segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

PRAGA DE ESPOSA - Por Mundim do Vale

Meu amigo Raimundo de Souzão, é louco por pescaria. Nas suas pescarias ele sempre leva cachaça dizendo que é a isca.

Num certo domingo, ele saiu dizendo que ia pescar no açude do Coité, mas de repente mudou o plano. Foi para a cidade e encontrou-se com alguns amigos e seguiram para o Ingém Véi.

Por volta do meio dia Raimundo de Ditim passava de frente a casa de Raimundo, viu Teresinha na calçada e foi logo entregando o amigo: - Dona Teresinha. Eu ví Raimundo. - Onde era que ele estava? - Era lá no Ingém Véi. Tava ele, Antônio de Gabriel e Raimundo de Seu Durval, bebendo cachaça com as quengas.

Pois deixe ele chegar! Raimundo depois da farra, comprou uns peixes a Quinzim e seguiu para as Varas, tombando mais do que jegue com carga torta. Na chegada Teresinha foi logo perguntando:  A pescaria foi boa? - Foi nada. Eu só peguei essas duas traíras.

Teresinha sem poder controlar a raiva falou: - Eu tomara que quando tu for pescar, uma traíra arranque a tua trouxa pelo tronco.

Raimundo do alto da sua embriaguês disse: - Minha nega, não diga isso não. Porque se acontecer, tu vai passar o dia no açude, atrás de pegar a traíra pra trazer a trouxa de volta.

QUE IRONIA - Por Vicente Almeida

QUE IRONIA

Enquanto o planeta inteiro presenciou entre aflito e solidário, o desastre ocorrido em uma mina na cidade de Copiapó no Chile, ajudando como podia, com o fim de salvar os 33 mineiros, que há 69 dias estavam provisoriamente isolados do mundo a 700 metros de profundidade, e que foram resgatados sãos e salvos! Aqui, no Brasil de Cabral, o povo assiste estarrecido, a lenga lenga dos candidatos a presidência da república, sobre regulamentação de lei para matar milhões de crianças indefesas no decorrer dos tempos futuros - via aborto, alegando que a mulher é dona do seu corpo.

Infelizmente não é bem assim, contudo a mulher tem o livre arbítrio para utilizar o corpo que Deus lhe destinou como bem entender. E aqui vamos deixar claro – USAR O SEU CORPO.

Por tanto, uma criança em gestação no ventre materno, é concebida por livre e espontânea vontade, e com a conivência do casal. Mas, a gravidez indesejada em função de situações adversas, poderia ter sido evitada se o casal usasse de bom senso ou recebesse orientação.

Uma vez constatada a existência de um ser em seu ventre, a mãe já não tem direitos sobre aquele corpinho, ela não é dona daquela vida, nem o pai biológico o é, mas lhes compete zelar pela sua integridade. Nem a ela nem aos seus parentes, é dado o direito de lhe tirar a vida. A criança provisoriamente alojada no seio materno, concebida com anuência da mãe, confia nela e está tomando por empréstimo o seu corpo no cumprimento de um mandato Divino, e se não fosse o seu egoísmo e as vezes a sua imaturidade, ela ficaria envaidecida por poder dar a sua contribuição.

O corpo da mulher é um santuário, é um templo de Deus e Ele assim o fez para que a vida pudesse ter continuidade. É assim desde o princípio, e seguirá indefinidamente pelos milênios de milênios afora.

Você sabia que para praticar o aborto, um dos processos utilizados é a trituração do feto que é retirado aos pedaços? Pois é! Ele sente dor, uma dor imensa, uma dor indefensável por cada pedacinho que lhe é amputado. Naquele momento ele está sozinho, e pensava estar seguro em sua casinha materna. Há muitos outros meios tão terríveis e macabros quanto este para eliminar uma vida. É isto que você quer para aquele que poderia ser seu filho amado, seu neto, seu sobrinho, seu salvador em momentos difíceis? Você sabia que este procedimento também mutila a mulher. Se ela não sofre imediatamente por ser jovem, sofrerá no declínio da sua existência.

A criança assassinada no ventre da mãe tinha uma missão na terra! Podia estar a caminho para salvar vidas, para proteger um irmão, a própria mãe, e muitas vezes toda a família, para trazer amor, paz, solidariedade, progresso para a humanidade, tecnologias avançadas. Podia Ser portador de uma grande missão, pois Deus que é onisciente sabe os problemas que advirão sobre cada um de nós, e antecipa um meio de minimizá-los quando aquele dia chegar.

Escrevo assim para os casais constituídos, para os jovens inconseqüentes e para os pais que acham ser o fim do mundo um filho ou um neto inesperado, e alguns estimulam ou obrigam a mulher ou a filha a cometer o maior de todos os crimes. O Deus que tudo vê, tudo provê! E a ninguém dará carga maior do que aquela que possa conduzir. Antes os pais deviam criar vínculos de sólida amizade e confiança junto aos seus filhos e orientá-los sobre o uso da sua sexualidade, não como brinquedo, não como diversão, banalizando-o, mas como uma manifestação Divina de poder e confiança na criatura humana.

Os infratores enganam as leis humanas conforme seus recursos, mas, jamais conseguirão enganar a infalível lei eterna e imutável de ação e reação que se aplica a todo ser humano; Ricos e pobres, pretos e brancos, bons e maus. Todos têm os seus direitos consagrados segundo o princípio universal do Direito Cósmico, expressados nos ensinamentos de Jesus: “A cada um será dado, segundo as suas obras”. “Fazei aos outros tudo que quiseres que te façam”. É possível resumir nestas duas frases todo o Direito Cósmico da humanidade.

Os governos fazem leis para disciplinar os tributos, às vezes para exercer domínio sobre o povo, e às vezes para agradar determinados grupos em detrimento dos demais. Essas leis são aplicadas segundo as possibilidades financeiras do réu. Normalmente quem tem menos recurso, mesmo com a razão, perde o seu direito em favor daquele que pode pagar para impor sua vontade.

Imaginemos agora, uma lei regulamentando o aborto em um país eminentemente católico, mas, onde o direito do povo é esquecido, prevalecendo em tudo apenas o direito do vil metal como forma de justiça.

A nossa Carta Magna de 1988, tem início com o seguinte texto: Artigo 1º § Único: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição". Esse artigo tinha maior alcance na Constituição anterior que, através da Emenda Constitucional no. 1, de 1969, dizia textualmente apenas o seguinte: Art. 1º § 1º Todo o poder emana do povo.

Não vejo o povo exercer esse poder, mas vejo muita acomodação, muita aceitação, muita passividade. Vejo com tristeza o povo com medo de decidir, de tomar partido naquilo que é justo, digno e necessário.

Essa omissão tem facilitado a proliferação do mal neste país onde são punidos apenas os sem recursos, e os verdadeiros alavancadores do progresso, que são todos os trabalhadores assalariados. Aqui a punição é para os inocentes. Vejam só, parte dos recursos que o governo suga da classe trabalhadora é repassada a agitadores como os MSTs, e os presidiários em forma de auxílio-reclusão, sei lá, e isto também é irônico, pois aqui, quem comete crimes e assusta a população, tem mais direitos do que quem luta dia e noite para sobreviver. Absolutamente, esse poder não emana do povo, a decisão para beneficiar celerados não é do povo. Mas, voltemos ao tema principal.

Que ironia. A ciência usando a tecnologia, superando todos os desafios resgatou do subsolo, sãos e salvos, aqueles 33 homens semi soterrados. A mesma ciência, usa sua tecnologia para criar instrumentos cirúrgicos e eliminar vitimas inocentes e indefesas, cujo assassinato é legalmente autorizado por capricho, egoísmo e vaidade. A TV mostrou em tempo real para todo o mundo o salvamento daqueles mineiros. Duvido, desafio a TV a mostrar em tempo real a trituração de uma criança na barriga da mãe de forma que pudéssemos ver seus assassinos...

Confio na reação do povo brasileiro para por um basta nas pretensões abortivas dos poderes legislativos e executivos. Mas, não confio nesses políticos que mudam de opinião na última hora pousando de santo, fingindo uma religiosidade que nunca possuiram. Você acredita nessa mudança repentina? - claro que não, não é?

Por isto, cá estou eu, mais uma vez, isolado, apresentando meu protesto, em benefício de milhares de irmãos, que poderão perder o direito a vida também assegurado na Constituição, pela possível edição de uma lei que se aprovada, equivalerá ao retorno aos tempos da inquisição onde as torturas impostas, quase sempre resultavam na morte das vítimas, que vivas assistiam a mutilação dos seus corpos. As mulheres tinham seus seios decepados, e os homens tinham seus braços e pernas separados do corpo, para citar apenas estes dois casos. Pois bem; esse povo antigo, como as criancinhas de hoje, são vítimas da maldade, da vaidade do egoísmo e dos preconceitos humanos.

Se você conseguiu ler até aqui, peço-lhe: Se tiver um tempinho... Pense um pouco em tudo isto!

Vicente Almeida

Amor continuo.

Ame seus pais e seus irmãos. Eles são a base de sua vida, seu chão e quem com certeza vai sempre te ajudar. Ame suas tias e tios, porque foram eles que por muitas vezes zelaram seu sono, quando você era apenas uma criança. Eu sei, você não se lembra! Mas você só vai entender o amor dos tios, depois que seu primeiro sobrinho nascer. Então, não perca tempo. Ame seus primos e amigos por mais que eles sejam completamente diferentes de ti. Aceite-os. Aceite-se. Todo mundo tem defeitos. E por falar neles... nos defeitos, ame sua barriga, suas celulites e as tais estrias. Elas indicam que sua vida está repleta de prazeres gastronômicos. Ame também seus quilos a mais, porque se eles não existissem você jamais poderia comemorar a vitória de um dia perdê-los. Ame seu cabelo do jeitinho que ele é. E o seu armário... Mude. Completamente. Doe. Experimente coisas novas, outras cores. Calças largas e calcinhas/cuecas de algodão. E não troque seu velho pijama por nada nesse mundo. Ele é o seu companheiro de sonhos. E é com aquele tênis feio e fora de moda, com o formato exato dos seus pés, que eu acho que você deve sair para caminhar todas as manhãs. Pra amar as coisas que estão do lado de fora. Tarefa difícil. Respire. No fundo, procure outra pessoa para amar um tanto, que dê até vontade de se casar com ela. Namore. E não se preocupe com o tempo que a paixão vai durar. Se gostem. Se assumam. Se curtam. Se abracem. Se beijem. Viagem. E saiam para dançar sempre!!! Tomem café da manhã juntos. Fiquem o domingo inteiro na cama, enquanto o mundo despenca numa chuva fria e fina. E quando você achar que já amou demais nessa vida, tenha filhos. Se não conseguir, adote. Dizem que não há amor maior. E eles vão crescer, amando você e muitas outras coisas e pessoas. Com sorte, você terá netos. E dos seus netos, receberá mais tarde com muito orgulho, o amor dos bisnetos. Quando pede alguma coisa, saiba também agradecer, agradeça pelas coisas, a Deus pela tua vida, pelos amigos que tem, por que cada um que passa pela tua vida nunca passa por acaso, há sempre o que aprender e também a ensinar. Quando você achar que deve mudar alguma coisa, então faça alguma coisa pra mudar. Nunca permita que teus medos impeçam de fazer aquilo que deseja. Procure gostar das coisas internas, não fique colecionando matérias, o bem físico se vai, mais cedo ou mais tarde, o que fica verdadeiramente é o que você faz pelos outros e por você mesmo! Pense nisso! O nosso amor é contínuo... É para sempre. É INFINITO!!! O destino decide quem vamos encontrar na vida.
As atitudes decidem quem fica.
Robert Frost.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Racialização da crise - Por Ruy Fabiano


A tentativa de racialização da crise social brasileira, que integra a agenda politicamente correta da esquerda, é um dos atos mais hediondos já cometidos contra o país.

Antes de mais nada, porque, em vez de integrar raças e culturas – como diz pretender a Secretaria de Estado que leva esse nome -, desintegra, divide, hostiliza. É, portanto, um desserviço.

E é também um absurdo, quando se sabe que se trata de uma nação maciçamente constituída por mestiços. A própria esquerda não se cansa de proclamar que o branco brasileiro não é exatamente branco, se comparado ao europeu. Seria, no máximo, um branco de segunda classe, sem pureza ou pedigree.

A legislação brasileira que pune o racismo é possivelmente a mais dura do planeta. Basta que alguém chame um negro de negro para ser preso, sem direito a fiança e sem que haja prescrição do delito.

Pode-se xingar a mãe e os antepassados, mas não pode haver menção à cor. Se o negro, porém, chamar um branco de “azedo” ou uma mulher de “loura burra”, não há problemas.

A ministra da Integração Racial diz que o racismo do negro contra o branco “é natural”.

Combate-se o racismo de um lado só, o que transforma o que poderia ser um saudável processo de resgate cultural a uma raça que há mais de um século padeceu a escravidão em instigação à luta racial, inaugurando no país mais uma moléstia social.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

OS GALEGOS DE QUILARA - Por Mundim do Vale

Eram meus vizinhos em Várzea Alegre, os irmãos Pereira. Pedro, conhecido como Pedão de Clara, Antônio, tinha o apelido de Topa-tudo e Cícero, era chamado de Ciço Louro. Moços católicos e muito trabalhadores, só tinham um defeito, quando bebiam ficavam violentos.

Os três bebiam juntos e quando estavam de fogo acabavam: feira, samba, velório, fogo de broca, briga de galo, queima de caieira, pescaria e até batizado coletivo.

Era no mês de janeiro, Chagas Bezerra promovia a festa de Nossa Senhora Aparecida na cidade e para garantir a segurança na cidade, trouxe do quartel de Juazeiro um reforço de cinco soldados.

No sábado pela manhã horário de feira os irmãos bebiam e jogavam caipira,quando Pedão cismou com um Santeiro. Aí não teve santo que desse jeito, foi cacete pra tudo quanto é lado, o pobre do santeiro depois de levar uma bordoada de cada um, pegou o beco da Liberdade, subiu o alto da prefeitura e até hoje anda sumido.

Com a fuga do santeiro os três ficaram mais violentos ainda, aí foi quebra-quebra geral. Era caixão pra cima, trança de alho no chão, colorau misturado com farinha, caldo de cana com querosene e o povo correndo sem direção certa.

Nessa hora o anão Patola correu pra debaixo do caminhão de Auto Pimentel gritando:
Eita qui os galego de Quilara hoje tão é cá gota!
Nesse momento em que a feira parecia ter recebido a visita de uma tsunami os soldados do reforço se apresentavam ao delegado civil para tomarem posse.
O delegado recebeu os cinco e foi logo dando as ordens: Muito bem para começar vão ali no mercado e me tragam os meninos de Clara presos, mas vão com cuidado, assim como quem procura pinico no escuro. Porque os meninos de Clara tem costume de botar soldado para correr.

Enquanto isto na feira era Pedão quebrando as mesas, Topa-tudo as cadeiras e Ciço Louro rasgando as toalhas. Quando Pedão acabou de quebrar a garapeira de Zé Dias e Ciço Louro moeu uma cana no lombo de Zé Terto, chegou o reforço dos cinco soldados novatos e um deles foi falando logo com Pedão:
Teje preso!
Num Tejo!
Teje preso caba safado!
Num Tejo sordado fí duma égua.
Aí fechou-se o tempo. Os irmãos formaram um triângulo humano, deixando que os soldados ficassem no centro. Quando Pedão dava um pescoção num que ele caia fora do triângulo, Ciço Louro varria ele de volta pra dentro.

Pedão aberturou um, que foi conta de rosário pra tudo quanto é lado, rebolou o infeliz por cima dos potes de Maria Curta lá mesmo ele ficou. Topa-tudo pegou outro deu um murro tão condenado que o chão tremeu, depois pegou pelo fundo da farda jogou de cabeça pra baixo num camburão de lixo. Ciço Louro pegou outro arrastou pelos pés depois deu um balanço e gritou: Uma, duas, três, meia e já! Rebolou o coitado dentro do cacimbão do meio da rua, chega fez tibungo.

Tendo ficado apenas dois praças no triângulo, Pedão ficou com um e os dois irmãos dividiram o pé do ouvido do outro. Pedão em um momento se distraiu enquanto dava um pesqueiro num cambista que passava e o soldado que estava com ele, fugiu pegando a mesma rota do vendedor de santos.

Com essa segunda fuga foi que aumentou a raiva dos três, aí não sobrou mais nada inteiro, nem banca de meisinha foi poupada.
Vicente Grande entrou na barbearia de Antônio Bento gritando: Fecha, fecha qui os minino dos Pereira tão acabando tudo! Nesse momento Luis Bezerra vinha na rua Major Joaquim Alves quando avistou Vicente Cesário, perguntou: Vicente. Que corre-corre é aquele ali pro lado do mercado?

Não é nada não Luís, é só os galegos de Clara, dando as boas vindas aos soldados que Chagas Bezerra trouxe.

O AMOR - MADRE TEREZA DE CALCUTÁ


A inteligência sem amor, te faz perverso...
A justiça sem amor, te faz  implacável...
A diplomacia sem amor, te faz hipócrita...
O êxito sem amor,  te faz arrogante...
A riqueza sem amor, te faz avaro...
A docilidade sem amor te faz servil...
A pobreza sem amor, te faz orgulhoso...
A beleza sem  amor, te faz ridículo...
A autoridade sem amor, te faz tirano...
O trabalho sem amor, te faz escravo...
A simplicidade sem amor, te deprecia...
A oração sem amor, te faz introvertido...
A lei sem amor, te escraviza...
A política sem amor, te deixa egoísta...
A fé sem amor te deixa fanático...
A cruz sem amor se converte em tortura...
A vida sem amor... não tem sentido.

Madre Tereza de Calcutá.

Cortando o cordão – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

O acaso sempre esteve presente na minha vida. Sem que eu planejasse muita coisa, como muitos o fazem, deixei que a vida me levasse e, ela me conduziu por caminhos retilíneos e belos. Em janeiro de 1964, eu pensava que iria continuar estudando no Crato, na minha zona de conforto, sob a proteção dos meus pais, entre meus familiares e colegas de estudos, uma turma unida e muito amiga. Dizem que o destino sabe traçar a estrada daqueles que sem querer, a ele se entregam. Talvez tenha sido esse o meu caso.

Um primo que estudava engenharia no Recife, estava de férias e visitava nossa casa, no São José. Ao vê-lo, fui conversar com ele, saber como era o curso de engenharia, suas dificuldades e sobre o vestibular. Sabedor de que eu desejava cursar engenharia, ele me aconselhou a ir estudar no Recife durante o curso científico. Disse-me que se eu ficasse no Crato, correria o risco de não ser aprovado no vestibular. Respondi que não dependia de mim. E então ele foi falar com o meu pai. E o fez de uma forma tão convincente, que eu senti naquele contato a concordância do meu pai. Mas este não disse nem sim e nem não. Para mim dizia ser impossível, pois não estava podendo arcar com as despesas.

Dias depois, um parente do meu pai, diretor da Escola de Engenharia de Minas de Ouro Preto, visitava meus pais, sempre que vinha ao Crato em suas férias. Ao saber do meu desejo de cursar engenharia, aconselhou-me que eu fosse estudar em Ouro Preto, colocando sua casa à minha disposição. Fiquei receoso de meu pai aceitar aquele convite protocolar, pois além de não ter nenhuma intimidade com aquele parente distante, Ouro Preto, para mim, era um fim de mundo.

No inicio do mês de fevereiro daquele ano, nada estava definido. Pensava tranquilamente que iria continuar no velho Colégio Diocesano e isso me dava certo alento, pois por ser o filho caçula, eu era muito apegado aos meus pais e irmãos. Entretanto, dias depois, o meu pai recebeu uma carta de uma irmã dele, a tia Anete, que residia em Salvador, dizendo que já reservara a minha matrícula e que eu poderia ir estudar na Bahia. Olhei no sobrescrito o meu futuro endereço: Avenida Beira Mar 404. Na minha imaginação surgiu, como que de repente, a avenida de mesmo nome que eu vira em Fortaleza na única visita que fizera até então a uma cidade maior que o Crato, além do Juazeiro, é claro! E imaginava que iria viver num paraíso. Fiquei ainda mais contente, quando soube que o meu primo e companheiro de brincadeiras, José Esmeraldo Gonçalves também iria.

Tudo então ficou decidido e às pressas, mamãe preparou um enxoval que fez minhas lembranças recuarem cinco anos, quando fui estudar no Seminário. Um medo disfarçado se apoderou de mim. Era a primeira vez que iria sair do Crato e debaixo das asas e da proteção dos meus entes queridos.

Um novo mundo se descortinava à minha frente, o desconhecido, a sensação de uma nova vida. Viajar de avião, coisa impensada, conhecer a cidade de Salvador e suas inúmeras igrejas e tantas outras belezas das quais ouvia falar com insistência.

Viajei com meus primos que lá já estudavam e residiam com minha tia Anete. Por causa de um defeito no DC3 que nos levaria, esperamos um dia inteiro no velho Aeroporto de Fátima, sem nada para enganar o estômago e sem comunicação. Somente no dia seguinte é que conseguimos voar num DC6 que veio em substituição ao avião danificado. O DC6 era um avião grande, com assentos com três cadeiras de cada lado e capacidade para mais de cem passageiros. Ao chegarmos a Salvador, uma Kombi da Varig levou os passageiros de porta em porta até a residência de cada um. O aeroporto distava mais de trinta quilômetros da cidade. Fomos os últimos a chegar ao destino, pois onde tia Anete morava era na Ribeira, final de uma península na cidade baixa.

Senti um misto de arrependimento e tristeza. A Avenida Beira Mar não era nada daquilo que eu imaginara. Era uma rua larga, às margens da Baia de Todos os Santos, sem calçamento, cheia de poças d’água, muita lama e enormes amendoeiras no meio, cujas folhas caídas se misturavam e recobriam as poças de lama. O bairro era triste, composto por um monte de casas velhas. Onde íamos morar era numa escola, o Educandário Pio XII, alojado num velho casarão de três andares, com piso de tábua corrida, que ecoava sob nossos passos. No terceiro andar havia um pequeno apartamento composto de três quartos, um banheiro, um vestíbulo com guarda-roupa coletivo e uma ante-sala ao lado da escada, onde estudávamos. Ao todo éramos seis pessoas que morávamos neste pequeno apartamento, eu, e os primos João Barreto, José Esmeraldo, Luciano Gonçalves, além do cratense Dailton, professor do Pio XII e dois jovens de Alagoinhas: Wedner e Ananias. Daílton era o mais velho do grupo. Ele tinha na época 26 anos, e por causa disso recebeu o apelido de “O Velho”.

A tia Anete ao nos receber, entregou a mim a Zé Esmeraldo uma chave da porta de entrada e nos disse: “vocês saem e entram na hora que quiserem e não precisam me avisar nada.” Senti um enorme peso, pois lá em casa, eu vivia sob certo controle e acompanhamento. Mas aos poucos aprendi a usar minha independência e isto me foi de grande importância para meu amadurecimento pessoal.

Ainda hoje, eu sou grato a essa minha querida tia por ter tornado possível a realização de um sonho. Se não fosse sua solicitude não teria oportunidade de estudar num grande centro. Por isso eu tenho por ela um enorme carinho e gratidão. Ela é a única das minhas tias ainda viva. Reside no Crato, com bastante lucidez e invejável memória, aos oitenta e nove anos. Em julho próximo, esperamos festejar seus 90 anos.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Um rajalegrense arretado - Blog do Sanharol

Juarez Batista de Sousa iniciou sua trajetória empresarial vitoriosa no sitio Mocotó em Várzea-Alegre com um pequeno boteco. Depois se deslocou para cidade do Crato onde se tornou o maior comerciante do segmento de estivas e cereais de toda região do cariri. Nunca mudou o seu estilo, a conversa e o leriado eram os mesmos. Apesar de muito atarefado o seu filho Dr. Wilson convenceu deixar os seus afazeres e ir a Espanha assistir as finais da copa do mundo. Chegou logo no dia em que o Brasil foi eliminado. Com o Brasil fora da disputa não tinha mais o que fazer na Espanha, então partiram de volta no primeiro vou encontrado.

O vou fazia uma conexão em Londres, e, ao pousar, os passageiros tomaram conhecimento que somente no outro dia pela manhã embarcariam para o Brasil. Juarez e Dr. Wilson apanharam um taxi no aeroporto com destino ao hotel. Mão única, asfalto bom, quando o carro ia lá com os 150 quilômetros horários Juarez sentado no banco traseiro, bateu com a mão no ombro do motorista e disse a toda voz: Zé, pode esbarrar essa carreira, que eu num tô avexado não. O motorista entendeu o contrario e cutucou o acelerador elevando para 180, e, Juarez agoniado repetiu: Tu é mouco, Zé eu num já falei que não tô avexado. Dr Wilson interferiu dizendo: papai ele não sabe o que o senhor está dizendo não!

GENTE DE BEM.

Mary Zaidan.

Exatamente um ano atrás, Erenice Guerra, amiga do peito e sucessora de Dilma Rousseff na Casa Civil, deixava o Palácio do Planalto sob a acusação de tráfico de influência. Fechava, assim, o ciclo de dois mandatos do presidente Lula - um governo que pode se gabar de ser o protagonista do maior e mais sofisticado esquema de corrupção já engendrado no país.

De Waldomiro Diniz, flagrado em vídeo, em 2004, cobrando propina para financiar candidatos do PT e do PSB, a José Dirceu, definido pelo procurador-geral da República como “chefe da quadrilha”, ao reincidente Antonio Palocci, todos estão aí, livres, leves e soltos.

Erenice saiu esperneando, culpando o tucano José Serra, dizendo-se vítima de um candidato “aético e derrotado”. Entrou com um processo contra a revista Veja, que fizera as denúncias. Desistiu da ação em meados deste ano, depois de a Corregedoria Geral da União (CGU) imputar-lhe acusações idênticas às da revista.

Na prática, a amiga abraçada efusivamente por Dilma no dia de sua posse só recebeu mesmo duas condenações da Comissão de Ética da Presidência. Coisas que não servem para nada.

No governo Dilma, nem isso a Comissão de Ética e a CGU se deram ao trabalho de fazer.Calaram-se frente a Antonio Palocci, pego novamente em suas estripulias, desta vez envolvendo a multiplicação estratosférica de patrimônio no mesmo ano em que coordenava a campanha da agora presidente.

Nem pensaram em agir quando as denúncias de roubalheira implodiram o Ministério dos Transportes, derrubando o aliado Alfredo Nascimento, do PR. Muito menos cogitaram investigar os outros dois ministros do aliado PMDB, Wagner Rossi, da Agricultura, e o serelepe Pedro Novais, que paga motel, governanta e motorista particulares com dinheiro público.

Homem que o seu padrinho, senador José Sarney, diz ter “reputação ilibada”, Novais já voltou para a Câmara dos Deputados, porto seguro para quem se locupleta.

Ao estilo de seu antecessor, que estimulou malfeitores ao passar a mão na cabeça de cada um deles, Dilma Rousseff também é um poço de perdão. Ainda que colecione o recorde de ministros demitidos por corrupção em apenas 100 dias, Dilma afaga um a um.

Com a caneta, usa o traje de faxineira tão bem visto pela sociedade e abominado pelos seus. Com palavras e gestos, adula cada um dos que demite e os partidos que os abriga.

“Minha base aliada é composta de gente do bem”, assegura a presidente. Mais do que uma afronta, a frase, dita em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, é um nocaute nos que ainda apostavam que Dilma tinha alguma intenção de zelar pela coisa pública.

Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa, @maryzaidan

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

SOY COMUNISTA, PERO NO MUCHO - Por Adrian Rogers.

Quem tiver coragem, que diga o contrário, com fundamento!!!!!!
Adrian Rogers : O pensamento abaixo foi escrito no ano de 1931!
"Se você tivesse dois apartamentos de luxo, doaria um para o partido?"
- "Sim" - respondeu o militante.
- "E se você tivesse dois carros de luxo, doaria um para o partido?"
- "Sim" - novamente respondeu o valoroso militante.
- "E se tivesse um milhão na conta bancária, doaria 500 mil para o partido?"
- "É claro que doaria" - respondeu o orgulhoso companheiro.
- "E se você tivesse duas galinhas, doaria uma para o partido?"
- "Não" - respondeu o camarada.
- "Mas porque você doaria um apartamento de luxo se tivesse dois, um carro de luxo se tivesse dois e 500 mil se tivesse um milhão, mas não doaria uma galinha se tivesse duas?"

- "Porque as galinhas eu tenho."

Como disse o Presidente francês Jacques Chirac sobre o Lula: -"Para o Presidente Lula, o que é dele é dele, e o que é dos outros pode ser dividido."

Adrian Rogers.


MAIS UMA DO PADRE VERDEIXA

Extraído do Livro Antologia de João Brígido – Jader de Carvalho.

Um dia, o Padre Alexandre Verdeixa foi celebrar, no mato, um casamento. Como de costume seguiu-se a festa, Verdeixa que tinha confessado a noiva, foi a um canto do casebre, tomou um chifre de guardar tinta, e pondo-o na testa, saiu de baianar, fazendo – Monnn!... Monnn!... Aos pés do noivo, em forma de embigada, deixou cair o corno; e não se fez esperar, saltou na sela, e adeus noivas e noivado!

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O acidente de Roberto Carlos - Enviado por Eudes Mamedio.

Tudo aconteceu no fatídico dia de São Pedro (29 de junho de 1947), padroeiro da Cidade de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, onde Roberto Carlos nasceu. Portanto, era festa na cidade e como toda data comemorativa naquela época, tinha bandas tocando e muita agitação. E, claro, Zunga (apelido de Roberto na infância) não perderia oportunidade de ir prestigiar os festejo.

Roberto Carlos

Fifinha (Eunice Solino) era a melhor amiga do Rei, moravam na mesma rua e costumava ir à escola juntos. Nesse dia, ela foi recrutada por Roberto para ver os desfiles que agitavam a cidade.

Naqueles tempos, Cachoeiro era entrecortado por ferrovias e, portanto, era comum acidentes acontecerem. Lá, próximo ao centro, entre a rua e a linha de ferro, encontrava-se as duas crianças. Enquanto aguardavam um desfile escolar, uma professora temeu pela segurança de Zunga e Fifinha, pois elas não perceberam a aproximação de um trem que se aproximava. Mesmo gritando e sinalizando para as crianças saírem dali, a professora correu e puxou a menina, enquanto um assustado Zunga recuou e tropeçou, caindo na linha férrea – ele estava de costas para a ferrovia. Como não dava mais tempo, a professora tentou avisar o maquinista, mas já era tarde demais. A locomotiva avançou e a perna direita de Roberto Carlos ficou presa debaixo do vagão entre as rodas de metal.

Logo, uma multidão se aglomerava para ver o que aconteceu. Afinal era dia de festa e provavelmente o socorro demoraria – naqueles tempos poucas pessoas tinham automóveis na cidade. Mesmo assim, populares tentaram tirar a perna da criança, o que conseguiram com muito custo. Graças a um rapaz que trabalhava no Banco de Crédito Real, vendo que não dava para esperar a ambulância, ele mesmo estancou a hemorragia com seu paletó de linho branco. Roberto Carlos nunca esqueceu dessa cena e a registrou em uma de suas mais comoventes canções, O Divã: “Relembro bem a festa, o apito/ e na multidão um grito/ o sangue no linho branco…”.

O mesmo rapaz do “linho branco” chamado Renato Spíndola levou Zunga para o hospital (Santa Casa de Misericórdia). Dizem que a festa perdeu a graça naquele dia. Tudo bem, que era comum acidentes, mas geralmente eram bêbados que se acidentavam, nunca até então acontecera com uma criança – o Zunga da Rua da Biquinha.

Roberto Carlos foi atendido pelo médico Romildo Coelho, que se tornara amigo do cantor. O acidente fez com que a perna direita perdesse a sensibilidade, pois fora esmagada arrancando todos os nervos, por isso a criança não chorava muito. Zunga, ao ser atendido, estava muito mais preocupado com os sapatos novos que tinha ganhado para ir à festa do que com a sua perna, a qual ele não tinha noção da gravidade.

Na verdade, Roberto Carlos teve muita sorte, porque era comum nestes casos amputar a perna. Mas o Dr. Romildo era um sujeito moderno e havia lido um artigo médico que dizia que se devia cortar o mínimo possível os membros acidentados. Portanto, apenas entre o terço médio e o superior da canela foi amputado e um pouco abaixo colocaram uma roda de metal, o que impediu Roberto de perder os movimentos do joelho direito. Roberto Carlos passou o resto da infância andando de muleta, e apenas aos 15 anos colocaria a primeira prótese, quando já morava no Rio de Janeiro.

Eduardo Campos se reunirá com PSB, sem Marina, dia 17 - Maria Lima, O Globo


O governador Eduardo Campos (PSB-PE, foto abaixo) vai ter que exercitar a paciência à exaustão nas próximas semanas, para resolver pendências fundamentais à sua candidatura a presidente sem melindrar Marina Silva e líderes da Rede Sustentabilidade.

Cansados de ouvir de adversários que Marina é maior que Campos, ou que ele é refém dela, integrantes da cúpula do PSB querem formalizar até fevereiro a chapa presidencial, com Marina como vice, além de agilizar os entendimentos para a renovação da coligação com o tucano Geraldo Alckmin, em São Paulo.

No dia 17, Campos vai reunir a direção do PSB em Recife, sem Marina, para avaliar os rumos da coligação com a Rede e das parcerias com o PSDB em SP e outros estados. Enquanto ampliam os entendimentos para manter a aliança com Alckmin, tendo um socialista como vice, os dirigentes do PSB querem convencer Marina a formalizar a chapa presidencial.