sábado, 7 de junho de 2025

Fatos da História do Crato: Como surgiu a famosa “Lei de Chico Brito” – por Armando Lopes Rafael (*)

Coronel Francisco José de Brito
   

   Entre 1896-1912 – durante 16 anos – governou o Ceará a oligarquia dos Accioly. Vem de longe, como se observa, a tradição de “famílias importantes” dominarem o poder político no Ceará. Era “Intendente” de Crato, àquela época, o Cel. Antônio Luiz Alves Pequeno, fiel ao clã Accioly. 

(Explicando para as novas gerações: “Intendente” era como se chamava, no início dos conturbados tempos republicanos, o atual cargo de “Prefeito Municipal”). Diga-se de passagem, que a política desta República ainda continua conturbada...

.    Voltemos ao assunto principal desta matéria. Derrubado o Governo da oligarquia dos Accioly, assumiu o comando do Ceará o Cel. Franco Rabelo. Este, nomeou como novo “Intendente” de Crato seu aliado político, o Cel. Francisco José de Brito.

     O antigo intendente, Cel. Antônio Luiz Alves Pequeno, não quis entregar o cargo ao seu substituto, Cel. Francisco José de Brito. Este, um homem sagaz e astuto, foi ao Lameiro (àquela época um sítio distante do centro de Crato; hoje um bairro da cidade) e trouxe até a Praça da Sé um grupo de amigos.  Todos foram para  o prédio da Intendência,um edifício histórico que abrigou até 14 anos atrás os dois museus da cidade, hoje fechados, enquanto o prédio ameaça desabar...

   Encontrando a Intendência fechada, Chico de Brito arrombou a porta e sentou-se na cadeira do intendente anterior. Nisto apareceu o Dr. Irineu Pinheiro, sobrinho do Cel. Antônio Luiz. Irineu Pinheiro (que depois seria reconhecido um dos melhores historiadores do Cariri) ficou revoltado com o que viu e perguntou ao Cel. Francisco José de Brito:

– “Mas que lei é essa na qual o Sr. se arrima para assumir a Intendência”?
     O Cel. Chico de Brito, tranquilamente olhou para o Dr. Irineu e sentenciou:
– “É a “Lei de Chico Brito”! Esta lei eu mesmo fiz. E estamos conversados”.

(*) Armando Lopes Rafael é historiador

Colegio Estadual Wilson Gonçalves - Antônio Alves de Morais.


Inicialmente o Colégio Estadual funcionava  noutro prédio em precárias Instalações. Anos depois de sua  fundação foi construído o suntuoso prédio do Pimenta.  Certo ano, depois de um março  chuvoso o teto do colégio  caiu e  houve um considerável estrago.
O diretor Luiz de Borba estava  doente, um  problema no dedão do pé,  Vieirinha,  vice diretor estava com uma perna engessada e José do Vale o outro vice estava com problema de pedra na vesícula.
Dr. Luiz de Borba fez uma carta e mandou  o filho  professor João de Borba  ir a Fortaleza  falar com o Major Bastos Secretario Estadual de Educação.
O Major Bastos  recebeu a carta, leu  olhou para o professor e disse : Diga ao Dr. Luiz de Borba que se o prédio estiver ameaçando cair tire o alunato de baixo e saia também  para não morrerem.
João de Borba respondeu : Eu não posso levar um recado destes porque ninguém vai acreditar. Faça por escrito que eu levo, e nem só levo como vou tirar  três copias para entregar  a televisão, ao governador do estado e ao ministério da educação.
O major Bastos disse : Você não nega ser filho do meu amigo Luiz. Sente-se aí e aguarde. Afastou-se por um tempo e ao retornar  disse : Estou mandando ao Crato um carro com um  engenheiro e a ordem para  a recuperação do prédio. Quero que você vá junto.
João de Borba encerrou  a conversa  dizendo : Não, eu não posso ir com eles, já comprei  a minha passagem de volta.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Conte essa, conta aquela - Dr. Flavio Costa Cavalcante.

“Conte essa, conta aquela, livro do Dr. Flavio Costa Cavalcante, que conta as historias do seu tio Antonio Ulisses, diz muito bem no seu prefacio escrito por Fátima Costa: existem pessoas cuja morte é apenas um “não está presente fisicamente”. Por que não morrem nunca. Quer dizer, não podem ser esquecidas, ou seja, não podem estar definitivamente ausentes, pois são lembradas por muitos cada dia.

É assim com Antonio Ulisses. Quem, sendo filho de Várzea-Alegre, ou por lá tendo passado, ainda quem por pouco tempo, não sabe quem foi essa figura, não riu de suas historias tão bem contadas? Quem não conheceu o “Beco”, famoso palco de cenas memoráveis – comandadas pela maestria de Ulisses, que liderava um grupo de “artistas do riso” do limpo e saudável deboche de humor Inteligente”.

Todos conhecem o livro do Dr. Flavio, porem como não se tem o habito da leitura, estarei passando e-mail ao autor do excelente titulo para pedir permissão para transcrever no Blog do Sanharol algumas das historias do Antonio Ulisses. Quem sabe eu possa colaborar com divulgação das historias já tão conhecidas do inesquecível Antonio Ulisses Costa.

Antonio Alves de Morais.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

NA MEDIDA, O SOBRENATURAL NO FUTEBOL - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

Nelson Rodrigues tachava de idiota da objetividade aquele que buscava racionalidade onde se enxergava transcendência.

Para Nelson, o futebol sem forças sobrenaturais não existia.

E dizia mais: "As superstições decidem campeonatos".

POSSE DE BOLA

Vale repetir a lição sobre posse de bola.

Ter a bola significa controlar o tempo.

Como na música, é o tempo que conta. 

Tempo de acelerar ou de ir mais lentamente.

Tempo que, no futebol, só os grandes times possuem.

MODERNO

O futebol que chamamos de moderno tem a herança genética da seleção holandesa de 1974.

Marcação sob pressão, jogadores sem posição fixa, a incansável busca de espaços não ocupados.

Jogadores pareciam uma matilha de lobos famintos pela bola.

Ficamos basbaques, diante do carrossel. Um espanto, uma inspiração para o futebol melhor jogado.

A ARTE É TUDO

O futebol pode ser trágico, cômico, triste, alegre, incrível, inesperado, épico, intenso e tedioso.

Como arte, o futebol pode ser tudo.

Verdades - Por Roberto campos.

O doce exercício de xingar os americanos em nome do nacionalismo nos exime de pesquisar as causas do subdesenvolvimento e permitir qualquer imbecil arrancar aplausos em comício.

Roberto Campos.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

FIM DE LINHA - Por Wilton Bezerra, comentarista generalista.

 

O grande time do Fortaleza que, nos últimos anos, foi o nosso melhor "PIB" futebolístico não existe mais.

Para quem ainda duvidava disso, a goleada sofrida para o Flamengo foi a pá de cal que faltava.

O vendaval de equívocos cometidos, nos mais variados aspectos, atingiu até Pablo Vojvoda.

O argentino não tem encontrado a fórmula de fazer o time jogar com o material humano em mãos.

O pedido de desculpas e explicações de Marcelo Paz, Vojvoda e jogadores, já não são sonoros aos ouvidos dos torcedores.

Se das crises podem sair  grandes soluções, já está passando da hora do comando tricolor usar a expertise adquirida nos últimos anos e fazer alguma coisa.

Como que sofrendo de uma enfermidade, o Fortaleza tem sido vulnerável na hora de se defender e inofensivo na hora de atacar. 

Qual a solução? Juntar o que se pode do atual elenco e contratar rápido para os setores mais fragilizados.

Daqui a pouco, o perverso calendário vai juntar Brasileiro, oitavas da Libertadores e Copa do Nordeste.

Haja fôlego para aguentar tal rojão.

Marcas do que se foi - Antonio Alves de Morais

Nos últimos dias temos testemunhado verdadeiras obras primas, discorrendo sobre a infância e adolescência. Os autores e comentaristas se esmeram em detalhes e lembranças de suas proezas de jovens, dos tempos de estudantes. São produtos de mentes prodigiosas, que como sempre costumam fazer, selecionam o que de bom, de alegre e de saudades marcou a vida.

Eu também tenho as minhas lembranças e saudades. Não vou recorrer aos tempos de Várzea-Alegre não. Falarei um pouco dos tempos do Crato.

Chegando ao Crato em março de 1969, fixei residência na casa de minha parenta Laura Morais de Brito, a pessoa melhor, mais compreensiva e hospitaleira que conheci em toda minha vida. Morava à rua José Carvalho 440 – centro.

Quando a passarada cantava, ao amanhecer, ela me convidava para missa na Sé, celebrada por Mons. Rubens Lóssio, um baixinho, serio, culto, coradinho, conselheiro e homem de Deus. Depois da missa era a vez de ver os livros, cadernos e exercícios passados pelos professores no dia anterior.

Na casa da frente, residência dos “Parentes”, tinha um som muito potente que atrapalhava o estudo, podia-se ouvir o Roberto Carlos cantar " Só vou gostar de quem gostar de mim", e ainda desfilavam pela discoteca dos Parentes o Roberto Carlos, Jerry Adriane, Wanderley Cardoso, Vanderleia, Martinha, Leno e Lilian, Renato e tantos outros.

Depois do almoço seguíamos para o ponto de encontro, nos bancos da Praça da Sé, embaixo dos oitizeiros gigantes. Iam-se formando as turminhas, e, quando feitas, subíamos para o Colégio Estadual para tomar aulas de grandes mestres.

Nos finais de semana era a vez da missa da igreja São Vicente, da Praça Siqueira Campos e dos cinemas Cassino, Moderno e Educadora. Aquilo sim, era uma vida descuidada, feliz, alegre e que não encontramos meios de esquecê-la.


Idade - Antonio Alves de Morais

Quando você encontrar alguém da sua época e achá-lo muito velho e acabado, é bom correr pro espelho e fazer uma autocrítica. A idade passa para todos.

Eu estava sentada na sala de espera, para a minha primeira consulta com uma nova dentista, quando observei que o seu diploma estava pendurado na parede. 

Ao ler o nome, de repente, eu me recordei de uma morena alta,olhos verdes, rosto bonito que tinha esse mesmo nome. Era da minha classe do colegial, uns 40 anos atrás, e eu me perguntava se poderia ser a mesma moça por quem eu tinha uma queda de asa à época?

Quando entrei no consultório, imediatamente afastei esse pensamento do meu espírito. Esta senhora de cabelos grisalhos, quase calva, e o rosto marcado, profundamente enrugado, era demasiadamente velha para ter sido a minha paixão secreta.

Quê que é isso? Depois que ela examinou minha boca, perguntei-lhe se ela tinha sido do Colégio Estadual. – Sim, respondeu-me. Quando se formou? Dezembro de 1971. 

Mas, porquê a pergunta? - Eh. bem. você era da minha classe.

Aí, então aquela velha horrível, anormal, um tremendo bagaço, me perguntou:

A Senhor era professor de quê?

terça-feira, 3 de junho de 2025

SAUDAÇÃO AO POR DE SOL - Por Edmilson Alves.


Talvez no último dia da minha vida eu deva saudar o Sol, levantando a mão direita ao meu peito, afirmando: Obrigado Sol, graças ao fulgor de sua luz, eu consegui sair das trevas e me libertei das correntes que outrora me puseram, acorrentando-me no âmago de minha alma por corporações religiosas, e, filosofias inconsequentes.

Há muita gente encarcerada em prisões no inconsciente, conformada com as imposições que o sistema ditatorial do poder impõe a sua alma que sofre os infortúnios da prisão. 

Confesso que, quando chegar o meu dia de viajar não saudarei o Sol, dizendo-lhe adeus. Será só um sinal de até logo. Acredito que, após experimentar a vida em outras dimensões eu retornei a nosso planeta mais evoluído, mais adulto e cheio de sabedoria visando libertar a humanidade das atrocidades de qualquer poder.

"Eu não fui herói", disse o cardeal Eugenio Sales sobre ditadura

 Uma pomba branca pousou sobre o caixão com o corpo de dom Eugênio Sales durante velório na catedral do Rio. A pomba passou mais de uma hora sobre o caixão do cardeal. O fato chamou a atenção de todos, pois o símbolo do Espírito Santo é a pomba...


(Matéria publicada no “Folha de S.Paulo”, desta quarta-feira) CRISTINA GRILLO
DO RIO

   
A voz estava fraca, pausada; os passos eram lentos e as mãos, um pouco trêmulas. Mas as opiniões continuavam as mesmas que o levaram a ser considerado um dos membros mais tradicionalistas da alta cúpula da Igreja Católica no Brasil. Às vésperas de completar 90 anos, em novembro de 2010, dom Eugenio Sales conversou por pouco mais de três horas com a Folha, uma de suas últimas entrevistas.
Riu --uma raridade-- ao lembrar que durante a ditadura era acusado pela esquerda de se aliar aos militares enquanto ajudava perseguidos e refugiados políticos a saírem do país. Estima-se que de 4.000 a 5.000 pessoas tenham recebido ajuda do então cardeal arcebispo do Rio para fugir.

"Eu não fui um herói. Cumpria o que devia cumprir, era minha obrigação. Era sincero na minha relação com o governo militar, e isso era fundamental naquela situação."

Contou então um caso para exemplificar sua relação com os militares. Um dia telefonou para o então ministro do Exército, general Sylvio Frota (1974-1977) e lhe disse: "Se você for informado que estou recebendo comunistas no Palácio [São Joaquim, sede da arquidiocese], saiba que é verdade".
Mas dom Eugenio sempre se recusou a aplicar a mesma lógica de amparar o diferente quando o tema eram os direitos dos homossexuais.
"Às vezes são irritantes essas passeatas gays. É promover uma coisa que não está correta segundo a natureza."

Até completar 90 anos, dom Eugenio ia todas as tardes para seu escritório, em um prédio da arquidiocese ao lado da Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. Uma noite por semana participava de celebração restrita a padres na igreja de Santana. Algumas vezes voltava tarde para casa, no alto do Sumaré, na Floresta da Tijuca. O caminho atravessa áreas dominadas pelo tráfico.

Muitas vezes cruzou com traficantes armados e aprendeu que o mais seguro é acender as luzes internas e apagar os faróis. "Eles conhecem o carro e escondem as armas. Às vezes me deparo com um homem morto. Mais de uma vez mandei parar o carro, desço e rezo por aquela pessoa. Algumas vezes os bandidos estavam perto, mas nunca se aproximaram", contou. "E também nunca tentei bancar o valente e repreendê-los."

Nos anos 60 - Antonio Alves de Morais.


Naquela época, até o final dos anos 60, pelos menos, havia vestibular para entrar no Ginásio. Era comum a criançada do quarto ano primário fazer uma espécie de cursinho visando preparar-se para o exame de Admissão.

O meu livro era de pelo menos oitava mão ou seja já havia passado por oito antes de mim. Todas as figuras estavam riscadas, bigodes, óculos, até chifres nas fotos haviam. Minha querida e inesquecível professora Dona Iracy Bezerra de Morais preparava nossa turma para um exame de segunda época para o preenchimento de cinco ou seis vagas restantes oferecida pelo Colégio. Fui aprovado e assim iniciei o antigo curso colegial em 1965.

Catedral - Roni Von - Sucesso de 1967.

Lorota do PT, governar para o pobre - Antônio Alves de Morais.


Quem teve a ventura ou desventura de assistir o Programa Globo Repórter da semana passada  pode comprovar a pobreza existente no interior do Piauí, estado  governado  há três décadas  pelo PT.  

Seres humanos  vivendo a míngua de qualquer atendimento do puder publico, morrendo de sede e por inanição. Um exemplo do que Lula e Dilma fizeram  em nível nacional : Transformaram  as favelas que proliferam  nas periferias das cidades em potenciais Somália.

A indiferença dos brasileiros que tem acesso aos favores, ladroagens e pilantragens dos governantes, não toca o coração, o não é problema deles.

Doutorados em ludíbrio,  com mestrado em mentiras e enganações os governos do PT prosseguem  na sua  sinistra e insana determinação pelo puder.

Mas, há uma esperança. Conforme foto publicada no "Jornal Agora Vai" pelo menos o problema da sede será resolvida. A Dilma e a Marina Silva  estão  iniciando uma caminhada nesse sentido. 

Água não será mais problema.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Crônicas e contos - Antônio Alves de Morais.

 

"Eu escutei minha mãe pedindo ao vizinho um pouco de sal. Nós tinhamos sal em casa, então perguntei a ela o porque que estava pedindo.

Ela me contou que eles não tem muitos recursos e, às vezes, eles nos pedem coisas, então eu peço algo pequeno que não irá sobrecarregá-los.

Eu quero que eles sintam-se como se agente precisasse deles também. Dessa forma vai ser muito mais facil pra eles pedirem para nós por algo que precisam".