sábado, 30 de novembro de 2013

Strip-tease institucional - por Ruy Fabiano

A prisão dos mensaleiros pôs o sistema carcerário brasileiro em estado de plena nudez. Mas não apenas: também Judiciário e Legislativo têm, novamente, suas mazelas expostas. A figura do deputado-presidiário é um escândalo ainda maior que o Mensalão.

É inconcebível que quem viola a lei – e é condenado em última instância por isso – continue a ostentar o título de legislador. É uma contradição em termos. No entanto, enquanto a Câmara dos Deputados não se manifestar, os presidiários José Genoíno, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto continuam parlamentares.

Nessa condição, continuam a ostentar prerrogativas incompatíveis com o novo local de residência. Isso só acontece porque o Supremo Tribunal Federal, pressionado pela Câmara dos Deputados, concordou em dar-lhe a palavra final.

A Câmara impôs no grito o seu ponto de vista, que, além de inconstitucional, é surrealista. Com isso, conquistou uma prerrogativa a mais: a de ser a Corte revisora da Suprema Corte. E o impensável precedeu a situação dos mensaleiros. O deputado Natan Donadon, condenado pelo STF por roubo de dinheiro público, foi absolvido pela Câmara. Levou para o xadrez o seu mandato.



O escândalo foi de tal ordem que o próprio Congresso decidiu dar fim ao voto secreto para questões de cassação de mandato e vai reavaliar a situação de Donadon em votação aberta.

Não fosse isso, José Genoíno, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry (falta ainda definir a sentença de João Paulo Cunha) teriam seus mandatos preservados pelo espírito de corpo (ou de porco).

Se funcionou para o obscuro Donadon, que ninguém conhecia, por que não funcionaria para colegas com muito mais prestígio? Mas Donadon chegou a tempo de evitar o pior.

Causou tal desconforto na opinião pública (que de vez em quando se manifesta) que não parece possível tê-lo como padrão. Genoíno, que o PT quer transformar em herói nacional, foi condenado, em síntese, pelas mesmas razões de Donadon.

É tão herói quanto ele. Seu estado de saúde não altera os fatos. Pode ensejar cuidados diferenciados, mas não a essência moral do que o levou ao presídio. Ambos lá estão por lesar o Estado, que, como legisladores, deveriam preservar.

Idem os demais. A movimentação para atenuar ou mesmo impedir o cumprimento da pena, com manifestos, declarações e oferta de empregos improvisados desafia a conduta da Justiça.

Joaquim Barbosa, responsável pela execução das penas, tem sido destratado de maneira inconcebível, inclusive pelos sentenciados. É apontado como tirano, como se a condenação tivesse sido manifestação solitária dele e não do plenário do STF. Não foi ele quem causou a cardiopatia de Genoíno, nem quem o induziu a assinar empréstimos fraudulentos para o PT.

Cortesias e descortesias - Por Mara Bergamaschi

A falta de racionalidade e impessoalidade com que vem sendo discutida e tratada a aplicação das penas impostas ao núcleo político do mensalão revela que a prática nefasta da “cordialidade” na esfera pública brasileira, descrita no clássico Raízes do Brasil, de 1936, continua em pleno vigor.

O personalismo e o patrimonialismo identificados por Sérgio Buarque de Holanda como entraves à modernização da democracia não foram em nada abalados por uma inédita década de PT no comando do país. Hoje, o “homem cordial”, aquele que prefere a exceção do compadrio à igualdade da cidadania, é também de esquerda.

O maior exemplo disso é o passionalismo no caso José Genoíno, elevado quase à categoria de mártir. Foi necessária a frieza de uma junta de cinco professores e doutores da UnB para focar a realidade: o estado de saúde do ex-presidente do PT, que é cardiopata e hipertenso, merece cuidados, mas não é grave. Segundo os médicos, ele não precisaria de prisão domiciliar.


José Genoíno, condenado do mensalão

Deputado prestigiado e nunca envolvido em corrupção, Genoíno não admite o fato – e suas consequências legais – de ter assinado empréstimo considerado fraudulento pelo STF. Operação bancária pela qual operadores privados cumprem longas penas em regime fechado, sem ocasionar barulho ou protestos. É como se só a metade da ação 470, aquela que diz respeito à ação dos petistas, fosse mentirosa.

É neste enredo oficial que Genoíno se proclama “preso político”. Graças a laços e relações, ele tem recebido mais do que solidariedade no infortúnio. A condenação não impediu que o PT protelasse a votação da cassação do mandato na Câmara e tentasse lhe garantir aposentadoria por invalidez – benefício novamente vetado pelos médicos, desta vez do Legislativo.

No Executivo, Genoino também recebeu deferências. Dilma revelou “preocupações humanitárias” com sua saúde e ministros agiram a seu favor. Especulou-se que o deputado poderia até receber indulto presidencial. A extinção da pena seria o máximo da “cordialidade” brasileira – a deformação da ação isenta do Estado, caracterizada pela “ampliação do círculo familiar”.

O julgamento do mensalão, novo paradigma para políticos com foro privilegiado, continua a desafiar nossa maturidade democrática. Nesta reta final, acompanhamos fugas, omissões, perdões tácitos e subterfúgios à lei que chegam ao deboche. Caberá ao relator, Joaquim Barbosa, decidir cada aspecto das sentenças. Até aqui, os limites institucionais têm sido impostos pelo calvinismo de Barbosa – Sua Excelência, o descortês.

Amar é possível - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus, 22,34-40 nos revela que os fariseus perguntaram a Jesus qual o maior dos mandamentos. A resposta de Jesus foi outra pergunta. "O que diz a lei?" O fariseu respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.” Em seguida, acrescentou: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” Vimos assim, que a resposta nivelou em importância o amor a Deus e o amor que nós devemos ter pelo próximo. “Quem não ama o irmão que vê, como pode amar a Deus que não vê?” Pergunta-nos João, outro evangelista.

Segundo Eric From, amar é uma arte e como todas as artes devemos aprendê-la. É fácil amar as pessoas com as quais convivemos, aquelas que consideramos normais dentro de padrões de comportamento estabelecidos. O difícil é amar as pessoas invisíveis pela sociedade: os catadores de lixo, os desvalidos que vivem perambulando pelas ruas sem um travesseiro onde recostar a cabeça, os alcoólatras, os menores abandonados, os mendigos, os de partidos políticos contrários ao nosso.

Vejam que belo exemplo da força do amor: aqui em Fortaleza, conheci a Casa do Menino de Jesus. É uma instituição que abriga menores cancerosos do interior do Estado e suas mães ou outras acompanhantes durante o tratamento a que aqui se submetem. Ao ver tamanha organização, o visitante imediatamente pergunta quem mantém aquela obra grandiosa. Apenas duas mulheres pobres através de donativos. A irmã Conceição e uma sua companheira de congregação, únicas religiosas que compõem aquela ordem.

Outro exemplo de como saber amar, li há uns dez anos em uma publicação da Campanha da Fraternidade. Era dia de visita no extinto presídio Carandiru, em São Paulo. Um sacerdote conversava em um dos bancos do pátio do presídio com um preso, quando observou uma senhora entrando com uma sacola enorme, indo ao encontro de um rapaz que estava sentado num banco próximo. Ao avistar esse rapaz, a mulher abraçou-o e beijou-o, e em seguida retirou da sacola, roupas e um bolo que foram entregues ao rapaz, tendo se mantido ao lado dele conversando animadamente. O padre, então comentou com o presidiário com o qual conversava. “Como é bonito o amor de uma mãe!” “Padre essa senhora não é a mãe dele. Ela é a mãe do rapaz que ele matou.” Respondeu-lhe o presidiário.

Mas quem é o nosso próximo, a quem devemos amar com a mesma força do amor que devemos devotar a Deus? Foi essa a pergunta que os doutores da lei fizeram a Jesus. E ele respondeu narrando a história de um homem que foi atacado por salteadores que o deixaram quase morto à margem da estrada. Passaram por aquele caminho um sacerdote, um doutor da lei e um samaritano. Os dois primeiros passaram ao largo, ignorando aquele homem ferido. O samaritano, porém, socorreu o desconhecido, curou suas chagas e pagou o tratamento que ele necessitava numa hospedaria. E Jesus perguntou ao doutor da lei: "Quem dos três foi o próximo daquele homem abatido?"

Ao narrar essa parábola, Jesus parece inverter a pergunta que lhe fizeram para "O que devemos fazer para sermos o próximo do outro?" Enfim, Jesus nos revela que o nosso próximo é aquele que encontramos em nossos caminhos.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Dom Expedito - por Armando Lopes Rafael

A Diocese de Garanhuns (PE) reabriu, há algum tempo, o processo de canonização de Dom Expedito Lopes, assassinado, a 1º de julho de 1957, como bispo daquela diocese, com três tiros à queima roupa, disparados por um sacerdote a ele subordinado. O motivo de tão bárbaro crime foi o fato de Dom Expedito Lopes ter destituído o padre homicida de suas funções paroquiais, em face do infeliz sacerdote levar uma vida dissoluta, causando escândalo aos seus paroquianos.
A rapidez que se espera no processo de beatificação de Dom Expedito se justifica pelo fato desse bispo ter sido considerado um mártir do dever, o que, pelas normas do Direito Canônico, tem tanto valor quanto os milagres exigidos para comprovar a santidade de um candidato a santo da Igreja Católica.

Quem foi

Dom Francisco Expedito Lopes nasceu na vila de Meruoca, município de Sobral, no Ceará, no dia 8 de julho de 1914. Foi aluno do Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde foi colega e contemporâneo dos monsenhores Pedro Rocha e Francisco Holanda Montenegro, ambos da membros diocese do Crato. Quando era bispo de Oeiras (PI), Dom Expedito gostava de viajar para o Crato, onde possuía alguns amigos no clero de nossa cidade, e se hospedava no Seminário São José. Tinha particular afeição por monsenhor Ágio Augusto Moreira, a quem levou, em diversas ocasiões durante as férias escolares do Seminário São José, para auxiliá-lo tanto na Diocese de Oeiras, como na Diocese de Garanhuns.
O então jovem Padre Expedito Lopes ordenou-se em Roma, no dia 30 de outubro de 1938 e, exatos dez anos depois, em 30 de outubro de 1948, era nomeado bispo de Oeiras (Piauí), onde foi, durante seis anos, grande servidor dos pobres, com profundo ardor missionário comprovado no seu ministério pastoral. Em 10 de fevereiro de 1955 foi transferido para a Diocese de Garanhuns. Ali fundou o Instituto das Missionárias de Nossa Senhora de Fátima no Brasil.
Ali, Dom Expedito Lopes foi :

“ o bispo dos Pobres
o bispo do coração mariano
o bispo do perdão"

Exerceu com sabedoria e amor o ministério de Pastor da Diocese de Garanhuns durante dois anos. Viveu a solicitude do Bom Pastor do seu povo, dedicado missionário. Homem de oração. Iluminou sua vida com uma profunda devoção a Nossa Senhora.
Destacou-se pela Oração e Penitencia, simplicidade, recolhimento, austeridade consigo mesmo, forte zelo pela Igreja, confirmado pela firmeza de fé e amor em plenitude.
As últimas horas de sua vida foram de oração intensa e testemunho de fé. Rezando profundamente enfrentou com coragem a morte, momentos que revelaram uma vida toda fundamentada na Palavra do Senhor. Dom Expedito experimentou a alegria de perdoar a pessoa que o feriu e ofereceu sua vida pela conversão do sacerdote que o assassinou”.

Dom Expedito Lopes deixou escrito no seu testamento: “Nasci pobre, vivi sempre pobremente e na esperança de vir a morrer sem dinheiro, sem dívidas e sem pecados nada mais tenho a pedir senão que rezem muito para que Nosso Senhor nos conceda SANTOS SACERDOTES”.
Parecia até a premonição do seu martírio, pelas mãos de um padre, seu subordinado...
Para o Brasil, para o Ceará e também para a Diocese do Crato, a quem visitou muitas vezes, é gratificante saber que um Santo viveu em nosso meio. Um santo que soube morrer bem porque viveu bem, e que exalou seu último suspiro, repetindo a frase de São Paulo na Segunda Epístola a Timóteo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé...”

(Artigo publicado em 2009 neste blog. Republicado em vista de interessante matéria do colaborador Geovane Costa, sobre Dom Expedito).

6 comentários:
 
Anônimo disse...QUE COISA MAIS LINDA! SANTO EXPEDITO LOPES,ROGAI POR NÒS!!!
4 de novembro de 2009 15:32
 
Samuel PSMA disse...Me emocionei muito hoje, assistindo à uma palestra do Pe. Paulo Ricardo da Comunidade Canção Nova , que narrou com muita eloquência a história de Dom expedito. E é para nós brasileiros uma verdadeira alegria ganharmos mais um intercessor de nossa pátria.
4 de novembro de 2009 15:45
 
Bruno disse...Acabei de assistir uma pregação do Pe. Paulo Ricardo na TV Canção Nova; e através da mesma tive a oportunidade de conhecer a vida de Dom Expedito, tão bem contada pelo padre. Realmente sua vida é um exemplo de santidade, de uma vida doada literalmente por amor a Jesus Cristo. Neste Ano Sacerdotal, dom Expedito seria um belo exemplo para os sacerdotes atuais. E é triste saber que ainda hoje há muitos padres como Padre Hosana... infelizmente... que rezemos a Cristo para que ele nos dê Santos Sacerdotes!!!! Viva Dom Expedito Lopes!!!
4 de novembro de 2009 16:08

francisco disse...
Fui aluno do Pe. Expedito Lopes no Seminario São José em Sobral. Na sua sagração cantei na "Escola Cantorum" do seminario, sendo portanto um testemunho vivo de tudo que dizem de bom deste santo sacerdote. Chegando em Olinda PE em 1056 visitei Dom Expedito em Garanhuns e ao saber do seu covarde assassinato fiquei revoltado e triste tendo acompanhado todo o processo de julgamento deste infeliz que foi ordenado sacerdote.
16 de maio de 2010 20:55
 
francisco disse...Corrigindo o ano de chegada em Olinda Pe : 1956.
16 de maio de 2010 20:58
 
Terezinha disse...Oremos para que a santidade de D. Expedito seja reconhecida e proclamada pela Santa Sé. O Brasil precisa de tantos quantos Santos pudermos ter. Precisamos também de mais vocações sacerdotais que sigam o exemplo de Monsenhor Expedito.Oremos para isso.
8 de fevereiro de 2011 01:17

Causos lá de nós - Mundim do Vale

LEITE  DO  PADRE.

Houve um tempo em Várzea Alegre-Ceará, que a prefeitura municipal em parceria com a paróquia, destribuia para os mais pobres o leite em pó, que era chamado na vulgaridade de leite do padre.

O encarregado da distribuição era o Sr. Fatico Fiuza, que conhecia quem realmente precisava receber o leite. Os casais por estarem sempre ocupados e para impressionar os funcionários da entrega, mandavam as crianças.

Em um dia da distribuição, Barela vinha na direção da cidade para receber o leite, quando passava no Sanharol estavam Raimundo Bitu e Cotinha sentados na calçada. Quando Barela passava em frente, deu bom dia, Cotinha respondeu e perguntou:

- Pra onde vai tão cedo? Barela?
- Eu vou aqui caminhando contra o vento, pra receber o leito do padre.

Raimundo Bitu Alertou: - Pois apresse o passo. Picoroto que foi a favor do vento, voltou sem nada, porque tem gente recebendo duas vezes.

Naquele mesmo dia meu irmão João Piau foi na prefeitura e recebeu o nosso leite. Quando ele chegou na Vazante, nós fizemos a festa e o leite só deu para uma rodada.

Logo o leite acabou João Piau disse:

- Esse leite só sendo do padre mesmo. Porque só deu pra meia missa. Eu vou já buscar mais.

Foi até a prefeitura, pegou a fila e quando chegou na cabeça Fatico falou:

- Eii Piauzim! Você já recebeu.

O Piauzim respondeu:

- Aquele que eu levei foi o lá de casa, eu vim buscar foi o de Raimundo Beca, que os meninos dele estão no Moquém e ele pediu para eu receber.

Fatico fez que acreditou e entregou o leite, mas comentou com algumas pessoas e Raimundo Beca ficou sabendo.

João Piau sempre evitava o encontro com Raimundo. Mas teve uma vez que João estava de cabeça baixa armando uma arapuca e foi surpreendido por ele que disse:

- Quer dizer que você agora é meu leiteiro né João

Enviado por Amigos de Deus

"Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia," Salmos 91.5

A noite estava escura, céu sem estrelas.  De vez em quando ouvia-se o uivo de um lobo bem longe, misturado com o barulho do vento. As crianças reunidas na tenda do Mestre Benjamin estavam com medo. 

Mestre Benjamim sentiu o medo nos seus olhos. Foi então que uma delas perguntou: -Mestre Benjamim, há um jeito de não ter medo? Medo é tão ruim! Mestre Benjamim respondeu: -Há sim... E ficou quieto. Veio então a outra pergunta: -E qual é esse jeito? -É muito fácil. É só pensar como as ovelhas pensam...-Mas como é que vou saber o que as ovelhas estão pensando?

Mestre Benjamim respondeu:

-Quando durante a noite, as ovelhas estão deitadas na pastagem, os lobos estão à espreita. E eles uivam. As ovelhas têm medo. Mas aí, misturado ao uivo dos lobos, elas ouvem a música mansa de uma flauta. É o pastor que cuida delas e não dorme nunca. Ouvindo a música da flauta elas pensam: 

Há um pastor que me protege.
Ele me leva aos lugares de grama verde
E sabe onde estão as fontes de águas límpidas.
Uma brisa fresca refresca a minha alma.
Durante o dia ele me pega no colo e me conduz por trilhas amenas.
Mesmo quando tenho de passar pelo vale escuro da morte eu não tenho medo.
A sua mão e o seu cajado me tranqüilizam.
Enquanto os lobos uivam, ele me dá o que comer.
Passa óleo perfumado na minha cabeça para curar minhas feridas.
E me dá água fresca para sarar o meu cansaço.
Com ele não terei medo, eternamente...
(Salmo 23, paráfrase)

Mestre Benjamim parou de falar.

Os olhos de todas as crianças estavam nele.

Foi então que uma delas levantou a mão e perguntou:

-E os lobos? Eles vão embora? Eles morrem?

-Os lobos continuam a uivar. E continuam a ser perigosos. O pastor não consegue espantar todos eles. E por vezes eles atacam e matam. Mas as ovelhas, ouvindo a música da flauta do pastor dormem sem medo, não porque não haja mais perigo, mas a despeito do perigo. Não há jeito de acabar com o perigo. Mas há um jeito de acabar com o medo. 

Coragem é isso: dormir sem medo a despeito do perigo...

As crianças voltaram para suas tendas e dormiram sem medo, pensando nos pensamentos das ovelhas. 

De vez em quando, lá fora, ouvia-se o uivo de um lobo faminto.

Desde então, tornou-se costume contar ovelhinhas para dormir.

Do livro de Rubem Alves: “Perguntaram-me se acredito em Deus”.

Rubem Alves

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Enviado por Amigos de Deus

"Crê no Senhor Jesus e será salvo, tu e tua casa"  Atos 16.31

Há uma grande diferença entre religião e salvação, há muitas religiões, mas só um Evangelho. Religião vem do homem; Evangelho e salvação é revelação de Deus por meio de Jesus Cristo. Religião é o ópio do povo; salvação é presente de Deus ao homem perdido. Religião é história do homem pecador, que precisa fazer alguma coisa para seu deus imaginado.  O Evangelho nos diz o que o Deus Santo fez pelo homem pecador.

Religião procura um deus; o Evangelho são as Boas Novas de que Jesus Cristo procura o homem que se encontra em caminho errado."Porque o Filho do homem veio salvar o que estava perdido" Mateus 18.11.

A religião dá ênfase em fazer alguma coisa, boas obras; o Evangelho muda o homem por dentro, através da presença do Espírito Santo em seu coração. "...E assim habite Cristo nos vossos corações, pela fé" Efésios 3.17. "Não sabeis que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?" I Coríntios 3.16. Nenhuma religião tem um Salvador ressuscitado, que dá perdão dos pecados e vida eterna, só Jesus Cristo ressuscitou.

Por isso, meu amigo, dirija-se só a Jesus Cristo. Ele é o único que pode perdoar os seus pecados e lhe dar vida nova aqui e vida eterna no porvir.

"Crê no Senhor Jesus, e serás salvo" Atos 16.31

"...E o sangue de Jesus, Seu Filho, nos purifica de todo pecado" I João 1.7

Desconheço o Autor

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Luta por privilégios - Por Merval Pereira, O Globo


Os “presos políticos” José Dirceu e José Genoíno continuam sua “luta política” na tentativa de se livrarem da parte mais dura da condenação, mesmo no regime semiaberto a que estão condenados.

O terceiro membro petista do que até agora é considerado “uma quadrilha” pelo STF, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, parece ter se aquietado depois de ter assinado manifesto político no primeiro dia de prisão.

Quanto mais se debatem dentro da prisão em busca de privilégios que já são evidentes no dia a dia da cadeia, Dirceu e Genoíno vão produzindo fatos que apenas aumentam a visibilidade de suas condenações e expõem à opinião pública a tentativa de desmoralizar a Justiça e fugir de suas responsabilidades penais.

O caso que parecia mais simples, e acabou se transformando em uma complicação para o próprio condenado e também para o ministro Joaquim Barbosa, é o de Genoíno, que alega doença grave para pedir prisão domiciliar.

O petista fez uma cirurgia em julho e colocou uma prótese na aorta, procedimento sem dúvida arriscado, mas que, ao que tudo indica, teve êxito absoluto.

Parentes e amigos chegaram a falar em “risco de morte” se ele permanecesse na Papuda, mas duas juntas médicas deram pareceres contrários à necessidade da prisão domiciliar. Primeiro, uma indicada pela Universidade de Brasília a pedido do presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, definiu que seu caso não era para prisão domiciliar.

Em seguida, outra junta médica, esta da Câmara dos Deputados, deu o mesmo diagnóstico. Os médicos da UnB concluíram que Genoíno apresenta “excelente condição clínica atual, sem expectativa em qualquer prazo futuro de eventual insucesso cirúrgico ou complicação”. O petista é “portador de cardiopatia que não se caracteriza como grave”, o que permite que ele seja tratado normalmente no sistema prisional.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Enviado por Amigos de Deus

"O SENHOR é bom para todos e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras." Salmos 145.9

Coisas de DEUS...
Tudo o que Deus faz é bom !  Há muito tempo num Reino distante havia um Rei que não  acreditava na bondade de Deus. Tinha porém um súdito que sempre lhe lembrava dessa verdade. Em todas situações dizia: Meu Rei não desanime porque Deus é bom!  Um dia o Rei saiu para caçar juntamente com seu súdito e uma fera da floresta atacou o Rei.

O súdito conseguiu matar o animal porém não evitou que sua Majestade perdesse o dedo mínimo da mão direita. O Rei furioso pelo que havia acontecido e sem mostrar agradecimento por ter sua vida salva pelos esforços de seu servo perguntou a este: E agora o que você me diz? Deus e bom? Se Deus fosse bom eu não teria sido atacado e não teria perdido o meu dedo. 

O servo respondeu:

Meu Rei apesar de todas essas coisas somente posso dizer-lhe que Deus é bom e que mesmo isso perder um dedo é para seu bem!  O Rei indignado com a resposta do súdito mandou que fosse preso na cela mais escura e mais fétida do calabouço.

Após algum tempo o Rei saiu novamente para caçar e aconteceu dele ser atacado desta vez por uma tribo de índios que vivia na selva.  Estes índios eram temidos por todos pois sabia-se que faziam sacrifícios humanos para seus deuses. Mal prenderam o Rei passaram a preparar cheios de jubilo o ritual do sacrifício. Quando já estava tudo pronto e o Rei já estava diante do altar o sacerdote indígena ao examinar a vitima observou furioso: Este homem não pode ser sacrificado pois é defeituoso!  .......Falta-lhe um dedo! 

E o Rei foi libertado.
Ao voltar para o palácio muito alegre e aliviado libertou seu súdito e pediu que viesse em sua presença. Ao ver o servo abraçou-o afetuosamente dizendo-lhe:  Meu Caro Deus foi realmente bom comigo! Você já deve estar sabendo que escapei da morte justamente porque não tinha um dos dedos. Mas ainda tenho em meu coração uma grande duvida:  Se Deus e tão bom por que permitiu que você fosse preso da maneira como foi? ....Logo você que tanto O defendeu!? 

O servo sorriu e disse:

Meu Rei se eu estivesse junto contigo nessa caçada certamente seria sacrificado em teu lugar pois não me falta dedo algum!

Desconheço o Autor

Retratos do Brasil na prisão de mensaleiros - Editorial, O Globo


O escândalo do mensalão gera desdobramentos extraordinários desde a entrevista do então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) à “Folha de S.Paulo”, em 2005, na qual ele denunciou o esquema de compra literal de apoio político e parlamentar ao governo Lula.

Beneficiário daquela obra de engenharia financeira da baixa política projetada em altos escalões do primeiro governo petista, Jefferson viria a ser um dos condenados no processo que inicialmente arrolou 40 mensaleiros, um fato inédito na mais que centenária história da República brasileira.

E o ineditismo não parou por aí. Como nunca houve um banco de réus VIPs tão amplo, a história da Justiça nacional não aconselhava qualquer otimismo quanto a condenações. Pois aconteceu o oposto.

Apesar de todas as possibilidades de recursos protelatórios permitidos pela legislação — à disposição de alguns dos melhores e mais bem remunerados advogados do país —, ilustres terminaram condenados à prisão, outro fato pouco visto na vida pública. E neste sentido importa menos se o regime da pena é ou não de cárcere fechado do que o veredicto que pune poderosos, importante por si.

Expedidos, durante o feriadão da semana passada, os primeiros 12 mandados de prisão de mensaleiros condenados por corrupção, o processo do mensalão passou a gerar excentricidades. Como o primeiro escalão petista apanhado neste primeiro arrastão judicial se autodeclarar “prisioneiro político”.

Não passa de reação risível, sob encomenda para militantes sectários, o ex-ministro José Dirceu, o deputado e ex-presidente do PT José Genoíno e o tesoureiro petista Delúbio Soares se considerarem “presos políticos” devido à sentença de um Supremo Tribunal Federal composto, em sua maioria, por ministros indicados pelos governos companheiros de Lula e Dilma Rousseff, e num processo que transcorre há seis anos, com o exercício de amplos direitos de defesa.

Neste caso, Marcos Valério também seria um perseguido do regime? Bizarro.

A reação dos petistas, coreografada por gestos de punhos cerrados como revolucionários de gibi, da primeira metade do século XX, denuncia uma faceta de uma certa esquerda brasileira — a de viver do passado. Já inaceitáveis privilégios com que os prisioneiros petistas têm sido tratados na Papuda, em Brasília, denunciam outra faceta: a do Brasil arcaico, aristocrático até a medula, do “você sabe com quem está falando?”.

Deste Brasil, Dirceu, Genoíno e Delúbio também fazem parte. Eles são “mais iguais” que os prisioneiros comuns — entre eles, cardíacos, com certeza — cujo sistema de visita é espartano, em contraste com o regime de portas constantemente abertas que tem valido para as personalidades petistas condenadas.

O velho Brasil das elites — ironicamente tão enxovalhadas por facções do PT — está expresso em cores fortes nos acontecimentos em torno das primeiras prisões de mensaleiros.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Laudo conclui que Genoino não precisa de prisão domiciliar.


Cinco cardiologistas atestaram que o ex-presidente do PT não possui cardiopatia grave e pode voltar a cumprir pena no Complexo da Papuda

Laudo médico elaborado a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, afirma que a prisão domiciliar “não é imprescindível” para o tratamento médico do ex-presidente do PT José Genoino. O estado de saúde do petista foi analisado por uma equipe de cardiologistas no último final de semana. Os médicos concluíram que Genoino é "portador de cardiopatia que não se caracteriza como grave”, o que permite que ele seja tratado normalmente no sistema prisional. As conclusões médicas serão utilizadas para que Barbosa decida se atenderá ou não ao pedido da defesa do mensaleiro para cumprir pena em casa.

Nesta terça-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, admitiu que a Casa enviou médicos, sem a autorização do Supremo, para produzirem um laudo paralelo destinado a embasar o pedido de aposentadoria por invalidez do deputado licenciado.

Hipertenso há três décadas, Genoino foi levado para o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal na quinta-feira passada após ter passado mal no Complexo da Papuda, onde cumpre pena em regime semiaberto, pelo crime de corrupção ativa. Há poucos meses, ele se submeteu a uma cirurgia para corrigir uma dissecção na aorta, o que, segundo o laudo médico, não impede que o petista cumpra pena normalmente, fora do ambiente domiciliar.

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

REATIVANTE  DA  MEMÓRIA.

Eu passei alguns dias afastado do Memória Varzealegrense em virtude da minha memória que andou me traindo.
Contei o meu problema ao Dr. Sávio Pinheiro por telefone e ele no mesmo telefonema me passou a seguinte receita:
- Mundim. O medicamento certo para a falta de memória, é Memoriol, porém existe um remédio natural que é a sardinha, pois contem Omega 3. Você come sardinha no almoço e quando for meia noite, você vai está arrotando e lembrando que comeu sardinha.

Brasil na banguela - Por Carlos Alberto Di Franco.

Armação da imprensa. Distorção da mídia. Patrulhamento de jornalista.

Quantas vezes, caro leitor, você registrou essa reação nas páginas dos jornais? Inúmeras, estou certo. Elas estão contidas, frequentemente, em declarações de homens públicos apanhados com a boca na botija, no constrangimento de políticos obsessivamente preocupados com a própria imagem e no destempero de lideranças que pescam nas águas turvas do radicalismo.

Todos, independentemente de seu colorido ideológico, procuram um bode expiatório para justificar seus deslizes e malfeitos. A culpa é da imprensa! É preciso partir para o controle social da mídia, eufemismo esgrimido pelos que, no fundo, defendem a censura às empresas de conteúdo independentes.

Sou otimista. Acho que o Brasil é maior que seus problemas. Mas não sou cego. O Brasil está na banguela. Corrupção crescente, educação detonada e gestão pública incompetente, não obstante as lantejoulas do marketing político, começam a apresentar sua inescapável fatura. E a sociedade está acordando.

As ruas, em junho deste ano, deram os primeiros recados. A violência blackbloc, um desvio condenável e inaceitável dos protestos, precisa ser lida num contexto mais profundo. Há um cansaço do Estado ineficiente, corrupto e cínico. E a coisa não se resolve com discursos na TV, mas com mudanças efetivas.

Corrupção endêmica e percepção social da impunidade compõem o ambiente propício para a instalação de um quadro de desencanto cívico. Alguns, equivocadamente, vislumbram uma relação de causa e efeito entre corrupção e democracia.

Outros, perigosamente desmemoriados, têm saudade de um passado autoritário de triste memória. Ambos, reféns do desalento, sinalizam um risco que não deve ser subestimado: a utopia autoritária.