Entre 1896-1912 – durante 16 anos – governou o Ceará a oligarquia dos Accioly. Vem de longe, como se observa, a tradição de “famílias importantes” dominarem o poder político no Ceará. Era “Intendente” de Crato, àquela época, o Cel. Antônio Luiz Alves Pequeno, fiel ao clã Accioly.
(Explicando para as novas gerações: “Intendente” era como se chamava, no início dos conturbados tempos republicanos, o atual cargo de “Prefeito Municipal”). Diga-se de passagem, que a política desta República ainda continua conturbada...
. Voltemos ao assunto principal desta matéria. Derrubado o Governo da oligarquia dos Accioly, assumiu o comando do Ceará o Cel. Franco Rabelo. Este, nomeou como novo “Intendente” de Crato seu aliado político, o Cel. Francisco José de Brito.
O antigo intendente, Cel. Antônio Luiz Alves Pequeno, não quis entregar o cargo ao seu substituto, Cel. Francisco José de Brito. Este, um homem sagaz e astuto, foi ao Lameiro (àquela época um sítio distante do centro de Crato; hoje um bairro da cidade) e trouxe até a Praça da Sé um grupo de amigos. Todos foram para o prédio da Intendência,um edifício histórico que abrigou até 14 anos atrás os dois museus da cidade, hoje fechados, enquanto o prédio ameaça desabar...
Encontrando a Intendência fechada, Chico de Brito arrombou a porta e sentou-se na cadeira do intendente anterior. Nisto apareceu o Dr. Irineu Pinheiro, sobrinho do Cel. Antônio Luiz. Irineu Pinheiro (que depois seria reconhecido um dos melhores historiadores do Cariri) ficou revoltado com o que viu e perguntou ao Cel. Francisco José de Brito:
– “Mas que lei é essa na qual o Sr. se arrima para assumir a Intendência”?
O Cel. Chico de Brito, tranquilamente olhou para o Dr. Irineu e sentenciou:
– “É a “Lei de Chico Brito”! Esta lei eu mesmo fiz. E estamos conversados”.
(*) Armando Lopes Rafael é historiador









