sábado, 17 de agosto de 2024

Crato: uma cidade marcada apelo pioneirismo (por Armando Lopes Rafael)

   

   

   A cidade do Crato  contabilizou, ao longo de sua história – importantes conquistas de pioneirismos... Nos dicionários,  "pioneirismo" é definido como: "palavra usada para descrever alguém, ou alguma instituição, que é o primeiro a abrir caminho por meio de uma região em começo de civilização ou que ainda seja pouco conhecida". 

   Bastaria lembrar, de passagem, uma dessas ações pioneiras, ocorrida em 1946, há quase 80 anos, que teve o Crato como palco. Naquela época não se falava em ecologia ou biodiversidade. E, nesse campo, o Crato e o Cariri foram sede de uma iniciativa de extrema visão de futuro. Refiro-me ao Decreto n° 9.226 de 02 de maio de 1946, no qual Governo Federal, atendendo às reivindicações de deputados federais do Cariri, criou a primeira reserva florestal do Brasil. Naquele tempo existiam homens públicos sérios, honestos e visionários...

   Trata-se da Floresta Nacional do Araripe - FLONA, que tem boa parte da sua reserva encravada no Município do Crato. Constituída por mata primária, clima ameno, além de possuir boa variedade de fauna e flora nativas, fontes naturais, pequenas grutas e a mais importante reserva do de fósseis do período cretáceo, a Floresta Nacional do Araripe vem permitindo, desde então a sua preservação, a pesquisa científica, a recreação e o lazer, a educação ambiental às novas gerações e o manejo florestal sustentável e turismo.

     Já no início do presente século XXI foi criado em Crato, por conta da preservação da Floresta do Araripe, o primeiro Geopark do continente americano e de todo o hemisfério Sul: o Geopark Araripe.

 

"Coisas desta República" – Multas: indústria "governamental" altamente lucrativa

 

   Segundo dados obtidos no Registro Nacional de Infrações de trânsito (RENAINF), em 2023, somente por excesso de velocidade, foram lavradas mais de 34 milhões de multas. Na cidade de São Paulo, 1,6 bilhões de reais saíram dos bolsos dos paulistanos para os cofres municipais, quantia fabulosa tratando-se de infração de trânsito.

    O estratagema de reduzir velocidade máxima para 40 ou 50 Km/hora transformou-se num dos negócios mais rentáveis da face da terra. Nas estradas estaduais dá-se o mesmo: é só armar o “pardal” (censor de velocidade) para multar quem ultrapassa esta velocidade sem lógica – numa curva ou em um trecho – onde a velocidade caí bruscamente para 30 ou 40 Km/hora, e esperar o dinheiro jorrar nas burras dos governos. 

   Não existe motorista que ainda não caiu nessa “pegadinha”...mas as autoridades não estão nem aí quando as ruas e rodovias estão esburacadas e mal sinalizadas. Estas, sim, são causadoras de muitas mortes...

(Fonte: revista “Herdeiros do Porvir”, edição n° 75, junho 2024)
Postado por Armando Lopes Rafael

PS - Em Crato, já antes do bairro Gisélia Pinho (Batateiras) começam as placas para reduzir a velocidade dos carros. E em frente ao antigo Colégio Agrícola, nas Guaribas, tem um "pardal para multar quem ultrapassar os 40 Km/hora. 

Viva São Raimundo - Antônio Alves de Morais

Zefa da Formiga, assim conhecida porque morava no Sitio Formiga, localizado entre a sede  do município e o sitio Roçado Dentro, devota fervorosa de São Raimundo, diante de belíssimo espetáculo pirotécnico ao final da procissão e da festa daquele ano, entusiasmada com o pipocar dos fogos não se continha com a emoção e gritava a pleno pulmão junto aos demais fiéis :

Viva São Raimundo.

Laura da Formiga, irmã da Zefa, tomada pelo mesmo sentimento, porém desprovida de compreensão católica, fazia coro repetindo a cada "Viva São Raimundo" : 

Era mais ou menos assim.

Todos :

Viva São Raimundo.

Laura :

Orra diabo.

Todos:

Viva São Raimundo.

Laura:

Orre porra.

A sabedoria do poeta - Por Dr. Sávio Pinheiro

Depois de um acalorado debate de ideias, que resultou em 31 comentários sobre um tema, o medico, escritor, e membro da Academia Brasileira de Cordéis, Dr. José Sávio Pinheiro, que apenas observava de longe o embate, se pronunciou a respeito daquela troca de ideias:

Se a Dilma plantar feijão,
E o Serra plantar arroz.
Vou morar no Sanharol,
Pra comer baião de dois.

Em homenagem  ao poeta  eu emendei:

Como a Dilma não plantou
Nem o Serra  semeou
Fui parar no Cariri
Comendo arroz com piqui.

José Bonifácio de Andrada e Silva - Antonio Alves de Morais.

"Nunca fui nem serei realista puro, mas nem por isso me alistarei jamais debaixo das esfarrapadas bandeiras da suja e caótica Democracia."

José Bonifácio

Mais conhecido na história do Brasil como o "Patriarca da Independência", quem foi José Bonifácio de Andrada e Silva, que tanto influenciou D. Pedro I, em sua Regência? Que poder tinha esse homem para ser nomeado tutor dos filhos de D. Pedro I, mesmo após ter iniciado um amplo movimento de oposição ao imperador?

Brasileiro de família abastada, nascido em 1763 na cidade de Santos, José Bonifácio estudou Ciências Naturais e Direito em Coimbra, adquirindo considerável reputação como professor universitário. Após percorrer por dez anos várias regiões da Europa, retornou para Portugal e em 1800 recebeu o título de doutor em filosofia, destacando-se também como geólogo e metalurgista, quando fundou a primeira cátedra de metalurgia lusitana. Tornando-se intendente-geral das minas de Portugal, ganhou cargos de relevância, passando a chefiar a polícia do Porto, após a expulsão dos franceses que haviam invadido Portugal em 1807 durante a expansão napoleônica.

José Bonifácio: Discurso liberal e prática conservadora.

Presente em nossa história desde o início movimento de independência, José Bonifácio foi presidente da junta governativa de São Paulo (1821) e posteriormente assessor e ministro de D. Pedro, juntamente com seu irmão Martim Francisco. Tornou-se o principal organizador da Independência do Brasil com atuação destacada no processo constitucional. Seu liberalismo porém, limitava-se ao discurso ou a alguma literatura que produziu sobre a necessidade de abolição gradual da escravidão. Na prática foi um assumido defensor dos escravocratas.

Nas eleições para Constituinte, José Bonifácio conseguiu fazer três dos seis representantes paulistas, colocando na liderança do grupo seu outro irmão Antonio Carlos. Atenuou as divergências políticas e ideológicas entre o imperador e a Assembléia Constituinte, onde representava a corrente mais conservadora defendendo um Estado extremamente centralizado e a limitação do direito de voto, em oposição aos liberais radicais, que exigiam uma constituição liberal, a limitação dos poderes de D. Pedro e a maior autonomia das províncias.

D. Pedro I: dissolveu a Constituinte e outorgou a primeira Constituição da nossa história

Nesse contexto, a união dos Andradas com o imperador foi de curta duração. O autoritarismo de José Bonifácio gerou severas críticas por parte da oposição e a perda de seu prestígio frente ao imperador. Em junho de 1823 José Bonifácio foi frontalmente contrariado pelo monarca que assinou um decreto anistiando revoltosos inimigos dos Andradas. No mês seguinte José Bonifácio e Martim Francisco demitiam-se, enquanto Antonio Carlos se destacava como principal articulador do projeto constitucional na Assembléia Constituinte, mais tarde dissolvida pelo imperador.

Na oposição os Andradas passaram a combater tenazmente o governo de D. Pedro não somente na Assembléia, mas sobretudo no Tamoio, jornal que fundaram em agosto de 1823 e cujo título, nome de uma tribo famosa pela aversão que tinha aos portugueses, mostra claramente sua orientação. O Tamoio era muito bem redigido, mas os princípios democráticos em seus editoriais, contrastava-se com o autoritarismo que marcou os Andradas na época em que eram ministros. Um outro jornal de oposição, o Sentinela da Liberdade à beira do mar da Praia Grande, auxiliava o Tamoio em suas investidas contra o imperador.

Com a dissolução da Constituinte, José Bonifácio, seus irmãos e alguns partidários, foram deportados para Europa. Publicando um caderno de poesias sob o pseudônimo arcádico de Américo Elísio, José Bonifácio foi considerado o mais notório brasileiro de seu tempo.

De volta ao Brasil, foi residir na ilha de Paquetá, reaproximando-se de D. Pedro I que após abdicar ao trono, indicou-o como tutor de seu filho (futuro D. Pedro II). Suspeito de participar da conspiração que pretendia restaurar D. Pedro I, foi acusado de crime político e preso em 1833, sendo julgado e absolvido por unanimidade. Em seus últimos dias de vida mudou-se para cidade de Niterói, onde faleceu em 1838.

Legítimo representante das elites rurais José Bonifácio foi um político conservador que odiava a democracia e não hesitava em lançar tropas contra as massas. Suas propostas de caráter mais progressista, como a abolição gradual da escravidão e a distribuição de terras inutilizadas para lavradores pobres, são circunstanciais, refletindo a inevitável influência dos princípios iluministas naquela época.

Se procurarmos entender o que de fato representou o estadista José Bonifácio na realidade histórica marcada pelo processo de formação do Estado Brasileiro, encontraremos um personagem extremamente conservador e até reacionário, já que quase tudo nele, girava em torno dos interesses da aristocracia rural escravista, a classe social que José Bonifácio efetivamente representou ao longo de sua vida política.

A Revolução de Juazeiro - Antonio Alves de Morais

A partir de amanha estarei postando partes do poema de José Augusto de Lima Siebra que trata da Revolução de Juazeiro. Pouco se conhece a esse respeito porque ninguém tem o menor interesse em registrar a historia. O certo é que onde havia um foco de resistência aos dominadores da politica da época, os jagunços ou cangaceiros, como queiram chamar, faziam uma visita e amarravam, açoitavam, humilhavam, destruíam e até roubavam tudo. Aconteceu no Sitio Boa Vista em Várzea-Alegre, pelo simples fato do chefe da família se declarar contrario aos poderosos da época. A politica é mesmo dinâmica, de décadas para cá, os que mandaram açoitar e os que apanharam se uniram e de braços dados seguem esquecidos dos fatos ocorridos com seus antecedentes.
Veja uma estrofe do poeta: José Augusto de Lima Siebra.
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No termo de Várzea Alegre
Na fazenda Boa Vista
Uma família pacata
Branca, honrada, benquista,
Foi amarrada, açoitada,
Por se dizer rabelista.

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Brasil, ontem e hoje - Antonio Alves de Morais.

Em plena ditadura militar que tantos condenam, o presidente do Congresso Nacional senador Nilo Coelho, foto declarou : "Eu não sou o presidente do congresso da ARENA", eu sou o presidente do Congresso do Brasil. 

Disse resposta a um senador de um partido que tinha, à época, 75 senadores de um total de 81 senadores, e, a oposição apenas seis, mas o presidente dava voz e vez a minoria.

Hoje senador Rodrigo Pacheco, foto é o presidente do Congresso do governo, e, o mais grave em troca de uma possível indicação para ministro do STF, que não aconteceu. Fez do Congresso Nacional uma inutilidade.

Hoje nessa república de bananas, o senador Pacheco tornou o Congresso Nacional igual a ele : "Uma iniquidade".

Não se sabe para que serve.

LEIAM E MEDITEM - Fonte "Crônicas e Contos", Jackeline Madeira.

Primeiro dia de aula, o professor de 'Introdução ao Direito' entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:

Qual é o seu nome?

Chamo-me Nelson, Senhor.

Saia de minha aula e não volte nunca mais! - gritou o desagradável professor.

Nelson estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.

Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada.

Agora sim! - vamos começar .

Para que servem as leis? Perguntou o professor - Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta:

Para que haja uma ordem em nossa sociedade.

Não! - respondia o professor.

Para cumpri-las.

Não!

Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.

Não!

Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!

Para que haja justiça - falou timidamente uma garota.

Até que enfim! É isso, para que haja justiça.

E agora, para que serve a justiça?

Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira.

Porém, seguíamos respondendo:

Para salvaguardar os direitos humanos...

Bem, que mais? - perguntava o professor .

Para diferençar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem...

Ok, não está mal porém respondam a esta pergunta:

"Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?"

Todos ficaram calados, ninguém respondia.

Quero uma resposta decidida e unânime!

Não! - responderam todos a uma só voz.

Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?

Sim!

E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! 

Vá buscar o Nelson - Disse. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.

Aprenda: Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia.

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Observe - Antonio Alves de Morais


Eu sou uma pessoa extremamente observadora. Então, se você acha que não percebi, sinto muito. Mas eu notei.

Eu apenas decidi ficar em silêncio.

As pessoas criam regras que não cumprem, impõem comportamentos que não tem, esperam o respeito que não dão e ditam princípios que não seguem.

Você não pode escolher o que vai ouvir das pessoas, mas pode escolher o quanto vai se importar.

A pátria lá de nós - Batista de Lima.

Parece senso  comum que desfile de 7 de Setembro tem que ser feito por militares ou estudantes.

Cada vez menos estudantes estão desfilando. No dia da pátria , a preferência está sendo o desfile na praia, de calção ou biquine, e às vezes futebol.

Porque as pessoas comuns não fazem os seus desfiles patrióticos! Será o desencanto com o comportamento dos nossos políticos!

O desfile poderá ser feito por pessoas comuns com bandeiras do Brasil, de associações, ou time de preferência.

Seria o povo nas ruas com orgulho de brasilidade.

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Olimpíadas regionais de 1954 - Antonio Alves de Morais.


Terminada as olimpíadas de Paris, rebuscando o tempo e lendo a história vi que Várzea-Alegre e Quixará foram finalistas na modalidade "Caçada de Tatus" nas olimpíadas regionais de 1954.

No dia da disputa final o caçador do Quixará passou o dia banhando e alimentando os cachorros. Enquanto o representante de Várzea-Alegre bebia cerveja gelada no Bar do Geraldo Marinho.

Quando o juiz da competição deu o silvo forte os contendores subiram a "Serra do Quincunkar". 

Ao retornarem, ao amanhecer do dia seguinte o caçador do Quixará trazia um saco com dez tutus e o de Várzea-Alegre trazia uma dúzia. 

Houve um principio de emboança que terminou com uma investigação e anulação da prova. 

Descobriu-se que o caçador de Várzea-Alegre havia levado um bujão de gás pequeno, colocava a mangueira no buraco e soltava o gás. Sufocado o tatu  fazia finca pé e na saído buraco o caçador abrecava e colocava no saco. 

Confirmada e fraude anularam a prova e marcaram outra para o dia seguinte.

Quando os contendores retornaram da segunda prova o caçador do Quixará trouxe meia dúzia de tatus, e, o de Várzea-Alegre dez tatus.

Inconformados, partiram para uma segunda investigação, descobriram que o caboclo de Várzea-Alegre havia levado um pequeno chocalho e quando se aproximava do buraco batia com um martelo : Tengo, tengo, temgo, tengo, então, o tatu  pensava : "É o caba do gás". Tentava fugir e era abrecado na saída do buraco. 

Anularam a prova outra vez e o relatório aguarda julgamento no COI.  Continua indefinido o vencedor.

Tanto a Bandeira como o Hino Nacional Brasileiro são herança da Monarquia – por Armando Lopes Rafael



(excertos de artigos públicos neste Blog em junho de 2010)
A Bandeira do Brasil Império foi criada e oficializada através dor Decreto de 18 de setembro de 1822. Foi desenhada por Jean-Baptiste Debret. Era composta de um retângulo verde e um losango amarelo, cores escolhidas por dom Pedro I, para lembrar o verde da Casa de Bragança (origem do nosso primeiroImperador) e o amarelo da Casa Real dos Habsburgos, de onde provinha a Imperatriz Leopoldina.
No Centro um escudo, cercado de ramos de café e tabaco indicados no decreto como "emblemas de sua riqueza comercial, representados na sua própria cor, e ligados na parte inferior pelo laço da nação". As 19 estrelas de prata correspondem às 19 províncias que o país tinha na época. Menos de quatro meses depois a coroa real que se sobrepunha ao brasão foi substituída por uma coroa imperial "a fim de corresponder ao grau sublime e glorioso em que se acha constituído esse rico e vasto continente", afirmava o decreto de 1º de dezembro de 1822.

Também o nosso Hino Nacional (igualmente oriundo dos tempos imperiais) que é ouvido, com todo respeito, por milhões de brasileiros, remonta ao Primeiro Reinado de Dom Pedro I, O Hino Nacional Brasileiro era executado sem ter ainda uma letra. Conhecida apenas como “Marcha Imperial”, foi muito tocada nos campos de batalhas da Guerra do Paraguai. Depois desse conflito foi popularizada na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil.

Com o advento do golpe militar que implantou a República dos Estados Unidos do Brasil, no chamado “Governo Provisório” – dirigido pelo Marechal Deodoro da Fonseca – foi instituído um concurso para a adoção de um novo hino nacional. A ordem era (tentar) apagar tudo que restasse do Brasil-Império. Vivia-se os novos tempos republicanos e a propaganda oficial dizia que tudo vinha melhorando e o Brasil iria trilhar a senda do progresso e do bem estar do seu povo.Quantas vezes, nos últimos cem anos, vimos esse filme...

Pois bem, na noite de 20 de janeiro de 1890, o Teatro Lírico do Rio de Janeiro estava superlotado, reunindo as mais destacadas personalidades da então capital brasileira, para conhecer o novo Hino Nacional. No camarote de honra, o velho Marechal Deodoro, àquela época já bastante decepcionado com alguns companheiros do golpe militar de 15 de novembro de 1889. O hino que obteve o primeiro lugar no concurso foi composto pelo maestro Leopoldo Miguez, com letra de Medeiros e Albuquerque. Na verdade, uma bonita peça (hoje chamada de “Hino da República”, que começa com o refrão: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”.

Ao final da execução do hino, o Marechal Deodoro bateu o martelo e impôs:
– Prefiro o velho!

Foi quando ficou preservada para as gerações vindouras, a bela “Marcha Imperial”, o mesmo Hino Nacional Brasileiro de hoje, cujos primeiros acordes (“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas/ De um povo heróico o brado retumbante”) nos enche de orgulho e nos faz reviver o pouco de patriotismo que ainda resta à “brava gente brasileira”...
Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Academia Cearense de Língua Portuguesa - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

O RETORNO DO WILTON

Batista de Lima

(Cadeira n° 36)

Wilton Bezerra está de volta. Desta feita, divorciou-se das crônicas e amasiou-se com os causos. São 213 páginas de causos sequestradores de leitores. A gente começa a ler e de repente se encontra em Juazeiro, depois de passagem por Várzea Alegre em que até São Raimundo é provocador de histórias. Não há no Ceará uma cidade mais Alegre que aquela Várzea produtora de arroz e alegria. Dá até a impressão de que Wilton tenha nascido e se criado ali no meio daquele povo feliz.

Logo no início do livro, Juarez Leitão abre o verbo e discorre sobre os clássicos da antiguidade, deambulando literariamente dos persas a Leota e Ariano. É então que Wilton abre as cortinas e põe nas páginas um elenco de personagens reais e outros que de tão bem inventados passam a existir e nos fazer rir. Esse é o milagre do bom narrador, para o qual não há mentira, o que há é a arte de saber contar. Wilton tem essa virtude. Seu aspecto físico, grandão e malamainhado com a cara de riso gozador, já impressiona sem dizer palavra.

Entre os personagens que mais pontificam nos seus causos, estão Sapenha, zagueiro do Fortaleza nas décadas de 1950 e 1960; Praxedes, técnico dos times de Juazeiro por muito tempo, e o povo de Várzea Alegre. Além desses personagens, há os nomes característicos de alguns que já nos põem a rir, antes de ler a narrativa. Por exemplo:

Surubita Massagista, Chicletes, Darim, Cicinha, Didu, João Furiba, Antõe de Ozim, Piaba, Sebastião Lagartixa, Pé Véi, Gambá, Caju, João Tramela, Geraldo Bagulho, Soizão, Pirocha, João Sabugo, Cangulo Canada e Carôi. São tipos populares que só em escrever os nomes, o leitor já fica curioso para ler o causo.

Além disso tudo, vem o aspecto linguístico do texto. Cada narrativa vem escrita sem os salamaleques metafóricos da linguagem literária. O que vinga e perdura no nosso paladar lectual é a fala do povo desprovida dos arremedos clássicos que verberam nos recintos acadêmicos.

Isso ocorre porque Wilton sabiamente transpõe para o texto aquela fala do boteco, das bodegas, das bagaceiras dos engenhos, das lupanares, dos bancos de praças e dos campos de futebol. Aquelas falas têm o privilégio de encontrar nesse "causer", modelo de persistência. A parte final do livro traz atrativo ainda mais de valorização do sertão, quando Wilton sabiamente parte para transpor poemas jocosos de poetas sertanejos que engrandecem o livro. Zito Siqueira, Lourival Batista, Zé Bernardino, Odilon Nunes, Cego Sinfrônio, Onéssimo Gomes, Cego Aderaldo, José Gaspar, Pedro Bandeira, Oliveira de Panelas, Pinto do Monteiro, Otacílio Batista, Patativa do Assaré; esse time de poetas populares pode retirar do livro e botar em campo que ganha qualquer parada. É uma verdadeira antologia que sugere a Wilton organizar uma coletânea desse tipo de versificação.

Ao final da leitura, o leitor sente fome de querer mais histórias e versos engraçados. Afinal, existe toda uma oralidade espalhada por esses confins, pedindo para ter vez e voz em folhas de livros. E aí entra Wilton, com sua linguagem cheia de requebros, com a verve de boêmia de beira de bodega e andarilho pelas bribrocas sertanejas. Por isso que, como leitor assíduo de sua prosa, sugiro que nosso novel escriba prepare uma antologia com essa poética popular espalhada por nossos confins. Leitores não faltarão.