segunda-feira, 9 de março de 2015

Planalto está perplexo com afastamento do PMDB e derrotas no Congresso - Blog do Camarotti.



Inicialmente, o Planalto trabalhava com o cenário de que a revelação dos nomes de políticos envolvidos no escândalo de corrupção na Petrobras iria enfraquecer aliados e o Congresso Nacional. E com isso, o governo iria retomar o controle da pauta legislativa. 

Mas, nas palavras de um ministro petista, está acontecendo exatamente o contrário. O PMDB tem culpado nos bastidores o governo pela inclusão de caciques do partido na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. E com isso, tem feito um movimento claro de aliança com a oposição, especialmente o PSDB, para emparedar o Planalto e o PT.

Isso ficou claro hoje na CPI da Petrobras, quando, por determinação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, houve a criação de quatro sub-relatorias, esvaziando o poder do relator petista, Luiz Sérgio. O que se viu na CPI foi mais um movimento de isolamento do Palácio do Planalto, o que tem agravado a crise política. 

O governo tem sofrido sucessivas derrotas no Congresso, como a aprovação de mais uma etapa da PEC da Bengala, que amplia de 70 para 75 anos a idade máxima para a aposentadoria de ministros de tribunais superiores. Se confirmada em nova votação na Câmara, a presidente Dilma Rousseff deve deixar de indicar cinco novos ministros do STF, já que as aposentadorias serão adiadas. 


A decisão de Renan Calheiros de devolver a MP que revê as desonerações da folha de pagamento de vários setores da economia já tinha acendido a luz amarela no Planalto. O governo teme novas derrotas, já que perdeu o controle da base aliada. Mas com uma articulação política capenga, comandada pelo chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, a presidente Dilma ainda não sabe como reagir.

Inquerito atende a interesse do Planalto - Eduardo Cunha.


O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), insinuou neste sábado que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, incluiu seu nome na lista de investigados da Lava Jato para agradar ao governo e garantir mais um mandato à frente do Ministério Público Federal. Investigado por corrupção e lavagem de dinheiro, Cunha é suspeito de receber recursos do petrolão por duas fontes: doações eleitorais registradas e dinheiro em espécie entregue pelo policial Jayme Alves Cunha de Oliveira Filho, o Careca, em uma casa no Rio de Janeiro.

Quando saiu a lista de parlamentares que serão investigados no Supremo Tribunal Federal, Cunha afirmou que não se pronunciaria até tomar conhecimento dos indícios reunidos pelo Ministério Público. Mas na madrugada deste sábado, em sua conta no Twitter, o presidente da Câmara decidiu apresentar sua versão da história. O presidente da Câmera disse que o delator Alberto Youssef é "desqualificado" e argumentou que não pode ser punido por ter recebido doações registradas na Justiça Eleitoral. "Criminalizar a minha doação oficial de campanha, sem criminalizar a dos outros, é um acinte à inteligência de quem quer que seja", afirmou.

Dilma encabeça a lista de Janot - Por Ricardo Noblat


O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, deixou a presidente Dilma Rousseff de fora da lista de políticos supostamente envolvidos com a roubalheira da Petrobras.

Melhor para ela – e talvez para o país. A conferir mais tarde. Mas embora fora da lista, é a presidente Dilma que a encabeça. Porque ninguém enfrentará pior situação do que ela. Ninguém.

Os porta-vozes de Dilma dizem que com a divulgação da lista de Janot, a crise atravessará a rua. Sairá do Palácio do Planalto para o prédio do Congresso, entrando pela porta dos fundos.

Era o que mais desejava a presidente antes que a crise política detonada pelo PMDB no Congresso se juntasse à crise econômica. O Congresso devolverá a crise para o Palácio do Planalto. Isso é certo.

Não tem outro jeito. De resto, pior do que a avaliação dos políticos, somente a avaliação que os brasileiros fazem de Dilma. Lembra-se da mais recente pesquisa de opinião do Datafolha?

Em dezembro último, 42% dos brasileiros adultos consideravam o governo Dilma ótimo ou bom. Em fevereiro, apenas 23%. Em dezembro, ela era sincera, segundo 73% dos entrevistados.

O índice caiu para 35% em fevereiro, enquanto subiu de 13% para 54% o índice dos que a consideram falsa. Dilma é desonesta para 47% dos brasileiros.

Apenas 14% acham que Dilma não sabia da corrupção na Petrobras. A maior parte (52%) acredita que ela sabia da corrupção na Petrobras e deixou que ocorresse.

Em resumo: a presidente falsa, desonesta, que sabia da corrupção na Petrobras e nada fez, e que toca um governo ruim, será a principal vítima do que atravessaremos daqui para frente.

Com uma crise econômica pelo meio. E cercada de maus gestores políticos – sem falar dela mesma, que não gosta do que deveria fazer, e não disfarça a arrogância.

Quem gosta de uma pessoa assim?

Governo algum gosta de marolas. Sonha sempre com um mar de almirante. No fim do seu segundo mandato, Lula batizou de “marolinha” o tsunami econômico que sacudiu o mundo.

Dilma não poderá fazer o mesmo. Até porque “marolinha” ou tsunami, isso é coisa nossa. Somente nossa. Como era o Guaraná Fratelli Vita, por exemplo. Como é a ararinha azul.

Para preservar a sua e escapar ao mensalão, Lula entregou a cabeça de José Dirceu, ex-coordenador de sua campanha presidencial vitoriosa de 2002, e ex-chefe da Casa Civil.

Dilma não tem cabeça valiosa para entregar.

A de Lula? A corrupção sistêmica na Petrobras começou no segundo governo Lula. Mas se ele perdesse a cabeça, Dilma perderia a dela. E o PT acabaria. Simples assim.

A presidente incapaz de se reinventar está sozinha. Perigosamente só.

sábado, 7 de março de 2015

A revolta do criador contra a criatura-Por Reinaldo Azevedo.


Lula promove ato contra o governo Dilma Estranhou o título? Pois é. Mas é verdadeiro da primeira à última palavra. Onde parece haver ironia, leitor, há apenas linguagem referencial. Luiz Inácio Lula da Silva, o Babalorixá de Banânia, se encontrou nesta quarta com promotores de um ato do dia 13 em, pasmem!, defesa da Petrobras. Entre os organizadores estão a CUT, o MST e a UNE. Todos de esquerda. Todos patriotas. Todos petistas. Emissários de Dilma já tinham pedido que a manifestação fosse adiada porque acham que ela serve como uma espécie de estímulo para o protesto do dia 15 contra o seu governo e em favor do impeachment.

Não deram a menor bola pra ela. E preferiram se encontrar com o chefão do PT. O manifesto de convocação ataca também medidas adotadas pelo governo. Lá está escrito: “As MPs 664 e 665, que restringem o acesso ao seguro desemprego, ao abono salarial, pensão por morte e auxílio-doença, são ataques a direitos duramente conquistados pela classe trabalhadora”.

Lula, o finório, avisou a seus companheiros que não poderá comparecer ao ato porque, ora vejam!, não pega bem ser a estrela de uma patuscada que ataca também medidas do governo. Ou por outra: em vez de este senhor chamar seus comandados e ordenar a suspensão da manifestação, como pediu a presidente, ele, na prática, a estimula.

Há muito tempo já escrevi aqui — e Dilma, consta, tem consciência disto — que Lula é hoje o principal elemento de desestabilização do governo.

Presidente da CPI da Petrobras diz que Lula e Dilma serão investigados. - Por Ricardo Noblat


O deputado Hugo Motta (PMDB-PB), de 25 anos de idade, presidente da nova CPI da Petrobras, disse à TV VEJA que “investigará o que for necessário” para jogar luz sobre a roubalheira na Petrobras.

A entrevistadora perguntou se a investigação poderia alcançar a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Ele respondeu que sim.

Ela quis saber se donos de empreiteiras também seriam ouvidos. Outra vez ele respondeu que sim.

Vamos devagar.

A CPI reuniu-se, ontem, pela primeira vez. E apesar de haver requerimentos para que empreiteiros sejam ouvidos em audiências públicas, nenhum deles foi votado.

Também não se votou nenhum pedido de quebra de sigilo das empreiteiras.

Sabe-se por que.

Para se elegerem no ano passado, doze dos 27 membros titulares da CPI receberam doações de dinheiro das empreiteiras. No total, algo como R$ 3 milhões.

No caso de Hugo, 60% das despesas de sua campanha foram financiados pela Andrade Gutierrez e pela Odebrecht.

Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da CPI, recebeu 40% de sua verba de campanha das construtoras Queiroz Galvão, UTC, OAS e Toyo Setal.

O PSOL alegou que deputados financiados por empreiteiras deveriam se declarar suspeitos, caindo fora da CPI. Ocorre que nenhum outro partido concordou com ele.

O Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara considera quebra de decoro um deputado “relatar matéria submetida à apreciação da Câmara, de interesse específico de pessoa física ou jurídica que tenha contribuído para o financiamento de sua campanha eleitoral”.

E daí? Daí que ninguém liga para o que diz o Código.

Recomendo menos entusiasmo ao jovem Hugo.

Deputado Hugo Motta (PMDB-PB), presidente da CPI da Petrobras (Foto: Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados)

"A vaca foi para o brejo?" - Por Marta Supkicy


É um privilégio neste momento crítico da política brasileira voltar a este espaço que ocupei em 2011 e 2012. Já colaborei na Folha, em cadernos e anos diversos, exercendo atividade diferente da que tenho hoje. Tenho consciência da importância que foi chegar a milhares de pessoas quebrando tabus, defendendo os direitos do povo, das mulheres e minorias, avançando em temas de difícil aceitação. Senadora, e com uma visão muito crítica da situação política brasileira, sinto-me no dever de exercer neste espaço a audácia e transparência que caracterizaram minha vida.

Em política existem duas coisas que levam a vaca para o atoleiro: a negação da realidade e trabalhar com a estratégia errada.

O governo recém-empossado conseguiu unir as duas condições. A primeira, a negação das responsabilidades quando a realidade se evidencia. A segunda, consequência da mentira, desemboca na estratégia equivocada. Estas condições traduzem o que está acontecendo com o governo e o PT.

O começo foi bem antes da campanha eleitoral deslanchar. Percebiam-se os desacertos da política econômica. Lula bradava por correções. Do Palácio, ouvidos moucos. Era visto como um movimento de fortalecimento para a candidatura do ex-presidente já em 2014. E Lula se afasta. Ou é afastado. A história um dia explicará as razões. O ex-presidente só retorna quando a eleição passa a correr risco.

Afunda-se o país e a reeleição navega num mar de inverdades, propaganda enganosa cobrindo uma realidade econômica tenebrosa, desconhecida pela maioria da população.

Posse. Espera-se uma transparência que, enquanto constrangedora e vergonhosa, poderia pavimentar o caminho da necessária credibilidade.

Ao contrário, em vez de um discurso de autocrítica, a nação é brindada com mais um discurso de campanha. Parece brincadeira. Mas não é. E tem início a estratégia que corrobora a tese de que quando se pensa errado não importa o esforço, porque o resultado dá com os "burros n'água".

Os brasileiros passam a ter conhecimento dos desmandos na condução da Petrobras. O noticiário televisivo é seguido pelo povo como uma novela, sem ser possível a digestão de tanta roubalheira. Sistêmica! Por anos. A estratégia de culpar FHC (não tenho ideia se começou no seu governo) não faz sentido, pois o tamanho do rombo atual faz com que tudo pareça manobra diversionista. Recupera-se o discurso de que as elites se organizam propagando mentiras porque querem privatizar a Petrobras. Valha-me! O povo, e aí refiro-me a todas as classes sociais, está ficando muito irritado com o desrespeito à sua inteligência. Daqui a pouco o lamentável episódio ocorrido com Guido Mantega poderá se alastrar. Que triste.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Dilma tem mais a perder do que Renan e Eduardo - Por Ricardo Noblat


Os áulicos da presidente Dilma Rousseff cochicham para jornalistas que a situação dela ficará agora melhor com o pedido do Procurador-Geral da República para que Renan Calheiros, presidente do Senado, e Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, sejam processados pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento com a roubalheira da Petrobras.

Base do raciocínio dos áulicos: Renan e Eduardo escolheram se tornar adversários da presidente da República.

Passarão os próximos meses às voltas com advogados encarregados de defendê-los e jornalistas à caça de provas contra eles.

Não terão tempo nem condições de criar sérias dificuldades para o governo. Estarão mais vulneráveis, por certo.

Raciocínio torto, a meu ver. Que subestima a inteligência de Renan e de Eduardo.

Os dois já providenciaram o discurso altamente palatável de que seus nomes foram incluídos na lista do Procurador-Geral da República por empenho do governo.

Não é verdade, imagino. Mas não importa. Se não é provável, talvez fosse possível. E como a versão vale mais do que o fato em determinadas circunstâncias...

O discurso inicial de defesa de Renan e de Eduardo os obrigará daqui para frente a se distanciarem ainda mais do governo. Até por coerência.

O distanciamento resultará em novos gestos da parte deles que desagradarão ao governo.

Com a popularidade ao rés do chão, Dilma terá mais a perder do que seus novos desafetos. Elementar, meus caros.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Renato Duque foi solto a pedido de Lula, diz jornal. Esposa teria ameaçado denunciar envolvimento do ex-presidente.


Os demais golpes do partido governante para blindar Lula e Dilma Rousseff no escândalo do Petrolão também estão resumidos passo a passo neste blog – aqui e aqui.

Mas agora estourou a ‘bomba’ que revela a atuação direta do ex-presidente no boicote à Justiça, com a cumplicidade do ministro do STF:

Isso mesmo: Duque foi solto a pedido de Lula, conforme O Antagonista apurou com três fontes diferentes. Em resumo:

1) A mulher do arrecadador entrou em desespero com a prisão do marido em novembro de 2014 e, não podendo mais recorrer ao mensaleiro em baixa Dirceu, procurou o braço-direito de Lula, Paulo Okamotto, que lhe prometeu resolver depressa a situação.

2) Cobra criada em lidar com petistas, ela não caiu na conversa e ameaçou reunir provas suficientes para demonstrar que Lula sabia e participara de todo o esquema de corrupção na Petrobras, o que acabou obrigando Okamatto a alertar o ex-presidente de que ele deveria resolver pessoalmente o problema.

3) Lula então se encontrou com a mulher de Duque e tentou convencê-la de que seu marido ficaria na prisão por menos tempo do que se imaginava, mas ela tampouco se deixou levar e voltou a dizer que o implicaria no escândalo se Duque não fosse libertado rapidamente.

4) Acuado, Lula pediu socorro a um grande amigo seu, ex-ministro do STF, que lhe sugeriu, como o melhor caminho, recorrer a Teori Zavascki.

5) O próprio amigo de Lula marcou um encontro com o ministro para lhe explicar a urgência de livrar Renato Duque, porque, caso contrário, Lula seria envolvido “injustamente” num escândalo de proporções imprevisíveis para a estabilidade institucional.

6) Teori Zavascki aquiesceu. Avisado pelo amigo ex-ministro do STF, Lula comunicou à mulher de Renato Duque que tudo estava resolvido e, passados pouco mais de quinze dias após a sua prisão, o arrecadador viu-se livre da carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

Não faltam motivos para o povo sair às ruas.

Decisão da Petrobras de vender 40 bilhões em ativos mostra que Lula deveria está preso - Eliame Catanhede

'Decisão da Petrobras de vender quase R$ 40 bi em ativos mostra que Lula deveria estar preso'

"A manobra, que tecnicamente pode dar uma dose de fôlego à companhia, faz com que a Petrobras despenque no ranking de petrolíferas mais valiosas do planeta. A Petrobras, que em 2010 chegou a R$ 360 bilhões em valor de mercado, derreteu perto de 70% e hoje vale pouco mais R$ de 110 bilhões. Número que a coloca entre desconhecidas empresas do setor.

Instantes após o anúncio feito pela empresa, na noite de segunda-feira (2), a repercussão da decisão foi enorme e avançou pela madrugada em conversas entre profissionais do mercado e em postagens em redes sociais. Isso mostra que o impacto provocado pela crise na estatal é muito maior do que imaginam os integrantes do governo petista de Dilma Vana Rousseff, que tenta salvar a empresa das garras do Petrolão por meio de acordos espúrios nos bastidores e manobras jurídicas absurdas.

Independentemente da decisão da Petrobras de se desfazer de parte dos seus ativos, que serão vendidos com certa facilidade, é importante voltar no tempo e estacionar em meados de 2006, quando o então presidente Luiz Inácio da Silva, agora um bem sucedido lobista de empreiteira, dava os primeiros passos em sua campanha pela reeleição. À época, Lula, que tinha Geraldo Alckmin como oponente na corrida presidencial, determinou à camarilha petista que “moesse” politicamente o candidato tucano.

A saída encontrada pelos aduladores de Lula foi “vender” à parcela incauta da população a falsa ideia de que uma vitória dos tucanos representaria a imediata privatização da Petrobras, o que nem de longe aconteceria, por mais adeptos que os tucanos sejam da teoria que prega a diminuição da participação do Estado na economia.

O tempo passou, a mentira lançada covardemente pelo PT caiu na vala do esquecimento, mas é preciso ressuscitar a fala insana de Lula e seus camaradas, pois naquele momento o que ficou patente, as desavisados, é que somente os petistas seriam capazes de manter intacta a Petrobras. À época, o esquema de corrupção que funcionou durante uma década na Petrobras completava seu primeiro ano e Lula não queria desmontar uma cornucópia alimentada pela maior empresa nacional, propriedade do povo brasileiro.

Em países minimamente sérios e com autoridades igualmente responsáveis, Lula e sua horda já estariam atrás das grades por vários crimes, a começar pelo de improbidade administrativa. Fora isso, os dirigentes da empresa e os integrantes do Conselho de Administração da estatal não apenas estariam presos, mas já teriam perdido os respectivos patrimônios. Na república bananeira chamada Brasil, o que se vê é um movimento criminoso nos bastidores para salvar os protagonistas do furacão em que se transformou o maior escândalo de corrupção da história da humanidade."

quarta-feira, 4 de março de 2015

Renan reforça o isolamento do governo - Por Ricardo Noblat


Como é possível que ninguém dentro do governo soubesse que Renan Calheiros, presidente do Senado e do Congresso, devolveria a Medida Provisória assinada por Dilma que tratava do aumento da contribuição previdenciária para as empresas, anunciada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na última sexta-feira?

Renan considerou a medida inconstitucional. Sob aplausos da oposição e perplexidade do PT, ele decretou: “O Executivo, ao abusar do uso de medidas provisórias, deturpa o conceito de separação dos poderes”.

Sempre se poderá dizer que o Executivo agiu assim até agora, e que Renan nunca reclamou. E daí? Haverá sempre a primeira vez.

O presidente do Senado escolheu a hora certa para agir, conquistando o apoio da quase totalidade dos seus pares.

Chega de o governo despachar para o Congresso tudo o que lhe interessa por meio de Medidas Provisórias.

Basta de o governo prometer que governará com os partidos, ignorando-os em seguida.

Razões menos nobres podem ter movido Renan. Do tipo: ele ainda não conseguiu empregar no governo quem queria. Ou Dilma não ajudou com dinheiro Renanzinho, o novo governador de Alagoas.

Ou o governo não se mexeu para evitar que o nome de Renan fosse citado na lista de políticos envolvidos com a corrupção na Petrobras.

Assinada por Rodrigo Janot, procurador-geral da República, a lista desembarcou no Supremo Tribunal Federal.

Fazem parte dela 54 nomes – entre eles o de Renan e o de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados.

Por mais que soe absurdo, Renan acha que o governo poderia, sim, ter dado um jeito de poupá-lo do vexame.

Não importa. Renan foi de um raro oportunismo. E é isso o que distingue um político arguto de um não arguto.

Se por acaso for aberto no Conselho de Ética do Senado algum processo para cassar Renan por quebra de decoro, o time de senadores capaz de derrubar a medida cresceu no rastro do episódio de ontem.

Quanto ao governo de Dilma...

Ou providencia uma nova articulação política ou continuará levando sustos. Ou muda de comportamento ou ficará cada vez mais sozinho.

terça-feira, 3 de março de 2015

Sergio Moro - Lava Jato


O juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, disse, nesta segunda(2), em aula inaugural da Escola da Magistratura Federal no Paraná, que para chegar aos chefes dos esquemas é preciso "seguir o dinheiro". "Não é o chefe quem suja as mãos. Ele é último beneficiário da atividade criminosa. O dinheiro certamente vai chegar a quem tem controle sobre o grupo criminoso", afirmou.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Lula, de esperança a forte ameaça à democracia - Por Ricardo Noblat

O que leva Dilma, aos 67 anos de idade, a ser tão rude com seus subordinados? A pedido de quem me contou, não revelarei a fonte da história que segue.

No ano passado, ao ouvir do presidente de uma entidade financeira estatal algo que a contrariou, Dilma elevou o tom da voz e disse:

- Cale a boca. Cale a boca agora. Você tem 50 milhões de votos? Eu tenho. Quando você tiver poderá ocupar o meu lugar.

Dilma goza da fama de mal educada. Lula, da fama de amoroso. Não é bem assim. Lula é tão grosseiro quanto ela. Tão arrogante quanto.

Eleito presidente pela primeira vez, reunido em um hotel de São Paulo com os futuros ministros José Dirceu, Gilberto Carvalho e Luís Gushiken, entre outros, Lula os advertiu:

- Só quem teve voto aqui fui eu e José Alencar, meu vice. Não se esqueçam disso.

Em meados de junho de 2011, quando Dilma sequer completara seis meses como presidente da República, ouvi de Eduardo Campos, então governador de Pernambuco, um diagnóstico que se revelou certeiro.

“Dilma tem ideias, cultura política. Mas seu temperamento é seu principal problema”, disse ele. “Outro problema: a falta de experiência. E mais um: tem horror à pequena política. Horror”.

Na época, Eduardo era aliado de Dilma. Nem por isso deixava de enxergar seus defeitos.

“Dilma montou um governo onde a maioria dos ministros é fraca”, observou. “Todos morrem de medo dela. No governo de Lula, não. Ministro era ministro. Agora, é serviçal obediente e temeroso. Lula não pode fingir que nada tem a ver com isso. Afinal, foi ele que inventou Dilma”.

Lula não perdoa Dilma por ela não ter cedido a vez a ele como candidato no ano passado. Mas não é por isso que opera para enfraquecê-la sempre que pode.

Procede assim por defeito de caráter. Com Dilma e com qualquer um que possa causar-lhe embaraço.

Se precisar, Lula deixa os amigos pelo meio do caminho. Como deixou José Dirceu, por exemplo. E Antonio Palocci.

Pobre de Dilma quando Lula se oferece para ajudá-la.

Na última quarta-feira, ele jantou com senadores do PT. Ouviu críticas a Dilma e a criticou. No dia seguinte, tomou café da manhã com senadores do PMDB. O pau cantou na cabeça de Dilma.

Tudo o que se disse nos dois encontros acabou se tornando público. Em momento de raro isolamento, Dilma precisa de muitas coisas, menos de briga.

Pois foi com o discurso belicoso de sempre, do nós contra eles, do PT e dos pobres contra as elites,  que Lula participou de um ato no Rio em favor da Petrobras.

Sim, da Petrobras degradada nos últimos 12 anos pelo PT e seus aliados.

Pediu que seus colegas de partido defendessem a empresa e se defendessem da acusação de que a saquearam.

E por fim acenou com a possibilidade de chamar “o exército” de João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Sem Terra, para sair às ruas e enfrentar os desafetos do PT e do governo.

Washington Quaquá, presidente do PT do Rio de Janeiro e prefeito de Maricá, atendeu de imediato ao apelo de Lula. Escreveu em sua página no Facebook:

- Contra o fascismo, a porrada. Não podemos engolir esses fascistas burguesinhos de merda. Está na hora de responder a esses filhos da puta que roubam e querem achincalhar o partido que melhorou a vida de milhões de brasileiros. Agrediu, damos porrada.

É o exemplo que vem de cima!

Para o bem ou para o mal, este país carregará na sua história a marca indelével de um ex-retirante nordestino miserável, agora um milionário lobista de empreiteiras, que disputou cinco eleições presidenciais, ganhou duas vezes e duas vezes elegeu uma sem voto, sem carisma e sem preparo para governar.

Lula já foi uma estrela que brilhava sem medo de ser feliz.

Foi também a esperança que venceu o medo.

Está se tornando uma forte ameaça à democracia.

domingo, 1 de março de 2015

A ajuda dos americanos pode garantir o final exemplarmente feliz de um filme sobre o Petrolão: nenhum bandido escapa da cadeia - Augusto Nunes

“A Petrobras é como a Seleção, um símbolo do Brasil em qualquer lugar do mundo”, disse Lula em 2007.  “Com o pré-sal, a Petrobras vai ser uma das empresas mais fortes do  mundo”, avisou em 2008. “Eles querem privatizar a Petrobras porque nunca antes neste país o Brasil teve uma potência conhecida no resto do mundo”, festejou em 2009. “Eles não se conformam com o governo de um nordestino que fez a Petrobras ser respeitada no mundo inteiro”, cumprimentou-se em 2010, pouco antes de entregar a Dilma Rousseff uma estatal infestada de incompetentes, gatunos e vigaristas.

A presença da palavra mundo em todas as frases acima reproduzidas informa que o ex-presidente é um megalomaníaco sem cura. As quatro falácias entre aspas identificam um governante sem compromisso com a verdade. A soma das duas disfunções confirma aos berros que um farsante patológico foi presidente da República durante oito anos e continua exercendo os poderes de único deus da seita que se apossou do governo. O Brasil Maravilha registrado em cartório só existe na cabeça baldia do chefe supremo e nos cérebros semidesertos de sacerdotes e devotos.

Até o começo do século, a Petrobras foi marcada pela solidez financeira e pela eficiência administrativa. Em 12 anos, o governo lulopetista reduziu a empresa a um viveiro de corruptos. O colosso inventado pelo palanque ambulante só figurou entre os campeões dos petrodólares na imaginação dos nacionalistas de galinheiro. A empresa admirada no mundo inteiro nunca produziu barris suficientes para assombrar o mundo. Mas conseguiu produzir um caso de polícia que vai, agora sim, torná-la mundialmente conhecida.

O que já se sabe do Petrolão comprova que em nenhuma empresa do ramo um bando de delinquentes roubou tanto, por um período de tempo tão longo e com tamanha desfaçatez. Com a entrada em cena do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a história tem tudo para virar roteiro de um filme. Semanas a fio, multidões de brasileiros lotarão as salas de cinema do país inteiro. Ninguém vai perder a chance de ovacionar o final exemplarmente feliz: graças à ajuda dos investigadores americanos, nenhum bandido - nenhum - escapa da cadeia.