quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Quanto vale o apoio de Lula - Por Ricardo Noblat


Na reta final da campanha eleitoral, vale qualquer coisa para vencer. Ou tentar vencer.

A manobra mais criativa, embora pouco original, foi tentada no Ceará. Lá, o candidato do PT ao governo se chama Camilo Santana. É apoiado pelo governador Cid Gomes. Eunício Oliveira, candidato do PMDB, é o maior adversário de Camilo

Para garantir o apoio dos dois à reeleição de Dilma, Lula havia prometido não se meter na eleição. Pois bem: esta semana apareceu um vídeo de Lula pedindo votos para Camilo. É este que segue aqui.

http://youtu.be/Ko4s2y9svOE

O vídeo é falso. Ou melhor: o vídeo foi adulterado para parecer que Lula pede votos para Camilo. Confira no vídeo que segue agora.

http://youtu.be/SbctFz_7W9M

Padre Ton, deputado federal pelo PT de Rondônia, é candidato ao governo do seu Estado. Foi para ele que Lula gravou o vídeo adulterado pela turma de Camilo.

A assessoria de Lula, em São Paulo, mandou o PT cearense tirar o falso vídeo de circulação. Ocorre que isso será impossível. O vídeo já foi copiado por muita gente.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Não subestime o PSDB - Por Ricardo Noblat

O destino desta eleição presidencial - a sétima desde a redemocratização do país com o fim da ditadura de 64 - está nas mãos dos eleitores do PSDB. Dos que pretendem votar em Aécio porque o consideram o melhor candidato. Ou dos que votarão nele simplesmente porque querem pôr um fim a 12 anos de governos do PT.

É isso o que fica claro com a mais recente pesquisa de intenções de voto do Datafolha.

Em uma semana, a vantagem de Dilma sobre Marina quase dobrou. Passou de sete pontos percentuais para 13. Dilma está com 40% e Marina com 27%.

Mas quando o Datafolha simulou um eventual segundo turno entre as duas, elas apareceram empatadas dentro da margem de erro da pesquisa. Só há uma explicação para isso: foi o voto anti PT que empurrou Marina para cima de Dilma.

É por isso que nesta última semana de campanha, Dilma, Lula e o PT continuarão com gosto de sangue na boca contra Marina. Se ela pensa que apanhou o suficiente está enganada.

Daqui até a próxima quinta-feira, último dia de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, apanhará ainda mais feio. E se passar para o segundo turno nem queira saber. A pancadaria derrubou Marina. A pancadaria poderá derrotá-la.

Tudo o que Marina diz está sendo usado contra ela. E o que não diz, também.

Para quem pretende governar, Marina seria refratária a acordos que não sejam à esquerda. Um dia desses, no entanto, ela pediu votos para Paulo Bornhausen, filho de um político conservador de Santa Catarina, candidato ao Senado pelo PSB.

Pois bem: Marina foi acusada de defender a “Nova Política”, mas de praticar a velha. É infernal!

Neca Setúbal, acionista do Banco Itaú, é apontada pela propaganda de Dilma como a banqueira de Marina. Ora, Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural e banqueira do mensalão do PT, está presa. Menos mal para Marina.

Bancos e empreiteiras financiam o Instituto Lula. Não há, hoje, político lobista mais bem-sucedido do que Lula. Que enriqueceu em pouco tempo. A campanha de Dilma é campeã na arrecadação de dinheiro entre os banqueiros.

Ao se eleger presidente pela primeira vez, Lula decretou que a esperança vencera o medo. A esperança era ele. O medo, tudo o que os adversários usaram para evitar sua vitória.

Dilma tem dito que a verdade vencerá a mentira. Como se ela fosse o alvo preferencial de mentiras. Dilma abusa da mentira para aumentar a rejeição de Marina e – se possível – excluí-la do segundo turno. Morre de medo dela.

É natural que Aécio aspire a disputar o segundo turno contra Dilma. Se não for possível decidir a parada no primeiro, tudo o que Dilma deseja é enfrentar Aécio no segundo.

Nos mais importantes redutos eleitorais de Dilma, o Norte e o Nordeste, Aécio é fraco. Marina, não. O eleitor de Aécio votaria em Marina – ou está votando nas simulações de segundo turno. O de Marina se dividiria entre Aécio e Dilma.

Uma coisa será o PSDB anunciar seu apoio formal a Marina caso Aécio não vá para o segundo turno. É o jeito. Outra, suar a camisa para eleger Marina.

No final de 2005, quando Lula enchia a cara com receio de não chegar ao fim do mandato por causa do escândalo do mensalão, o PSDB desistiu de pedir o impeachment dele. Achou que Lula não se reelegeria. Lula se reelegeu. E elegeu Dilma em seguida.

Desta vez, o PSDB pode achar que um segundo governo Dilma, bem pior do que o primeiro, talvez seja melhor do que governar com Marina.

A capacidade do PSDB de fazer bobagem não deve ser subestimada.

sábado, 27 de setembro de 2014

A prudência nas ações.


Não se deve dar credito a qualquer palavra nem obedecer a todo impulso, mas pesar as coisas na presença de Deus com prudência e vagar.

Infelizmente, tanta é a nossa fraqueza que, muitas vezes, aceitamos e dizemos dos outros, com mais facilidade, o mal que o bem.

Os homens perfeitos, porém, não crêem levianamente em tudo que se lhes conta, pois conhecem a fraqueza humana, inclinada ao mal e leviana no falar.

Grande sabedoria é não agir com precipitação, nem tão pouco aferrar-se ao proprio parecer. Sabedoria é ainda não crer sem discernimento tudo o que dizem os homens, nem encher os ouvidos alheios do que ouvimos ou acreditamos.

Aconselha-se com o varão sabio e consciencioso e procura antes instruir-te com quem é melhor do que tu, que seguir tuas proprias ideias.

A vida virtuosa faz o homem sabio diante de Deus e entendido em muitas coisas.

Quanto mais o homem for humilde e submisso a Deus, tanto maior será a sua sabedoria e serenidade em todas as ações.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Isto é que é errata - Por Merval Pereira, O Globo

A presidente Dilma insiste em criticar sua adversária mais próxima, a candidata do PSB, Marina Silva, por supostas mudanças de posição “como se muda de camisa”. E sua campanha resolveu copiar a do outro adversário, Aécio Neves, do PSDB, que teve uma bela sacada para alfinetar Marina: disse que seu programa de governo parece ter sido escrito a lápis, numa alusão à facilidade com que é alterado.

A campanha de Dilma explora tanto as erratas feitas por Marina em seu programa que se esquece de olhar as próprias erratas, muito mais graves. O erro do IBGE sobre o combate à desigualdade foi vergonhoso, e não “banal”, como a presidente classificou.

E ontem a expectativa oficial sobre o crescimento da economia este ano foi revista em nada menos que 50%: caiu de 1,8% para 0,9%. Mesmo assim, é uma previsão superotimista, pois o boletim Focus prevê uma economia crescendo míseros 0,3%. Vem nova errata aí.

Os dois adversários, como, aliás, Marina denunciou, estão juntos nesta fase final do primeiro turno na expectativa de derrotá-la: Dilma, porque considera mais fácil vencer o candidato do PSDB, e Aécio, porque está convencido de que quem for para o segundo turno derrota a presidente Dilma. Tentam recolocar a campanha nos termos em que se sentem mais confortáveis, isto é, polarizada entre PT e PSDB.

De fato, tanto Dilma quanto Aécio prepararam-se para mais um embate entre tucanos e petistas, e, com Campos no páreo, tudo indicava que Aécio se daria melhor, pois tem o apoio de uma máquina partidária mais forte do que a do PSB.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Como Dilma faz para derrotar Marina - Por Ricardo Noblat


Quem disse: “A Petrobras nunca foi, não é e nunca será uma empresa bandida”. Ou: “Pode-se fazer auditoria por 50 anos que não se vai achar nada de ilegal na Petrobras”.

Ou ainda: “A compra da refinaria de Pasadena foi um bom negócio”. E por fim: “Não existe homem-bomba”. 

Quem disse foi Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, preso como uma das cabeças da roubalheira na empresa.

Sim, senhor, foi ele mesmo, nomeado por Lula em 2006 para a diretoria da Petrobras a pedido do Partido Popular (PP).

Dez anos antes, quando ainda se chamava Partido Liberal, o PP cobrou R$ 6 milhões do PT para indicar o vice na chapa de Lula – o empresário mineiro José Alencar.

Lula e Alencar testemunharam o fechamento do negócio em um apartamento de Brasília.

Sabe o que levou Paulo Roberto a se transformar em um homem-bomba, delatando quem roubou ou ajudou a roubar a Petrobras? O medo de ver suas filhas e genros presos como “testas de ferro”.

Um agente da Polícia Federal informou certo dia a Paulo Roberto que fora assinada uma ordem de prisão contra uma de suas filhas. Ele então desandou a falar. Não parou mais.

Há 15 dias, na sabatina do jornal O Globo com a presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada, ela repetiu várias vezes que era a principal interessada na apuração de denúncias de corrupção dentro ou fora da Petrobras.

Quanto a Paulo Roberto, garantiu que ele jamais fora homem de sua confiança. Não tinha com ele, sequer, a mais remota afinidade. Tanto que o demitiu em 2012.

Àquela altura da sabatina, eu ainda não sabia que o homem sem afinidade com Dilma havia sido um dos 400 convidados por ela para o casamento de sua filha em Porto Alegre, no final de 2008.

Na ocasião, Dilma recepcionou Lula, 10 ministros de Estado e 11 governadores. Trajava um vestido azul-petróleo. Lula confraternizou com Paulo Roberto, a quem chamava de “Paulinho”.

Quer ver uma fotografia de Paulo Roberto no casamento? Quer mesmo? Esqueça. Os vestígios da passagem dele por lá foram apagados.

Aproveitei a sabatina para perguntar a Dilma: “Se a senhora tanto se empenha em investigar a corrupção por que não deu ordens expressas ao seu pessoal da CPI da Petrobras para proceder assim?”

Dilma deu uma larga volta para ao fim e ao cabo não responder minha pergunta. Insisti: “A CPI só fez enrolar até agora. Nada investigou. E os aliados da senhora são maioria na CPI. O que me diz a respeito?”

Dilma deu outra larga volta para não responder. “Desculpe, mas a senhora não respondeu”, teimei. Ela aproveitou a pergunta de outro colega e mudou de assunto.

No dia 19 de agosto passado, seis dias depois do desastre aéreo que matou Eduardo Campos, candidato do PSB a presidente da República, Dilma foi cercada por um grupo de jornalistas durante viagem a Rondônia.

Um deles perguntou sobre Marina Silva, a vice de Eduardo e substituta dele como candidata a presidente. Dilma franziu o cenho. E respondeu com má vontade.

- Meu querido, eu quero dizer para você: vou fazer a minha campanha. Tenho muito que mostrar. Não posso ficar preocupada com qualquer pessoa.

Na véspera, pesquisa Datafolha conferira a Dilma 36% de intenções de voto contra 21% de Marina. No dia 29 daquele mês, as duas apareceram empatadas no Datafolha com 34% a 34%.

Desde então, Dilma se ocupa em fabricar mentiras diárias contra Marina. Precisa que a rejeição dela aumente para que possa tentar derrotá-la no segundo turno.

domingo, 21 de setembro de 2014

A guerra dos companheiro - Por Ruy Fabiano.


O “abraço à Petrobras”, empreendido no início da semana pelo PT, na sede da empresa, no Rio, faz lembrar o clássico ditado policial de que “o criminoso sempre volta ao local do crime”.

Desta vez, não para avaliar os danos, como observador oculto, mas para testar às escâncaras sua capacidade de virar o jogo. Em meio às mais cabeludas denúncias, produzidas pelo ex-diretor de Abastecimento e Refino, Paulo Roberto Costa – que pontificou nos dois governos de Lula e na metade do de Dilma -, o PT testou a tese de que a melhor defesa é o ataque. Falhou.

Em sua campanha, Dilma quer transformar as denúncias de assalto à empresa – e a respectiva cobrança por investigações - em tentativa de sabotagem, imputando, de quebra, a Marina Silva o sórdido objetivo de liquidar o pré-sal. É o “pega ladrão!”, mas gritado pelo próprio ladrão. Já funcionou antes.

O mais significativo no ato, porém, não foi ele em si, mas a escassa presença de manifestantes. Lá estava a militância de sempre, acrescida do MST, que dela sempre fez parte. Povo mesmo não se viu. A Polícia Militar registrou cerca de 600 pessoas.

No passado recente, seriam milhares e milhares. Onde estão? Terá o PT perdido musculatura onde há muito reinava? Aparentemente, sim. A candidatura de Marina dividiu a esquerda e os chamados movimentos sociais. Não se sabe ainda em que escala, mas não há dúvida de que houve quebra de unidade.

sábado, 20 de setembro de 2014

Entenda como era a relação entre Cid Gomes e Paulo Roberto Costa - Por Claudio Dantas Sequeira e Izabelle Torres, ISTOÉ


Blog do Ricardo Noblat.

ISTOÉ revelou na semana passada que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa incluiu o governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), na lista de políticos beneficiados pelo esquema de corrupção na estatal. Ao ser confrontado com a informação, Cid Gomes começou a se encalacrar nas próprias versões.

Primeiro disse que não sabia quem era Paulo Roberto Costa. Depois, alegou nunca haver estado com ele na vida. Suas explicações iniciais, porém, foram desmontadas em pouquíssimas horas. No mesmo dia da publicação da reportagem de ISTOÉ, pipocaram nas redes sociais fotografias de encontros e eventos em que Paulo Roberto Costa e Cid Gomes aparecem lado a lado. Numa das imagens, o delator e o político cearense demonstram intimidade.

Cid Gomes mentiu - Por Ricardo Noblat.


A ISTOÉ desta semana, proibida de circular por uma juíza de Fortaleza, informa que Cid Gomes, governador do Ceará, foi citado por Paulo Roberto da Costa, ex-diretor da Petrobras, como um dos políticos envolvidos com corrupção na empresa.

Ouvido pela revista, Cid afirmou que não sabia quem era Paulo Roberto e que nunca estivera com ele.

Pois bem: Cid mentiu. Mentiu descuidadamente. Mentiu descaradamente. Mentiu escandalosamente.

Na foto acima, feita em dezembro de 2010, Cid e Paulo Roberto, metidos em macacões da Petrobras, confraternizam durante a cerimônia de lançamento da pedra fundamental da Refinaria Premium II, no Ceará.

A refinaria nunca saiu do papel.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Castigo merecido - Antonio Alves de Morais



Todo brasileiro deve estar sentindo pena do Eike Batista, afinal ele estava entre as dez maiores fortunas do mundo. Não por méritos, mas, as custas de um governo irresponsavel que entregou o BNDES de mãos beijadas, fato que comprova não só o fracasso do empresário como do governo no seu todo.   

Thor Batista, o filho do Eike com a Luma de Oliveira, passou por cima de um ciclista com seu carrão. O Eike pagou pelo marido, pai, filho, irmão, a família do ciclista 200 mil reais pelo silêncio. Afinal o que são 200 mil reais para a décima fortuna do mundo se a família do ciclista nunca viu tanto dinheiro em sua frente. 

Lula, o Cara ligou para o Eike se solidarizando, esqueceu de ligar para família  da vitima como dantes fazia. Luma de Oliveira, a mãe  do atropelador alugou uma igreja, no centro do Rio de Janeiro e fez uma missa para o ciclista que com ela deve ter subido direto para o céu.

A missa ocorreu na Paróquia da Ressureição, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Os acessos a Praça e a Igreja foram bloqueados pela policia. A mãe de Thor e outras amigas também participaram da homenagem. Da nojeira que foi o governo do PT, Lula e Eike juntos nem a Igreja escapou. 

Castigo merecido. Deus é justo.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

STF libera notícia sobre menção a Cid Gomes na Operação Lava Jato - Por Eduardo Militão


A decisão do ministro Roberto Barroso autoriza a circulação e publicação na internet da reportagem mostrando que o ex-diretor da Petrobrás mencionou mais políticos entre os destinatários de propinas

O ministro do Supremo Tribunal Federal Roberto Barroso determinou nesta quarta-feira (17/9) que seja liberada a circulação e publicação na internet da reportagem mostrando que o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa mencionou mais políticos entre os destinatários de propinas. Segundo a revista Istoé, na delação premiada que presta na Operção Lava Jato, o ex-funcionário da estatal delatou também o governador do Ceará, Cid Gomes, os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Francisco Dornelles (PP-RJ), e o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ).

Cid foi à Justiça e conseguiu das mãos da juíza Maria Marleide Maciel Queiroz, de Fortaleza, uma decisão para impedir a divulgação da reportagem na edição impressa e na internet. Hoje, Barroso disse que essa medida não poderia ser tomada porque, entre outras razões, a notícia “atende ao requisito da veracidade” e o direito à privacidade de um político é menor do que o de uma pessoa comum.

Barroso considerou a decisão da juíza Marleide Queiroz um caso de “censura prévia” não permitido. Para ele, todas os elementos do caso apontam que o correto seria permitir a circulação da notícia e, caso alguém se sinta ofendido, que procure reparação judicial posterior. O minstro ainda retirou o segredo de Justiça do processo decretado pela juíza.

A decisão de Barroso foi proferida nos Estados Unidos, na Universidade de Yale, onde ele participa de seminário. Para validá-la, ele usou uma assinatura eletrônica, usual no STF.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Não convence - Antonio Alves de Morais


Dilma Roussef apregoa por onde passa que a corrupção aumentou porque o governo combate. Nomeia varias instituições criadas em governos anteriores em defesa dos bons costumes, mas, o que se ver é um enorme esforço do governo  na  defesa e amparo dos delinquentes. A Maior parte dos órgãos citados por ela estão desativadas propositadamente como o Conselho de Ética da Presidência, esvaziado com a renúncia de seus membros por aplicarem censura a ministros do governo e não serem levados a serio. E, o que se ver é a não indicação de outros em substituição.

È do conhecimento de todos a reunião do Ex-presidente Lula na casa do  Ministro Nelson Jobim  para enquadrar ministros e impedir o julgamento do Mensalão. Fato denunciado  pelo Ministro Gilmar Mendes: "Com a declaração do Lula de que o Ex-ministro Sepúlveda Pertence ia enquadra alguns ministros da Corte Suprema. O Ministro Sepúlveda renunciou a presidência do Conselho de Ética da Presidência e com a renuncia deram fim ao Conselho, que de ética nada tinha. O que a Dilma  precisava  falar para os brasileiros é que para sustentar o "Balaio de Gato" que é o governo dela autoridade alguma pode punir o Presidente da Câmara  Federal, o Presidente do  Senador Federal,  12 senadores,  quatro Governadores de Estado e  50 deputados  de uma vez. 

A política brasileira está podre. Ela é movida a dinheiro e poder. “Dinheiro compra poder, e poder é uma ferramenta poderosa para se obter dinheiro. É disso que se trata as eleições”.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O nobre político - Por Carlos Alberto Di Franco

A política brasileira está podre. Ela é movida a dinheiro e poder. “Dinheiro compra poder, e poder é uma ferramenta poderosa para se obter dinheiro. É disso que se trata as eleições”.

Assustador o dignóstico que o juiz Márlon Reis faz da política brasileira em seu livro O nobre deputado. Conhecido por ter sido um dos mais vibrantes articuladores da coleta de assinaturas para o projeto popular que resultou na Lei da Ficha Limpa, foi o primeiro magistrado a impor aos candidatos a prefeito e a vereador revelar os nomes dos financiadores de suas respectivas campanhas antes da data da eleição.

A radiografia do juiz acaba de ser poderosamente confirmada pelas revelações feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Em resumo, amigo leitor, durante oito anos –de 2004 a 2012 – os contratos da maior empresa brasileira com grandes empreiteiras eram usados como fonte de propina para partidos e políticos. Dá para entender as razões da crise da Petrobras. É pilhagem, saque, puro banditismo. Atinge em cheio os governos de Dilma e Lula.

O novo escândalo é a ponta do iceberg de algo mais profundo: o sistema eleitoral brasileiro está bichado e só será reformado se a sociedade pressionar para valer.

Hoje, teoricamente, as eleições são livres, embora o resultado seja bastante previsível. Não se elegem os melhores, mas os que têm mais dinheiro para financiar campanhas sofisticadas e milionárias.

Empresas investem nos candidatos sem qualquer idealismo. É negócio. Espera-se retorno do investimento.

A máquina de fazer dinheiro para perpetuar o poder tem engrenagens bem conhecidas no mundo político: emendas parlamentares, convênios fajutos e licitações com cartas marcadas.

Indignação? Desencanto? É óbvio.

O macroescândalo da Petrobras promete. O mensalão vai parecer um berçário.

O Brasil está piorando? Não. Está melhorando. A exposição da chaga é o primeiro passo para a cura do doente.

Ao divulgar as revelações do ex-diretor da Petrobras, a imprensa cumpre um papel relevante: impede que o escândalo fique na gaveta de uma CPI do Congresso.

Existem razões para otimismo? Acho que sim. A Lei da Ficha Limpa começa a dar seus primeiros frutos. Paulo Maluf (PP) e José Roberto Arruda (PR), entre outros, podem estar fora das próximas eleições.

A promiscuidade entre políticos e empresas parece estar com os dias contados. O Supremo Tribunal Federal (STF), provavelmente, votará pelo fim das doações de empresas, na ação movida nesse sentido pela OAB.

A imprensa de qualidade, livre e independente, está aí. Incomodando. Felizmente.

Leia jornais. Informe-se. Acredite no Brasil, não em salvadores da pátria. E vote bem. O caminho é longo. Mas vale a pena..

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A verdade que se lixe - Por Fábio Campos, no O POVO.


Durante oito anos, a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República manteve um banqueiro tucano no comando do Banco Central. Não era um banqueiro e nem um tucano qualquer. Tratava-se de Henrique Meireles, que havia sido dirigente de uma potência global na área financeira chamada Bank of Boston. Meireles era um homem do mercado financeiro. Como presidente do Banco Central, foi fiel aos seus princípios e jamais agiu ou disse algo em contraposição a esse mercado.

É jocoso assistir no programa eleitoral a campanha do PT afirmar que, se eleita, Marina dará poder aos bancos. Ora, os bancos já estiveram no centro do poder pelas mãos do ex-operário que presidiu o País. Enquanto esteve no Banco Central, Meireles foi intocável. Nem sequer a oposição apontou problemas na indicação.

Pelo que se depreende da propaganda, o PT diz que Marina dará poder aos bancos por sua relação com uma filha do fundador do Itaú, Maria Alice Setúbal, que se formou em Sociologia, trabalhou a vida toda com educação, nunca foi nem sequer bancária, fez doações para campanhas eleitorais petistas e trabalhou para eleger o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que foi bancado por Lula.

É claro que a campanha do PT não está falando para os mais escolarizados e esclarecidos. Este público é resistente a esse tipo de propaganda sem compromisso com a verdade. A ideia é aprofundar a aposta nas massas que acabam sendo mais disponíveis (e vulneráveis) para aceitar esse tipo do discurso. O PT conhece bem essa arma. Afinal, em outros tempos, já foi vítima dela.

Nossas campanhas eleitorais viraram isso. A verdade, os fatos e a História passam ao largo. Tornou-se impossível discutir certas propostas racionais e comuns a vários países democráticos como, por exemplo, estabelecer a autonomia do Banco Central. Onde foi adotada, essa autonomia mirou em um ponto: livrar a autoridade monetária de possíveis pressões politiqueiras. Hoje, quem ousa lançar mão da ideia, passa a ser carimbado de entreguista ou coisa que o valha.

Mais e mais coisas do tipo virão. O alvo da pancadaria seria Aécio Neves. Como o mineiro acabou atropelado por Marina Silva, o alvo passou a ser quem ameaça o poder petista. É preciso tirar o máximo proveito da imensa diferença de estrutura e de tempo que o PT tem na propaganda. E assim será. Afinal, no segundo turno, com tempos iguais no horário gratuito e com os naturais rearranjos políticos, as circunstâncias serão outras.

Sem partido forte, sem alianças de grande porte, sem estrutura de campanha e com parcos dois minutos na TV, caso Marina Silva sobreviva com poucas avarias e ainda em condições de disputar para vencer, já será um milagre político e eleitoral que só pode ser explicado pelo imenso desgaste que atingiu o PT.