quarta-feira, 22 de junho de 2011

São João do Sanharol

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Abraços.

PATRIA MADRASTA VIL - Por Clarice Zeitel Vianna Silva.

Redação - Clarice Zeitel Vianna Silva - Como vencer a pobreza e a desigualdade - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ
Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência. Exagero de escassez... Contraditórios? ? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL. Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade. O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições. Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil.', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira'. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica. E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra... Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem! A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona? Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos. Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente... Ou como bicho?

Observação:

Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários. Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade'

A FESTA DE DUDA DO VALE

Para Duda, com carinho.



Abraço da coleguinha Claude

terça-feira, 21 de junho de 2011

Obra e graça do Espirito Santo - Por Mundim do Vale.

Certa vez passou um gaiato muito cedo na Praça Santo Antônio e deixou uma mensagem agressiva escrita com urina na frente da capela. A mensagem dizia assim:
- A PRAÇA TÁ CHEIA DE PINGUÇO.
A revolta foi geral, juntou-se Zé Dias, João Doca, Zé Odmar, Edilmo Correia e João V8 para tentar descobrir o autor daquela desfeita. Edilmo perguntou a Zé Dias:
- Zé você viu quem passou aqui há pouco tempo?
- Quem eu vi passando aqui foi: Cravina, Júlio Xavier e Zé de Dudau.
- Aldegides disse:
- É capaz de ter sido Cravina.
- João Doca, discordou:
- Cravina não foi não! Vocês vejam que as letras tem uma tendência de caída para a direita e Cravina é canhoto.
- Então foi Júlio Xavier: Edilmo falou, Zé Odmar interferiu:
- Júlio também não foi. Ele treme muito e as letras estão perfeitas. Pode ter sido Zé de Dudau só sobrou ele.
- Dessa vez a interferência foi de João V8 que era cunhado de Zé de Dudau:
- Zé de Dudau eu garanto que num foi!
- Edilmo perguntou:
- E porque você tem tanta segurança?
- É pruque essa caligrafia tá muito boa e “Zé meu cunhado num sabe nem acentá o nome dele dereito quando vai votá”.
- Depois de descartadas as três possibilidades Zé Dias falou:
- Pelo que estou vendo vocês vão arranjar para ter sido obra e graça do Espírito Santo.
João Doca finalizou a teima:
- Não. Zé Dias, isso aí foi mijo e safadeza dum espírito de porco.

Reprisado para: Maninha Fiúza e Fátima Bezerra que nos trouxe muitas alegrias com o seu retorno ao Sanharol
Mundim do Vale.

BONECO NO ARRAIÁ - Por Mundim do Vale.

Eu fui visitar Joãozinho
Vejam só o que se deu
O boneco é mentiroso
Mas não é, mais do que eu.
Me contou uma parada,
A história mais furada
Que até hoje aconteceu.

Joãozinho:
- Mundim apague o cigarro
E chegue um pouco pra cá,
Limpe o chinelo na porta
E assente no caçuá.
Desligue o celular “ Oi “
Que eu vou contar como foi
Meu São João no arraiá.

Eu saí sem Cláuidio vê
E fui até a esquina,
Tava lá tomando uma
E chegou uma menina.
Ela disse: - Meu querido,
Vamos fazer um moído
Lá no Maria Afonsina

Eu disse: - Minha gatinha!
Estou à disposição,
A coisa que não regeito
É chamego de São João.
Pra mim não tem embaraços,
Eu vou dançar nos seus braços
Que é perto do coração.

Quando a gente ía passando
Na casa da minha avó,
Ela saiu na janela
Dizendo: - Mas vejam só!
Meu neto tá com a gôta,
Arranjou uma garota
E tá arrochando o nó.

Eu disse: - A bênção vovó
Fique de boca fechada,
O que a senhota tá vendo
Não é para dizer nada.
O mundo hoje é outra coisa,
Depois digo a Cláudio Souza
Que foi só uma ficada.

Nós fomos para o colégio
Ela e eu e eu e ela,
Quando passava no escuro
Eu tacava o beijo nela.
O restante não importa,
A garota tinha a porta
E eu tinha a tramela.

Na passagem da lagoa
Eu ía botando quente,
De repente ela falou:
- Vixe Maria. Ôxente.
Esse boneco é Tarado,
Eu acho que o desgraçado
Tá querendo virar gente.

Eu disse: - Minha querida!
Você me arrochando, eu peco,
De tanto abraço apertado
Estou para ter um treco.
Eu não sou papel queimado,
Você com seu alizado
Levanta até um boneco.

Passando no Juremal
Gustavo disse: - Vigia!
Rosa dando de mamar
A essa pequena cria.
Olhe só que atentado,
Vou dar parte ao delegado
Que aquilo é pedofilia.

Rosa disse: - Seu Gustavo.
Vá cuidar da sua vida,
Você tá dizendo isto
Porque não dá na partida.
Joãozinho é bom na parada,
É campeão na chegada
E primeiro na saída.

Lá no maria Afonsina
Tinha meio mundo de gente,
Rosa saiu pro banheiro
E eu fui tomar aguardente.
As moças quando me viram,
Todas de uma vez, partiram
Dizendo: - Ou moço decente.

Aí eu não dei de conta
De tanta moça formosa,
Fui me esconder na barraca
Tinha três querendo prosa.
Saí de lá bem ligeiro,
Fui bater lá no banheiro
Pra ficar com a minha Rosa.

Fomos dançar la na quadra
Onde estava a multidão,
As garotas foram atrás
Me chamando de paixão.
Rosa partiu pra galera,
Virada na besta fera
Fez a maior confusão.

Puxou cabelo de moça,
Açoitou o tocador,
Deu um chute no zabumba
E quebrou o gerador.
Depois do colégio escuro,
Me levou atrás do muro
Para brincar de amor.

Depois veio a diretora
E me chamou à atenção,
Disse: - Joãozinho você
Não tem jeito, mesmo não.
Você é muito imoral,
Veio pra cá só de mal
Pra bagunçar meu São João.

Respondí: - Minha Senhora!
Eu sou um pobre cristão,
Estou vivendo no mundo
Sem o meu pai Damião.
Sou um boneco do bem,
Não peço nada a ninguém
Eu só como o que me dão.

Mundim:
- Joãozinho o que você fez
Não foi um ato de amor,
Cláudio Souza já não quer
Ser mais o seu protetor.
Você não tem disciplina,
O que fez no Afonsina
Foi atentado ao pudor.

Joãozinho:
- Você e o meu padrasto
Não sei qual o mais quadrado,
Vivem os dois feitos museu
Pensando só no passado.
Aquele tempo morreu,
Fique sabendo que eu
Sou um boneco avançado.

Mundim:
- Você botou um boneco
No lugar que não cabia,
Boneco que se garante
Anda sempre com o seu guia.
Aquilo foi um desastre,
Que gerou mais um contraste
Como o que, Jesus bebia.

Joãozinho:
- Quando tomo uma cachaça
Eu boto boneco cá,
Se eu tomar mais de uma
Já boto boneco lá.
Tomei umas com Micrey,
Me embriaguei e botei
BONECO NO ARRAIÁ.

Mundim do Vale
Várzea Alegre Ce

A DIVINA COMÉDIA - Canto VII - O Inferno - Por Vicente Almeida

Canto VII

Pluto - Círculo da avareza (4) Círculo da ira (5) - Rio Estige

Pluto - O cão danado
Ilustração de Gustave Doré

- Pape Satàn pape Satàn aleppe! - começava Pluto com sua voz rouca. Virgílio virou-se para mim e disse, com segurança:

- Não tenhas medo dele. Lembra-te que, por mais que ele tenha poder, ele não pode impedir nossa descida. - Depois, dirigiu-se a Pluto e gritou:

- Cala a boca CÃO maldito! Consome em ti mesmo tua raiva. Nossa descida não é sem propósito, pois é algo que se quer nas alturas!

Diante daquela voz revestida de autoridade, Pluto mal pôde reagir. Logo fraquejou e diante de nós, tombou.
Círculo da avareza
Ilustração de Gustave Doré

Aproveitamos,
então, para descer pela beira que contorna o quarto círculo. Lá vi mais almas que em todos os círculos precedentes. Estavam organizadas em dois grupos que se enfrentavam, com os peitos nus, rolando grandes sacos de dinheiro em sentidos contrários até colidirem uns com os outros. Após o choque um grupo gritava "por que poupas?". O outro gritava "por que gastas?". Depois do choque seguiam em sentido contrário até se encontrarem novamente, do outro lado do círculo. E assim continuavam por toda a eternidade.

Com o coração pungido de desgosto, perguntei:

- Mestre, quem são essas pessoas? Eram padres essas almas que vejo aqui do lado, com corte de cabelos em cercilha?

- Todos - respondeu o mestre -, em sua vida terrena, não foram judiciosos com seus gastos. Isto declaram, quando se encontram nas suas culpas opostas. Esses de coroa pelada são clérigos, papas e cardeais, nos quais a avareza se manifesta mais facilmente.

- Mestre - falei - em um grupo como este certamente serei capaz de reconhecer alguém.

- É inútil a tua esperança. - respondeu o mestre - Sua vida sem conhecimento os tornou imundos e agora é mais difícil reconhecê-los. Eternamente se enfrentarão, aqueles de punho cerrado e aqueles outros sem cabelos. Mal dar e mal guardar os tirou do mundo, colocando-os nessa rinha. Mas não vale a pena mais falar deles.

Vês, filho, como de nada adianta os homens brigarem pela fortuna? Pois todo o ouro que está ou já esteve sob a lua não comprará um minuto sequer de descanso para essas almas cansadas.

- Mestre meu - disse eu - me dize o que é a Fortuna de que agora falas? Como é que ela é, essa que guarda todas as riquezas do mundo em suas mãos?

- Aquele cujo saber tudo transcende - explicou-me o mestre - fez os céus e lhes deu quem os conduz, e cada esfera que brilha reflete sobre as outras, distribuindo igualmente a luz. Do mesmo modo, para as riquezas mundanas designou uma ministra para que ela cuidasse de permutar, de tempos em tempos, os bens profanos entre as nações e famílias, livres do alcance da cobiça humana. Então, enquanto uma nação impera, outra enfraquece, de acordo com o arbítrio dela, que é oculto como uma serpente na relva. Vosso saber não tem poder sobre sua lei, pois ela prevê, julga e rege sobre seu reino. E ela nunca pára. É amaldiçoada até por quem deveria louvá-la, mas como é beata, ela não os ouve, e continua a girar a sua roda eternamente.

Não demoramos mais naquele lugar, pois o dia já chegava ao fim, e nosso tempo era curto. Descemos então para o quinto círculo por uma vereda escura onde nascia uma fonte de água preta e fervente. Atravessamos o riacho e acompanhamos suas encostas através de um caminho estreito, até que chegamos finalmente às margens de um vasto pântano chamado Estige, onde o riacho desaguava.

O barqueiro Flégias conduzindo Dante e Virgílio na travessia do rio estige.
Na água estão os condenados pelo pecado da ira.
Ilustração de Gustave Doré

Apesar da escuridão, pude ver, naquela água escura, vultos nus cobertos de lama remexendo-se, com feições iradas e rostos desfigurados. Eles esmurravam-se com as mãos, batiam cabeças, se chutavam e arrancavam as peles uns dos outros com os dentes.

- Filho - disse o bom mestre -, aqui tu vês as almas dos vencidos pela ira, e vou dizer-te ainda, se me crês, que embaixo d'água há almas que suspiram, fazendo-a borbulhar. São aqueles vencidos pelo rancor, a ira contida e passiva, porém igualmente destrutiva. Eles gorgolam o lodo e formam as bolhas que pipocam sobre esta lama fétida.

Depois demos uma grande volta, seguindo entre o rio e a orla seca, sempre observando aqueles que engoliam a lama, até chegarmos ao pé de uma alta torre, no final.

No Canto VIII, Os demônios e a cidade de Dite

21/06/2011

segunda-feira, 20 de junho de 2011

DOUTOR. ELE SÓ COME ISSO - Por Mundim do Vale

Meu tio Mauro Bezerra de Brito, desde o seu nascimento tinha problemas mentais, era pequeno, magro e calado. Quando chegou aos 54 anos veio a Fortaleza e as minhas primas: Josélia e Maria do Socorro, procuraram o I.N.S.S para tentar uma aposentadoria por deficiência mental. Foi marcada uma consulta com o médico do órgão para uma avaliação e o meu irmão Luís Sérgio foi com o carro para conduzir os três. Tio Mauro fez toda a viagem de cócoras no banco traseiro. Chegaram no posto Sérgio ficou no carro e os três subiram para a sala de espera. Quando foram chamados, sentaram de frente para o médico, que começou logo fazendo perguntas ao meu tio.Mauro Véi como era chamado surpreendeu todo mundo. Disse seu nome completo e de todos os seus irmãos a data de nascimento de todos e o local onde nasceu cada um. E ainda disse que a segunda guerra mundial tinha acabado em 1.944. O médico depois daquela palestra, disse que o paciente aparentava boa saúde mental e não tinha como atestar deficiência.Josélia tentou reverter a situação, dizendo que ele sempre foi doente e a coisa que fazia, era tomar café e fumar.O médico assustado com aquela afirmação perguntou:

- E esse homem não se alimenta não?

Maria Socorro levantou-se, juntou o dedo polegar com o cata piolho formando aquele conhecido círculo, apontou para o médico e disse:

- Doutor. Ele só come isso!

O médico ficou embaraçado sem saber se mandava pra cadeia, ou aposentava os três.


Dedico esse causo aos médicos do blog.

Mundim do Vale.

Achados e perdidos - Por Geovane Costa.

Em 1984 eu ia descendo de bicicleta para a cidade e perto de minha casa, em alta velocidade, encontrei algo no meio da pista. A princípio pensei que fosse um talão de cheques. Parei mais adiante e retornei para ver o que era. Não era cheque. Era um talão de Crédito Educativo da Caixa Econômica Federal, pertencente a Francisca Inãcio Bitu. Como eu vi que era gente da família joguei dentro da sacola que ia levando e segui minha viagem.
Cheguei em casa, achando que seria fácil descobrir a dona do documento, perguntei logo para minha mãe, mas ela respondeu:
Meu filho, na casa de Doca Bitu se assinam por Inãcio Bitu, mas lá não tem nenhuma Francisca. Comecei uma pesquisa, perguntando a um e a outro e nada. Oito dias depois, encontrei Tonha Alexandre, acompanhada por Maria de Doca, vindo da escola. Pensei comigo: agora eu descubro, e perguntei:
Tonha, quem é Francisca Inácio Bitu? Antes que ela me respondesse, Maria partiu na minha direção. de olhos aboticados e espantada, disse:
É Lúcia, minha irmã, o que foi que aconteceu com ela? Eu disse:
Calma, não aconteceu nada. Contei do talão que eu havia encontrado e ela mandou Antão ir pegar lá em casa, onde eu entreguei do jeito que achei.
Pois bem, três dias depois,as cinco horas da manhã, estava eu dormindo, quando minha mãe me acordou, dizendo:
Giovani, vem ver o que é que Doca Bitu quer com tu numa hora dessa. Eu pensei comigo, Veio pagar pelo favor que fiz.
Cheguei na porta, dei bom dia, ele respondeu, mas foi logo me perguntando:
Foi você que achou o carnê de Lúcia, minha fia? Eu respondi: foi eu sim, Seu Doca. Ele meteu a mão num saco que vinha trazendo cheio de queijo, e eu pensei: Eita, vai pagar com queijo, mais que nada, ele retirou do saco foi uma capanga, muito cheia, e eu mudei o pensamento: Ah, ele vai pagar é com dinheiro mesmo. Ele tirou foi o dito carnê e falou:
Eu só queria saber quem foi, prá eu saber se foi você que arrancou três páginas que estão faltando aqui dentro? Aí eu criei raiva e reagi: Eu, Seu Doca, eu ia ter todo esse trabalho para fazer uma coisa dessa? Prá que que eu ia querer isso?
Ele guardou de novo no saco, deu as costas, quando chegou no fim do terreiro, virou-se para trás e falou: Pois tá bom, se um dia seu pai perder os documentos e eu achar eu vem aqui entregar.

domingo, 19 de junho de 2011

PAVÃO MISTERIOSO - Por Valdênia Almeida

Moro numa chácara aqui no Crato, onde crio muitas galinhas caipiras soltas no quintal. Tenho três filhas que moram na mesma chácara e tenho nove netos ao todo, sendo que dois deles, o Rafael e o Filipe, moram em São Paulo com a minha filha mais velha, e vieram passar uma temporada conosco. Em matéria de conhecimento rural eles são quase zero.

Certo dia pela manhã, apareceu no meu quintal um pavão maravilhoso que deixou o galo e as galinhas fazendo muitos co co ri cós de admiração ao fazer roda se exibindo para aquela platéia.

Eu fiquei encantada com aquela visão e lamentei os meus netos não estarem em casa para ver o espetáculo. Eles nunca haviam visto um pavão.

No dia seguinte a mesma coisa, o pavão veio nos visitar, fez o seu show e os meus netos não viram, pois estavam mais uma vez no colégio, e assim foi a semana toda.

No sábado então pela manhã, estavam eles na maior algazarra jogando bola num campinho improvisado e eu na cozinha fazendo o almoço, quando de repente se fez um silêncio total e eu pensei: “Será que o pavão voltou”?
Daí a pouco entra na cozinha o Filipe de sete anos, meu neto mais corajoso e com ar preocupado, muito desconfiado, cruzando as mãos sobre o peito e fazendo girar os polegares passando um pelo outro, postou-se ao meu lado e falou: “Vóóó´, o teu frango chegou ali fora com um feixe de capim nas costas”.

E o pavão com o passar do tempo, ficou manso e encantava a todos com a sua dança, até que um dia desapareceu misteriosamente e nunca mais voltou.

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Aqui tenho lido muito sobre OS avôs, e nunca sobre AS avós, por isto, quero dedicar esta postagem as avós. Tenho certeza que não sou a única no Blog do Sanharol.

Escrito por Valdênia Almeida
18/06/2011

O que é a Missa?



Segundo o padre Lourenço Ferronato, EP: “A primeira missa celebrada no mundo foi na Quinta Feira Santa, na Ceia de Jesus com os apóstolos. Na ocasião foi instituída a Sagrada Eucaristia e Jesus demonstrou mais uma vez o seu infinito amor pelos homens, ao partilhar conosco Seu Corpo e Sangue”.

A missa é, pois, a renovação do sacrifício sofrido no Calvário sobre a Cruz, por Jesus Cristo, para a salvação da humanidade, com uma única diferença: o sacrifício da Cruz foi sangrento, enquanto o sacrifício do altar é incruento, isto é ocorre sem o derramamento de sangue. A missa tem um valor infinito, uma vez que é próprio Jesus Cristo que se oferece em sacrifício e se imola na hóstia sagrada.

Assim, procuremos participar da Santa Missa com toda a atenção possível, a fim de sermos beneficiados com as graças e favores concedidos durante a renovação do sacrifício de Cristo Jesus.
Sobre a missa assim se pronunciaram alguns santos:

"Na hora da morte, as Missas, às quais tiveres assistido, serão a tua maior consolação. Um dos fins da Santa Missa é alcançar para ti o perdão dos teus pecados. Em cada Missa, pois, podes diminuir a pena temporal devida aos teus pecados, pena essa que será diminuída na proporção do teu fervor. Perdoa-te os pecados veniais não confessados, dos quais, porém, te arrependes; preserva-te de muitos perigos e desgraças que te abateriam. Diminui o império de satanás sobre ti mesmo. Sufraga as almas do Purgatório da melhor maneira possível. Uma só Missa a que houveres assistido em vida, será mais salutar que muitas a que os outros assistirão por ti depois da morte, pois pela Missa participas da Paixão, morte e Ressurreição de Cristo." (Santo Agostinho)

“Cada Missa à que assistires, alcançar-te-á no céu maior grau de glória. Será abençoado em teus negócios pessoais e obterás as graças que te são necessárias. Nosso Senhor Jesus Cristo nos concede tudo o que Lhe pedimos na Santa Missa. (São Jerônimo)

"Fica sabendo, ó cristão, que mais se merece em ouvir devotamente uma só Missa do que distribuir todas as riquezas aos pobres e peregrinar toda a terra.
Toda Santa Missa diminui teu purgatório." (São Bernardo)
(Pesquisa feita por Armando Lopes Rafael)

Conclusão de genio - Enviado por Rodrigo Bezerra Bitu.

O sujeito se chama Marc Faber. Analista de Investimentos e empresário. Em junho de 2008, quando o Governo Bush estudava lançar um projeto de ajuda à economia americana, Marc Faber encerrava seu boletim mensal com um comentário bem-humorado:

O Governo Federal está concedendo a cada um de nós uma bolsa de U$ 600,00:
Se gastarmos esse dinheiro no supermercado Walt-Mart, esse dinheiro vai para a China.
Se gastarmos com gasolina, vai para os árabes.
Se comprarmos um computador, vai para a Índia.
Se comprarmos frutas e vegetais, irá para o México, Honduras e Guatemala.
Se comprarmos um bom carro, irá para a Alemanha ou Japão.
Se comprarmos bugigangas, irá para Taiwan...
E nenhum centavo desse dinheiro ajudará a economia americana.
O único meio de manter esse dinheiro na América é gastá-lo com prostitutas e cervejas considerando que são os únicos bens ainda produzidos por aqui. Estou fazendo a minha parte.

Resposta de um brasileiro igualmente bem humorado:

Realmente a situação dos americanos parece cada vez pior. Lamento informar que, depois desse seu e-mail, a Budweiser foi comprada pela brasileira AmBev... portanto, restaram apenas as prostitutas. Porém, se elas (as prostitutas) repassarem parte da verba para seus filhos, o dinheiro virá para Brasília, onde existe a maior concentração de filhos da puta do mundo.

sábado, 18 de junho de 2011

TAQUICARDIA ACADÊMICA


Sávio Pinheiro

Tum, ta! Tum, ta! Tum, ta!


Pai e filha em ritmo cardíaco acelerado aguardam o grande momento. A quase jornalista Beatriz Jucá Pinheiro estava dando os últimos requebros no interior do casulo para construir, definitivamente, a teia da vida. Trinta minutos, apenas, separava-a da defesa do seu livro-reportagem que seria submetido ao Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará como requisito parcial para a obtenção do título de bacharel naquele seleto auditório – misto de medo, alegria, angústia e perseverança.

Tum, ta! Tum, ta! Tum, ta!

Quando o seu orientador, o Mestre Ronaldo Salgado, entra naquela sala, acompanhado pelo doutor Gilmar de Carvalho e pelo professor Agostinho Gósson, os corações, em uníssono, parecem bater mais fortes. É chegada a hora.

Tum, ta! Tum, ta! Tum, ta!

Vinte minutos de apresentação, mais cinco de acréscimo, define o primeiro movimento daquela orquestrada sinfonia. Minuciosa análise é feita pela Banca Examinadora. Críticas, conselhos e elogios são pronunciados a viva voz. A quase jornalista tem direito a réplica. Tempo regulamentar esgotado.

Tum, ta! Tum, ta! Tum, ta!

Igual a um Tribunal do Júri, os professores se ausentam da sala por alguns minutos até o pronunciamento do veredicto final. De repente, o silêncio arrepiador é quebrado pela voz do Mestre Ronaldo com um sonoro pronunciamento verbal.

Tum, ta! Tum, ta! Tum, ta!

Num samba acadêmico, a nota DEZ ecoa distanciando as Sístoles das Diástoles, recolocando os agitados corações na cadência ritmada do batuque do roçado.

SAPRUMA BAITOLA VÉI - Por Mundim do Vale.

Em Várzea Alegre já aconteceu de tudo. Certa vez Cícero Inácio, já com a idade bastante avançada, cismou de aprender a andar de bicicleta. Adquiriu uma de segunda mão de Chagas Chibata e levava para casa empurrando pela antiga rua do Juazeiro, quando
Belezário perguntou:
Pruque num vai amuntado Ciço?
- É pruque eu tou levando premêro prumode amansar ela mais Quinco meu. Adispois é qui eu vou passar isquipando cum ela por aqui.
Chegando em casa todo mundo foi contra a idéia,mas ninguém conseguiu fazer Cícero mudar de opinião. Ele levou o filho Quinco quase na marra, para a avenida Figueiredo Correia, onde a largura e uma rampa, eram boa para o aprendizado. Só que no segundo quarteirão, tinha uma sobra de pedras de pavimentação, amontoadas para ser removidas pela prefeitura para outra rua.
Quinco começou a ensinar o básico. Pegava na cela e dizia: - Aqui é o acento, nas luvas dizia: - Aqui é as bainha dos guidom, nos pedais falava: - Aqui é os estribo. Agora pai se monta e eu fico sigurando no acento até pai aprender,
Cícero muito afoito dizia: - É mais mió eu me apiar logo e você vai açoitando ela, qui é prumode eu já ir galopando.
Quinco insistia: - Não pai ! premêro pricisa trenar cum ela parada.
- Mais eu já amansei burro brabo, pruque num Amanço uma bicicreta cheia de arame o burracha?
Quinco perdeu a paciência e falou:
- Apois tá certo pai tá querendo então vá.
Cícero montou, Quinco segurou na cela, deu um empurrão de ladeira abaixo e gritou:
Sapruma baitola véi teimoso! Olha pra frente babiquara! Coidado cum as peda véi caduco!
Cícero saiu costurando, assim como gráfico de exame cardíaco, depois pegou o rumo das pedras. Quico arrependido gritou:
- Coidado pai! Isbarre essa bicha! – E adonde é o isbarro? – è aí dibacho das luva do guidom.
Foi tarde demais. Cícero caiu por cima das pedras, quebrou a bicicleta, o rosário e os seis dentes que ainda lhe restavam.
Soarim que passava no local com um pau de galinhas disse:
- Ái vai! Ciço Inaço depois de véi deu pra ispaiá as peda da prefeitura?
Quinco saiu correndo para socorrer o pai ainda falando grosseiro:
- Eu num dixe qui isso num tinha fundamento. Ora, véi qui num presta mais pra nada, agora querer bancar faceirice inriba duma bicicreta.
Cícero levantou-se capengando e falou com raiva:
- Num presta mais é um ova! Quem você pensa qui é? Tudo qui você sabe aprendeu cum eu. Eu insinei você a falar, pidir, caminhar, correr, mijar e beber e quando acabar você num quer insinar eu a andar de bicicreta.