terça-feira, 30 de setembro de 2014

Não subestime o PSDB - Por Ricardo Noblat

O destino desta eleição presidencial - a sétima desde a redemocratização do país com o fim da ditadura de 64 - está nas mãos dos eleitores do PSDB. Dos que pretendem votar em Aécio porque o consideram o melhor candidato. Ou dos que votarão nele simplesmente porque querem pôr um fim a 12 anos de governos do PT.

É isso o que fica claro com a mais recente pesquisa de intenções de voto do Datafolha.

Em uma semana, a vantagem de Dilma sobre Marina quase dobrou. Passou de sete pontos percentuais para 13. Dilma está com 40% e Marina com 27%.

Mas quando o Datafolha simulou um eventual segundo turno entre as duas, elas apareceram empatadas dentro da margem de erro da pesquisa. Só há uma explicação para isso: foi o voto anti PT que empurrou Marina para cima de Dilma.

É por isso que nesta última semana de campanha, Dilma, Lula e o PT continuarão com gosto de sangue na boca contra Marina. Se ela pensa que apanhou o suficiente está enganada.

Daqui até a próxima quinta-feira, último dia de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, apanhará ainda mais feio. E se passar para o segundo turno nem queira saber. A pancadaria derrubou Marina. A pancadaria poderá derrotá-la.

Tudo o que Marina diz está sendo usado contra ela. E o que não diz, também.

Para quem pretende governar, Marina seria refratária a acordos que não sejam à esquerda. Um dia desses, no entanto, ela pediu votos para Paulo Bornhausen, filho de um político conservador de Santa Catarina, candidato ao Senado pelo PSB.

Pois bem: Marina foi acusada de defender a “Nova Política”, mas de praticar a velha. É infernal!

Neca Setúbal, acionista do Banco Itaú, é apontada pela propaganda de Dilma como a banqueira de Marina. Ora, Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural e banqueira do mensalão do PT, está presa. Menos mal para Marina.

Bancos e empreiteiras financiam o Instituto Lula. Não há, hoje, político lobista mais bem-sucedido do que Lula. Que enriqueceu em pouco tempo. A campanha de Dilma é campeã na arrecadação de dinheiro entre os banqueiros.

Ao se eleger presidente pela primeira vez, Lula decretou que a esperança vencera o medo. A esperança era ele. O medo, tudo o que os adversários usaram para evitar sua vitória.

Dilma tem dito que a verdade vencerá a mentira. Como se ela fosse o alvo preferencial de mentiras. Dilma abusa da mentira para aumentar a rejeição de Marina e – se possível – excluí-la do segundo turno. Morre de medo dela.

É natural que Aécio aspire a disputar o segundo turno contra Dilma. Se não for possível decidir a parada no primeiro, tudo o que Dilma deseja é enfrentar Aécio no segundo.

Nos mais importantes redutos eleitorais de Dilma, o Norte e o Nordeste, Aécio é fraco. Marina, não. O eleitor de Aécio votaria em Marina – ou está votando nas simulações de segundo turno. O de Marina se dividiria entre Aécio e Dilma.

Uma coisa será o PSDB anunciar seu apoio formal a Marina caso Aécio não vá para o segundo turno. É o jeito. Outra, suar a camisa para eleger Marina.

No final de 2005, quando Lula enchia a cara com receio de não chegar ao fim do mandato por causa do escândalo do mensalão, o PSDB desistiu de pedir o impeachment dele. Achou que Lula não se reelegeria. Lula se reelegeu. E elegeu Dilma em seguida.

Desta vez, o PSDB pode achar que um segundo governo Dilma, bem pior do que o primeiro, talvez seja melhor do que governar com Marina.

A capacidade do PSDB de fazer bobagem não deve ser subestimada.

sábado, 27 de setembro de 2014

A prudência nas ações.


Não se deve dar credito a qualquer palavra nem obedecer a todo impulso, mas pesar as coisas na presença de Deus com prudência e vagar.

Infelizmente, tanta é a nossa fraqueza que, muitas vezes, aceitamos e dizemos dos outros, com mais facilidade, o mal que o bem.

Os homens perfeitos, porém, não crêem levianamente em tudo que se lhes conta, pois conhecem a fraqueza humana, inclinada ao mal e leviana no falar.

Grande sabedoria é não agir com precipitação, nem tão pouco aferrar-se ao proprio parecer. Sabedoria é ainda não crer sem discernimento tudo o que dizem os homens, nem encher os ouvidos alheios do que ouvimos ou acreditamos.

Aconselha-se com o varão sabio e consciencioso e procura antes instruir-te com quem é melhor do que tu, que seguir tuas proprias ideias.

A vida virtuosa faz o homem sabio diante de Deus e entendido em muitas coisas.

Quanto mais o homem for humilde e submisso a Deus, tanto maior será a sua sabedoria e serenidade em todas as ações.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Isto é que é errata - Por Merval Pereira, O Globo

A presidente Dilma insiste em criticar sua adversária mais próxima, a candidata do PSB, Marina Silva, por supostas mudanças de posição “como se muda de camisa”. E sua campanha resolveu copiar a do outro adversário, Aécio Neves, do PSDB, que teve uma bela sacada para alfinetar Marina: disse que seu programa de governo parece ter sido escrito a lápis, numa alusão à facilidade com que é alterado.

A campanha de Dilma explora tanto as erratas feitas por Marina em seu programa que se esquece de olhar as próprias erratas, muito mais graves. O erro do IBGE sobre o combate à desigualdade foi vergonhoso, e não “banal”, como a presidente classificou.

E ontem a expectativa oficial sobre o crescimento da economia este ano foi revista em nada menos que 50%: caiu de 1,8% para 0,9%. Mesmo assim, é uma previsão superotimista, pois o boletim Focus prevê uma economia crescendo míseros 0,3%. Vem nova errata aí.

Os dois adversários, como, aliás, Marina denunciou, estão juntos nesta fase final do primeiro turno na expectativa de derrotá-la: Dilma, porque considera mais fácil vencer o candidato do PSDB, e Aécio, porque está convencido de que quem for para o segundo turno derrota a presidente Dilma. Tentam recolocar a campanha nos termos em que se sentem mais confortáveis, isto é, polarizada entre PT e PSDB.

De fato, tanto Dilma quanto Aécio prepararam-se para mais um embate entre tucanos e petistas, e, com Campos no páreo, tudo indicava que Aécio se daria melhor, pois tem o apoio de uma máquina partidária mais forte do que a do PSB.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Como Dilma faz para derrotar Marina - Por Ricardo Noblat


Quem disse: “A Petrobras nunca foi, não é e nunca será uma empresa bandida”. Ou: “Pode-se fazer auditoria por 50 anos que não se vai achar nada de ilegal na Petrobras”.

Ou ainda: “A compra da refinaria de Pasadena foi um bom negócio”. E por fim: “Não existe homem-bomba”. 

Quem disse foi Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, preso como uma das cabeças da roubalheira na empresa.

Sim, senhor, foi ele mesmo, nomeado por Lula em 2006 para a diretoria da Petrobras a pedido do Partido Popular (PP).

Dez anos antes, quando ainda se chamava Partido Liberal, o PP cobrou R$ 6 milhões do PT para indicar o vice na chapa de Lula – o empresário mineiro José Alencar.

Lula e Alencar testemunharam o fechamento do negócio em um apartamento de Brasília.

Sabe o que levou Paulo Roberto a se transformar em um homem-bomba, delatando quem roubou ou ajudou a roubar a Petrobras? O medo de ver suas filhas e genros presos como “testas de ferro”.

Um agente da Polícia Federal informou certo dia a Paulo Roberto que fora assinada uma ordem de prisão contra uma de suas filhas. Ele então desandou a falar. Não parou mais.

Há 15 dias, na sabatina do jornal O Globo com a presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada, ela repetiu várias vezes que era a principal interessada na apuração de denúncias de corrupção dentro ou fora da Petrobras.

Quanto a Paulo Roberto, garantiu que ele jamais fora homem de sua confiança. Não tinha com ele, sequer, a mais remota afinidade. Tanto que o demitiu em 2012.

Àquela altura da sabatina, eu ainda não sabia que o homem sem afinidade com Dilma havia sido um dos 400 convidados por ela para o casamento de sua filha em Porto Alegre, no final de 2008.

Na ocasião, Dilma recepcionou Lula, 10 ministros de Estado e 11 governadores. Trajava um vestido azul-petróleo. Lula confraternizou com Paulo Roberto, a quem chamava de “Paulinho”.

Quer ver uma fotografia de Paulo Roberto no casamento? Quer mesmo? Esqueça. Os vestígios da passagem dele por lá foram apagados.

Aproveitei a sabatina para perguntar a Dilma: “Se a senhora tanto se empenha em investigar a corrupção por que não deu ordens expressas ao seu pessoal da CPI da Petrobras para proceder assim?”

Dilma deu uma larga volta para ao fim e ao cabo não responder minha pergunta. Insisti: “A CPI só fez enrolar até agora. Nada investigou. E os aliados da senhora são maioria na CPI. O que me diz a respeito?”

Dilma deu outra larga volta para não responder. “Desculpe, mas a senhora não respondeu”, teimei. Ela aproveitou a pergunta de outro colega e mudou de assunto.

No dia 19 de agosto passado, seis dias depois do desastre aéreo que matou Eduardo Campos, candidato do PSB a presidente da República, Dilma foi cercada por um grupo de jornalistas durante viagem a Rondônia.

Um deles perguntou sobre Marina Silva, a vice de Eduardo e substituta dele como candidata a presidente. Dilma franziu o cenho. E respondeu com má vontade.

- Meu querido, eu quero dizer para você: vou fazer a minha campanha. Tenho muito que mostrar. Não posso ficar preocupada com qualquer pessoa.

Na véspera, pesquisa Datafolha conferira a Dilma 36% de intenções de voto contra 21% de Marina. No dia 29 daquele mês, as duas apareceram empatadas no Datafolha com 34% a 34%.

Desde então, Dilma se ocupa em fabricar mentiras diárias contra Marina. Precisa que a rejeição dela aumente para que possa tentar derrotá-la no segundo turno.

domingo, 21 de setembro de 2014

A guerra dos companheiro - Por Ruy Fabiano.


O “abraço à Petrobras”, empreendido no início da semana pelo PT, na sede da empresa, no Rio, faz lembrar o clássico ditado policial de que “o criminoso sempre volta ao local do crime”.

Desta vez, não para avaliar os danos, como observador oculto, mas para testar às escâncaras sua capacidade de virar o jogo. Em meio às mais cabeludas denúncias, produzidas pelo ex-diretor de Abastecimento e Refino, Paulo Roberto Costa – que pontificou nos dois governos de Lula e na metade do de Dilma -, o PT testou a tese de que a melhor defesa é o ataque. Falhou.

Em sua campanha, Dilma quer transformar as denúncias de assalto à empresa – e a respectiva cobrança por investigações - em tentativa de sabotagem, imputando, de quebra, a Marina Silva o sórdido objetivo de liquidar o pré-sal. É o “pega ladrão!”, mas gritado pelo próprio ladrão. Já funcionou antes.

O mais significativo no ato, porém, não foi ele em si, mas a escassa presença de manifestantes. Lá estava a militância de sempre, acrescida do MST, que dela sempre fez parte. Povo mesmo não se viu. A Polícia Militar registrou cerca de 600 pessoas.

No passado recente, seriam milhares e milhares. Onde estão? Terá o PT perdido musculatura onde há muito reinava? Aparentemente, sim. A candidatura de Marina dividiu a esquerda e os chamados movimentos sociais. Não se sabe ainda em que escala, mas não há dúvida de que houve quebra de unidade.

sábado, 20 de setembro de 2014

Entenda como era a relação entre Cid Gomes e Paulo Roberto Costa - Por Claudio Dantas Sequeira e Izabelle Torres, ISTOÉ


Blog do Ricardo Noblat.

ISTOÉ revelou na semana passada que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa incluiu o governador do Ceará, Cid Gomes (PROS), na lista de políticos beneficiados pelo esquema de corrupção na estatal. Ao ser confrontado com a informação, Cid Gomes começou a se encalacrar nas próprias versões.

Primeiro disse que não sabia quem era Paulo Roberto Costa. Depois, alegou nunca haver estado com ele na vida. Suas explicações iniciais, porém, foram desmontadas em pouquíssimas horas. No mesmo dia da publicação da reportagem de ISTOÉ, pipocaram nas redes sociais fotografias de encontros e eventos em que Paulo Roberto Costa e Cid Gomes aparecem lado a lado. Numa das imagens, o delator e o político cearense demonstram intimidade.

Cid Gomes mentiu - Por Ricardo Noblat.


A ISTOÉ desta semana, proibida de circular por uma juíza de Fortaleza, informa que Cid Gomes, governador do Ceará, foi citado por Paulo Roberto da Costa, ex-diretor da Petrobras, como um dos políticos envolvidos com corrupção na empresa.

Ouvido pela revista, Cid afirmou que não sabia quem era Paulo Roberto e que nunca estivera com ele.

Pois bem: Cid mentiu. Mentiu descuidadamente. Mentiu descaradamente. Mentiu escandalosamente.

Na foto acima, feita em dezembro de 2010, Cid e Paulo Roberto, metidos em macacões da Petrobras, confraternizam durante a cerimônia de lançamento da pedra fundamental da Refinaria Premium II, no Ceará.

A refinaria nunca saiu do papel.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Castigo merecido - Por Antonio Morais



Todo brasileiro deve estar sentindo pena do Eike Batista, afinal ele estava entre as dez maiores fortunas do mundo. Não por méritos, mas, as custas de um governo irresponsavel que entregou o BNDES de mãos beijadas, fato que comprova não só o fracasso do empresário como do governo no seu todo.   

Thor Batista, o filho do Eike com a Luma de Oliveira, passou por cima de um ciclista com seu carrão. O Eike pagou pelo marido, pai, filho, irmão, a família do ciclista 200 mil reais pelo silêncio. Afinal o que são 200 mil reais para a décima fortuna do mundo se a família do ciclista nunca viu tanto dinheiro em sua frente. 

Lula, o Cara ligou para o Eike se solidarizando, esqueceu de ligar para família  da vitima como dantes fazia. Luma de Oliveira, a mãe  do atropelador alugou uma igreja, no centro do Rio de Janeiro e fez uma missa para o ciclista que com ela deve ter subido direto para o céu.

A missa ocorreu na Paróquia da Ressureição, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Os acessos a Praça e a Igreja foram bloqueados pela policia. A mãe de Thor e outras amigas também participaram da homenagem. Da nojeira que foi o governo do PT, Lula e Eike juntos nem a Igreja escapou. 

Castigo merecido. Deus é justo.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

STF libera notícia sobre menção a Cid Gomes na Operação Lava Jato - Por Eduardo Militão


A decisão do ministro Roberto Barroso autoriza a circulação e publicação na internet da reportagem mostrando que o ex-diretor da Petrobrás mencionou mais políticos entre os destinatários de propinas

O ministro do Supremo Tribunal Federal Roberto Barroso determinou nesta quarta-feira (17/9) que seja liberada a circulação e publicação na internet da reportagem mostrando que o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa mencionou mais políticos entre os destinatários de propinas. Segundo a revista Istoé, na delação premiada que presta na Operção Lava Jato, o ex-funcionário da estatal delatou também o governador do Ceará, Cid Gomes, os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Francisco Dornelles (PP-RJ), e o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ).

Cid foi à Justiça e conseguiu das mãos da juíza Maria Marleide Maciel Queiroz, de Fortaleza, uma decisão para impedir a divulgação da reportagem na edição impressa e na internet. Hoje, Barroso disse que essa medida não poderia ser tomada porque, entre outras razões, a notícia “atende ao requisito da veracidade” e o direito à privacidade de um político é menor do que o de uma pessoa comum.

Barroso considerou a decisão da juíza Marleide Queiroz um caso de “censura prévia” não permitido. Para ele, todas os elementos do caso apontam que o correto seria permitir a circulação da notícia e, caso alguém se sinta ofendido, que procure reparação judicial posterior. O minstro ainda retirou o segredo de Justiça do processo decretado pela juíza.

A decisão de Barroso foi proferida nos Estados Unidos, na Universidade de Yale, onde ele participa de seminário. Para validá-la, ele usou uma assinatura eletrônica, usual no STF.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Não convence - Por Antonio Morais


Dilma Roussef apregoa por onde passa que a corrupção aumentou porque o governo combate. Nomeia varias instituições criadas em governos anteriores em defesa dos bons costumes, mas, o que se ver é um enorme esforço do governo  na  defesa e amparo dos delinquentes. A Maior parte dos órgãos citados por ela estão desativadas propositadamente como o Conselho de Ética da Presidência, esvaziado com a renúncia de seus membros por aplicarem censura a ministros do governo e não serem levados a serio. E, o que se ver é a não indicação de outros em substituição.

È do conhecimento de todos a reunião do Ex-presidente Lula na casa do  Ministro Nelson Jobim  para enquadrar ministros e impedir o julgamento do Mensalão. Fato denunciado  pelo Ministro Gilmar Mendes: "Com a declaração do Lula de que o Ex-ministro Sepúlveda Pertence ia enquadra alguns ministros da Corte Suprema. O Ministro Sepúlveda renunciou a presidência do Conselho de Ética da Presidência e com a renuncia deram fim ao Conselho, que de ética nada tinha. O que a Dilma  precisava  falar para os brasileiros é que para sustentar o "Balaio de Gato" que é o governo dela autoridade alguma pode punir o Presidente da Câmara  Federal, o Presidente do  Senador Federal,  12 senadores,  quatro Governadores de Estado e  50 deputados  de uma vez. 

A política brasileira está podre. Ela é movida a dinheiro e poder. “Dinheiro compra poder, e poder é uma ferramenta poderosa para se obter dinheiro. É disso que se trata as eleições”.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O nobre político - Por Carlos Alberto Di Franco

A política brasileira está podre. Ela é movida a dinheiro e poder. “Dinheiro compra poder, e poder é uma ferramenta poderosa para se obter dinheiro. É disso que se trata as eleições”.

Assustador o dignóstico que o juiz Márlon Reis faz da política brasileira em seu livro O nobre deputado. Conhecido por ter sido um dos mais vibrantes articuladores da coleta de assinaturas para o projeto popular que resultou na Lei da Ficha Limpa, foi o primeiro magistrado a impor aos candidatos a prefeito e a vereador revelar os nomes dos financiadores de suas respectivas campanhas antes da data da eleição.

A radiografia do juiz acaba de ser poderosamente confirmada pelas revelações feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Em resumo, amigo leitor, durante oito anos –de 2004 a 2012 – os contratos da maior empresa brasileira com grandes empreiteiras eram usados como fonte de propina para partidos e políticos. Dá para entender as razões da crise da Petrobras. É pilhagem, saque, puro banditismo. Atinge em cheio os governos de Dilma e Lula.

O novo escândalo é a ponta do iceberg de algo mais profundo: o sistema eleitoral brasileiro está bichado e só será reformado se a sociedade pressionar para valer.

Hoje, teoricamente, as eleições são livres, embora o resultado seja bastante previsível. Não se elegem os melhores, mas os que têm mais dinheiro para financiar campanhas sofisticadas e milionárias.

Empresas investem nos candidatos sem qualquer idealismo. É negócio. Espera-se retorno do investimento.

A máquina de fazer dinheiro para perpetuar o poder tem engrenagens bem conhecidas no mundo político: emendas parlamentares, convênios fajutos e licitações com cartas marcadas.

Indignação? Desencanto? É óbvio.

O macroescândalo da Petrobras promete. O mensalão vai parecer um berçário.

O Brasil está piorando? Não. Está melhorando. A exposição da chaga é o primeiro passo para a cura do doente.

Ao divulgar as revelações do ex-diretor da Petrobras, a imprensa cumpre um papel relevante: impede que o escândalo fique na gaveta de uma CPI do Congresso.

Existem razões para otimismo? Acho que sim. A Lei da Ficha Limpa começa a dar seus primeiros frutos. Paulo Maluf (PP) e José Roberto Arruda (PR), entre outros, podem estar fora das próximas eleições.

A promiscuidade entre políticos e empresas parece estar com os dias contados. O Supremo Tribunal Federal (STF), provavelmente, votará pelo fim das doações de empresas, na ação movida nesse sentido pela OAB.

A imprensa de qualidade, livre e independente, está aí. Incomodando. Felizmente.

Leia jornais. Informe-se. Acredite no Brasil, não em salvadores da pátria. E vote bem. O caminho é longo. Mas vale a pena..

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A verdade que se lixe - Por Fábio Campos, no O POVO.


Durante oito anos, a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República manteve um banqueiro tucano no comando do Banco Central. Não era um banqueiro e nem um tucano qualquer. Tratava-se de Henrique Meireles, que havia sido dirigente de uma potência global na área financeira chamada Bank of Boston. Meireles era um homem do mercado financeiro. Como presidente do Banco Central, foi fiel aos seus princípios e jamais agiu ou disse algo em contraposição a esse mercado.

É jocoso assistir no programa eleitoral a campanha do PT afirmar que, se eleita, Marina dará poder aos bancos. Ora, os bancos já estiveram no centro do poder pelas mãos do ex-operário que presidiu o País. Enquanto esteve no Banco Central, Meireles foi intocável. Nem sequer a oposição apontou problemas na indicação.

Pelo que se depreende da propaganda, o PT diz que Marina dará poder aos bancos por sua relação com uma filha do fundador do Itaú, Maria Alice Setúbal, que se formou em Sociologia, trabalhou a vida toda com educação, nunca foi nem sequer bancária, fez doações para campanhas eleitorais petistas e trabalhou para eleger o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que foi bancado por Lula.

É claro que a campanha do PT não está falando para os mais escolarizados e esclarecidos. Este público é resistente a esse tipo de propaganda sem compromisso com a verdade. A ideia é aprofundar a aposta nas massas que acabam sendo mais disponíveis (e vulneráveis) para aceitar esse tipo do discurso. O PT conhece bem essa arma. Afinal, em outros tempos, já foi vítima dela.

Nossas campanhas eleitorais viraram isso. A verdade, os fatos e a História passam ao largo. Tornou-se impossível discutir certas propostas racionais e comuns a vários países democráticos como, por exemplo, estabelecer a autonomia do Banco Central. Onde foi adotada, essa autonomia mirou em um ponto: livrar a autoridade monetária de possíveis pressões politiqueiras. Hoje, quem ousa lançar mão da ideia, passa a ser carimbado de entreguista ou coisa que o valha.

Mais e mais coisas do tipo virão. O alvo da pancadaria seria Aécio Neves. Como o mineiro acabou atropelado por Marina Silva, o alvo passou a ser quem ameaça o poder petista. É preciso tirar o máximo proveito da imensa diferença de estrutura e de tempo que o PT tem na propaganda. E assim será. Afinal, no segundo turno, com tempos iguais no horário gratuito e com os naturais rearranjos políticos, as circunstâncias serão outras.

Sem partido forte, sem alianças de grande porte, sem estrutura de campanha e com parcos dois minutos na TV, caso Marina Silva sobreviva com poucas avarias e ainda em condições de disputar para vencer, já será um milagre político e eleitoral que só pode ser explicado pelo imenso desgaste que atingiu o PT.

O PT sob chantagem - Por Robson Bonin


Para evitar que o partido e suas principais lideranças sejam arrastados ao epicentro do escândalo da Petrobras às vésperas da eleição, a legenda comprou o silêncio de um grupo de criminosos — e pagou em dólar

O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula.

Desde que estourou o escândalo da Petrobras, o PT é vítima de uma chantagem. De posse de um documento e informações que comprovam a participação dos principais líderes petistas num desfalque milionário nos cofres da estatal, chantagistas procuraram a direção do PT e ameaçaram contar o que sabiam sobre o golpe caso não fossem devidamente remunerados. Às vésperas da corrida presidencial, essas revelações levariam nomes importantes do partido para o epicentro do escândalo, entre eles o ex-presidente Lula e o ministro Gilberto Carvalho, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, e ressuscitariam velhos fantasmas do mensalão. No cenário menos otimista, os segredos dos criminosos, se revelados, prenunciariam uma tragédia eleitoral. Tudo o que o PT quer evitar. Dirigentes do partido avaliaram os riscos e decidiram que o melhor era ceder aos chantagistas — e assim foi feito, com uma pilha de dólares.

O PT conhece como poucos o que o dinheiro sujo é capaz de comprar. Com ele, subornou parlamentares no primeiro mandato de Lula e, quando descoberto o mensalão, tentou comprar o silêncio do operador do esquema, Marcos Valério. Ao pressentir a sua condenação à prisão, o próprio Valério deu mais detalhes dessa relação de fidelidade entre o partido e os recursos surrupiados dos contribuintes. Em depoimento ao Ministério Público, ele afirmou que o PT usou a Petrobras para levantar 6 milhões de reais e pagar um empresário que ameaçava envolver Lula, Gilberto Carvalho e o mensaleiro preso José Dirceu na teia criminosa que resultou no assassinato, em 2001, do petista Celso Daniel, então prefeito de Santo André. A denúncia de Valério não prosperou. Faltavam provas a ela. Não faltam mais. Os dólares serviram para silenciar o chantagista Enivaldo Quadrado, ele próprio participante da engenharia financeira do golpe contra os cofres da maior estatal brasileira — e agora o personagem principal de mais uma trama que envolve poder e dinheiro.

Quadrado deu um ultimato ao tesoureiro do PT, João Vacari Neto: ou era devidamente remunerado ou daria à polícia os detalhes de documento apreendido no escritório do doleiro Alberto Youssef. O documento era um contrato de empréstimo entre a 2 S Participações, de Marcos Valério, e a Expresso Nova Santo André, de Ronan Maria Pinto. O valor desse contrato é de 6 milhões de reais, exatamente a quantia que Valério dissera ao MP que o PT levantara na Petrobras para abafar o escândalo em Santo André. É esse o contrato que prova a denúncia de Valério. É esse o contrato que, em posse de Quadrado, permitia ao chantagista deitar e rolar sobre os petistas.

domingo, 14 de setembro de 2014

Prepotência Hitleriana.


Dilma redobra ataque a Marina: "Coitadinho não pode ser presidente"

Presidente-candidata tenta desconversar sobre ofensiva à rival. No campo programático, afasta ideia de colocar área de humanas no Ciência sem Fronteiras.

Em entrevista concedida neste domingo no Palácio da Alvorada, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, voltou a criticar a adversária Marina Silva, que tem se queixado dos ataques do programa eleitoral da petista. A presidente afirmou que um "coitadinho" não pode ocupar o maior cargo da República. "Não tem coitadinho na Presidência. Quem vai para a Presidência não é coitadinho. Porque, se se sente coitadinho, não pode chegar lá", disse ela.

Gabriel Castro, de Brasília

A moral e as urnas - Por Ruy Fabiano.

Mais chocante que as revelações de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras na Era PT, é ausência de efeitos concretos sobre a campanha eleitoral. Ao que parece, não houve tempo para que o eleitor avaliasse a extensão e gravidade do que foi dito.

Há ainda a esperança der que na quarta-feira próxima, na CPMI da Petrobras, ele acrescente mais revelações. Mas o procurador da República, Rodrigo Janot, não só já avisou que não revelará o depoimento de Costa, como é contrário à sua ida à CPMI. Um procurador, enfim, que não procura nada.

Costa, funcionário de carreira da Petrobras, ascendeu, no período Lula, à cúpula da estatal. Ocupou a diretoria de Refinaria e Abastecimento, cujos cofres passou a violar, seguindo as orientações da cúpula política do PT, providenciando propinas de negociatas bilionárias, que abasteciam os cofres dos aliados.

Foi o Marcos Valério do Petrolão. O dinheiro comprava lideranças políticas dos partidos aliados, para garantir a maioria governista no Congresso. Mensalão 2, como disse Aécio Neves.

Em seu depoimento, Costa garantiu que Lula sabia de tudo e despachava frequentemente com ele. Dilma foi, nesse período – que durou de 2003 até 2012 – ministra de Minas e Energia, presidente do Conselho da Petrobras e presidente da República. Não sabia de nada, como seu antecessor. Mensalão 2, mais uma vez.

sábado, 13 de setembro de 2014

O contra-ataque do Império - Por Nelson Motta, O Globo

Como uma nostalgia caricata da monarquia, uma das piores distorções do presidencialismo brasileiro é a sua atitude imperial. Os governantes falam eu fiz isso/eu fiz aquilo como se tivessem feito com as próprias mãos, pagando do próprio bolso.

O governo federal se mostra como um magnânimo monarca quando repassa verbas públicas aos estados e municípios, como um grande favor e um gesto de bondade a ser retribuído. Quando era ministro do Trabalho, Carlos Lupi apresentava em rede nacional estatísticas de emprego e eu quase acreditava que tivessem sido criados por ele e seu ministério, e não pela industria, comércio e serviços… rsrs.

Não é só uma cara de pau algumas vezes hilariante, e outras, constrangedora, mas símbolo de uma cultura popular em que o presidente é imaginado como um imperador, que distribui dinheiro, empregos, progresso e justiça por vontade soberana, como se não existissem o Congresso, os tribunais, o Ministério Publico, a imprensa, as redes sociais e a opinião pública.

Com Lula, nasceu o mito do imperador-operário, ou do sindicalista-imperador, que tudo pode e tudo faz, até uma refinaria de bilhões de dólares como um agrado ao companheiro-imperador Hugo Chávez, que, imperialmente, nunca botou um bolívar no projeto, deixando a conta para a Petrobras e os súditos.

Que candidato seria estúpido o bastante para ser contra o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo ou o pré-sal e os seus trilhões de dólares para a Educação e a Saúde? Ficaria falando sozinho e seria chamado de burro e louco pelos adversários.

Quem poderia acabar com o pré-sal, o Bolsa Família, a reeleição, liberar as drogas, o aborto, dar independência ao Banco Central ou privatizar a Petrobras sem maioria parlamentar e aprovação do Judiciário? Nem se fosse imperador, seria deposto.

Numa república democrática, tudo isso parece óbvio, chato e repetitivo, mas não no Brasil, onde estamos em uma acirrada campanha para eleger uma imperatriz, ou imperadora.

Já no Império Americano, mais objetivo, ninguém consegue se reeleger imperador com a economia ruim: foi o que derrotou Jimmy Carter e George Bush pai.

Caetano Veloso sai em defesa de Marina Silva.


"As maluquices crescem e proliferam em reação à força eleitoral de Marina.

Rogério César de Cerqueira Leite repete que ela é criacionista, sem que ela nada tenha dito que justificasse tal conclusão.

Os católicos também seguem a Bíblia e nem por isso se diz que Frei Beto ou Gilberto Carvalho são criacionistas ou que afirmam que o mundo foi criado há poucos milênios.

Mesmo de pessoas mais sensatas li textos que tomam Marina como risco de fundamentalismo. Mas como? Uma mulher que tem, com mais clareza e firmeza do que todos os outros postulantes, falado sobre o sentido do Estado laico!

Uma carreira política em que se vêem as discussões que se passam na mente da militante, da vereadora, da ministra, da senadora, da candidata - sem que se perca a certeza da coerência íntima da pessoa!

Faz sentido querer-se reafirmar a gratidão pelos conseguimentos do PT no poder; também é certo ter esperanças na sensatez do cadidato do PSDB, com o economista indicado para a pasta da Fazenda apresentando, em entrevistas, planos sensatos de superação do que parece ser o beco-sem-saída em que entrou a política econômica petista.

Mas nada disso dá o direito a ninguém de desconsiderar a seriedade com que Marina se comporta sempre - e desde sempre.

Marina não é nada de Collor nem nada de Jânio. Marina é o esboço de um novo Lula. É o organismo Brasil movendo-se internamente para metabolizar novos conteúdos. Esses novos conteúdos têm relação com os velhos - às vezes sentidos como eternos - problemas brasileiros: a desigualdade, a sociedade hierárquica, o atraso.

Entendo a reação de Jean Willys ao recuo, no programa de Marina, quanto a temas cruciais dos grupos LGBT. Sempre me senti mais identificado com os gays do que com os caretas. Mas nem de longe isso me abala em minha decisão de votar em Marina.

Os recuos no seu programa não a colocam em posição menos progressista do que a de seus oponentes. E Marina é tão maior promessa! Por que não ter coragem de apostar nela?


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Ao bater em Marina, Aécio faz o jogo de Dilma - Por Ricardo Noblat



O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez chegar sua opinião a Aécio Neves, candidato do PSDB à vaga de Lula: bater em Marina Silva, como Aécio está batendo, é fazer o jogo do PT, do governo e de Dilma.

Com 12 minutos de propaganda eleitoral no rádio e na televisão dia sim, dia não, contra dois minutos de Marina, Dilma tem batido duramente na candidata do PSB.

O marqueteiro de Dilma, João Santana, dispara há 10 dias contra Marina munição antes estocada para uso no segundo turno.

O objetivo de Dilma é chegar lá com uma vantagem de pelo menos 10 pontos percentuais sobre Marina. Assim ela terá gordura para perder, se necessário.

A opinião de Fernando Henrique é compartilhada pelos partidos que apoiam Aécio. Se dependesse deles, o DEM à frente, Aécio renunciaria à candidatura para apoiar Marina desde já.

Aécio e o chamado núcleo duro da campanha dele acreditam – ou dizem acreditar – que o candidato ainda poderá disputar o segundo turno com Dilma. Daí as fortes críticas que faz à Marina.

Na manhã de ontem, por exemplo, durante sabatina promovida pelo jornal O Globo, Aécio criticou Marina dizendo que ela precisa escolher quem é – a Marina que durante 16 anos foi filiada ao PT ou a outra que passou a combater o PT e a falar em “nova política”?

Marqueteiros em geral, e analistas de pesquisas em particular, concordam que Aécio já está fora do segundo turno. Só voltará a ficar dentro se Marina cometer um grave erro de campanha. Improvável.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Dilma: “Sabe de nada, inocente” - Por Ricardo Noblat

Tal criador, tal criatura.

Lula negou mais de três vezes que soubesse do esquema de compra de votos de deputados federais para aprovar no Congresso projetos de interesse do governo. Batizou-se o escândalo de mensalão.

Dilma já negou pelo menos uma vez que soubesse do desvio recursos da Petrobras para financiar campanhas de políticos da base de apoio ao governo. O escândalo recém-descoberto ainda não tem nome.

O mensalão quase derrubou Lula, que sobreviveu a ele com a ajuda até de parte da oposição. O PSDB, por exemplo.

É cedo para apostar que o escândalo da Petrobras abalará Dilma. Ninguém nega sua honestidade pessoal. Nada apareceu contra ela até aqui. O difícil é acreditar que ela desconhecesse por completo o que estava em curso sob seu nariz.

Enquanto se roubou na Petrobras, Dilma foi ministra das Minas e Energia - ou seja: respondeu pelo ministério ao qual a Petrobras estava subordinada. Foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras. E é presidente da República.

É tal a paixão dela pela Petrobras que é inconcebível que tenha sido feita de boba. De resto, onde fica a gestora que Lula apresentou ao país em 2010 como melhor gestora do que ele?

Por mais boa vontade que se possa ter com Dilma, que se deva ter com uma pessoa que transpira seriedade, sinto muito, mas na melhor das hipóteses ela foi negligente. Inocente, portanto, não é.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

"Assim como o lixo atrai as moscas o puder atrai os bajuladores". - Por Antonio Morais

Em 1964, nas comemorações do Bicentenário do Município, o Crato recebeu a visita honrosa do Presidente Castelo Branco. Nesta visita, o prefeito Pedro Felício Cavalcante escalou o professor José do Vale Arraes Feitosa para fazer a saudação ao Presidente da Republica. 

José do Vale Arraes Feitosa, foto ao lado, não aceitou em solidariedade ao grande amigo Miguel Arraes, cassado e exilado pela ditadura da qual o Castelo Branco servia. 

Tempos outros, de homens gratos, de fidelidade impar, verdadeiros irmãos. Hoje, há menos de hum mês da morte prematura do ex-governador de Pernambuco Eduardo  Campos, neto do Miguel Arraes, os seus ex-companheiros tentam, de todas as formas, enlamear e denegri sua honra.


A pergunta que se faz: Quem declinaria de uma missão honroso do tipo nos dias atuais?  Tempos de bajulação e puxa-saquismo, pobre povo.  Quem por ventura ou desventura deixaria de saudar Dilma Roussef.

O silêncio de Lula - Por Marco Antonio Villa, O Globo


Na história republicana brasileira, não houve político mais influente do que Luiz Inácio Lula da Silva. Sua exitosa carreira percorreu o regime militar, passando da distensão à abertura. Esteve presente na Campanha das Diretas. Negou apoio a Tancredo Neves, que sepultou o regime militar, e participou, desde 1989, de todas as campanhas presidenciais.

Quando, no futuro, um pesquisador se debruçar sobre a história política do Brasil dos últimos 40 anos, lá encontrará como participante mais ativo o ex-presidente Lula. E poderá ter a difícil tarefa de explicar as razões desta presença, seu significado histórico e de como o país perdeu lideranças políticas sem conseguir renová-las.

Lula, com seu estilo peculiar de fazer política, por onde passou deixou um rastro de destruição. No sindicalismo acabou sufocando a emergência de autênticas lideranças. Ou elas se submetiam ao seu comando ou seriam destruídas. E este método foi utilizado contra adversários no mundo sindical e também aos que se submeteram ao seu jugo na Central Única dos Trabalhadores. O objetivo era impedir que florescessem lideranças independentes da sua vontade pessoal. Todos os líderes da CUT acabaram tendo de aceitar seu comando para sobreviver no mundo sindical, receberam prebendas e caminharam para o ocaso. Hoje não há na CUT — e em nenhuma outra central sindical — sindicalista algum com vida própria.

No Partido dos Trabalhadores — e que para os padrões partidários brasileiros já tem uma longa existência —, após três decênios, não há nenhum quadro que possa se transformar em referência para os petistas. Todos aqueles que se opuseram ao domínio lulista acabaram tendo de sair do partido ou se sujeitaram a meros estafetas. 

O governo acabou - Por José Casado, O Globo

Governos têm prazo de validade constitucional. A presidência Dilma Rousseff tem mais 112 dias de duração, a partir de hoje. A novidade é que, daqui para a frente, ela pretende administrar o país com 39 ex-ministros.

Dilma, virtualmente, anunciou o fim do seu governo na semana passada, quando subtraiu do poder quem está ministro. “Alguns poderão ficar, outros eu irei trocar” — confirmou no domingo, em entrevista numa varanda do Palácio da Alvorada, em Brasília.

Numa poltrona, dentro do palácio, estava Guido Mantega, 65 anos de idade, dos quais um terço dedicado à militância no Partido dos Trabalhadores. Ele está há uma década no poder na Esplanada dos Ministérios: ficou um biênio no Planejamento e acaba de completar oito anos e quatro meses na Fazenda.

A última conversa com Dilma sobre sua permanência na Fazenda data do primeiro trimestre. Na época, Lula fazia eco às críticas de empresários à condução da economia. Mantega foi ao palácio e pediu para sair.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Historias de varzealegrenses - Por Antonio Morais


Coronel Antonio Correia Lima.
Fazia pouco mais de um mês, tinha chegado a Varzea-Alegre, vindo de Mauriti, onde fizera umas estripulias, um morenão parrudo, solteiro, de seus 30 anos, mãos calejadas, fisionomia serena e poucas conversas. Ofrasio foi pedir moradia a Padrim Tonio. O Coronel, na sua calma, olhou-o com um olho fechado e, sabedor dos seus antecedentes, deu-lhe uma casa, no Graviel, recomendando, no entanto, não beber, não provocar arruaças, evitar problemas. O morenão olhou para o meu avô e, candidamente, disse: seu Coroné, eu num sou home de briga, nem quicé eu tenho. Agora, se eu tiver com um porrete de jucá, com uma correia ensebada, preso no punho, num tem home que diga que eu sou feio. Meu avô riu e pensou que tudo era farofia. Pois, sim!



Nem lhe conto: foi numa feira de Agosto, dessas mais movimentadas, que se deu o causo. Ofrasio foi pra feira comprar seus biscates e vender umas esteiras de melão-caetano que fizera. Estava sentadinho, no seu cantinho, direitinho, serio, respeitador, paciente, oferecendo seu produto. Foi quando um praça dele se aproximou, magro, cheio de cacoetes e, cismou com a cara do home! Começou por mostrar sua otoridade perguntando de quem eram as esteiras e qual era o preço. Atendido respeitosamente, nas suas inquirições, achou de dizer: Você tem cara de ladrão. Meu Deus! pra que falou isto? O morenão, que estava sentado num monte de esteiras, passou a mão por baixo delas, apanhou seu anjo da guarda, um porrete de jucá, de uns setenta centímetros, tipo casse-tete, tamanho família, destes que os mantenedores da ordem usam, hoje. De pé, olhou o meganha e lhe disse, calmamente: Seu Salgente, se voicemincê ripiti o qui dixe, Meu padim Cico qui mi perdoe. Nem esperou que ele abrisse a boca – mandou-lhe o jucá na caixa dos peitos, foi bater e cair! Dois outros soldados que estavam na bodega de Chico Cecilia – em frente ao incidente – se jogaram da calçada ao chão. Um deles, por azar, foi apanhado no ar por uma cacetada que o deixou sem poder se levantar. Foi bem na canela. O outro não ficaria sem sua recompensa: Ofrasio mandou-lhe uma cipoada na marra do chocalho, que o quepe foi cair longe e ele caiu mais perto. O destacamento tinha sido minosiado.
Feira livre.

Na maior calma, Ofrasio pegou duas esteiras que sobraram, pôs debaixo do braço e partiu para casa. Nu momento do sururu, aquele trechinho de rua virou um fuzuê. Um corre-corre danado e uma morena, na queda, engachou o pé na azelha de uma mala de rapadura e, vendo o guarda caído ao seu lado, abriu a goela: Mi laiga seu praça, mi dexa seu peste. Na sua marcha serena e tranqüila, Ofrasio deu uma cacetada numa pedra enorme que existia em frente da igreja, que retumbou na rua. Acidentalmente, meu avô ia passando. Ao vê-lo, o caceteiro tirou o chapéu e, respeitosamente falou: Eu num li dixe, seu coroné. Pra que mexero cumigo. Manha, de manha eu vou simbora. Mi adiscuipe e obrigado. Vou por esse mundo percurá onde possa viver em paz. Na manhã da segunda, a casa estava vazia.
J. Ferreira
Do Livro Varzea-Alegre
Minha terra e minha gente.

Mar de lama ameaça a Petrobras - Por Ricardo Noblat


A exemplo de Lula no caso do mensalão em 2005, quando Dilma dirá que foi traída e pedirá desculpas aos brasileiros pelo escândalo do mar de lama que entope os dutos da Petrobras, ameaçando tragar a maior empresa do continente?

No mínimo, é o que se espera dela, ex-ministra das Minas e Energia, ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras, e presidente da República em final de mandato.

Digamos que Dilma compete com Lula para ver quem foi mais feito de bobo por seus subordinados.

A auxiliar de mais largo prestígio nos oito anos de Lula no poder, a presidente eleita sem jamais ter sido, sequer, síndica de prédio, Dilma foi surpreendida, assim como o seu mentor, pelo escândalo do mensalão – o pagamento de propina a deputados federais para que votassem conforme a vontade do governo.

Foi surpreendida de novo quando chefiou a Casa Civil da presidência da República e ficou sabendo que um dos seus funcionários confeccionara um dossiê sobre o uso de cartões corporativos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher, dona Ruth.

Dilma pediu desculpas ao casal. O autor do dossiê conseguiu manter-se na órbita do serviço público.

Outra vez, Dilma foi surpreendida pela suspeita de malfeitos praticados por Erenice Guerra, seu braço direito na Casa Civil e, mais tarde, sucessora no comando do ministério.

Na ocasião, Dilma estava em campanha pela vaga de Lula. Para evitar danos à sua candidatura, Erenice pediu demissão. Dali a dois anos, a Justiça a inocentou por falta de provas de que roubara e deixara roubar.

Quase ao término do seu primeiro ano de governo, batizada por assessores de “a faxineira ética”, Dilma degolou seis ministros de Estado. Pesaram contra eles acusações de corrupção publicadas pela imprensa.

De lá para cá, ministérios e cargos públicos foram entregues por Dilma aos ex-ministros degolados ou a grupos políticos ligados a eles. A “faxineira ética” baixou à sepultura.

Por ora, Dilma está atônita e se recusa a falar sobre o mais novo escândalo que bate à sua porta.

Paulo Roberto Costa, chamado de Paulinho por Lula, preso em março último pela Polícia Federal como um dos cérebros da quadrilha acusada de roubar a Petrobras, começou a contar o que sabe – ou o que diz saber. Em troca, quer o perdão judicial para não ter que amargar até 50 anos de cadeia.

Dilma sabe muito bem quem é Paulinho, nomeado por Lula em 2004 para a diretoria de Abastecimento da Petrobras. Saiu dali só em 2012.

No período, compartilharam decisões, algumas delas, responsáveis por prejuízos bilionários causados à Petrobras.

Dilma mandou diretamente na empresa enquanto foi ministra das Minas e Energia e chefe da Casa Civil. Manda, hoje, via o ministro Edison Lobão, das Minas e Energia.

Lobão foi citado por Paulinho como um dos políticos integrantes da mais nova e “sofisticada organização criminosa” da praça, juntamente com mais seis senadores, 25 deputados federais e três ex-governadores.

A organização superfaturava licitações da Petrobras e desviava dinheiro para um caixa que financiava campanhas de políticos da base de apoio ao governo. Por suposto, nem Lula nem Dilma sabiam disso.

O que é mais notável: entra campanha e sai campanha da Era PT, e os adversários do governo são acusados por Lula e Dilma de se valerem da Petrobras como arma política.

Pois bem, debaixo do nariz deles, camaradas deles usaram a Petrobras como arma para enriquecer. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Marina e a confidencialidade - Por Elio Gaspari, O Globo


Há uma semana os repórteres Fernanda Odilla e Aguirre Talento mostraram que, entre março de 2011 e maio deste ano, Marina Silva assinou 65 contratos, fez 72 palestras e recebeu R$ 1,6 milhão de seus clientes.

Ela e sua empresa não informam quem foram os fregueses pois os contratos tinham uma cláusula de confidencialidade. Jogo jogado.

Nessa faina, ela ganhou menos que Lula ou Fernando Henrique Cardoso. Um quebrou a barreira do milhão de dólares em apenas quatro meses. O outro, em um ano. Ambos, como Marina, fazem dezenas de palestras sem cobrar.

Ambos, como Marina, não divulgaram as listas de quem pagou. Nenhum deles é obrigado a fazê-lo e nem seria justo cobrar isso da candidata se ela não se anunciasse como arcanjo de uma nova política.

“Cláusula de confidencialidade” é uma expressão maldita desde que o ex-ministro Antonio Palocci usou-a para não revelar os clientes de sua consultoria. Todo mundo ganharia se a nova política exigisse a divulgação voluntária dessas listas. (Quem quiser cobrar isso também aos jornalistas, é bem-vindo.)

Marina faz em ponto menor o que fazem os outros. Novamente, jogo jogado. O problema surge quando ela explica:

1- O PT estaria criando um “factoide”. Falso, o fato surgiu com a reportagem, baseada em documentos fornecidos pela campanha da própria candidata.

2- “Nós pagamos todo os encargos, está na Receita Federal”. Ninguém diz que Marina deixou de cumprir suas obrigações legais. A curiosidade está na lista que, repetindo, ela não tem obrigação de revelar. Poderia, contudo, pedir aos clientes que a desobrigassem da cláusula de confidencialidade. Um, dois, três, quantos quiserem.

O novo é sempre bem-vindo, mas é sempre útil saber-se onde acaba o velho. 

domingo, 7 de setembro de 2014

O fato novo - Por Merval Pereira, O Globo


Não podia ter chegado em pior momento para a presidente Dilma a bomba sobre o esquema de corrupção de políticos montado na Petrobras durante 8 anos em governos petistas. A presidente esboçava uma reação para resistir à investida de Marina, e agora está novamente travada pelos fatos.

Marina tem no episódio a prova material de que a “velha política” transformou o Congresso em um balcão de negócios, mas a confirmação de suas denúncias veio junto com a inclusão do ex-governador Eduardo Campos na lista dos beneficiários das negociações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Esse é um empecilho e tanto para a exploração do caso, mesmo que esteja implícito que a candidata não tem nada a ver com os fatos acontecidos antes de ela, por constrangimentos políticos que lhe foram impostos, aderir ao PSB, inclusive o jato que veio junto, ao que tudo indica, nesse mesmo pacote.

Se fosse a candidata da Rede Sustentabilidade, Marina estaria hoje livre, leve e solta para empunhar a bandeira da nova política em contraponto às nebulosas transações que seus adversários comandam nos bastidores políticos de Brasília. Mas terá que pisar em ovos para usar a artilharia pesada que lhe caiu no colo sem que o fogo amigo a atinja.

Querem matar Eduardo Campos outra vez - Senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE):


“É necessário ter toda a cautela possível com essa inclusão do nome de Eduardo Campos nesse novo escândalo na Petrobras promovido pelo Governo do PT. Eduardo não está mais aqui para se defender. Ele se afastou do Governo justamente por discordar desse tipo de prática.

O Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, vai fazer de tudo para escapar da prisão e escolher este ou aquele, visando poupar os principais responsáveis pela degradação ética e administrativa dentro da maior estatal brasileira: o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff.

A inclusão do nome de Eduardo nesse lamaçal do PT tem o único objetivo de atingir a candidatura de Marina Silva, que representa hoje a mais viável possibilidade de mudar tudo isso que o PT instalou no Brasil.

Não podemos aceitar que um réu confesso tente incluir nomes de inocentes nas falcatruas comandas pelo PT.”

sábado, 6 de setembro de 2014

Delação de Paulo Roberto Costa será encaminhada para Supremo homologar - Por Gerson Camarotti, G1


A delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa será encaminhada ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, para que seja homologada.

A delação de Paulo Roberto criou um ambiente de pânico no meio político de Brasília, já que ele citou nominalmente políticos do PP, PMDB e PT. Como revelou o Blog, o PT já teme reflexos desse escândalo na campanha presidencial.

O ministro Teori Zavascki não é obrigado a aceitar os termos da delação premiada negociada com Paulo Roberto, pelo juiz federal Sérgio Moro. Mas alguns advogados que acompanham o caso reconhecem que todo o processo foi muito bem conduzido pelo juiz Moro. Até mesmo o procurador geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Paraná um subprocurador para acompanhar o caso.

As primeiras informações indicam que Paulo Roberto denunciou o envolvimento de dezenas de deputados e senadores no esquema de desvio de recursos da Petrobras. No depoimento, ele revela que parte do corpo técnico da estatal “está na folha de pagamento de empresas fornecedoras da Petrobras”.

A lista dos políticos delatados por Paulo Roberto Costa.

A edição da revista Veja que começou a circular traz o nome dos seguintes políticos envolvidos com negócios sujos da Petrobras:

Edison Lobão, ministro das Minas e Energia, PMDB
João Vaccari Neto, secretário nacional de finanças do PT
Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados, PMDB
Renan Calheiros, presidente do Senado, PMDB
Ciro Nogueira, senador e presidente nacional do PP
Romero Jucá, senador do PMDB
Cândido Vaccarezza, deputado federal do PT
João Pizzolatti, deputado federal do PT
Mario Negromonte, ex-ministro das Cidades, PP
Sergio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, PMDB
Roseana Sarney, governadora do Maranhão, PMDB
Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco, PSB - morto no mês passado em um acidente aéreo

Na época em que era diretor da Petrobras Paulo Roberto conversava frequentemente com o então presidente Lula, segundo contou à Polícia Federal.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Lula, gigolô do passado - Por Ricardo Noblat.


Em carreata ao lado de Dilma, em São Bernardo do Campo, São Paulo, Lula pregou enfático:

- [O eleitor] não tem duas escolhas nem uma e meia para fazer o país continuar avançando econômica... e socialmente, sem ser subordinado ao sistema financeiro.

E encaixou:

Eu tenho fé nesse povo, em Deus, que no dia 5 de outubro valerá a razão, o coração e reconhecimento do povo brasileiro a uma mulher que apanhou, foi torturada, foi massacrada por um setor da imprensa desse país e nem assim essa mulher se curvou.

Lula é gigolô do seu passado de retirante nordestino que levou uma vida de pobreza em São Paulo enquanto era jovem. Sempre que pode ele lembra disso. Como se lhe devêssemos algo.

Lula virou também gigolô do passado de Dilma, uma adversária da ditadura militar que pegou em armas. E que por isso foi presa e torturada.

Arrogância! É o que transpira Lula desde que chegou ao poder pela primeira vez em 2002.

A democracia é o regime que permite ao cidadão escolher com liberdade seus governantes. Não haverá liberdade de escolha se o cidadão não puder optar entre vários nomes.

Marina foi ministra de Lula. Exaltada por ele como administradora competente e uma política capaz e honesta.

Os bancos jamais ganharam tanto dinheiro como no governo Lula. E ele já falou sobre isso.

Na verdade, o discurso de Lula envelheceu. E ele não se deu conta.