segunda-feira, 7 de abril de 2014

PAC, PAC, PAC - Por Mary Zaidan.

As obras dos PAC 1 e 2 continuam empacadas, boa parte delas só existe no papel. Ainda assim, sem qualquer constrangimento, nem mesmo um leve rubor, a presidente Dilma Rousseff anunciou que lançará o PAC 3 em agosto, dois meses antes da eleição. Cumprindo à risca o cardápio dos marqueteiros de sua campanha, insiste na troça.

Depois de derrapar nos trilhos do trem-bala – prometido para antes da Copa 2014, quando ela foi alçada à categoria de “mãe do PAC” pelo ex Lula -, a presidente reincidiu na prática ilusionista. Desta vez com a promessa de incluir o contorno ferroviário de São José do Rio Preto no próximo PAC.

Lançado por Lula em 2007, com o nobre propósito de acelerar investimentos na escassa e sucateada infraestrutura nacional, o PAC mais atrasou do que avançou. Obras como o Arco Rodoviário do Rio de Janeiro ou a transposição do Rio São Francisco, previstas para quatro anos atrás, que o digam. Foram lançadas para as calendas.

Três anos mais tarde, o PAC mostrou a sua verdadeira vocação: ser o principal instrumento de campanha para a candidata que Lula inventou. Em março de 2010, quando o calendário eleitoral definiu o lançamento do PAC 2, apenas 11,3% do PAC original tinham sido executados; 54% estavam só no papel ou nem nele. Até Lula teve vergonha. “Eu não estou contente com o que fizemos até agora e acho que nenhum de vocês está contente”, disse o ex à época.


A reclamação de Lula foi só mais do mesmo: jogo de cena. Estava ruim e ruim continuou.

De acordo com levantamento do site Contas Abertas, publicado sexta-feira, dia 4, das 50 mil obras e empreendimentos do PAC 2, apenas 12% foram concluídas ou estão em operação. Mais da metade, 53,3%, não abandonou o papel. Pior. A maioria das obras estacionadas são as de que as pessoas mais necessitam: creches e unidades de saúde.

Tudo em torno do PAC parece ficção. Embora a dotação orçamentária de 2013 tenha sido de R$ 67 bilhões, foram desembolsados R$ 44,7 bilhões, mais da metade, R$ 25 bilhões, restos a pagar do ano anterior. Ou seja, em um ano, os recursos aplicados nas obras do PAC somaram menos da metade dos US$ 18 bilhões enterrados em Abreu e Lima (PE), negócio feito entre Lula e então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que até hoje não refina uma só gota de óleo.

Ao que parece, Dilma não se apoquenta com os resultados pífios do programa selado como de sua maternidade. Se uma obra não sai do lugar, promete-se outra e outra. Lança-se o PAC 3, quem sabe o PAC 4 ou quantos for preciso.

No palanque, vale tudo, faz-se o diabo, como a própria presidente antecipou. Resta saber até quando os eleitores vão crer nas histórias de carochinha que essa mãe conta.

domingo, 6 de abril de 2014

DOMINGO IGUAL - POR XICO BIZERRA.

O sol nasce do mesmo jeito, forte e altaneiro. O vendedor de jornal esgoela, tal qual fizera no dia anterior. No sinal, o motorista impaciente com o sinal preguiçoso aperta com a mesma força a buzina do seu carro. O vendedor de picolé bendizerá o sol. Na praia, um porta-malas será aberto e a zoada de um axé perturbará todos os que não gostam de axé ou que estão com dor de cabeça.

No final, o sol, indiferente a quem não gostaria que assim fosse, também irá se por. E, no outro dia, um mesmo sol, um vendedor de jornal, um motorista impaciente, um falso baiano , um vendedor de picolé, farão tudo de novo. Em plena segunda-feira igual a tantas outras segundas-feiras que sucedem os domingos.

sábado, 5 de abril de 2014

É preciso investigar os obscuros negócios da Petrobras (Editorial) - Globo


Presos à quase monocórdica argumentação de que a convocação de uma CPI para investigar obscuras transações na Petrobras, a poucos meses das eleições, se trata de jogo político da oposição, o PT e seus aliados no Congresso e no governo federal escamoteiam a questão central do caso.

O foco, que tentam esmaecer, está no fato de que diretores da estatal foram apanhados em “malfeitos”. Um deles sugerido pela própria presidente Dilma Rousseff, em nota que julgou necessária para explicar como foram aprovadas as inusitadas condições de compra de uma refinaria em Pasadena (Texas). O fato ocorreu em 2006, no governo Lula, quando ela acumulava a chefia da Casa Civil e a presidência do Conselho de Administração da estatal. Segundo Dilma, a decisão foi tomada com base em relatório “técnica e juridicamente falho”.

Há evidências de que negócios nebulosos resultaram em prejuízos bilionário aos acionistas. Falta no mínimo bom senso quando se procura dar como positiva a compra da refinaria no Texas: primeiro, a Petrobras pagou US$ 360 milhões por metade de uma empresa que, pouco antes, fora adquirida, inteira, por US$ 42,5 milhões, pelo grupo belga Astra Oil; depois, adquiriu o controle, pagando US$ 1,2 bilhão. É questão que precisa ser esclarecida, porque põe em jogo a credibilidade da estatal. Mas não é caso único e isolado.

Estão à espera de explicações negócios igualmente exóticos, por obscuros, como a operação para a construção, em curso, da Refinaria Abreu e Lima (PE). Orçada em US$ 2 bilhões, a obra prospecta hoje uma sangria de US$ 18 bilhões — nove vezes o orçamento de partida.

O GLOBO publicou recentemente reportagem sobre outra compra, uma refinaria no Japão, pela qual foram pagos, em 2008, US$ 71 milhões, e onde já se enterraram US$ 200 milhões — sorvedouro do qual a estatal procura se livrar, sem sucesso.

Por essas transações perpassa o fio do tráfico de influência, outro aspecto a ser seriamente enfrentado nessa sucessão de negócios mal explicados na empresa controlada pelo Estado. Para variar, este é um ponto também escamoteado pelo PT e aliados, por eles tratado como “interesses eleitoreiros da oposição”. Mas as evidências são inquestionáveis.

Na compra de Pasadena estavam as digitais de Nestor Cerveró, à época diretor da área internacional da empresa, ungido por lideranças do PMDB e do PT. O ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, ligado à operação da Abreu e Lima, hoje recolhido à prisão por lavagem de dinheiro, foi outro protegido pelo PP, PMDB e PT.

O discurso lulopetista em defesa dessas ações, desqualificando qualquer crítica à Petrobras como parte de supostas campanhas “neoliberais” para “privatizar” a empresa-símbolo da recente industrialização brasileira, é tanto previsível quanto irreal, e até risível. É, sim, velho truque eleitoreiro, por sinal já usado pelo PT. O que importa são os fatos. Eles estão aí, são graves, e o país cobra sua apuração.

Mãos sujas - Por Nelson Motta, O Globo

O assunto pode ser árido e técnico, mas é oleoso e viscoso. Quem consegue entender como a Refinaria de Pasadena custou US$ 1,2 bilhão, não vale nem a metade, mas processa cem mil barris por dia, enquanto a Refinaria Abreu e Lima vai custar US$ 18,5 bilhões para processar cem mil barris no início e 240 mil quando estiver a pleno vapor?

Que crises econômicas internacionais, que conjunturas de mercado, que estratégias de negócios, que prioridades regionais e nacionais, que espessuras e viscosidades dos óleos, que certezas na impunidade e na estupidez alheia produzem as explicações oficiais para os prejuízos que, por incompetência da gestão, os acionistas da Petrobras tiveram nos últimos quatro anos?

Embora ex-presidente José Sergio Gabrielli diga que “o assunto é requentado”, o óleo está fervendo para ele e seus companheiros de aventuras, há um cheiro de queimado no ar, os poços de burocracia da empresa estão cheios de mistérios que começam a jorrar, Pasadena e Abreu e Lima são apenas dois focos de incêndio, estamos descobrindo que o petróleo não é nosso, é deles.

Enquanto isso, o PT tenta convencer o público que o clamor pelas investigações sobre as refinarias é uma campanha contra... a Petrobras. E responde às acusações não negando, mas ameaçando investigar roubalheiras que podem atingir o PSDB em São Paulo. Se desistir da CPI da Petrobras a oposição pode continuar roubando à vontade? Quem ainda aguenta isso?

Mas o mal já está feito. Na era do aparelhamento político, funcionários de carreira das estatais logo perceberam que aderir ao partido era a melhor forma de crescer na empresa, através de indicações “técnicas”, mas na verdade partidárias, com todas as suas distorções e consequências. Áreas sensíveis e importantes foram entregues em barganhas políticas a corruptos profissionais e a incompetentes que eventualmente dão mais prejuízo do que os ladrões.

A palma da mão manchada de óleo preto que os governantes adoram mostrar para os fotógrafos quando visitam alguma plataforma de petróleo se transformou em um ícone da sujeira e da lambança.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Senador Jarbas Vasconcelos

Não posso aceitar, Sr. Presidente, que o Partido dos Trabalhadores, a mim pessoalmente, passe a querer dar aulas, ensinar como se deve fazer política, como se deve fazer as coisas corretamente, e, sobretudo, no campo ético. Eu não posso aceitar que um Partido que está com a sua ex-cúpula, como José Dirceu, o ex-capitão do time de Lula – quando Lula era Presidente da República, Dirceu era capitão do time – agora recolhido no Presídio da  Papuda. O tesoureiro do Partido, que meteu a mão, comeu dinheiro, também está na Papuda. José Genoíno, que foi líder do Partido, está na Papuda.

Um ex-Diretor da maior diretoria da Petrobras, o Sr. Paulo Roberto da Costa, foi quem fez o contrato da Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco – eu era Governador do Estado à época.–, e a Petrobras ficou de entrar com 60% e a PDVSA (Companhia estatal do petróleo da Venezuela) entraria com 40%. Eu recepcionei naquela época o folclórico Coronel Hugo Chávez e recepcionei o Presidente Lula lá no Palácio das Princesas, em Recife. 

Foi como se fosse feito uma coisa em dois Municípios dos mais inexpressivos do Brasil – um diz que vamos abrir uma bodega, você entra com 60%, o outro bodegueiro entra com 40%. Depois, o que entrou com 40% diz que não vai pagar mais a bodega. E a bodega aceita; o bodegueiro aceita. Foi esse o contrato que foi feito num palácio. Esse documento tem minha assinatura como Governador do Estado de Pernambuco. Então, a CPI era, inclusive, para apurar isso, para saber por que foi que a PDVSA não pagou. E se não pagou, por que não pagou e qual foi a explicação que deu. E por que a PDVSA não honrou o compromisso? E fica por isso mesmo.

Esse ladrão, esse camarada que está aqui acusado de receber dinheiro, uma Land Rover do Sr. Alberto Youssef, um doleiro… Esse mesmo doleiro, Presidente Renan Calheiros, agora – através da imprensa anteontem –, deu dinheiro, deu um voo especial para o Deputado André Vargas, do PT do Estado do Paraná, que é nada mais nada menos do que 1º Vice-Presidente da Câmara dos Deputados. Então, como é que um partido que tem a ex-cúpula dirigente do seu partido – o capitão do time de Lula –, que se encontra na Papuda, quer dar lições de moral para a gente aqui?

Um Senador da República diz que todos os órgãos podem apurar a Petrobras, menos o Senado Federal. Quer dizer, nós estamos reduzidos a um papel ridículo; ridículo. Era muito melhor deixar de ser Senador da República, procurar outra coisa para fazer, porque, se a gente não pode… O Ministério Público pode – que ainda não entrou, é uma farsa dizer que o Ministério Público Federal está apurando isso; não está apurando. Então, a gente não poder apurar isso, Sr. Presidente... Eu me arrependo da hora em que nasci quando assinei esta CPI. Eu não deveria ter assinado. Mas, em política, tudo o que a gente tem que explicar, Presidente, tudo o que a gente tem que explicar, e não é V. Exª só não, eu, qualquer um aqui, tudo em política que se tem que explicar é complicado. A complicação já vem aí. Assim, se eu não tivesse assinado essa CPI, eu estava com a minha consciência tranquila, mas tinha que dar satisfação àqueles que confiaram em mim e aos meus amigos, porque aqui eu tenho a conduta que tenho e não assinei essa CPI.

Essa CPI não vai dar em nada, Presidente; essa CPI vai ser uma farsa. Em um ano de Copa do Mundo, de eleição, a gente vai compactuar com uma coisa que não vai funcionar, não vai funcionar. Então, é muito melhor a gente ficar em cima do Ministério Público para que se junte ao Tribunal de Contas, junte-se à Polícia Federal, essa Polícia Federal que está cerceada, essa Polícia Federal que o PT e o Governo querem, os dois, que seja uma polícia de partido, uma polícia de governo, e não uma polícia de Estado, ela está completamente esvaziada. A Polícia Federal está esvaziada, sucateada, as pessoas estão deixando a Polícia Federal para ir para outras instituições porque o PT hoje quer que ela seja partidarizada. Quer que, quando for fazer uma investigação para pegar pela gola um corrupto, primeiro avise para que as pessoas de interesse da base partidária também sejam avisadas.

Esse é o quadro, Sr. Presidente, permita-me dizer a V. Exª, e eu não posso aceitar que um partido que pedia CPI contra tudo e contra todos, um partido que votou contra Plano Real, que votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, um partido que ameaçava entrar com CPI contra tudo e contra todos venha hoje querer ensinar a gente aqui a não fazer CPI, fazer a gente de bobo, de tolo, de idiota. Isso, me permita, é mais do que uma manobra. 

E a gente sabe, quando um Presidente da República está com a cabeça ruim, o que faz: um deu um tiro no coração, o outro renunciou, e o outro manda fazer picuinha aqui dentro do Senado. Manda fazer picuinha aqui dentro do Senado e pessoas do Partido passam por um papel triste desses! Teve Senador da República que disse agora há pouco, faz quinze minutos, que a Petrobras caiu de preço, Senador Cristovam, por questão de mercado. Foi o mercado que deixou o combustível congelado? Foi o mercado que disse que Dilma não pode aumentar o combustível, o que está quebrando a Petrobras, porque é um ano eleitoral? Só pode aumentar o combustível depois da eleição! Aécio ou Eduardo, ganhando a eleição, vão ter dois problemas depois do 7 de outubro. Qual é esse problema? Dois reajustes que vão mexer no bolso do povo: o combustível e a energia elétrica.

O setor elétrico está quebrado, completamente quebrado pela Presidente Dilma. Hoje sai, inclusive, uma injeção de R$8 a R$9 bilhões para atender o setor, porque foi ela que quebrou, para baixar a luz e tirar proveito eleitoral dessa coisa.  O que foi feito aqui ontem foi melar o jogo, uma melada de jogo total e completa. Entrou-se com uma comissão, depois de pegar assinatura da oposição e de pessoas da base, a gente pensava que estava tudo resolvido, que V. Exª ia receber isso, e recebeu, mas, infelizmente, tumultuaram a sessão.

Destruindo o Estado brasileiro - Por Everardo Maciel

Constitui singular paradoxo a crescente destruição do Estado brasileiro nos governos de partidos de tendências, ao menos no discurso, estatizantes.

A mídia oferece, dia após dia, abundantes exemplos de má gestão, incúria contumaz, desqualificação técnica nas decisões. É notório o fracasso das políticas públicas de segurança pública, educação, saúde, mobilidade urbana, etc.

A razia realizada na Petrobras e Eletrobras produziu uma catástrofe, com expressiva perda de valor de mercado, endividamento elevado e recorrentes prejuízos. O dano é de tal magnitude que se anunciado, em passado recente, seria tido como alucinação.

No Banco do Brasil e na Caixa Econômica há uma contínua e crescente perda de qualidade nos serviços prestados, sem falar na temerária política de crédito do BNDES.

Esse estranho desapreço pelo Estado explica, também, as práticas de fisiologismo e de aparelhamento, sua variedade radical. Os ministérios passam a ser um múltiplo do número de partidos que integram a denominada “base aliada”, aos quais se somam as “tendências” e as bancadas, em cada uma das casas congressuais, dos partidos.

As “indicações”, contudo, não se limitam aos ministérios. Alcançam, além disso, as diretorias das autarquias, fundações, agências reguladoras e estatais, o que gera um caldo de cultura próprio para o florescimento de todas as modalidades de corrupção.

Para os conselhos de administração das estatais são designadas autoridades de elevado coturno como forma apenas de elevar seus vencimentos, fraudando descaradamente o conceito de teto de remuneração dos servidores públicos.

Esse processo é de tal sorte exuberante que, em Brasília, a demanda dos órgãos públicos ultrapassou os limites fixados no plano urbanístico para projetar-se sobre os espaços antes destinados à atividade privada, assumindo proporções mastodônticas.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Pasadena - Globo


Dilma recebeu relatório completo 15 dias antes da aprovação. O ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, já está no Rio de Janeiro. Ele decidiu antecipar o fim de suas férias na Europa para poder prestar esclarecimentos sobre a sua participação na polêmica compra da refinaria de Pasadena, no Texas, nos Estados Unidos, em 2006.

De acordo com o advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, o Conselho de Administração da Petrobras tinha em 2006 todos os detalhes da compra da refinaria. Ele explicou que 15 dias antes de sua apresentação para o Conselho de Administração, em 2006, foi enviada para todos os membros do Conselho a documentação completa sobre Pasadena. Nessa documentação, havia contratos e suas claúsulas detalhadas.

Anistia tem legitimidade política e histórica (Editorial) - Globo


A Lei da Anistia, de 1979, foi um passo crucial para repor o país no caminho da redemocratização, processo que demandaria mais alguns anos, àquela altura já com sinais de irreversibilidade, mas ainda travado por arestas que dificultavam a imediata normalização institucional do Brasil.

A lei foi pactuada ao curso de delicada costura política, de um lado da mesa os generais, que permaneciam no comando do regime de 64, e, de outro, representantes do amplo arco de oposição ao governo dos militares.

Trata-se, portanto, de convenção sólida, com lastro político e jurídico inquestionável, essencial para a pacificação de um país que procurava saídas para encerrar o longo período de desvio do estado democrático.

No entanto, a Lei de Anistia ainda é alvo de contestações, mesmo tendo ela explicitamente incorporado o pressuposto do perdão recíproco — tanto a agentes da ditadura envolvidos, nos porões do regime, em atos reprováveis como a guerrilheiros/terroristas, inclusive aqueles ligados a ações que resultaram em mortes. Isso, apesar de o princípio da reciprocidade ter sido referendado pelo Congresso, no ato legislativo de aprovação da lei, e também em posteriores decisões do Supremo Tribunal Federal, que a ratificou integralmente.

É discussão que não se sustenta, mas que, infelizmente, ainda alimenta tentativas de uma revisão tão impossível quanto indesejada. Inviável porque, além de estar lastreada por decisão soberana do Congresso e por pareceres incontestáveis do STF, a Lei de Anistia tem uma legitimidade política e histórica cristalina. Mesmo a referência que, recentemente, o Ministério Público fez a decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos como base para pugnar pela anulação de seus efeitos é insustentável.

Pela palavra do próprio presidente daquela Corte, no fim do ano passado, decisões desse tribunal não podem se sobrepor a veredictos de uma Justiça nacional. E é indesejada porque o Brasil hoje é uma nação pacificada, em plena democracia. Em última análise, seria trocar a normalização institucional, pela qual tanto a sociedade brasileira lutou, por princípios tão duvidosos quanto casuísticos.

Neste sentido, o discurso de anteontem da presidente Dilma Rousseff, pregando o desarmamento político em relação a pactos e acordos políticos “que nos levaram à redemocratização”, precisa ser entendido e respaldado.

A Lei de Anistia é perene. Dilma, vítima do regime militar, o qual combateu como militante de organização de oposição e pelo qual foi feita prisioneira, é a chefe do Executivo, eleita democraticamente, e tem legitimidade para reconhecer e valorizar os compromissos traduzidos na Constituição 1988.

Por outro lado, a anistia se restringe a ações anteriores a 79. A lei não pode ser estendida a crimes cometidos após sua promulgação. Esses, sim, deveriam ter os responsáveis punidos.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Falta visão estratégica e de longo prazo ao Brasil, diz Campos - Por Angela Lacerda.


De acordo com o governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência pelo PSB, Brasil precisa crescer e inflação e os juros diminuirem, mas está acontecendo o contrário.

Recife - O governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB) afirmou nesta terça-feira, 1, que o Brasil "paga um preço alto por falta de visão estratégica", ao lançar uma proposta de desenvolvimento para os próximos 20 anos em Pernambuco. "Visão de longo prazo, visão estratégica é fundamental e, se o governo (federal) tem, a sociedade não está percebendo isso".

"A gente viu como foi 2013 e está vendo como vai 2014", avaliou, em entrevista. "A gente precisa que o crescimento vá para cima, que a inflação e os juros vão para baixo, um movimento inverso ao que está acontecendo". Isso, segundo ele, não se faz por decreto nem no voluntarismo, "mas na base do dever de casa de longo, médio e curto prazos". Campos disse ter apostado em planejamento em todos os momentos de seus dois mandatos.

Dilma – marketing versus realidade - Por Carlos Alberto Di Franco.


A imagem da presidente Dilma Rousseff construída pelo publicitário João Santana tem dois pilares de sustentação: ética e competência gerencial. Santana, apoiado em sua fina sensibilidade marqueteira, captou as demandas da sociedade.

Ninguém aguentava mais a roubalheira que terminou na grande síntese da picaretagem: o mensalão. Mas os brasileiros também queriam um país melhor administrado, alguém que fosse capaz de dar respostas às demandas por educação, saúde, logística, etc.

Vendeu-se, então, a imagem da gerentona. Dilma, ao contrário de Lula, seria uma administradora focada, competente, exigente com os resultados da gestão pública.

O marketing, apoiado em fabulosos gastos de propaganda, continua firme. Mas a imagem real de Dilma Rousseff começa a ruir como um castelo de cartas. O perfil ético da administradora que combate “os malfeitos” já não se sustenta.

O vale tudo, o pragmatismo para construir a reeleição, a irresponsabilidade na gestão da economia, sempre subordinada aos interesses da campanha (basta pensar no uso político da Petrobrás e na postergação do aumento da conta de energia para 2015), pulverizou os apelos do marketing.

Eu mesmo, amigo leitor, não obstante minhas divergências ideológicas com a presidente da República, tinha alguma expectativa com o seu governo. Hoje minha esperança é zero.

Mas o pior estava por vir. A suposta competência de Dilma Rousseff foi engolida pelo lamentável episódio da compra da refinaria em Pasadena. A imagem da administradora detalhista e centralizadora simplesmente acabou. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

ESTEFÂNIA - Por Xico Bizerra

Ambrosina morreu de tédio. Sua irmã Estefânia, ao contrário, preferiu viver de amor, convicta de que a ternura existe e resiste, como lhe dizia uma voz a recitar-lhe Vinícius, ou Bandeira, ou Pessoa; toda a vida teve um colo que lhe embalou revelando sonhos; por todos os lados vislumbrava uma grama verdinha e nela deitava-se sentindo o cheiro da paz e deleitando-se ao som de Chico Buarque ou de um outro passarinho; olhava pro céu e via a luz da lua. Sorria feliz como feliz é quem está com a passagem de volta no bolso, só esperando a hora do voltar.

Com os olhos bem abertos pastorava as estrelas, contando-as até dormir. E dormia, como dormem os de bem, os de paz. Se um grão de saudade, por menor que fosse, tentasse invadir sua alma, escancarava a porta e deixava que assim o fizesse, pois saudade só sentia das coisas boas. E aí, depois de uma cachacinha colhida no mais puro dos alambiques da ternura, tomava goles de amizade e sorria para o mundo torcendo para que todos fossem felizes como ela, por viver rodeada de tantas prendas e por fazer questão da abundância de amor sem nada que atrapalhasse seu bate-papo com Deus.

Xico Bizerra

Dilma diz que não quer revisão da Lei de Anistia - Por Tânia Monteiro, Estadão


A presidente Dilma Rousseff não apoia a revisão da Lei de Anistia como desejam grupos de esquerda, a Anistia Internacional, que lança amanhã uma campanha em prol da alteração do texto, e alguns senadores.

Dilma aproveitou um discurso em cerimônia nesta segunda-feira no Palácio do Planalto para apresentar sua posição, endossando uma decisão do Supremo Tribunal Federal de 2010, que considerou constitucional a Lei da Anistia que impediu a punição dos crimes cometidos durante a ditadura (1964-1989). Os militares são contra a revisão da legislação. 

PMDB do RN se alia a Aécio Neves, PSB e DEM - Por João Domingos, Estadão


Sob o comando do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (foto abaixo), e do ministro da Previdência, Garibaldi Alves, o PMDB do Rio Grande do Norte abriu um racha na coligação que apoia a presidente Dilma Rousseff, excluiu o PT da aliança local e se juntou aos principais partidos de oposição, a exemplo do PSB, PSDB, DEM e PPS.

O candidato a governador será o próprio Henrique Alves, numa coligação de cerca de 20 partidos. O Estado tem 2,5 milhões de eleitores.