domingo, 26 de junho de 2011

Sordade.

"Saudade - Palavra comumente usada para designar a falta que se sente de outrem, quer seja um ente querido, um amigo ou o ser amado.
Ela, a palavra saudade me faz lembrar de uma música do velho Gonzagão (Luiz Gonzaga), que cantava assim:

Se a gente lembra só por lembrar
Do amor que a gente um dia perdeu
Saudade inté que assim é bom
Pra o cabra se convencer
Que é feliz sem saber
Pois não sofreu


Porém se a gente vive a sonhar
Com alguém que se deseja rever
Saudade entonce aí é ruim
Eu tiro isso por mim
Que vivo doido a sofrer


Saudade, ao menos para mim, pode ser um sentimento que cause bem-estar, quando se lembra de algo bom, uma boa lembrança do passado, mas também pode ser ruim quando da ausência por circunstâncias alheias a nossa vontade, como a distância física".

Quem nunca chorou ouvindo uma musica ou vendo fotos antigas?

sábado, 25 de junho de 2011

Chico de Amadeu - O grande homenageado.

Homenagem a Chico de Amadeu
Nos eventos juninos deste ano, a prefeitura inaugura mais um espaço público e presta homenagem a uma das figuras mais carismáticas e querida do município, o sanfoneiro Francisco Teixeira Siebra - “Chico de Amadeu”.
A praça que recebe o seu nome, ganhou também uma estátua do músico em tamanho natural. A homenagem é justa, já que o sanfoneiro foi considerado o artista que mais tocou durante o tradicional “Forró de São Pedro do CSU”,  festa que acontece há 28 anos na quadra do centro social. Parabens ao prefeito pela iniciativa.

Bloghumor

BÊBADO E A DAMA DE PRETO.

Começou a música e um bêbado levantou-se cambaleando e dirigiu-se a uma senhora de preto e pediu:
Hic... Madame, me dá o prazer dessa dança?
E ouviu a seguinte resposta:
Não, por quatro motivos:
Primeiro, o senhor está bêbado!
Segundo, isto é um velório!
Terceiro, não se dança o Pai Nosso!
E quarto porque Eu sou o padre "Madame"!
É a puta que o pariu!

A DIVINA COMÉDIA - Canto IX - Inferno - Por Vicente Almeida

Canto IX
Erínias e Medusa Círculo da heresia (6) - Túmulos

Dante e Virgílio aguardando alguem abrir o portão
da cidade de Dite - Gravura de Gustave Doré
O medo me tomou quando vi o semblante do mestre, que se aproximava, e dizia quase para si:
- Precisamos triunfar, se não... Mas não, ora! A ajuda nos fora prometida! Como demora!
Eu vi muito bem como ele mudou de tom ao tentar encobrir o que falara, ou a palavra que não havia pronunciado, por isso mais medo tive ainda, pois a frase que ele deixara incompleta, eu completei com sentido pior.
- Alguma vez já desceu, a estes círculos profundos do inferno, alguém do Limbo? - perguntei-lhe.
- Isto é raro - respondeu-me o mestre -, mas é verdade que eu mesmo já fiz esta viagem e desci até o círculo mais profundo, quando uma vez fui convocado. Não se preocupe, pois conheço bem o caminho.

As medusas tentando petrificar Dante e Virgílio
Ilustração de Gustave Doré
Virgílio continuou a falar, mas, de repente, minha atenção se voltou para o céu onde vi três Fúrias infernais. Eram figuras femininas, ungidas de sangue e com serpentes ferozes no lugar dos cabelos. O mestre, que já conhecia as escravas de Proserpina, me apontou:
- Olha! São as Erínias ferozes! Aquela é Megera, à esquerda, e aquela que chora à direita é Aleto. Tesífone é a do meio.
Elas gritavam alto e com as unhas rasgavam o peito. Eu fui para junto do poeta, tomado pelo medo.
- Venham, Medusa chama, venham! - gritavam - vamos transformá-lo em pedra! Que pena que deixamos Teseu escapar!
- Fecha os olhos e volta-te! - gritou Virgílio - pois se a górgona vier e tu olhares para ela, não haverá mais volta ao mundo! - e com estas palavras ele me virou de costas e, não confiando nas minhas mãos que já estavam sobre os olhos, colocou as dele sobre as minhas e lá as manteve.


Os demônios barraram a entrada de Dante e Virgílio, mas um anjo
desceu das alturas para abrir os portões da cidade de Dite.
Ilustração de Gustave Doré

De repente, ouvi um grande estrondo e uma ventania tomou conta do ar levantando poeira e fazendo um barulho assustador. Depois, o inferno começou a tremer. Ele então tirou as mãos dos meus olhos e disse:
- Agora vira-te e olha na direção do pântano, onde a bruma é mais espessa.
Olhei e vi mais de mil almas apavoradas no ar, fugindo, saindo do caminho de um ser que vinha, caminhando sobre o Estige, sem molhar os pés. Ele afastava o ar sujo com as mãos, e essa aparentava ser a única coisa que o incomodava. Eu tinha certeza, agora, que ele vinha do céu. Voltei-me para o guia mas ele fez um sinal para que eu permanecesse em silêncio.
O anjo chegou e tocou as portas de Dite com uma pequena vara, fazendo com que elas abrissem sem esforço.
- Ó almas mesquinhas - ele começou, sobre as portas da cidade sombria - por que resistis contra aquela vontade que nunca pode ser negada e que, mais de uma vez, só fez aumentar vosso sofrimento?
Depois de falar, voltou pelo mesmo caminho por onde tinha chegado. Nós depois prosseguimos, seguros por suas palavras sagradas, e entramos sem dificuldades pela porta principal.

Túmulos do heréticos
Ilustração de Gustva Doré

dentro da cidade, encontramos um cemitério de tumbas abertas, de onde se ouvia o lamentar de muitas vozes que queimavam em brasa dentro das covas.
- Mestre - perguntei -, que sombras são estas que aqui jazem e que só podemos perceber pelos seus lamentos?
- São os hereges e seus seguidores. - respondeu-me Virgílio - Em cada tumba repousam os réus de uma mesma seita, que são torturados pelo fogo eterno.
Dobramos, então, à direita, e continuamos a caminhar entre a muralha da cidade e as sepulturas.

No Canto X Espíritos de Farinata e Cavalcanti - uma profecia sobre Dante

25/06/2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Aba lateral do Blog desapareceu. Estamos procurando solucionar o problema

Olá, Amigos,

Desde a manhã de ontem a barra lateral de vários blogs simplesmente SUMIU. Estamos trabalhando no sentido de ver quem levou a mesma, rs rs rs. Até agora, mesmo após pesquisar no google, nada foi encontrado. Pode ser que ela retorne automaticamente. O blog Cariricaturas também foi afetado pelo problema, apesar de o design ser diferente.

Abraços,

Dihelson Mendonça

Blog Humor.

VALOR DO CONHECIMENTO.

O Quim, o Zé e o Joca trabalhavam numa obra. De repente, o Quim caiu do 15º andar e morreu.
O Zé disse:
Um de nós tem que avisar a mulher dele.
Ao que o Joca respondeu:
Eu sou bastante bom nessas coisas, eu vou!
Passada uma hora, o Joca estava de volta, com um engradado de cerveja.
O Zé perguntou:
Onde arranjou isso?
Foi a viúva do Quim que me deu.
Como é? Você diz que o marido dela morreu e ela te dá uma caixa de cerveja?
Não foi bem assim. Quando ela abriu a porta, eu disse:
- Você deve ser a viúva do Quim.
Ela respondeu:
Não, eu não sou viúva!
E eu disse:
Quer apostar um engradado de cerveja comigo?

Luiz Gonzaga Junior - Gonzaguinha.

Gonzaguinha era filho do cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento e de Odaleia Guedes dos Santos, cantora do Dancing Brasil, que morreu de tuberculose, aos 46 anos. Acabou sendo criado pelos padrinhos Dina e Xavier.

Compôs a primeira canção "Lembranças da Primavera" aos catorze anos, e em 1961, com 16 anos foi morar em Cocotá com o pai para estudar. Voltou para o Rio de Janeiro para estudar Economia, pela Universidade Cândido Mendes. Na casa do psiquiatra Aluízio Porto Carrero, conheceu e se tornou amigo de Ivan Lins. Conheceu também a primeira mulher, Ângela, com quem teve dois filhos: Daniel e Fernanda. Teve depois uma filha com a atriz Sandra Pêra: a atriz Amora Pêra.

Foi nessa convivência na casa do psiquiatra, que fundou o Movimento Artístico Universitário (MAU), com Aldir Blanc, Ivan Lins, Márcio Proença, Paulo Emílio e César Costa Filho. Tal movimento teve importante papel na música popular do Brasil nos anos 70 e em 1971 resultou no programa na TV Globo Som Livre Exportação.

Característico pela postura de crítica à ditadura, submeteu-se ao DOPS, assim, das 72 canções mostradas, 54 foram censuradas, entre as quais o primeiro sucesso, Comportamento Geral. Neste início de carreira, a apresentação agressiva e pouco agradável aos olhos da mídia lhe valeram o apelido de "cantor rancor", com canções ásperas, como Piada infeliz e Erva. Com o começo da abertura política, na segunda metade da década de 1970, começou a modificar o discurso e a compor músicas de tom mais aprazível para o público da época, como Começaria tudo outra vez, Explode Coração e Grito de alerta, e também temas de reggae, como O que é o que é' e Nem o pobre nem o rei.

As composições foram gravadas por muitos dos grandes intérpretes da MPB, como Maria Bethânia, Simone, Elis Regina (Redescobrir ou Ciranda de Pedra), Fagner, e Joanna. Dentre estas, destaca-se Simone com os grandes sucessos de Sangrando, Mulher, e daí e Começaria tudo outra vez, Da maior liberdade, É, Petúnia Resedá.

Em 1975 dispensou os empresários e se tornou um artista independente, o que fez em 1986, fundar o selo Moleque, pelo qual chegou a gravar dois trabalhos. Nos últimos doze anos de vida, Gonzaguinha viveu em Belo Horizonte com a segunda mulher Louise Margarete Martins—Lelete e a filha deles, a caçula Mariana.

Após uma apresentação em Pato Branco, no Paraná, Gonzaguinha morreu aos 45 anos vítima de um acidente automobilístico às 07:30h do dia 29 de abril de 1991, entre as cidades de Renascença e Marmeleiro, enquanto dirigia o automóvel rumo a Francisco Beltrão, depois ia a Foz do Iguaçu. Este trágico acidente encerrou de forma repentina a sua brilhante carreira.

O que é, o que é.

SEXTA DE TEXTOS - Sávio Pinheiro

Ainda vivendo a semana da formatura da minha filha Beatriz Jucá Pinheiro, escrevi este soneto, após me deliciar com a leitura do seu livro-reportagem.

UNIDOS NO ROÇADO

O samba traduzido em arte fina
Refaz, no mato, o dom da criação
Criando em recatado coração
Um sonho amalucado, que alucina.

Saudade, que transcende e que fascina
Faz crer no dom divino da oração.
Daí, o bravo grupo em comunhão
Marcar em passo nobre a grande sina.

Na lida da sofrida agricultura
Ousou e fez jorrar outra cultura
Regando-a na batida do pandeiro.

A Escola, que o roceiro edificou
E que ao som do batuque, eternizou,
Faz jus a este momento verdadeiro.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Blog Humor.

ESTATÍSTICA
Estudo revela que depois de fazerem amor, 10% dos homens voltam-se para o lado direito, 10% para o lado esquerdo e os outros 80% voltam para casa!"

MARIDO VAIDOSO ...
O marido vaidoso compra um sapato novo. Chega em casa e fica andando pra lá e pra cá e nada da mulher perceber sua nova aquisição.
Para chamar a atenção ele resolve tirar toda roupa. Completamente nú, ele aparece novamente andando pra lá e pra cá. A mulher finalmente pergunta: Ficou doido? O que você faz andando pra lá e pra cá, com esse pinto pendurado à mostra? O marido aproveita a oportunidade e responde:
É que ele está olhando para o meu sapato novo.
E ela retruca:
Por que você não comprou um chapéu?

UMA BOA AÇÃO - Por Vicente Almeida

Você já parou para se perguntar quantas boas ações faz por dia, ou quantas deixa de fazê-lo, mesmo sabendo que nada lhe custaria?
Você já parou para se perguntar quantas oportunidades perde, de praticar uma boa ação por dia, ou quanto custa uma boa ação?
Sinceramente, estes são questionamentos que devemos nos fazer freqüentemente.
Se é uma realidade que queremos sempre o nosso bem, por que então não desejarmos o bem do próximo, contribuindo para que assim seja?
Imagine que você não praticou nenhuma atitude solidária durante todo o dia e assim chegou a noite, mas, antes de colocar o seu corpo na horizontal para o repouso esperado, ainda há tempo para ganhar o dia com uma boa ação. E você se desejar realmente encontrará um meio, não importa a hora ou o lugar.
O preço efetivo de uma boa ação, muitas vezes, custa apenas uma palavra amiga que conforte alguém em desespero, amargurado ou angustiado.
Pode também muitas vezes, custa apenas um sorriso seu, para alguém que saiu de casa em desespero, sabe-se lá Deus por que! E o seu sorriso naquele momento suavizará a dor daquele transeunte com quem você cruzou e não imagina o bem que lhe fez. Poderá até ser apenas um “Bom Dia”! Uma “Boa Tarde”! Ou “Boa Noite”! Se pronunciados com carinho suavizará as dores da alma daquele a quem dirigimos a palavra.
Uma boa ação, muitas vezes custa apenas o trabalho de voltar o pensamento para uma pessoa ou família, e desejar sua felicidade, ou que seja bem sucedido em algum objetivo nobre.
Poderemos praticar boas ações não com aquela moeda que às vezes deixamos escorrer de nossas mãos até as de um pedinte/mendigo, agredindo-o grosseiramente. Boa ação seria que essa moeda fosse acompanhada de uma palavra amiga, ou mesmo de um simples olhar de paz. Isto multiplicaria seus bens e aumentaria sua luz interior. “Uns repartem o que é seu e ficam cada vez mais ricos, outros arrebatam o que não é seu e estão sempre na pobreza – Prov. 11-.24 ”
É preciso procurar entender a luta desse povo simples, compreender e aceitar suas limitações, ser solidário. Eles buscam apenas sobreviver. Essa gente gostaria tanto de ter alguém para um dedo de prosa, ao menos uma vez na vida. Você iria se surpreender com sua história. Perca alguns minutos do seu precioso tempo com essa gente!
Boa ação, é também não estimular conflitos principalmente entre irmãos que se nivelam. O verdadeiro cristão, jamais procura propositadamente desnortear um irmão com palavras que visam desenvolver ou acentuar discórdia, pois sabe que essa conduta não gera felicidade.
Diariamente ajude alguém, no mínimo: Com um sorriso! Um olhar dirigido com amor! Uma palavra confortadora! Mas por favor, não abra a boca para desdenhar do seu irmão carente. Ele talqualmente você, também é filho do altíssimo em difícil provação neste planeta, e precisa de você – Sim, exatamente você. Por favor: Não destrua a ponte por onde um dia poderá passar.
Para ser solidário: Não espere a chegada do natal para alimentar alguém. Não espere uma catástrofe natural para enviar alimentos aos necessitados. Não espere o dia do ancião para valorizá-lo. Não espere o dia das mães para enaltecê-las somente naquele dia.
Todos os dias, todas as horas e em todos os lugares, Deus nos mostra oportunidades imperdíveis para a solidariedade. Não vire as costas – Por favor!
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Feliz dia de Corpus Christi – Hoje, solenemente celebramos o mistério da eucaristia. Mais um excelente dia para a solidariedade.
Escrito por Vicente Almeida
23/06/2011

Coisas nossas, por Zé Nilton


Sobre origens

Para o prof. Antonio Alves - o Toínho - de Ponta da Serra

Coisas nossas lembrar as origens e a caminhada humanas do estado de natureza para a cultura, do nomadismo ao sedentarismo e nos situarmos nessa história enquanto sociedade.

Historicamente tudo começa lá pelo quaternário, último período da Era Cenozóica, quando o homem, surgido mais precisamente no sul da África, iniciou seu processo de caminhada pela terra em busca de alimentos na qualidade de caçadores-coletores.

Pelo caminho o homem vai se cruzando com outros bandos humanos até mais adiantados, porque deram a largada primeiro. Instaura-se o processo de miscigenação que hoje nos leva a crer não haver “raça” pura na face da terra.

Dizem os especialistas em Antropologia, Arqueologia e Paleontologia, animados pelos historiadores das sociedades primitivas, que já bem adiante, pelo Neolítico, os homens se encontram chegando à América do Norte pelo estreito de Bering, numa dessas marés baixas das Eras Glaciais, e paulatinamente, vão ocupando todo o continente americano, quando já estavam mais aprimorados enquanto espécie - o chamado “Homo sapiens”.

Enquanto a antropóloga Niede Guidon, executiva do Museu do Homem Americano, no Piauí, assume que chegamos por aqui por volta de 60 mil anos, seu colega do México, Juan Comas, registra 22 mil anos como marco de nossa entrada no continente.

Hoje, nova polêmica está em curso quanto às rotas de chegada. Em vez de uma só, pela ponte terrestre do Estreito de Bering, há possibilidade de outra, pela costa americana, através de embarcações. Um recente estudo A História da Humanidade Contada pelo Vírus, de Stefan Cunha Ujvari, Editora Contexto, 2008, dá conta da presença de ovos do Ancylostoma duodenale, aquele do nosso Jéca Tatu, em cropólitos (massa fecal fossilizada) em índios americanos. Esses ovos não poderiam ter migrado pelo gelo, por razões óbvias, dentro do intestino de levas e levas de sapiens.

Bom, mas nós aqui dessas bandas do Ceará, como por todo o interior do Nordeste, somos descendentes de índios da grande nação Cariri, que habitava desde o norte da Bahia até o norte do Piauí, passando por Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Interessante observar que as condições sócio-ambientais permitiram a manutenção de traços bem característicos em nossa população, basta prestar atenção em nosso biotipo. Temos um corpo assim, uma cabeça assim...

No grande Cariri encontramos muitos conterrâneos com feições bem nítidas, na compleição física, da herança cariri. Isto porque nosso cruzamento teria sido recorrentemente entre índios com índios, índios com europeus, já que o estoque negróide pouco se reproduziu por aqui.

Costumes e mais costumes nos saltam à vista ou, de tanto familiar, não nos apercebemos sobre suas origens.

Quem não gosta de uma redinha após o almoço. De uma tapioca, beiju... O uso do cachimbo é bem presente pelas mulheres em comunidades campesinas. As falas de algumas pessoas lembram sons da língua indígena. A cor da pele e dos cabelos. Os trejeitos musicais de bandas de pífanos. E vai por aí...

Então, meus amigos, gostaria de juntar à História do vencedor à do vencido, e lembrar eles também nesse momento de comemorações ancestrais.

Aliás, uma das maiores lembranças em favor dos índios habitantes dessas terras antes da vinda dos europeus, é aquela em que, por ordem da carta régia de 05 de março de 1755 e da lei de 06 de junho do mesmo ano, as autoridades luso-brasileiras fazem chegar aos rincões do Brasil os alvarás de criação de “vilas de índios”, minudenciando os detalhes das instalações físicas até a constituição do governo local. Há um cuidado em manter orientações exaradas desde 1680 em favor da integridade indígena, um sempre apelo da coroa em tornar todas as humanidades vassalas do reino português.

Obedecendo fielmente as orientações de 1755, as primeiras autoridades da Vila Real do Crato foram compostas por seis senadores. Seguindo a carta régia o poder executivo ficou nas mãos de um índio, José Amorim e de um colonizador, o abastado agropecuarista com título honorífico do Estado Português, o capitão Francisco Gomes de Melo. Aliás, como ainda não havia instituída a figura do prefeito por esses tempos, os dois foram elevados ao status de “juízes ordinários”.

Tem uma turma na historiografia local que não vibra com a condição de um índio ter sido também nossa autoridade primordial. Mas é a História que o conduziu àquele mister, muito embora logo, logo, a Câmara do Senado advogue todo o poder municipal para si.Mas aí é outra história...

Nesta foto lhes apresento Rosa Carlos de Melo, residente na Serra do Araripe. Uma índia cariri em tudo, no jeito de ser, de fazer e de falar.

Rosa Carlos de Melo é coisa nossa, e através dela eu saúdo a memória de nossos antepassados.

Convido-os para ouvir pela Rádio Educadora, nesta quinta, às 14 horas, o encanto dos festivais da canção no Brasil, no programa Compositores do Brasil, através também da www.radioecudadora1020.com.br

Bom fim de semana.

Distrações na oração

(publicado no Jornal "A Presença "- nº 241 - Setembro de 2004 -- Paróquia de São Mamede – Lisboa)

São Bernardo de Claraval (1094-1153 ) foi um dos maiores santos de França e até da Igreja: Fundador da Ordem de Cister, conselheiro de Papas e reis, promotor da segunda Cruzada, pregador e poeta.

Conta-se em sua vida esta história pitoresca. Certa vez o santo ia de viagem montado no seu cavalo, de hábito branco e com religiosa gravidade.

Como os santos inspiram confiança, ao passar por um povoado aproximou-se dele um humilde lavrador e começou a conversar com o famoso abade, de quem tanto se falava no mundo. Meteram-se na conversa assuntos de coisas devotas e Bernardo queixou-se de que às vezes, pelos inúmeros assuntos que o preocupavam, não conseguia rezar com a devida atenção que desejava.

-- Que é que diz, Senhor Abade? - exclamou o bom lavrador. Então o senhor se distrai quando está a rezar? Palavra de honra, julgava que fosse santo!

-- E você, meu filho - replicou o grande santo – você não padece de distrações na oração ?

-- Não, não, Senhor Abade - assegurou com firmeza o lavrador. Deus me livre de tal falta de respeito a Ele. Eu, quando me ponho a rezar, ponho-me a rezar e mais nada. Caio de joelhos, ergo as mãos, e já não estou mais neste mundo. Podem tilintar moedas de ouro ou tocar trombetas a meu lado. Eu cá estou a rezar! Deus e eu, e mais nada!

O santo sorriu e exclamou:
-- Grande e extraordinária graça é essa, meu filho! Asseguro-te que só para almas muito escolhidas é que a bondade de Deus costuma conceder essa graça (e São Bernardo cravou no homem um olhar e um sorriso de paterna desconfiança). Não me leve a mal, amigo, mas eu sinto a tentação de desconfiar. Rezar sem distrações, será possível?

-- É tão verdade o que acabo de dizer, como tenho o Céu como verdade - respondeu um pouco melindrado o bom e espontâneo camponês.

-- Tiremos a prova agora mesmo - acrescentou o santo. Se você for capaz de rezar sem distrações um Pai-Nosso, dou-lhe este cavalo em que estou montado !

-- O quê, santo Abade! Fala a sério, dá-me o seu cavalo?

-- Já lhe disse e torno a lhe propor. Se for capaz de rezar um Pai-Nosso sem nenhuma distração, o cavalo é seu!

O lavrador, radiante, fazia festinhas na cabeça do animal e exclamava:
-- Cavalo forte e elegante, eu já te tenho!

E começou a prova. O homenzinho inclinou a cabeça que segurou com as mãos, como se quisesse prender o pensamento naquela hora. E começou a rezar baixinho: "Pai-Nosso, que estais nos Céus..."

Foi pronunciando as palavras com religiosa atenção, e recolhido como uma piedosa imagem.

Quando chegou no "O pão nosso de cada dia" parou um instante, levantou o rosto e perguntou ao santo: -- Diga-me, padre Abade, o senhor me dá também as rédeas?

-- Meu filho - continuou o santo - que pena! Nem cavalo, nem rédeas, porque você se distraiu!

O lavrador, lançando um olhar saudoso para o animal, suspirou:

-- Ai, que rico cavalinho eu perdi agora!

Que lição podemos tirar desta história?
Há duas espécies de distrações: as exteriores, que são por exemplo, olhar para o lado, fixar-se nas pessoas que entram e saem, ler qualquer coisa, fazer comentários, etc. Tais distrações podemos e devemos evitar. Porém, distrações interiores ou mentais, ninguém as consegue evitar.
Santa Tereza de Ávila dizia com graça, que “a imaginação é a louca da casa", que andava sempre a vaguear em nossa cabeça. É um cinema que nos mostra o filme dos acontecimentos da vida, ou as imaginações que o demônio quer fazer girar em nosso interior.
Tais distrações são inevitáveis.

A DIVINA COMÉDIA - Canto VIII - O Inferno - Por Vicente Almeida

Canto VIII

Flégias - Demônios - A cidade de Dite

Dante e Virgílio Atravessando o Rio Estige.
O Clarão ao fundo é a cidade de Dite.
Pintura de Eugene Delacroix Seculo XVIII

Eu devo explicar que, bem antes de chegarmos ao pé daquela torre, já observávamos as duas chamas que havia no seu cume. Na escuridão do rio, outra luz tão distante que quase não se via, respondia com um sinal. Voltei-me ao mar de toda sabedoria, e perguntei:
- Que sinais são estes? E aquela outra chama, o que ela responde? Quem é que as provoca?
- Sobre esta lama imunda em breve poderás perceber o que se espera - respondeu Virgílio.

O barqueiro Flégias deixando Dante e Virgílio na entrada da cidade de Dite
Gravura de Gustage Doré

Mal ele terminara de falar, da escuridão surgiu um barquinho pilotado por um barqueiro solitário, cortando a água em nossa direção.
- Chegaste, alma culposa! - gritou ele ao ancorar.
- Flégias, Flégias, desta vez tu gritas em vão - respondeu o meu senhor, - pois só vais nos levar à outra margem e nada mais. Contendo a sua ira, o barqueiro concordou. Meu guia calmamente embarcou e depois eu entrei, e só então o barco pareceu carregado.
No meio do caminho, um ser lamacento surgiu das águas e me chamou, perguntando:
- Quem és tu que vens antes do tempo?
- Venho - respondi, - mas não demoro, mas quem és tu tão revoltoso?
- Eu sou um dos que chora, como podes ver.
- Com choro e com luto, espírito maldito, que assim permaneças, pois eu te conheço, mesmo tão sujo!
Depois que eu lhe respondi, ele irritou-se e saltou sobre o barco, tentando me agarrar. Virgílio, porém, foi mais rápido e conseguiu lançá-lo de volta ao rio.
- No mundo este homem foi pessoa orgulhosa - disse o mestre - e nada de bom resta em sua memória. Por isto é que sua alma está aqui tão furiosa. Vês, quantos lá em cima se julgam grandes reis e aqui estarão como porcos na lama?
- Mestre - falei, - muito me agradaria também vê-lo aqui afundado na lama antes que saíssemos deste lago.
- Antes que apareça a outra costa - respondeu o mestre - teu desejo será satisfeito.
Pouco depois, ouvi seus companheiros o massacrarem. Eles gritavam: "Vamos pegar Filippo Argenti!".
Deleitei-me ao ver aquele florentino arrogante morder a si mesmo com os dentes de raiva.
E lá o deixei, e disso não falo mais. Comecei, então, a ouvir vozes dolorosas, que me impeliram a olhar adiante.
- E agora meu filho - chamou-me o mestre - nos aproximamos da cidade que se chama Dite, com seus tristes cidadãos e grande companhia.
- Mestre, - observei - já posso ver as suas mesquitas logo acima do vale infernal! Elas brilham, vermelhas como ferro em brasa.
- É o fogo eterno que arde no seu interior que faz esse brilho rubro se espalhar pelo baixo inferno. - completou Virgílio.
Entramos no fosso que cerca a cidade e Flégias deu uma grande volta em torno dela, onde pude observar seus muros que pareciam ser de ferro. Quando chegamos diante da entrada da cidade, Flégias gritou alto com toda a força:
- Saiam! Saiam logo! É aqui a entrada.
Demônios barrando a entrada de Dante e Virgílio na cidade de Dite
Gravura de Gustave Doré


Descendo do barco, fomos recepcionados por um grupo de demônios. Eles chegaram e perguntaram:
- Quem é esse que, sem morte, anda pelo reino da morta gente?
O sábio mestre veio em meu auxílio. Dirigindo-se aos demônios, fez sinais indicando que gostaria de falar com eles secretamente. Responderam os diabos, disfarçando sua arrogância:
- Tudo bem, mas vem tu sozinho. E esse outro aí, que achava que podia andar como rei nesta terra, que prove que pode voltar sozinho se souber, pois tu que o guiaste até aqui vais ficar conosco!
Apavorei-me diante dessas palavras e temi não mais poder voltar a ver o mundo outra vez.
- Caro meu guia - chorei, em desespero -, que tantas vezes me deste segurança, não me deixes, por favor! Se não pudermos prosseguir nesta jornada, que voltemos já sem demora!
Mas ele, confiante, me respondeu:
- Não temas, porque o nosso passo, ninguém pode impedir. Mas espera aqui e descansa. Não deixes de ter esperança, pois podes ter certeza que não te deixarei sozinho neste mundo baixo.
Ele falou e foi encontrar-se com os diabos, e eu fiquei só a observar de longe. Não ouvi a conversa. Só vi a briga de longe e a porta da cidade se fechar diante de Virgílio, que voltou para mim cabisbaixo, em um passo lento.
- Olha só quem me nega a cidade da dor! - disse, triste - Mas não temas, pois ainda vencerei esta prova. A esta hora já deve estar no portal deste inferno alguém por quem esta entrada será aberta.

No Canto IX, veremos o Círculo 6 - da heresia

23/06/2011