domingo, 9 de maio de 2010

Presente Raro - Antonio Alves de Morais

Recebi um presente precioso do Mundim do Vale. Trata-se de um exemplar do livro de Jose Helder França, grande escritor conhecido e muito querido por todos do cariri.
Postei inicialmente a historia da vontade que tinha Roza Guede de passeiar no Crato. Nos próximos dias estarei postando a historia do passeio de Roza, só conseguido depois de alcançar a maioridade. O passeio contado por Dedé é uma comedia, descrita com perfeição. Fala dos lugares e dos personagens conhecidos da cidade com um humor agradável que deixar todos presos a historia.
Não percam a historia de Rosa Guede em sua aventura na Exposição do Crato. A partir de terça-feira no Blog do Sanharol.

Segundo Domingo de Maio - Dias Das mães - Antonio Alves de Morais

Alice Tibiriçá, em Maio de 1932 à frente de uma comissão, no Congresso Feminista, dirige-se ao então Presidente da Republica Getúlio Vargas pedindo que se oficializasse esta data tão significativa para um povo como o nosso, sentimentalista por excelência.
Em 1947, D. Jaime Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fosse incluída no calendário oficial da Igreja Católica Romana.

Atualmente, a mulher se libertou, tomou encargos dentro e fora de casa, ela se tornou a companheira de quem, livremente, escolheu para ser seu esposo. Passa a ser, então um elemento complementar do homem, a guardiã do lar, a rainha que domina pela bondade, pelo coração e pelo amor.
A mulher se realiza totalmente quando Deus lhe concede o direito de maternidade. Victor Hugo coloca a mulher em uma posição de supremacia, de carinho e destaque: O homem é a águia que voa; a Mulher o rouxinol que canta. Voar é dominar o espaço; Cantar é conquistar a alma. O homem tem um fanal: a consciência; a mulher tem uma estrela: a esperança. O fanal guia, a esperança salva. Enfim o homem está colocado onde termina a terra; a mulher, onde começa o céu.

Feliz dia das mães.

sábado, 8 de maio de 2010

Carta a Dedé França sobre "Rosa Guede" - Dihelson Mendonça


CARTA A DEDÉ FRANÇA ( Sobre Roza Guede )
Por: Dihelson Mendonça


Meu caro amigo Dedé,
se você visse cuma é,
a bagunça que tá o mundo,
com esse tá de Forró Brega,
qualquer das moça se entrega
pras trinca de vagabundo

Tá muito mais pió agora
A esculhambação de outrora
já num é mais novidade
e pra piorar inda mais
as rádia não fica atrás
só toca imbecilidade

Agora tem um tal de "Di Jays"
que querem falar ingrês
mas de inglês num sabem nada
só sabem mesmo é budejar
passam o dia a arremedar
jumento bebendo água

Num tem uma rádio que preste
desde o sertão ao agreste
tudo só toca porcaria
tem uma tá de somzoomsat
que pega em qualquer parte
divulgando as baixaria

Num tem mais gente decente
as festa são decadente
quaje tudo termina em briga
pra você ter uma idéia
os cantor grita pra platéia
-- Aí tem moça ou rapariga ?

Mas tudo é culpa da ambição
desses maluco do cão
que vieram da capitá
poluíram nossa cidade
troxeram infelicidade
pras pessoa do lugar

Eu tenho muita fé em deus
que um dia esses fariseus
inda vão perder o nome
que dê uma gripe afônica
morram de peste bubônica
ou que se acabem de fome

Dedé eu trouxe um amigo
que deseja prosear contigo
dar-te uma palavrinha
Ele é poeta letrado
por vates grandes clamado
um mestre da escrivaninha

Assim ele diz:

"Envolto em couro, em gibão,
rejubila-se o Rei, Gonzagão
que transcendeu a arte infinda
com uma pureza abstrata
entoou versos, serenata,
que ecoam no universo ainda

Nas noites de lua cheia
os vates à luz vagueiam
plangendo ternos violões
ostentando-se para donzelas
gentis loas, aquarelas
entrelaçadas de sons

Imortais noites queridas
dos sonhos da minha vida
de outro tempo, se encerra
na pureza das crianças
nas danças, nas contradanças
de um sertão de outras eras

Campos de sonhos feridos
um norte pobre, esquecido
clama por heróis gigantes
p´ra florescer a cultura
renascer nossa bravura
e a dignidade d´antes

Ó grande vate do Crato
és príncipe, és candidato
às mais divinas esferas
de deus foste a voz altiva
a revelar-nos a intriga,
o mal que o tempo espera

Nisto posto, assim almejo
a paz dos justos, desejo
e por qual eu lhe sou grato,
que ao romper de aurora bela
livres de toda mazela
Rosa possa vir ao Crato."

Minhas saudações, nobre Poeta!

Dihelson Mendonça,
08/05/2010

SEXTA CANCELA - 1960 A 1969 - Por Dr. Savio Pinheiro

Nos anos sessenta,
Bem mais consciente
Defende a sua gente
Mais a agricultura.
Porém, o “Castelo”,
Que sempre sonhou,
No “Branco” esbarrou
Com a ditadura.

Em sessenta e quatro,
O Rei do baião
E herói do sertão
Dá grande investida.
Resolve gravar
De forma chorosa
A canção melosa:
“A Triste Partida”.

Em Campina Grande,
Desce a Borborema
Ouvindo o bom tema
No rádio, a tocar.
- Poeta Zé Gonçalves
Faça-me um favor
Quem é o autor
Do triste, cantar?

O poeta responde
Que todos já cantam
E a todos encantam
De forma emotiva.
O belo poema,
De cunho social
E êxodo rural
É do Patativa.

Naquele momento,
De verve criativa
E de expectativa
Vai ao Assaré.
Encontra o autor
E faz-lhe a proposta
Obtendo a resposta
Que fez, tendo fé.

A bela canção
Gravada em vinil
Invade o Brasil
De forma exemplar.
Denuncia o rico
E o atravessador
E o par, sem temor,
Torna a amedrontar.

Em sessenta e sete,
Sai outra edição
Da publicação
De época anterior.
Porém, o AI 5,
Que o povo, inquieta,
Humilha o poeta
Improvisador.

Nova “Inspiração
Nordestina” sofreu
E retrocedeu
Para resistir;
Pois governo austero
Vetou boa poesia
Uma primazia,
Que ousa existir.

Este comovido
Retirou ligeiro
“Caboclo Roceiro”,
Que a Prestes louvou.
Porém, o poeta
Driblando a censura
Fez uma costura
E assim o lançou.

Em sessenta e oito,
Vem um triste dia
E Deus anuncia
Um canto de dor.
Aos oitenta e nove,
Sua mãe Maria
Já faz moradia
No céu do Senhor.

Em sessenta e nove,
A vil ditadura
Faz caricatura
Com Dom e Ravel.
Porém, a Vera Fischer
E o homem na lua
Promovem na rua
Um, outro, papel.

Por Dr. Savio Pinheiro

Roza Guede - Por Jose Helder França

Minha fia Roza Guede
Toda sumana mi pede
Pá i pá rua comigo
Ela tem muita vontade
Di cunhecê a cidade
Mais porém acho um pirigo

Acho um pirigo é verdade
Pruque aqui na cidade
A coisa é bem deferente
Num si vê mais o respeito
Num tem nomoro dereito
O povo ta indecente

Rozinha sempre diz: pai
Quando é qui o sinhô vai
Mi leva pá vê a rua
Mais eu não tenho corage
Quando mialembro dos traje
Dessas moça quaje nua

Eu sei qui Roza é dereita
I qui essas coiza num aceita
Mais pode o diabo atentá
É mió fica nos mato
Qué que vem vê cá no Crato
É mió fica pur lá

Eu sempre digo: minha fia
Vou lhe leva quarqué dia
Só pá tu vê Cuma é
Na rua, nada tem nome
É muié virando homi
Homi virando muié

É um disparate, Rozinha
Home de carça curtinha
É o que se vê na avinida
E as muié o contrario
Uma ta moda inventáro
Tudo de carça cumprida

Perdêro a morá de tudo
Tem uns tá de cabeludo
Qué o pió qui eu acho
Uns rapaz bem parecido
Cuns cabelos tão cumprido
Qui dá mode fazer cacho.

As modas qui eles canta
São tão horrive qui ispanta
Purisso num ai inverno
Basta Rozinha qui eu diga
Qui inventáro uma cantiga
Qui manda tudo pru infermo

Derda os mais véi as criança
Todo mundo cai na dança
Isquizita cuma quê
Ficam querendo dá sarto
Sibalançando cum os quarto
É um ta de iê-iê-iê

Me dixe Mané Germano
Qui é musga de americano
Qui tão querendo imitá
E qui o pió inda vem
É ôtas dança qui tem
Pras banda da capitá

Nada disso acho bunito
E nos guverno acridito
Num pode mais fica assim
Tem qui havê argum jeito
Mode vortá o respeito
Pá tudo isso te fim

Rozinha não se iluda
Qui quarqué dia isso muda
E quando mudá de fato
E num tive mais pirigo
Eu levo vancê cumigo
Pá passiá lá no Crato

Jose Helder França

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ora Celso Amorim vá a...merda - Por Adriana Vandoni

A concessão de comendas às mulheres de presidentes brasileiros pode causar problemas, dúvidas ou indignação. Conheço uma que causou problemas ao escritor e humorista Millôr Fernandes. Em 1959 ele tinha na extinta TV Tupi do Rio de Janeiro, um programa intitulado “Treze lições de um ignorante”, o qual foi suspenso por ordem do presidente Juscelino Kubitschek, que até hoje é dourado com a absurda fama de ter sido liberal e democrata, mas que não hesitou em usar a censura quando percebeu que sua mulher fora ironicamente criticada por Millôr, ao dizer: “Dona Sarah Kubitschek chegou ontem ao Brasil, depois de 5 meses de viagem à Europa, e foi condecorada com a Ordem do Mérito do Trabalho.”Não sei se no intervalo outra primeira dama foi condecorada, mas a atual Marisa Letícia Lulla da Silva, acabou de ter a sua segunda. A primeira foi no dia 7 de dezembro de 2007 quando recebeu, em cerimônia realizada na Base Aérea de Natal (BANT), no Rio Grande do Norte, a Medalha do Mérito Santos-Dumont. Logo me assaltou uma dúvida: Por que a “primeira patroa” recebeu condecoração brasileira criada para homenagear civis e militares, brasileiros ou estrangeiros, por destacados serviços prestados a Força Aérea Brasileira (FAB)? Qual serviço prestara à FAB a homenageada? Conclui, como uma grande boa vontade, que fora pelo fato de ter acompanhado o marido em suas inúmeras viagens no Aero-Lulla, com uma tripulação da FAB, sem nunca dizer nada.

Mas agora parece que a coisa entrou no perigoso terreno da galhofa. Dona Marisa foi condecorada com a Ordem de Rio Branco (14/4). Essa ordem é destinada a galardoar os que, por qualquer motivo ou benemerência, se tenham tornado merecedores do reconhecimento do Governo Brasileiro, servindo para estimular a prática de ações e feitos dignos de honrosa menção, bem como para distinguir serviços meritórios e virtudes cívicas. Pombas! A “primeira patroa”, com relação à diplomacia, teve somente uma passagem indigna: fez uso do Itamaraty para facilitar-lhe o recebimento da dupla nacionalidade junto ao consulado italiano. Os descendentes de italianos até a 5ª geração tem esse direito, mas para qualquer mortal no Brasil, que também queira ser italiano, há uma espera de média de 6 anos, e Marisa Letícia a recebeu em dias. Mas a a parte feia da coisa é a mulher de um presidente que não acredita no país governado por seu marido e, como se não bastasse, ao ser perguntada por que como mulher do presidente pedira a dupla nacionalidade, sem o mínimo pejo, respondeu: “É, o amanhã nunca se sabe, não é mesmo?”

Pois é, a uma brasileira que não respeita seu pais foi dada a comenda do Rio Branco, que tem como dístico a expressão em latim “Ubique Patriae Memor” (Em qualquer lugar, terei sempre a Pátria em minha lembrança). Mas o pior de tudo foi a explicação que deu o chanceler Celso Amorim para esse puxa-saquismo explicito: “apoio à atuação do marido na política internacional justificam a homenagem” – afirmou ele..

Ora Celso Amorim, tenha a paciência e “vá a merda”.

Adriana Vandoni.

18 de Abril de 2010.

QUINTA CANCELA - 1950 a 1959 - Por Dr. Savio Pinheiro


Foi nesta jornada,
Que saiu do mato,
No anonimato,
O declamador.
Do alto da serra
Longe do erudito
Decola bonito
O bom pensador.

Em cinqüenta e quatro,
Recita os seus versos
Alguns, ainda imersos,
Na imaginação.
Na Rádio Araripe
Vem, ele, de fato
Manter bom contato
Com a população.

A Radialista
Tereza Siebra
Com senso, celebra,
Tal divulgação.
Num programa seu
Mostra O Patativa,
Que o povo cativa
E dá-lhe atenção.

O “Pau de Arara
Do Norte” mostrado
Ao ser declamado
Produz rendimento.
Já outros poemas
Foram transmitidos
E compreendidos
Naquele momento.

Em cinquenta e seis,
Um fato marcante
Ao autor, garante,
A publicação.
O José Arraes
De Alencar descobre
O quanto era nobre
Aquela canção.

De “Inspiração
Nordestina” chamou
E prefaciou
Seleção realista.
Tendo publicado
Bonita epopéia
O livro de estréia
De tão grande artista.

Quem organizou
Esta coletânea
De forma espontânea
Foi o Moacir,
Filho dedicado
De Leonardo Mota:
Autor que deu rota
Pro artista existir.

Neste mesmo ano,
Com muita decência
E coincidência
Faz-se grande prosa.
O “Grande Sertão:
Veredas”, escrito,
Faz-se erudito
Por Guimarães Rosa.

O Miguel Arraes,
Gestor de Recife,
Deu-lhe de boa grife
Peça de valor.
Com bela viola
Fez raro presente
Deixando contente
O bom cantador.

O grande poeta,
De rara memória,
Constrói a sua história
Muito natural.
Criando os seus versos
Durante o trabalho
Faz, na mente, um atalho
Sobrenatural.

Dr. Jose Savio Pinheiro

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Penas ao vento – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Por estes dias, não sem motivo algum, lembrei-me de uma pequena história que minha mãe me contou há muitos anos, quando eu era ainda uma criança.

Um mestre, que era muito sábio, possuía muitos discípulos. Certo dia encontrou um dos seus discípulos numa animada roda de conversa com os amigos. Aproximou-se dele sem se fazer notar e sem querer, escutou que ele falava mal de um dos seus amigos, fazendo injúrias e o desqualificando com atributos dos quais aquele amigo não era possuidor. O mestre se aproximou do discípulo e lhe disse que estava na hora de receber a lição daquele dia.

Os dois andaram durante algum tempo em silêncio até chegarem defronte a uma torre muito alta. O mestre convidou o discípulo para juntos subirem até o mais alto daquela torre. Quando chegaram ao topo, havia alguns sacos desses que se colocam feijão para o transporte. Então o mestre ordenou ao discípulo que pegasse um daqueles sacos e jogasse todo seu conteúdo pela janela da torre ao chão. Este obedeceu, levantou o saco com as duas mãos, estranhando que seu peso fosse incrivelmente tão leve. Abriu o saco e viu que estava cheio de penas. Obedeceu à ordem do mestre e atirou fora todo o seu conteúdo. Ficou alguns minutos observando as penas voarem para longe, espalhando-se por toda a parte, ao sabor dos ventos. Depois que as penas voaram para os mais distantes lugares, sujando várias ruas e praças, o mestre ordenou: “Agora, meu filho, você vai descer e recolher todas aquelas penas e recolocá-las nesse saco.” “Mas mestre é impossível fazer isso! Não posso recolher todas aquelas penas, pois muitas voaram para longe.” E o mestre lhe disse: “Assim são as injúrias e calúnias que se faz contra um ser humano. Jamais poderão ser reparadas.”

Por Carlos Eduardo Esmeraldo


QUARTA CANCELA - 1940 a 1949 - Dr. Savio Pinheiro


Nos anos quarenta,
O que se inventou
E se apresentou
Sendo natural
Foi poeta cantando
De forma atrevida
Os males da vida
Em difusão Oral.

Cantou Patativa
Ao som da viola
Numa grande escola
Tal qual, um artista.
Com João Alexandre,
Rogaciano Leite
Rimou em deleite
Com Louro Batista.

Em quarenta e três,
Faz canto perfeito
Para um imperfeito
Administrador.
No seu Assaré
Um prefeito à toa
Desfaz sua pessoa
E o prende, a rigor.

Enquanto sofria
E se lastimava
“Passarim” cantava
“Passarim” cantou.
Preso pra cantar,
Reparou dolente,
E ele ali, somente,
Só porque cantou.

Em quarenta e seis,
O povo do Crato
Mantém um contato
Com a região.
A Rádio Araripe
A Chapada integra
E o povo se alegra
Mantendo a atenção.

Foi Chateaubriand
Quem trouxe este feito
Um trunfo perfeito
Cheio de vigor.
Para o Cariri
Foi fato marcante
E gratificante
Para o cantador.

Esta emissora
O artista abraçou
E valorizou
A arte de cá
Trazendo poetas
De perfil maluco
Lá de Pernambuco
Piauí e Ceará.

Um folheto raro
Tornou-se jornal
Com sensacional
Cena de pavor.
Crime em Cariús
Patativa tece
E o povo agradece
A este escritor.

Neste mesmo ano,
A Constituição
Devolve a ação
Pra se governar.
Escreve cordéis
Somente, a pedido,
Pois não faz sentido
Comercializar.

O David Moreira,
Um padre letrado,
Pede, calculado,
Um cordel de ação:
Que diga o perigo
Deste comunismo,
Que com dinamismo
Faz a reação.

Dr. Savio Pinheiro

DE MÃE PARA MÃE - MENSAGEM ENVIADA POR MUNDIM DO VALE.


Vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM em São Paulo para outra dependência da FEBEM no interior do Estado.

Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência. Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você, contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONGs, etc... Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender seu protesto. Quero com ele fazer coro. Enorme é a distância que me separa do meu filho. Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo. Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família...Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha para mim importante papel de amigo e conselheiro espiritual. Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma vídeo-locadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite. No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo... Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranqüila, viu, que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem. Nem no cemitério, nem na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante destas "Entidades" que tanto lhe confortam, para me dar uma palavra de conforto, e talvez me indicar "Os meus direitos"!

“Direitos humanos devem ser para humanos direitos”.

UM PASSEIO PELO MUNICIPIO DE VARZEA-ALEGRE -Por Israel Batista.

JOÃO GRANDE, um grande historiador da vida nativa. Ele já estudou as tribos: BACUPARI, GUARANI, CARAIBAS, PIRIPIRI e os PAUXITAS. A tribo CAIÇARA foi a única que ele não conseguiu pesquisar. Ele mora na SERRA DOS FURTADOS, casado com a jovem QUITÉRIA, morena bela e filha do viúvo JOSÉ GOBERTO, procedente do RECANTO.
Na manhã de fevereiro ele recebeu o comunicado da cidade informando-lhe sobre os empresários da ALEMANHA, que a verba para o município foi liberada. Este projeto é para despoluir as LAGOAS, COMPRIDA, DA PEDRA, DOS NUNES, REDONDA e LAGOA DE DENTRO. Ficando de fora a LAGOINHA por ser de adversários políticos. Por falar em lagoas, foi encontrado um GUARIBA morto na LAGOA DAS PANELAS, ele tinha marca de QUEIXADA no pescoço e arranhões por todo corpo de UNHA DE GATO.
RUBÃO um jovem trabalhador, MAMELUCO convicto da VOLTA que este mundo dá. Antes ele era intrigado de AMARO e hoje são bastantes amigos. Sempre participam das quermesses de SÃO CAETANO, SÃO NICOLAU, SÃO MIGUEL, SÃO VICENTE e de SANTA ROSA. Mas eles se divertem mesmo é na festa de SÃO COSME. Já GABRIEL seu irmão é evangélico, só olha pra CRISTO REI e o BOM JESUS. Não se cansa de dizer que a melhor coisa que ele já fez, foi deixar o CAMINHO VELHO pecado e seguir rumo ao MUNDO NOVO da salvação. Antes ele era devoto de EXÚ, deus da mitologia africana.
Já CHICO sofreu uma PICADA de abelha ARAPUÁ, quando estava cortando cana CAIANA na FAZENDA dos BARÕES, de repouso em casa ele fica ouvindo rádio nas ondas curtas, principalmente emissoras de BUENOS AIRES, cidade esta que sonhava quando criança em ir morar lá. Ele precisava ir ao OITIZEIRO olhar as plantações de OITIS. Mas depois desse imprevisto, ficou consciente que a vaca foi pro BREJO.
Sei que é maravilhoso morar no campo, deve ser bom o clima de um PÉ DE SERRA, beber água no OLHO D’AGUA, comer JATOBÁ, se banhar na LAGOA SECA, invadir o POÇO CERCADO para tomar água, furtar alguns cocos no COQUEIRO. Mas como sou da cidade, vivo lutando e trabalhando para adquirir a minha FORTUNA. Para poder comprar um terreninho para morar. Quem sabe na CACHOEIRA DANTAS, DOS JESSÉS, DOS VITOS, DOS CAMILOS ou talvez na VACARIA, o importante é ir morar no campo.
MEDEIROS é um cozinheiro e curandeiro descendente da tribo IPUTI, conzinha as comidas em PANELAS e CALDEIRÃO. Faz remédios caseiros de RAIZ, CIPÓ e de BANHA DE GALINHA, o mesmo é casado com uma MOÇA da VÁRZEA DE DENTRO. Costureira e tem uma mini-fábrica de TANGA e no final de semana ela sai vendendo pelo BARROCÃO, RIACHO VERDE, RIACHO FUNDO, MONTE ALEGRE, MUCURIPE e MELOSAS, são muito felizes, casado a TRINTA E DOIS anos em perfeita harmonia.
JOSÉ ALVES, carpinteiro trabalha em SERRARIA e o seu instrumento inseparável é o SERROTE. Sempre recebe madeiras de PAU DA JUDA, POÇO DOS PAUS e do TAQUARI. Das madeiras recebidas se encontram: CAJAZEIRA, OITICICAS, BARAUNAS, AROIERAS, PAU D’ARCO e MULUNGU. Ele é especialista em fazer GANGORRA para as crianças brincarem.
JOÃO RIBEIRO do UBALDINHO casou com SOCORRO e moram no NOVO JORDÃO. Ele plantou arroz, feijão e milho numa VARZANTE e o seu ROÇADO DE DENTRO do ARUCA é todo seguro, do lado tem um LOGRADOURO que é um PARAISO DOS CAVALOS, e a ainda tem muito gados e uma LAVRAS DE BORREGOS, nunca vi ter tantos animais.
PACHECO agora é muito feliz depois que comprou a casa abandonada que achava ter FANTASMA, tinha lá uma botija, ele colocou as jóias dentro de um SACO e bem FECHADO, se mandou para o CANINDEZINHO e vendeu todinha, após pegou uma estrada de BARRO VERMELHO e comprou um SOBRADINHO ao lado de um POÇO COMPRIDO na MALHADA DO JUÁ. Lá tem uma mata de MUQUEM, CARNAUBAS, UMBURANA, CROATÁ e tem bastantes MOCÓS.
Como é bom morar no JUAZEIRINHO! Sair pra caçar JABURU, GATO DO MATO, nadar na LAGOA DOS ORFÃOS, mas torcer para que as PIRANHAS não venham lhe morder. E quando for descer pelos BARREIROS, precisa contar com sua BOA SORTE, para que as abelhas SANHARÓ não venham lhe picar. Em vez de ficar rezando o seu ROSÁRIO de sofrimento é melhor ir trabalhar colhendo CARRAPATEIRA e ir vender para indústria de óleo. Para que se reclamar que seu MOCOTÓ está inchado com pretexto para não ir trabalhar, saibas que jamais sairá do FUNDÃO em que está metido, tem que lutar.
Está havendo uma festa num dos ALTOS, não sei se é DOS GOMES, DOS CAETANOS, DOS ROMUALDOS, de SANTA ISABEL ou DOS ANDRÉS, enquanto o fole RONCA, chega gente da SERRA DOS CAVALOS, RIACHO DO MEIO DOS FIRMINOS, DOS CAMILOS e DOS LEÓS. A comida veio da VÁRZEA GRANDE e a bebida ficou dividida, o refrigerante veio das LAVRAS DOS ACELINOS, e a cerveja do UMARI DOS CARLOS. Só sei que esta festa está sendo bastante comentada em toda redondeza.
Minha irmã é filha natural do UMARI DOS TRINDADES, e coincidentemente é casada com um jovem do UMARI DOS COSTAS, nesta EXTREMA alegria ele mora no GRAIADO, e não se cansa de admirar a BOA VISTA, seu esposo trabalha em CALABAÇA e ela no BREJINHO DOS FERREIRAS. Ela tem uma grande criação de CAPÃO. Meu cunhado mora no BAIXIO DOS PRIMOS e lá é um BAIXIO VERDE repleto de ARAÇÁS. E tem uma grande BARRAGEM com um BEBEDOURO para animais beberem água.
Andando pela CHARNECA, avistei uma CAATIGUEIRA, e percebi que era uma CAATINGA GRANDE, porque não vi o fim. Chegando numa VARZINHA, bebi água numa COITÉ, na beira do AÇUDE VELHO, fiquei encostado em uma FORQUILHA lembrando dos meus parentes do BAIXIO DANTAS e do BAIXIO DO EXÚ, depois de muito pensar, avistei dormindo em cima de uma TIMBAUBA uma velha CORUJA. Decidi prossegui viagem e do meu CANTO, notei que não dava para ir pela estrada do GRAVIÉ porque tinha um grande ATOLEIRO impedindo de atravessar, resolvi seguir no sentido das GAMELAS, para quando for à noitinha eu já esteja nas VARAS, pronto para dormir e descansar por mais um dia de vitória.
Neste mundo em que percorremos, uma coisa ficou em minha mente, a UNIÃO que prevaleceu por todos os locais percorridos, vamos pedir a Deus para abençoar todo povo de VÁRZEA ALEGRE e dá muitas vitórias.

ISRAEL BATISTA

quarta-feira, 5 de maio de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL

DO FINO DA BOSSA E OUTRAS BOSSAS

Carlos Lyra Bóscoli e Menescal

Por Zé Nilton

O professor universitário e crítico de música e literatura, J. Jota de Moraes, escreveu uma resenha sobre bossa nova, para a coleção de Música Popular Brasileira, editada a partir de 1974, pela Editora Abril. Nela o crítico enaltece o movimento da bossa nova e cita três compositores como os mais pródigos em composições que direcionaram o movimento para o Brasil e o mundo. Ronaldo Bôscoli, Carlos Lyra e Roberto Menescal são da geração primeira do novo movimento, ao lado de Tom Jobim, Vinicius e tantos outros.

Há mais de 50 anos de sua criação “a bossa nova sem dúvida continua possuir especial importância para a moderna música popular brasileira, a ponto de significar para alguns a própria modernidade nesse campo”, escreveu.

Sem falar na renovação estética a bossa nova trouxe uma abertura fenomenal no interior da música e permitiu o engajamento de uma grande parcela de cantores, compositores, instrumentistas na edificação de uma forma de expressão musical eminentemente urbana.

Talvez seja por isto que ainda na década de 60 verificaram-se momentos de ruptura entre seus adeptos e outros ciosos por uma música mais engajada na nova ordem social, sinais de um pronto encaminhamento para a música de protesto.

É o caso de Carlos Lyra. Oriundo da vanguarda dos movimentos de esquerda foi se distanciando, sem perder a forma e a tonalidade da bossa nova, da temática do amor, do sorriso e da flor. Foi um dos primeiros a re-elaborar o discurso musical da bossa nova. Inovando o conteúdo, incorporando letras de teor político e social, contribui para inovar a sua própria musicalidade.

Nesta quinta feira vamos dar início a uma sequencia de programas falando da bossa nova porque o assunto é tão vasto como é a sua produção musical.

Carlos Lyra, Bôscoli e Menescal é o assunto do Compositores do Brasil de amanhã, 6, quando falaremos um pouco dos primórdios da bossa nova enquanto ouviremos:

LOBO BOBO, de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, com João Gilberto;
O BARQUINHO, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, com Pery Ribeiro;
FIM DE NOITE, de Ronaldo Bôscoli e Chico Feitosa, com o Coral de Ouro Preto;
INFLUENCIA DO JAZZ, de Carlos Lyra, com Carlos Lyra;
RIO, de Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal, com Sylvia Telles;
TELEFONE, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, com o conjunto Os Cariocas;
MARIA MOITA, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, com Nara Leão;
A MORTE DE UM DEUS DE SAL, de Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal, com Roberto Menescal;
PAU DE ARARA, de Carlos Lyra e Vinícius de Morais, com Ary Lobo;
MARCHA DA QUARTA FEIRA DE CINZAS, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, com Elis Regina;
PRIMAVERA, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, com Carlos Lyra,
A VOLTA, de Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal, com Elis Regina

Quem ouvir verá !

Programa: COMPOSITORES DO BRASIL
Rádio Educadora do Cariri
Quinta-feiras, de 14 às 15 horas
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Apoio: Centro Cultural Banco do Nordeste.
Reestrasmitido pela www.cratinho.blogspot.com

TERCEIRA CANCELA - 1930 a 1939 - Por Dr. Savio Pinheiro

No ano de trinta,
Voltando pra serra
Ele desenterra
O antigo roceiro.
Muito bem disposto
Declama o cordel
E neste papel
Já é violeiro.

Com João Alexandre
E Anacleto Dias
Travou cantorias
Num bom versejar.
Vicente Granjeiro,
Do Junco, e Andorinha,
Seguiram na linha
Do alegre, cantar.

O autor do compêndio
“Matuto Cearense”
Sem muito suspense
Faz carta exemplar
Ao grande escritor
E artista sereno,
Juvenal Galeno,
Pra lhe apresentar.

Em bom paralelo
Com José Carvalho,
Que fez um trabalho
Espetacular,
Antônio se inspira
Ao sê-lo citado
E com resultado
Faz-se publicar.

Naquele momento,
De muita emoção
A revolução
Chegou pra ficar:
Getúlio aparece
Mostrando energia
E com simpatia
Consegue reinar.

Na mata fechada
Rever Ventania,
Que ele anuncia
Ser bom corredor.
Cavalo elegante
De bom gabarito
Carrega bonito
O bom cantador.

No topo da serra
Do seu bom lugar
Tenta se expressar
Em outros papéis.
Escreve poesias,
Cria redondilhas
E indo a boas trilhas
Escreve cordéis.

Publica “Aladim”
Das Mil e Uma noites
Fazendo os açoites
Da mente, crescer.
“Abílio e Jupy”
Um cão atraente
Faz-se de valente
Por bem merecer.

“O Padre Henrique
E o Dragão da Maldade”
Uma raridade,
O qual publicou,
Mostrou uma morte
Muito traiçoeira,
De forma ligeira,
Que o tempo levou.

Este bom folheto
Foi encomendado
E recomendado
Numa boa ação.
Foi Dom Hélder Câmara,
Que insatisfeito
Buscou o direito
Com bela canção.

Criando folhetos,
Fazendo poemas
Fez crescer os temas,
Que apresentou.
Pensando no povo
De forma valente
Usou bem a mente,
Que o consagrou.

No ano trinta e seis,
Encontra uma mina
É a Belarmina,
Uma Paes Cidrão.
Em seis de Janeiro,
Satisfaz a mente
Deixando contente
O seu coração.

No ano trinta e nove,
Com muita evidência
Já é referência
Acima de tudo.
Pois em “Cantadores”
Um livro afamado
Foi nele citado
Por Câmara Cascudo.

Dr. Jose Savio Pinheiro