações de superfaturamento.

O dinheiro que sobra para construção de “elefantes brancos” falta na construção de hospitais ou sistemas de transportes que realmente facilitem a vida do cidadão.

O mundo político está de cabeça para baixo tentando digerir as mensagens que chegam da voz rouca das ruas, como dizia Ulysses Guimarães, que dizia também que “a única coisa que mete medo em político é o povo na rua”.

Ninguém entende, por exemplo, por que houve esse verdadeiro estouro da boiada agora, e não há um mês ou mesmo há um ano.

Tenho um palpite: assim como as manifestações na Tunísia, as primeiras da Primavera Árabe, começaram com o suicídio de Mohamed Bouazizi, de 26 anos, vendedor ambulante que ateou fogo ao corpo depois de proibido de trabalhar nas ruas por não ter documentos nem dinheiro para pagar propinas aos fiscais, as manifestações aqui foram grandemente impulsionadas pela reação violenta da polícia em SP semana passada.

O movimento contra o aumento das passagens de ônibus poderia não ter a amplitude que ganhou se não houvesse uma reação nas redes sociais à atitude da polícia, como se todos sentissem a opressão do Estado na sua pele, e de repente liberassem os diversos pleitos que estavam latentes na sociedade.

Creio que foi a partir do entendimento de que uma reivindicação justa como a da redução das tarifas de ônibus estava sendo tratada simplesmente como um pretexto para arruaças e vandalismos que a sociedade passou a se mobilizar para ampliar suas reivindicações.

O Monstro foi para a rua - Por Elio Gaspari, O Globo

Em dezembro de 1974, a oposição havia derrotado a ditadura nas urnas, elegendo 16 dos 21 senadores, e o ex-presidente Juscelino Kubitschek estava num almoço quando lhe perguntaram o que acontecia no Brasil.

O que vai acontecer, não sei. Soltaram o monstro. Ele está em todos os lugares. Abaixou-se, como se procurasse alguma coisa embaixo da mesa, e prosseguiu:

Ele está em todos os lugares, aqui, ali, onde você imaginar.

Que monstro?

A opinião pública.

Dois anos depois JK morreu num acidente de automóvel e o Monstro levou-o nos ombros ao avião que o levaria a Brasília. Lá ocorreu a maior manifestação popular desde a deposição de João Goulart.

Em 1984 o general Ernesto Geisel estava diante de uma fotografia da multidão que fora à Candelária para o comício das Diretas Já.

Eu me rendo — disse o ex-presidente, adversário até a morte de eleições diretas em qualquer país, em qualquer época.

Demorou uma década, mas o Monstro prevaleceu. O oposicionista Tancredo Neves foi eleito pelo Colégio Eleitoral e a ditadura finou-se.

O Monstro voltou. O mesmo que pôs Fernando Collor para fora do Planalto. No melhor momento de seu magnífico “Pós-Guerra”, o historiador Tony Judt escreveu que “os anos 60 foram a grande Era da Teoria”. Havia teóricos de tudo e teorias para qualquer coisa. 

É natural que junho de 2013 desencadeie uma produção de teorias para explicar o que está acontecendo. Jogo jogado. Contudo, seria útil recapitular o que já aconteceu. Afinal, o que aconteceu, aconteceu, e o que está acontecendo, não se pode saber o que seja.


Libertado o prefeito de Juazeiro do Norte, Ceará - Blog do Ricardo Noblat


Há seis horas prisioneiro da parte dos fundos da agência do Banco do Brasil da rua São Francisco, no centro da cidade, Raimundo Macedo (PMDB), 70 anos, prefeito pela segunda vez de Juazeiro do Norte, Ceará, recebeu por volta das 22h de ontem a notícia que aumentaria de vez seu desespero: do lado de fora,  ocupando todos os espaços disponíveis, tendia a crescer a multidão estimada em quatro mil pessoas disposta a passar a noite em vigília para impedi-lo de sair dali.

Quem mandou Raimundo, de apelido Raimundão, não conseguir refrear sua curiosidade?

No meio da tarde, ao saber que uma passeata contra ele percorria as principais ruas da cidade, Raimundo decidiu observá-la de longe. Meteu-se no carro oficial, chamou um primo para acompanhá-lo e saiu atrás da passeata. Foi seu grave erro.

O alerta foi dado pelo primeiro manifestante que reconheceu o carro à distância: "Pessoal, olha o carro do Raimundão". A multidão cercou o carro. Há muito custo, o motorista manobrou e conseguiu chegar à agência do Banco do Brasil. Raimundo e o primo desembarcaram às pressas.

Ex-deputado federal, Raimundo faz uma administração considerada desastrosa até por correligionários dele que preferem não ser identificados. Os professores se tornaram suas principais vítimas. Simplesmente, Raimundo reduziu o salário deles em 40% e aumentou em 200 horas sua carga mensal de trabalho.

O prefeito, parentes e aliados deles são personagens de histórias escandalosas que divertem a oposição e irritam quem não gosta de política e de políticos por considerá-los, indistintamente, ladrões.

Um aperitivo: Mauro Macedo, filho do prefeito e Secretário de Governo, é casado com uma mulher dona de uma loja de roupas femininas conhecida como "A Daslu do Cariri". Juazeiro é uma cidade cheia de buracos. Pois bem: a rua da loja da mulher de Mauro foi toda asfaltada - bem como pequenas ruas que desembocam nela.

Adversários de Raimundo dizem dispor de provas de que ele e alguns secretários desviam dinheiro público e promovem licitações viciadas vencidas por empresas de amigos.

Cerca de 100 PMs tentaram no fim da tarde resgatar o prefeito na agência bancária. Valeram-se para isso de um carro-forte. Mal o carro estacionou nas vizinhanças da agência, os manifestantes começaram a apedrejá-lo. Tentaram furar seus os pneus. E para evitar que ele servisse à fuga do prefeito, os manifestantes deitaram no chão na frente do carro, pelos lados, por detrás e debaixo dele.

Repetiram a manobra por volta das 21h quando chegou à agência uma Hilux da PM.

Às 23h12h, além da multidão, a rua São Francisco abrigava tendas e barracas onde parte dos manifestantes planejava atravessar a madrugada. Dentro da agência, Raimundo, o primo e o motorista aguardavam a visita de Mariane Gurgel, Procuradora Geral do Município.

O plano de Raimundo era convencer Mariane a negociar sua liberdade com os manifestantes a tempo de ele comparecer ao Parque da Cidade para a única apresentação  da banda Aviões do Forró, contratada pela prefeitura por R$ 250 mil.

Não foi preciso a intermediação de Mariane. Por volta das 23h30, o contingente de 100 PMs, usando e abusando de cassetetes, sprays com gás de pimenta e até escopeta, cercou o prefeito e conseguiu empurrá-lo para dentro de uma camionete policial que havia sido providenciada.

Os manifestantes que tentaram impedir a saída do prefeito ficaram duramente machucados. Um soldado confidenciou que o prefeito prometeu gratifica-los com R$ 50 mil do próprio bolso. Ninguém sabe ao certo.