domingo, 7 de março de 2010

Marina Silva - Por Alfredo Junqueira


A senadora e pré-candidata à Presidência da República pelo PV, Marina Silva (AC), defendeu hoje, no Rio, o fortalecimento dos órgãos de fiscalização e controle como método para combate à corrupção no País. Em discurso na Câmara Municipal de São Gonçalo, onde foi homenageada, Marina lamentou que o nível de desvio de dinheiro público no Brasil tenha atingido patamares "extremamente altos".

Segundo ela, o mesmo volume de recursos que é aplicado em saúde e educação é desviado por corruptos em todos os níveis do poder público."O combate à corrupção é algo que precisa ser feito em todas as frentes. Uma delas é o fortalecimento dos órgão de fiscalização e controle, como o Ministério Público, o Tribunal de Contas e o próprio órgão do governo responsável pelo tema", argumentou a pré-candidata do PV.

Com o discurso, a senadora se coloca em posição diversa da do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nos últimos meses, vem reclamando do excesso de vigor dos órgãos de fiscalização do Estado.

Marina foi homenageada com o título de cidadã gonçalense e com a mais alta comenda da Câmara Municipal de São Gonçalo. Ela ainda foi recebida por vereadores de Niterói que também promoveram uma solenidade de apoio à sua pré-candidatura. A senadora fica até domingo no Rio, onde manterá extensa agenda de compromissos políticos.
Postado Por A.Morais

sexta-feira, 5 de março de 2010

A SENTENÇA DE SÃO BRAZ - Por Mundim do Vale

Os católicos da terra do arroz passaram muitos anos adorando São Braz, pensando se tratar de São Raimundo Nonato, padroeiro da cidade. Este engano serviu até de inspiração para um dos contrastes de Várzea Alegre.
Com a chegada de um padre novato foi reconhecido o engano, causando uma revolta nos fiéis do padroeiro. Depois que a notícia espalhou-se São Braz ficou mais antipatizado do que parlamentar que recebeu o mensalão.
Um grupo de católicos se dirigiu a casa paroquial para falar com o novo vigário, a fim de que ele tomasse uma providência para dar um fim no santo intrometido e que providenciasse imediatamente um verdadeiro São Raimundo.
O líder do grupo chegou para o vigário falando:
- Seu vigário. Esse tal de São Braz enganou a nossa boa fé, furtou as nossas orações, fez pouco das nossas promessas e ainda surrupiou as nossas esmolas. Vai ser preciso dar um corretivo nele e botar um São Raimundo no lugar.
O vigário muito sereno respondeu:
- Calma meu filho! Eu vou providenciar o verdadeiro padroeiro e transferir as orações de vocês junto com o Senhor bispo no dia da benção. Mas São Braz pode ficar, porque numa igreja pode ter vários santos.
Os fiéis saíram sem gostar nem um pouco da proposta do novo vigário e foram logo tratando de desenvolver uma maneira de resgatar o santo impostor para castigá-lo.
No dia da chegada do padroeiro verdadeiro, a cidade fez uma festa, e como havia sido combinado, o bispo do Crato veio para benzer a imagem. O Senhor bispo estava preparando o cerimonial, quando chegou o grupo de revoltosos e pediu para falar com ele, O bispo mandou que entrasse e o líder foi logo beijando a mão dele e dizendo:
- Senhor bispo. Nós estamos aqui em comissão para pedir ao Senhor que deixe nós levar esse santo que tava no lugar do nosso, para botar na capela do Socorro, que não tem nenhum. O bispo concordou sem saber a intenção daqueles justiceiros. Eles saíram todos à cavalos de frente da igreja, já levando o santo impostor na lua da cela.
Quando chegaram no sítio Brejo, julgaram e condenaram sumariamente o pobre santo a pena de morte por apedrejamento, pelo crime de falsidade ideológica. Quebraram o condenado em mais de vinte pedaços e jogaram no açude.
Depois do CUMPRA-SE, um dos executores olhou para as borbulhas na água e disse:
- Tu tá vendo Braz? Isso daí é pra tu nunca mais querer passar Raimundão pra trás.
Mundim do Vale

Desafio - Antonio Alves de Morais

Dando continuidade a divulgação e registro de nossa memória, trago-lhes mais um personagem muito conhecido dos várzealegrenses. Este homem animou os fins de semana de nossa terra. Com sua concertina fez historia. Grande tocador, simples, humilde, animava desde carrosséis, parques de diversões a grandes festas nos sítios e zonas da alegria. Marcou seu nome na historia de Várzea-Alegre. Merece nosso reconhecimento. Vamos lá, diga seu nome! Em sua homenagem veja o video de Ze Calixto tocando Escadaria. Foto do arquivo de Israel Batista.


ADEUS, QUERIDA MESTRA!

Por Zé Nilton

Sem dúvida uma grande perda para a educação do Crato e da região.

Grandiosa foi a sua vocação para o exercício do bem. Sempre terna, carinhosa e prestativa, ajudou a um cem números de pessoas a se colocarem com fé e força diante da vida.

Viveu mesmo para ser educadora, no mais alto significado desta palavra. Acompanhou as transformações do tempo com muita serenidade. Apreendeu os valores da modernidade e se renovou para viver este mundo.

Comprida seria a lista de serviços prestados ao Crato. Esteve à frente de todos os grandes empreendimentos em prol do desenvolvimento da cidade.

É comum dizer-se que a Urca teve um pai, o emérito reitor Antonio Martins Filho. A mãe da Urca chama-se profa. Maria Sarah Esmeraldo Cabral. Como uma mãe ela cuidou da Urca orientando práticas e políticas em pressupostos éticos e verdadeiros.

Sou testemunho da sua firmeza moral e da sua honradez inatas. Como também guardo uma eterna gratidão por ela ter me dado a mão e me encaminhado para o que hoje sou como pessoa.

Adeus, querida mestra Sarah !

Nardoni e Jatobá


O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF) negou nesta quinta-feira liminar ao pedido da defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, presos e acusados de matar a menina Isabella Nardoni, em 29 de março de 2008. O advogado Roberto Podval havia pedido a retirada da acusação de "fraude processual". Havia expectativa de que o STF pudesse adiar a data do julgamento, marcado para dia 22 de março, para analisar o pedido. Com a decisão, o júri continua confirmado para o Fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo.
O advogado argumentava que a retirada da acusação era uma questão técnica. - O casal não poderia ser acusado formalmente de fraude processual porque na época não havia um processo em andamento. A fraude processual só ocorre quando há um processo em andamento. Por isso, entrei com o pedido para que a acusação seja retirada. Será um júri complicado, com tempo pequeno para a defesa, por isso não gostaria de perder tempo com essa questão - justifica o advogado.
O casal foi acusado de ter limpado com uma fralda manchas de sangue da parede do apartamento de onde a menina foi jogada, alterando a cena do crime. O advogado negou que o objetivo dele fosse adiar o júri.
O Superior Tribunal de Justiça já havia negado em dezembro o mesmo pedido. Na época, o argumento utilizado pelo advogado no recurso que foi o de que a Constituição Federal assegura que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Por isso, na avaliação de Podval, o casal não poderia ter a acusação de fraude processual acrescentada à de homicídio.
O relator do processo no STJ, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, confirmou o direito constitucional que garante à pessoa não se autoincriminar, mas "não abrange a possibilidade de os acusados alterarem a cena do crime, levando peritos e policiais a cometerem erro de avaliação".
A menina Isabella morreu ao ser jogada do sexto andar do prédio onde moravam os acusados na zona norte de São Paulo. Para a promotoria, a madrasta tentou esganá-la e o pai a jogou do sexto andar do apartamento pela janela. O casal, que está preso em cadeias no interior de São Paulo, alega inocência. Eles sustentam a tese de que uma terceira pessoa jogou a menina do prédio.
Os dois serão julgados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima, visando garantir impunidade de delito anteriormente praticado) e fraude processual (limpar a cena do crime antes da chegada da polícia).


Fonte O Globo.

De mensalão em mensalão - Antonio Alves de Morais.

Os mensalões do PT, inspirado e idealizado pelo mensalão do PSDB e seguido pelo mensalão do DEM, tiveram um raio de ação e envolvimento que atingiu partidos de uma ponta a outra. De direita à esquerda. Não há exclusividade. Os de um lado justificam apaixonadamente os descasos seus, enquanto os do outro usam os mesmos argumentos e assim a compra de apoios pelo poder passa a ser uma pratica, que os bajuladores chamam de governabilidade, base aliada ou alianças com os fariseus.

“É fácil falar que devemos acabar com essa onda de corrupção através do voto. Mas como fazer isso se não há candidatos honestos e o voto nulo não tem qualquer peso em nossas eleições”?

A justiça, embora tardia começa a agir, o Arruda já está preso, quem sabe um dia não chegará à vez do Zé Dirceu, Genuíno, Delubio, Marco Valério e os 40 que estão denunciados no supremo. Pra tudo tem um tempo. Até quando - Ana Carolina.


Lourival Batista e Pinto de Monteiro - Improviso

Lourival Batista.

Pinto de Monteiro, extraordinário repentista paraibano, certa ocasião, cantando com Lourival Batista, fez vários improvisos em que retratava a valentia, como disposição em amansar touro com a mão, apagar incêndio com pólvora, etc. Ao que Lourival lhe respondeu com essa sextilha:

Isso foi naquele tempo,
Quando você era macho.
Porém, um cabra valente
Passou-lhe o facão por baixo,
Que o sangue correu na perna
E o gato comeu-lhe o cacho.
Pinto de Monteiro

Em seguida, Pinto de Monteiro pegou a viola e improvisou em resposta ao desafiante:

Por isso é que me rebaixo
Em cantar com cabra bruto,
Pois, quando correu a notícia
De que eu perdi esse fruto,
Sua mãe chorou de pena
E nunca mais tirou o luto.

Postado Por A. Morais

quinta-feira, 4 de março de 2010

A QUEDA DO PADROEIRO - Por Mundim do Vale

Na década de 70, houve um inverno muito pesado no município de Várzea Alegre e por conta daquilo, a torre da igreja matriz desabou trazendo com ela a imagem do padroeiro São Raimundo Nonato.
Por coincidência ou milagre o santo nada sofreu, estava apenas desbotado pela ação do sol e da chuva.O fato aconteceu a meia noite, mas quando amanheceu o dia a pracinha da igreja já estava lotada de fiéis. Com a presença dos curiosos surgiu os seguintes comentários:
Romana:
- Isso só pode ter sido um castigo. Quem mandou o Pade Mota pintar a igreja de verde?
João Mandu:
- Isso daqui foi um milagre grande! Cuma é qui pode um santo se distabacar duma altura de mais de trinta metro e num quebrar nem um dedo? Apois meu subrim caiu dum coqueiro qui é muito mais baxo, mais ele quebrou as duas perna.
Rosa Pagé:
- Vixe Cuma ele é fei! Eu reparava ele lá imriba e pensava qui era mais bunitim, mais ele é mermo qui tá vendo Chico de Munda.
Maria Bela:
- Vôte! São Raimundo cum esse amarelo impombado, tá direitim Dedé de Frazo.
O vigário aproveitou a tragédia e iniciou logo uma campanha para a reconstrução da torre. Enquanto desenvolvia os trabalhos, mandou o pintor Ildefonso Vieira Lima, renovar a pintura do santo.
Depois da torre concluída, o nosso conterrâneo Otacílio Correia, conseguiu com o governador, uma equipe do corpo de bombeiros com uma escada Magirus para colocar o padroeiro de volta no seu lugar.
A chegada dos bombeiros foi uma festa na cidade, o padre celebrou uma missa campal e benzeu a operação.
Depois do padroeiro no lugar, os bombeiros se despediram recebendo os aplausos da comunidade cristã.
Gregório Gibão que estava no meio da multidão, tirou o chapéu, colocou a mão na testa, olhou na direção da torre e gritou:- Ei Raimundão! Quando tu quiser trocar a roupa de novo, é só dispencar daí de riba.

Por Mundim do Vale

“Brasileiros e brasileiras: eu vou voltar” – postado por Armando Rafael



Não, não é pesadelo.
José Sarney poderá voltar à Presidência do Brasil.
Abaixo, notícia divulgada hoje pelo jornal "O Globo"


Lula deve se licenciar para ajudar Dilma; Sarney assume
O presidente Lula pretende se licenciar do cargo, nos meses de agosto e setembro, para participar ativamente da campanha de Dilma Rousseff. Com a licença, o presidente Lula quer evitar problemas com a Justiça Eleitoral e se dedicar integralmente à tarefa de eleger seu sucessor. O período e o afastamento vão ser ditados pela necessidade política. Com isso, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que não disputa as eleições, voltará temporariamente à Presidência da República.
Fonte: O Globo

ASSEMBLÉIA HOMENAGEIA SEMINÁRIO S. JOSÉ

Postado por Zé Nilton

Seminário do Crato recebe homenagem da AL pelos seus 135 anos de fundação

A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público em conjunto com o Fórum Permanente pela Educação da Assembleia Legislativa prestou homenagem, na tarde desta terça-feira (02/03), ao Seminário São José do Crato, pelos 135 anos de sua fundação. A iniciativa foi do deputado Professor Teodoro (PSDB). “O Seminário mostra a preocupação da igreja com a boa formação dos jovens", afirmou o parlamentar.

Professor Teodoro lembrou ainda que até hoje o Seminário continua participando da educação, promovendo cursos superiores de Filosofia e Teologia, contribuindo assim para a formação pessoal e profissional da população do Cariri.

O Seminário do Crato foi criado em caráter transitório pelo Bispo Dom Antônio Luiz dos Santos em março de 1875. Após 10 anos fechado, em 1909 passou a funcionar no Colégio São José, com direção do padre Pedro Esmeraldo da Silva.

Durante a solenidade o desembargador Francisco Suenon Bastos, falou da sua passagem pelo Seminário, entre 1957 e 1960. Ele explicou que estudando na instituição aprendeu a tratar as pessoas reconhecendo-as como cidadãs e fez amizades fraternais que ainda hoje mantém contato. "Tenho o Cariri como minha terra, muito embora não tenha nascido lá, mas foi lá que alimentei e formei em mim os fundamentos humanistas", afirmou.

O desembargador Celso Albuquerque de Macêdo leu um texto que denominou "aula da saudade", lembrando a sua ida para o Seminário e a rígida disciplina que era imposta aos alunos. Já o desembargador José Eduardo Machado de Almeida, afirmou que trouxe o estudo do Seminário para o vestibular de Direito, para a sua especialização e para toda a sua vida. "Ainda hoje trago o que aprendi no Seminário São José do Crato e aplico na minha vida", concluiu.

O desembargador Lincon Araújo, expressou o orgulho de ter passado pelo Seminário São José e disse ter consciência de que foi nesta época que formou sua moral. Por sua vez, o Dr. João de Aquino Lima Verde, disse que sempre que lembra do Seminário, vêm à mente muitas lições que deveriam estar presentes nas disciplinas escolares ainda hoje. "O Seminário São José do Crato ensina como assumir a postura de estudo e o Brasil deveria assumir essa postura", sugeriu.

Também esteve presente o padre Francisco Ivan de Souza, pároco da Igreja de Nossa Senhora de Fátima e o professor da Universidade Regional do Cariri, José Nilton Figueiredo.
GM/LF


Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social
comunicacao@al.ce.gov.br

O artigo de Alberto Dines que foi censurado – postado por Armando Lopes Rafael


Alberto Dines – um dos nomes mais importantes da história do jornalismo brasileiro – foi censurado pelo portal Último Segundo, do iG. Há cinco anos Dines escrevia um artigo semanal para o portal; semana passada, para publicação na sexta, dia 27 de fevereiro, ele escreveu sobre a viagem de Lula a Cuba e a morte do preso político Orlando Zapata Tamaya.
“Fui avisado por telefone, horas depois, de que fora suspenso e a minha colaboração interrompida”, contou Dines, em mensagem a amigos. “Em Cuba as coisas são mais transparentes.”

No Observatório da Imprensa, Dines conta todo o episódio.
Há dezenas de colunistas e blogs ligados ao iG, sobre os mais diferentes temas, de cozinha a esportes, literatura, moda, celebridades. Sobre política, com a saída de Alberto Dines, agora só há três blogs ligados ao portal: os de Luis Favre, Luís Nassif e Ricardo Kotscho. Três petralhas.
É um perfeito exemplo de como funcionam as coisas no petismo, na Cuba dos irmãos Castro, na Venezuela de Chávez: opinião, só se for a favor.
Eis o artigo censurado:

O azar dos sortudos
Alberto Dines

Tem fama de afortunado, ditoso ou, como diz o povo, empelicado. Mas nem tudo foram flores quando Lula enveredou pela política: perdeu três pleitos presidenciais sucessivos e já começava a ficar com fama de perdedor quando os ventos mudaram e embora não fosse surfista enganchou-se nas ondas certas.
Nestes últimos oito anos, inspirado pelos astros ou pelo bom senso, Lula acionou corretamente
todos os botões mesmo quando os companheiros cometiam as barbaridades do mensalão e do dossiê Vedoin. Animado pela infalibilidade cometeu há um ano monumental asneira ao escolher José Sarney para presidir o Senado. Ainda não pagou por ela mas não está longe o dia em que será julgado pela complacência na desmoralização do Legislativo e na proteção a um dos coronéis mais corruptos da história do Nordeste.
A viagem ao México e Caribe prometia ser um cruzeiro de férias: em Cancun, na Cúpula das Américas, deveria envergar a confortável guayabera presenteada pelo anfitrião Filipe Calderon aos participantes homens (excluídas as mulheres) e participar de mais um bloco continental, não-carnavalesco, a “OEA do B”, sem a participação dos EUA e Canadá.
Em Cuba encontraria Fidel Castro, em franca recuperação, e talvez incentivasse as negociações recém iniciadas com os EUA cumprindo o seu papel de contrapeso à insanidade de Chávez. Não foi avisado ou não deu importância à informação de que o dissidente cubano, Orlando Zapata, em greve de fome há 85 dias, fora internado em estado grave uma semana antes num hospital de Havana.
Como a Parca não distingue sortudos dos azarados, o anúncio da morte de Zapata correu o mundo justamente quando o avião da Força Aérea Brasileira aterrava em Havana e Lula, feliz da vida, preparava-se para abraçar os irmãos Castro. Boas estrelas são volúveis, a sorte é movediça, pior ainda: imprevisível.
O presidente Lula atrapalhou-se ao explicar por que não atendera ao pedido dos dissidentes cubanos para interceder em favor de Zapata e cometeu uma barbaridade ao desqualificar o sacrifício do militante oposicionista. Ignorou ostensivamente a heróica jornada do Mahatma Gandhi que dobrou o invencível império britânico graças às greves de fome.
Desprezar a imolação e depreciar o martírio é uma forma de compactuar com aqueles que não permitem outra alternativa senão a imolação e o martírio. Invocando princípios religiosos Lula foi anti-religioso, ao buscar a racionalidade associou-se aos irracionais que relativizam as liberdades para defender o arbítrio. Não contente, em entrevista aos jornalistas cubanos, fez um apelo à ousadia de Obama para acabar com o embargo econômico dos EUA a Cuba.
Este embargo ianque é estúpido, desumano, imoral e inútil, Obama está empenhado em suspendê-lo, mas considerá-lo como único responsável pela ditadura cubana – como fizera na véspera seu homólogo, Raúl Castro – é um raciocínio primário à altura do intelecto de Hugo Chávez.
Atarantada por suas próprias mazelas, a imprensa internacional não deixou sem comentários o simplismo do nosso presidente. O prestigioso diário espanhol El País, o mais importante do mundo ibero-americano, lamentou a oportunidade perdida pelo dirigente brasileiro para forçar o regime cubano a respeitar os direitos humanos.
“O silêncio de Lula diante de uma ditadura como a castrista macula o que ele representa para a América Latina e à medida em que o Brasil se fortalece como potencia emergente, para o resto do mundo.” Não se trata de uma opinião pessoal do correspondente no Brasil, Juan Árias – geralmente cordato – mas da opinião institucional de um grande jornal que recentemente ofereceu a Lula um honroso galardão.
Negociar com todas as partes em conflito é a principal ferramenta da diplomacia, mas a confiança dos interlocutores não pode ser conquistada à custa do sacrifício de valores universais. Remember Munique: as concessões pragmáticas de Chamberlain e Deladier, ao invés de aplacar Hitler, só aumentaram a sua ferocidade.
A sorte é imponderável, inexplicável, mas consta que sortudos têm boa memória.

Casamento a moda antiga - Antonio Alves de Morais

Dedicado a Giovani Costa, filho do Casal.

Num passado não muito remoto os rapazes levavam uma vantagem danada sobre as moças. Bastava se agradar ou simpatizar com a pretendida e comunicar ao pai dela o desejo de se casar que o negocio estava feito, não havia escolha para as mulheres. Assim é que Antonio Leandro Bezerra decidiu se casar com Inacinha filha de Benedito Alves Bezerra, o Benedito André do Sanharol.

Quando chegou à casa do futuro sogro o encontrou cuidando de uns afazeres nas proximidades da residência e já foi soltando o verbo: Benedito eu quero saber se você permite que eu me case com a Inacinha. Pra azar do Antonio Leandro, o Benedito era um pouco moderno pra epoca e consultou a filha: Inacinha! Olhe aqui a conversa do Antonio Leandro, ele quer saber se você quer se casar com ele? Quero não, respondeu em cima da bucha.

Com o orgulho ferido Antonio tratou de se retirar quando já estava a alguns metros de distancia se ouviu um berro, um grito de um dos compartimentos da casa: Eu quééééro! Era a Carmelita, filha caçula do Benedito. Para não perder a viagem o Antonio voltou para casa já com o casamento marcado. O casal teve 14 filhos e fizeram 60 anos de casados. Na solenidade religiosa, no momento das manifestações dos familiares a Carmelita falou: nós não namoramos para casar, vivemos todo esse tempo e nunca brigamos, nunca houve um desentendimento. Na vez do Antonio ele confirmou: É verdade, nunca brigamos porque eu nunca quis, mas motivos ela deu por demais da conta.

A humanista Paula Costa - Por Dra Linda Bitu Lemos.


Num registro de pessoas que contribuíram para o desenvolvimento econômico, político e social do nosso município vamos encontrar Paula Francinete Costa, uma espécie de estilista de moda e embaixadora da alegria.

Nasceu em Várzea Alegre, em 06.02.1935, filha de José Alves Costa e Raimunda Bitu Costa (Didinha), vinda de uma prole de dez filhos: Maria Dilma, Toinho, Joãozinho, Linda (Irmã Sara), Socorrinha, Raimundo, Risomar, Rita de Cássia e Laís Iolanda. Teve como avós paternos Maria Linda do Amor Divino (Mariinha) e João Alves da Costa, que moravam no Sítio São Cosme e avós maternos: Antonio Alves Feitosa Bitu e Maria Madalena Bitu, residentes no Sítio Sanharol.
Quando criança, Paula muito viajou para a casa dos avós. Aliás, viajar era uma de suas predileções, que levou para a vida adulta. Uma vez, fez uma viagem a São Paulo e só retornou seis meses depois, decisão que lhe garantiu o carinhoso cognome de “Paulista”. Seguindo o mesmo raciocínio, poderíamos chamá-la de “Cratense”, pois numa de suas visitas a Dona Otília, no Crato, para provar um vestido, demorou quatro meses. De Gramado, no Rio Grande do Sul, onde passamos a virada do ano de 2007 para 2008, Paula já me convidava para o carnaval de Olinda, com a grande amiga Francinete Batista Moreno, e semana santa em Várzea Alegre.
Uma outra característica marcante era a elegância. Prezava pela aparência. Sempre bem vestida e alinhada, usava, regularmente, meias finas e sapatos altos. Os cuidados com os cabelos eram constantes, embora os usasse bem curtos. Semanalmente, ia ao cabeleireiro. Caminhava elegantemente, de cabeça bem erguida. Usava roupas bem cortadas, às vezes, feitas por costureiras que eram também boas amigas: Dona Otília, Zaíra Teixeira, Áurea, Mirian Leite... etc. Adorava colaborar para que as outras pessoas também se vestissem bem, opinando no que deviam usar. Era uma espécie de estilista. Lançou a moda da mini-saia em Várzea Alegre, fazendo um desfile que marcou época: “As Moderninhas de 1969”. Até os jornais da capital noticiaram o evento. Desfilaram na época: Francisca Isle, Linda Lemos, Mundinha de Dolores, Silvana de Dr. Colares, Jussy de “Seu” Totô, entre tantas outras.
Um belo dia, depois de perder a mãe, Paula despertou para a importância de continuar os estudos e resolveu mudar-se para Fortaleza. A elegante mulher passou a morar num pensionato de estudantes e enfrentou um vestibular, já em idade madura. Determinada e perseverante, graduou-se em administração, na UNIFOR, tendo como colegas: Aparecida Cabral, Moema Bezerra (filha do governador Adauto Bezerra), Ednardo da Loja Pirineus, dentre tantos outros que costumava falar com carinho. Uma vez, me disse: eu vou tão chique para a faculdade que preciso dizer aos colegas que me vesti daquele jeito porque tinha um compromisso depois da aula. Balela! Era chique porque podia e sabia ser. Não ia a lugar algum depois daquela aula.
Teríamos muito a dizer sobre Paula, especialmente, sobre sua marcante personalidade. Muito religiosa, amiga de todos, costumava conversar com crianças ou adultos, conhecidos ou estranhos e assim curtia a vida. Circulava entre gerações de forma confortável. Funcionária do IPEC – Instituto de Previdência do Estado do Ceará, alí fez muitos amigos. Dr.Edval Távora era nome presente nas suas conversas. Fez muitos favores, facilitando uma consulta para quem a procurasse. Tinha a capacidade de enxergar grandeza e beleza na simplicidade das coisas: plantas, animais, alimentos, peça de decoração, orvalho,...enfim, curtia a vida de forma plena.
Sempre bem humorada, sei que está dando risadas lá do céu, contando os mais variados episódios: um jantar em época de plano cruzado, no governo de Collor de Melo; algo que aconteceu na festa de agosto; uma visita a Valdeliz Correia; uma prosa com a amiga Zenaide ou Ilka Moreno; a notícia de que viu uma gota d´água num dia de chuva, enfim, deve estar cantando um hino qualquer de louvor à vida! Será se eu disse o suficiente sobre você minha amiga? Com certeza, não. Esqueci dos longos telefonemas... mas, tudo que eu disser sobre você é pouco.
Paulinha não avisou aos familiares e amigos que estava doente. Quis nos poupar do sofrimento? Ao partir, em 13.02.2009, deixou muitas saudades, pois levou consigo parte da alegria das nossas festas. Paula Costa faleceu no Hospital do Câncer, em Fortaleza-CE e enterrou-se em Várzea Alegre.

Dra Linda Bitu Lemos.