sexta-feira, 8 de março de 2024

Wanda, Wilma e Waneide - Antonio Alves de Morais.


Três irmãs, Wanda de 90, Wilma 88 e Waneide 86 anos de idade viviam na mesma casa. Uma noite, Wanda a de 90 começa a encher a banheira para tomar banho; põe um pé dentro da banheira, faz uma pausa e grita:
Alguém sabe se eu estava entrando ou saindo da banheira?

A irmã Wilma de 88 responde:
Não sei, já subo aí para ver!

Começa a subir as escadas, faz uma pausa, e grita:
Eu estava subindo ou descendo as escadas?

A irmã caçula, Waneide a de 86, estava na cozinha tomando chá e escutando suas irmãs, balança a cabeça e pensa:
Que coisa mais triste! Espero nunca ficar assim tão esquecida?.

Prevenida, bate três vezes na madeira da mesa, e logo responde:
Já vou ajudá-las, mas antes deixa ver quem está batendo na porta.


Entrevista de emprego - Antonio Alves de Morais



Chico Budu, assim era conhecido. Saiu do Sanharol em Várzea-Alegre a procura de melhoras no giro do Maranhão. Quanto mais passava o tempo mais dificuldades enfrentava, chegando a ponto de não ter condições de retornar. Depois de dois anos desempregado, Chico, em total desespero, bate à porta de um circo recém chegado a modéstia cidade de Barão de Grajaú. A única vaga que temos disponível é de domador de leões! - explica o dono do circo. Domador de Leões? Não creio que eu vá me sair bem...

Deixa disso, rapaz! Esse emprego é moleza, você vai ver só. Você faz o seguinte: Sabe utilizar-se de um chicote? Sei sim, aprendi comboiando para Joaquim Bitu na Rajalegre. Transportava algodão, milho, arroz, feijão e oiticica pru armazém de seu Dirceu Pimpim.

Entra na jaula com um chicote na mão e encara o Leão, se ele rugir, você estala o chicote no ar. Se ele der um passo pra frente, você dá um passo pra trás e estala o chicote no ar. Se ele der dois passos pra frente, você dá dois passos pra trás e estala o chicote no ar novamente. Se ele avançar de novo, você recua e estala o chicote no ar... É fácil...

Mas... e se eu chegar no final da jaula e não der mais para andar pra trás? Não tem problema! Aí você pega um punhado de merda do chão e joga na cara do leão.
E se não tiver merda?
Pode ficar tranqüilo que vai ter!!
E, só não teve porque o Chico não era besta, desistiu em tempo hábil.

Confusão de oficio - Antônio Alves de Morais

É verdade.

José das Meninas, assim chamado porque todos os filhos eram mulheres, casado com Dona Minervina, católico fervoroso, devoto de São Raimundo. 

Vivia do trabalho pesado na roça, e da criação de pequenos animais. Morava no sitio Garrote, distrito sede  da Várzea-Alegre.

Das Dores, a filha mais velha resolveu ir embora para os lados da Amazônia, onde ficou um bom tempo sem dar noticias.

Fundou um bordel e melhorou de vida. Sabendo das dificuldades das irmãs, em Várzea-Alegre, mandou buscá-las para adjutorarem nas labutas do empreendimento.

O negocio prosperou e deu bons lucros. Mas, o pai não gostava das informações recebidas dando conta do oficio das filhas.

Um dia, Das Dores resolveu vi a Várzea-Alegre. Quando tomou chegada o velho não deu a menor atenção. Com a mãe não foi diferente. Então, ela resolveu desabafar: Não vejo vocês há 20 anos, vi visitá-los e sou recebida com esse desprezo e essa indiferença?

Eu trouxe até um dinheirinho para vocês, mas, já que é assim vou voltar. Minhas irmãs se cotizaram e mandaram 20 mil, mas, diante de tamanha desconsideração vou voltar e nunca mais piso aqui.

O velho coçou a cabeça e disse: Minha filha, que mal pregunte: Qual é mesmo a profissão de vocês por lá? Ela, braba como um siri na lata respondeu a todo pulmão: "Prostitutas".

Então, o velho se derreteu em mimos : Minha filha, "me adiscuipe", nós pensávamos que era "protestante". Se acomode, vá tomar um bom banho, durma um bocadin para descansar da viagem. "Tá vendo Minervina, as bichinhas nem tinham cuipa". Era tudo mentira desse povo invejoso da Rajalegue.

quinta-feira, 7 de março de 2024

LUIZ VIEIRA VILA NOVA - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Bicampeão pernambucano pelo Santa Cruz, em 1969/1970, e campeão cearense, pelo América, em 1966.

O trato, carinhosamente, como "Vilinha".

Fez sucesso como jogador, lateral esquerdo, do Nacional, Usina Ceará, América, Santa Cruz do Recife e Ferroviária.

Ao encerrar carreira, tornou-se juiz de futebol. Diziam, por causa de algumas decisões suas, que tinha regras e regulamentos próprios.

O Vila Nova sempre foi "gente boa". Afável, brincalhão e com muitos causos em torno dele. Mas, não levava desaforo para casa. 

Como árbitro, conduzia o jogo como se fosse boleiro.

Certa feita, Zé Preguinho, zagueiro do Quixadá, que não "alisava" atacante, pediu ao Vila que não lhe desse cartão, porque o jogo seguinte do seu time seria em Juazeiro e ele aproveitaria a viagem para comprar ouro.

Ao distribuir bordoadas nos adversários, Zé Preguinho foi contemplado com o cartão vermelho.

Vila disse para o zagueiro: "Tome esse vermelho. Vá comprar ouro no inferno".

A destruição de cartilagem dos joelhos impede o Vila Nova de se locomover.

Com saúde abalada, o ex-jogador e árbitro, leva a vida a cantar e ouvir músicas.

Com essa forma de resiliência,  Vila Nova vai driblando as dores.

quarta-feira, 6 de março de 2024

Para o Mundim do Vale o meu reconhecimento - Antonio Alves de Morais.

Mundim do Vale.

Várzea-Alegre e seu povo são eternos devedores do trabalho de disseminação e propalação da cultura e memória de sua gente. Não reconhecer é falta de virtude e criticar beira a deselegância e grosseria.

Em nossa terra, alguns, se pudessem não existia o antes nem o depois deles. Seriam únicos.

Eu mantenho um Blog  que carrega o meu nome, e como dizia o velho José Bezerra do São Vicente tudo que é mil é muito. O nosso Blog tem  mais de 9 mil postagens. 6 mil delas  sobre Várzea-Alegre, sua gente   nos  mais  diversos segmentos da vida. 

Acho que ninguém de Várzea-Alegre lê. Mas, eu não escrevo para os outros, eu escrevo pra mim. Mesmo assim o Blog já ultrapassou  2 milhões de acessos. Outro dia eu estava num consultório medico em Juazeiro do Norte e comecei a paginar uma revista editada em Belo Horizonte. Encontrei um texto do Blog do Antônio Morais postado com  o devido crédito. O texto contava uma história bem humorada de Josefa e Laura da Formiga. 

Quem ler está revista ficará sabendo que existiu Josefa, Laura, que existe o sitio Formiga e a cidade de Várzea-Alegre no Ceará.

Portanto, prezado primo Mundim, avante, em frente, sequencie seu memorável trabalho. Não permita que por uma besteira qualquer a nossa história seja jogada na vala profunda do esquecimento.   

O JOGO MODERNO - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.


Há muita coisa pintada de nova para ser chamada de moderna. E como tem.

O futebol sempre foi jogo, teatro e dança. Junta sentimentos e contradições.

Ficou diferente porque realmente se modernizou. 

É uma prática cada vez mais dependente de treinamentos, movimentos e novas ideias.

Quem não entendeu isso ficou para trás.

Rompeu, em grande parte, com a era do individualismo. 

Mas, nunca abriu mão, por completo, das proezas individuais. Os extraclasses que o digam.

O ideal é sair do goleiro com a bola de pé em pé, geralmente com dois toques.

Alterar quando se aproximar da área adversária em tomada de decisão.

Reiniciar sempre que as tentativas não trouxerem os objetivos desejados.

Claro, dito assim, até parece algo fácil de fazer. Tudo parece simples.

O que se apresenta bastante claro é que o futebol, como paixão maior dos esportes, continua arrastando multidões pelo Mundo.

Vivamos os seus momentos arrebatadores.

terça-feira, 5 de março de 2024

Eu não escrevo para os outros - Antônio Alves de Morais.


Eu não sou escritor, não sei escrever, nunca me preocupei com isto. Não escrevo para os outros. Escrevo pra mim. Quando a saudade bate, quando o ausente se faz presente. eu escrevo pra eu ler depois. 

Pouco importa o resto. Hoje estou com saudade de meus amigos várzea/cratenses. O Ponto de encontro era o "Bar Alagoano", chegava eu, o Clementino, Pedro Morais, o Manga murcha e haja cerveja gelada e arizia. 



De bar em bar saiamos nós, despreocupados com a vida. Conversas as mais diversas existiam. Se você não sabe o que é "arizia" procure saber com os mais velhos. São coisas que não existem mais, foram substituídas por vaidades,  orgulho e prepotência.

Nossa noite terminava no "Restaurante Guanabara", caracterizado por não ter portas, era aberto dia e noite. Lá se servia a melhor canja de galinha do Crato. 

Sentamos numa mesa e pedimos "canja" como de costume. Em pouco tempo chega a garçom com uma bandeja completa de batata frita, carne de sol, linguiça torrada, picanha assada e salada numa enorme fartura.

O Clementino, na sua singeleza e humildade habitual se dirigiu ao garçom: O senhor está servindo a mesa errada - nós pedimos canja, esse pedido deve ser de outra mesa.

O garçom, não senhor não há engano, a mesa a ser servida é essa mesma, quem mandou está atrás daquela cortina. 

Lá, na parte reservada,  estava o "Trio Nordestino" - Lidu, Coroné e Cobrinha,  passamos a fazer parte da mesa e, até o amanhecer o dia foram glórias, festas e louvores as custas da amizade e do prestigio da figura humana de José Clementino do Nascimento. 

Quando digo que não escrevo para os outros, não minto. Eu escrevo pra mim.  Essa história do Zé. do Pedro, do Manga Murcha e minha eu leio, leio e leio e não me cansa a leitura.

EU SOU É DO CARIRI - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.



Já dei uns pinotes fora do Brasil.

Fui a trabalho para duas Copas do Mundo.

Em 1986 no México e em 1990 na Itália.

Transitar por lugares e esbarrar em celebridades como Pelé, Eusébio, Mazzola e outros foi uma experiência e tanto.

Vi muita coisa bonita.

E feia também.

Não gostei da comida em canto nenhum.

Sonhava comendo galinha caipira e carne de bode com macaxeira, não vou negar.

Descobri ligeiro que gosto mesmo é daqui.

Minha viagem preferida é em direção ao Cariri.

É o efeito do telurismo em toda sua plenitude.

Não quero abafar o turismo de ninguém.

Se me servirem baião de dois com pequi todo dia, boto prá dentro.

Não consigo me enxergar em outro lugar.

Gosto de Fortaleza mas adoro o Cariri.

Nasci em Cedro, bem pertinho de lá.

Enviado por Amigos de Deus - Antônio Alves de Morais


Era uma vez um sapo falador que queria fugir do inverno. Alguns gansos sugeriram que o sapo se juntasse a eles e migrasse, que fosse com eles para um lugar mais quente.

Mas aí apareceu um problema: o sapo não voa, como poderia seguir viagem?

Mas o sapo sabido foi logo dizendo: "Deixem comigo, tenho um cérebro brilhante, vou ter uma boa ideia."

Pensou um pouco e então pediu aos gansos que o ajudassem segurando um caniço forte, cada um numa ponta.

Como o sapo tem um bocão, poderia se prender ao cabo pela boca e seguir com os gansos. Em pouco tempo os gansos e o sapo iniciaram a sua jornada.

Assim que passaram por uma pequena cidade os moradores saíram para ver aquela cena estranha e original.

Quem poderia ter tido uma ideia tão brilhante? perguntaram alguns moradores. Isso fez com que o sapo se inchasse tanto de orgulho e, se sentido importante gritou: Fui eu, fui eu!

Seu orgulho foi sua ruína, pois no momento em que abriu a boca, se soltou do caniço e estatelou-se no chão, morto.

segunda-feira, 4 de março de 2024

As titias e o Aquarius - Antonio Alves de Morais.

Aquarius, décadas do século passado.  

Ponto de encontro de pessoas alegres e felizes. Uma tertúlia no sábado à noite, era a grande pedida da vez.

Umas "tias" compareciam e tinham certas dificuldades para "capturar" parcerias para uma dança. Como se sabe, o público jovem formava maioria naqueles bailes de antanho. 

Numa das noites, a "caça" das "tias" não logrou nenhum resultado, o que levou uma delas a dizer, conformada, para as demais : "Minhas amigas, hoje, não vamos conseguir nada".

"Eu, mesma, vou pra casa, "dar minha cagadinha e dormir". 

E se mandou.

Jeito de estar na vida - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

Precisamos ter uma visão precisa das coisas, porque o momento é grave. Para tudo se precisa de filtro.

Não dá para compor ou criar algo sem se sentir bem com a verdade. Se o cenário muda, modelamos outro.

Levar nossas observações a sério é um jeito de estar na vida. 

A luta continua, como diria um amigo aposentado. Mas, será que as coisas vão acontecer dentro do esperado?

Ainda faço força para urdir uma crônica, com a naturalidade como comento futebol no rádio.

"Aprenda a lidar com os vales. As colinas sabem se cuidar". Essa frase que ouvimos em  filme, sugere a direção que devemos tomar.

Uma boa medida é a de se reconciliar com as mudanças que nos afetam.

Tudo ao nosso redor está querendo se comunicar. De repente, uma frase pode iluminar o lugar onde estamos.

Urge não desabrochar tarde demais. O tempo leva coisas.

E ainda há espaço para dizer o seguinte: sem as pessoas que amamos, o Universo não tem importância nenhuma.

domingo, 3 de março de 2024

"A Praça dos nossos sonhos" - Por Carlos e Magali.


Celebrar o amor e agradecer a Deus o dom da vida foi o que nos impulsionou a escrever nossas memórias a quatro mãos. 

Ter chegado aos quarenta e quatro anos de casados, enfrentando os desafios do mundo para construir nossa harmonia e a da nossa família, nos fez desejar  essa parceria em livro e testemunhar para os leitores que a verdadeira felicidade não vem das coisas materiais, do luxo, do conforto; mas, sim, do amor, do respeito mútuo,  da compreensão e da aceitação do outro. E, acima de tudo, da confiança em Deus.

A vida a dois é um aprendizado constante.  Cada um dos cônjuges deve ter como preocupação principal fazer a felicidade do outro, e assim obter como recompensa  a própria felicidade.

O livro que o estimado leitor tem em mãos é escrito  em linguagem simples,  com palavras que brotam  de nossos corações,  cheios de amor a nossa família, ao Crato e a todos aqueles que nos prestigiam com a sua valiosa amizade.

Carlos e Magali.

Em Fortaleza poderão encontrar na "Secretaria da Paróquia de Nossa Senhora da Piedade" - Rua Joaquim Torres. Em Crato na "Livraria Nobel" e na banca do Sr Roberto ao lado do Bradesco!

A botija de Fideralina - Por Emerson Monteiro.


Quem lá viveu ou conheceu de perto o sítio Tatu, no município de Lavras da Mangabeira, sertão cearense, pode falar a propósito de dona Fideralina e de uma botija que teria deixado enterrada nas cercanias da casa grande da sua propriedade. Em face disso, muitos consideram mal-assombrada a fazenda, sede secular do clã dos Augustos. Há histórias de aparições e outros fenômenos instigantes, qual se espectros desejassem comunicar algo desde o mundo invisível, a querer informar onde estivessem depositados haveres em ouro da velha senhora.

As informações reservadas que a família detém dão conta de que apenas três pessoas testemunharam a hora de enterrar a fortuna. O vaqueiro Lourenço, a ex-escrava Tomázia e a própria Fideralina.

Segundo reza a tradição oral, as duas mulheres que escolheram o local em que, elas mesmas, cavaram o buraco, dentro, ou nas proximidades, da casa. E numa noite, convidaram o vaqueiro; vendaram-lhe os olhos e cuidaram de girá-lo muitas vezes, enquanto repetiam as palavras: Faz roda, Lourenço. Faz roda, Lourenço. Faz roda, Lourenço.

Ao imaginá-lo tonto, lhe puseram na cabeça pesado tacho feito de cobre, desses de fazer doce e queijo no sertão, recheando-o de pratarias e libras esterlinas. Puxaram o homem pelo braço até o lugar onde arriaram a carga, depositando-a no solo escavado; em seguida tudo cobrindo de terra.

Nessa noite, se conta, caiu chuva forte, impedindo quaisquer possíveis identificações posteriores por parte das pessoas, inclusive do próprio vaqueiro, o qual, após o desaparecimento das duas outras personagens (o que não demorou muito a ocorrer) pôs-se a comentar o assunto com moradores do sítio. Dizia que, naquela noite, a caminho do ponto em que poriam o tacho, e nesse trajeto, ouvira batida de duas cancelas que cruzavam, sem precisar, no entanto, a situação em que haviam largado o tesouro.

No ano de 1919, Fideralina sucumbiu à febre denominada baliarina, pandemia que assolou o mundo depois da Primeira Grande Guerra, a tantos vitimando nos sete continentes. Tomázia seguiu logo depois, deixando viúvo seu Antônio Pretinho, que ainda viveria tempo mais, responsável por filhos, netos e bisnetos de numerosa prole, fiel contador dessas histórias.

Passados alguns anos, o vaqueiro alucinou de todo, se afastando por completo do convívio social. Nos seus delírios, repetia vezes sem conta as palavras que escutara na noite em que transportou os haveres da matriarca:

- Faz roda, Lourenço. Faz roda, Lourenço. Faz roda, Lourenço - ocorrência testemunhada pelas pessoas que, nessa época, o conheceram.

Muitas tentativas se promoveram na intenção de achar esse rico depósito, contudo até hoje não existe notícia de alguém dele lançar mão, persistindo intacta a lenda de quase um século.