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"Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo".

Dom Helder Câmara


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

014 - PRECIOSIDADES ANTIGAS DE VÁRZEA-ALEGRE - POR ANTÔNIO MORAIS


Tributo a Chagas Bezerra - Por Dr. Nilo Sérgio Viana Bezerra.

Chagas Bezerra, pioneiro no transporte de passageiros na nossa região, era proprietário da empresa Auto Viação Varzealegrense. Transportava seres viventes do Crato para São Paulo, a maioria fugindo da pobreza, dos períodos de seca inclemente e em busca de emprego e de melhoria de vida. Era mão de obra farta e barata, indivíduos com muita resistência física, porque afeitos ao duro trabalho na agricultura, e com grande capacidade de absorção de dificuldades. A vida os treinara para isso.

Consta que o empresário, quando proprietário de apenas um ônibus, foi vítima de um princípio de incêndio numa de suas viagens. Rapidamente parou o veículo e fez uma promessa com Nossa Senhora Aparecida para conservar seu bem. A perda naquele momento seria a falência total da empresa e a frustração de um sonho que alimentara e que tornar-se-ia realidade nos anos seguintes. O fogo foi facilmente debelado, e a promessa era de patrocinar anualmente uma homenagem à Nossa Senhora Aparecida. 

Aquele evento que ficou conhecido popularmente como a festa de Nossa Senhora Aparecida, tomou proporções inimagináveis. “Seu” Chagas trazia em caravana, três ou quatro ônibus lotados de juazeirenses e cratenses na sua maioria. Então à época, Chagas Bezerra era “o cara”.

Meus amigos quase irmãos - Ítalo, Geovani e Homero – chamavam Chagas Bezerra de tio Chagas. Isso porque o empresário era realmente tio de Luís Proto, pai dos meus amigos.

Eu tinha que dar um jeito naquilo. Eu também queria ser sobrinho de Chagas Bezerra. Eu podia fazer um contorcionismo genealógico, uma vez que meu tio e padrinho Raimundo Luiz era casado com uma irmã de Chagas Bezerra. Não, não era a mesma coisa. A quem eu poderia chamar de tia, era tia Louzinha, a esposa do meu tio e minha tia afim, como se dizia em Várzea Alegre.

Por que faziam isso comigo? Consumi-me de inveja durante todo esse período. E para aprofundar minha dor, ele em algumas ocasiões hospedou-se na casa dos meninos...

5 comentários:

  1. Dr. Nilo Sérgio - Consta que ao registrar o primeiro ônibus o fez com o número 100. Era esse o objetivo a ser alcançado. Em 1959 comprou cinco ônibus novos de uma vez. Chegando na Secretaria de Industria e Comercio de São Paulo para registrá-los o Secretario Artur Silva Pinto perguntou : Isso vai dar certo seu Chagas? Ele respondeu : Vai, "eu trago os iludidos e levo de volta os desiludidos".

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    1. Belo registo! E essa resposta dada por seu Chagas Bezerra foi demais...

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  2. E eu tinha inveja de Fatinha porque era neta de padre rsrsrsrrs

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  3. Eu conhecia a resposta do Chagas de outra maneira:
    Mas no mesmo contexto.
    Da certo: eu trago os enganados e levo os errependidos.

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  4. Unknown - Obrigado pelo comentário. Você agregou valores a postagem.

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