sexta-feira, 6 de agosto de 2010

KAUS KU DÔ - Antonio Alves de Morais

Dedicado ao Mundim do Vale.

Depois da passagem do “Gran Circo” pela Vazante, proeza narrada por Mundim do Vale há poucos dias, Kaus Ku Dô mudou de nome e de profissão. Passou a se chamar Cascudo e deixou o picadeiro para ser servente de pedreiro.

João Piau estava construindo uma casa no Pecém, região metropolitana de Fortaleza, e, levou Cascudo e Batista para fazer os acabamentos. A obra durou quase um ano. Quando se aproximou a festa de São Raimundo, João Piau chamou os dois e disse: Vocês estão liberados, vamos prestar contas em tempo de chegarem em Várzea-Alegre no período na festa, das novenas de São Raimundo. Com os bolsos receados de dinheiro, Cascudo nunca vira tanta bufufa de uma só vez, tomaram o ônibus para Fortaleza. O ônibus cheio, o Batista colocou as mãos nos bolsos e protegeu o dinheiro, enquanto Cascudo segurava-se com as mãos levantadas e os bolsos livres. Cascudo dizia sempre: Batista cuidado pra não ser roubado. Depois de vários avisos o grito foi retumbante: Batista eu fui roubado. O Tempo fechou, o ônibus foi levado para delegacia. Cascudo ficou na porta com o delegado que revistava as bolsas e bolsos dos passageiros. Dado momento chegou um sujeito mal encarado, Cascudo deu uma cubada e disse: Foi você, se abofelou com o cabra e saíram bolando pelo chão. O Delegado prendeu os dois. O cabra porque estava com o dinheiro roubado e Cascudo por desacato a autoridade.
Depois de algumas horas Batista disse ao delegado: Deixe agente ir embora, faz um ano que nós estamos fazendo uma construção de João Piau e fomos liberados para visitar a família. Ah! Vocês conhecem João Piau, ele é meu amigo, disse o delegado, liguem pra ele que eu solto. Cascudo mais afobado do que Mundim da Varjota disse: Ligo não, quando você prendeu não foi preciso ligar. O delegado se compadeceu e soltou Cascudo e Batista.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

POETA VARZEALEGRENSE - Por Mundim do Vale

Do Ceará, eu bebi
Água dos primeiros lagos;
Paguei, dos amores falsos,
Os levianos afagos,
Só os carinhos maternos,
Ainda, não foram pagos!


Trina, alegre a passarada,
Muge o gado, o bode berra,
As nuvens soltam granadas
No manto verde da serra,
E o vento sacode as flores
No colo morno da terra!


Sou um pobre sertanejo,
Nascido lá na aldeia:
Passei minha mocidade,
Brincando na branca areia,
Mas, dela, sinto saudade,
Quando estou em terra alheia!


Numa pequena cidade,
Vizinha de Piancó,
Desci pra pisar no pó
De quem está na eternidade.
Eu tinha imensa vontade
De ver a sua caveira,
Mas vi, somente, a poeira,
Formando uma nuvem escura,
Por cima da sepultura
De Inácio da Catingueira.


A minha pobre existência,
Sinto que não vai render,
Noto desaparecer
Toda a minha resistência...
Se a Divina Providência
Multiplicar minha idade;
Deixar que viva a metade
Que viveu Matusalém!
Se Deus quiser, inda vem
A minha felicidade!


De quem é a autoria desses versos preciosos?

Frase do Dia.

“Desculpe o que? Você não sabe o tamanho da canelada que eu dei numa preguiçosa”.

Raimundo Bitu.

Historia.

Na década de 70 do século passado, os filhos de Raimundo Bitu colocaram um telefone na casa do Sanharol. Um belo dia, por volta das duas horas da madrugada, o telefone tocou. Raimundo Bitu se levantou, num escuro de meter dedo no olho, e saiu em direção telefone e quando atendeu o camarada perguntou: de onde fala? Raimundo Bitu respondeu: É da casa de Raimundo Bitu do Sanharol. O Camarada educadamente falou: Desculpe seu Raimundo foi ligação errada. Raimundo Bitu virado num teteu disse: desculpe o que rapaz, você não sabe o tamanho da canelada que eu dei numa preguiçosa!
Dedicado a João Bitu.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

COMPOSITORES DO BRASIL


"Pra escrever uma boa letra de samba,
a gente tem que ser,
em primeiro lugar, anarfabeto".


ADORINAN BARBOSA

Por Zé Nilton

Diz-se que Adorinan Barbosa é o heterônimo do cantor, compositor, humorista e ator João Rubinato. O homem é descendente de italianos, daí essa capacidade para viver o cômico e o trágico tanto na música como na vida artística.

Criou todos esses personagens no bairro do Bixiga e não no de Jaçanã como diz na música Trem das Onze. Por ali e suas imediações ele descreveu histórias dos pobres, dos desvalidos, dos boêmios, dos arruaceiros, dos trabalhadores sem valor, tirando sarro de tudo e de todos. Deu-lhes voz e vez porque os registrou no que há de melhor na Música Popular Brasileira – o samba (paulista).

O ouvido de Adorinan Barbosa foi privilegiado. Captou os sons audíveis e inaudíveis das falas e das músicas do povo. Matéria prima de sua criação artística e musical. Na música, ou melhor, no samba, música do povo, brincou com o ritmo e com as palavras. Caiu no gosto da plebe. E quando os ilustrados viram que era bom, adoraram e adotaram Adorinan, e São Paulo nunca mais parou de ser a referência de um samba genuíno, de raiz e bonito.

Aliás, quando ouço ou leio “S.Paulo, túmulo do samba”, rogo à Santa Cecília –Mãe, perdoai porque eles não sabem o que dizem...E lanço meus ouvidos para a música de Adorinan, num ato de desagravo.

Conheci Adorinan primeiro em filmes, nos de Mazzaropi. Sessão dominical das 13 horas, Cine Cassino. Tudo muito normal – o calor e o filme em preto e branco. Lembro-me de “Candinho”, “A Carrocinha” e um de cangaceiros.

Sou vidrado na voz de Adorinan Barbosa. Voz de taboca, diria meu pai. Esta voz gaga e rouca entra no ritmo e no compasso de suas músicas e lhes conferem identidade. Nunca o ouvi interpretando músicas de outros compositores. Daria certo?

Cem anos de Adorinan, nesse dia 02 de agosto. Na verdade, idade em dois nos antecipada para garantir os benefícios da C.L.T. Aqui me lembrei de outra voz rouca: Nelson Cavaquinho, antecipação de idade para servir ao Exército.

Assim como você, falaria muito de Adorinan porque ouvi e ouço muito suas músicas. Vamos ficar por aqui deixando um convite para saborear algumas de suas obras-primas amanhã no Compositores do Brasil.

Na sequencia:

UM SAMBA NO BEXIGA, com Demônios da Garoa
ABRIGO DE VAGABUNDO, com Adorinan Barbosa
BOM DIA, TRISTEZA, de Adorinan Barbosa e Tom Jobim, com Maysa
CONSELHO DE MULHER, (porgressio), de Adorina Barbosa e Oswaldo Moles, com Demônios da Garoa
TORRESMO A MILANEZA, de Adorinan Barbosa e Carlinhos Vergueiros, com Adorinan Barbosa, Clementina de Jesus e Carlinhos Vergueiros
TIRO AO ALVARO, de Adorinan Barbosa e Oswaldo Moles, com Adorinan Barbosa e Elis Regina
PROVA DE CARINHO, de Adorinan Barbosa e Hervê Cordovil com Demônios da Garoa
DESPEJO NA FAVELA, com Adorinan Barbosa e Gonzaguinha
AS MARIPOSAS, com Demônios da Garoa
TREM DAS ONZE, com Demônios da Garoa
SAMBA DO ARNESTO, de Adorina Barbosa e Alocin com Demônios da Garoa
SAUDOSA MALOCA, com Demônios da Garoa
TRISTE MARGARIDA, com Adoniran Barbosa.

Quem ouvir verá!

Programa Compositores do Brasil
Rádio Educadora do Cariri – 1020
Todas as quintas-feiras, de 14 as 15 horas
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Retransmissão: www.cratinho.blogspot.com
Tiro ao alvaro - Video

Desafio - Antonio Alves de Morais

Você diz que aqui foi bom,
Más, bom foi no Brejim
Que o vento deu pra baixo,
E levou as “folhas” tudim.

As folhas no caso, eram as filhas de Antonio Folha, donzelas bonitas que nesta ocasião visitaram o sitio Brejinho. O autor do verso estava em companhia do meu pai, Jose de Pedro André. Quem é o autor da quadrinha?

A – Vicente de Zé Joaquim
B - Antonito de Antonio de Souza
C – Zé Valentim
D – Expedito Marciano
E – Pedro de Joaquim Piau
F – Luiz Ruberto

terça-feira, 3 de agosto de 2010

QUANDO EU BOTAR MINERAL O PREÇO BAIXA - Por Mundim do vale

Houve uma época que o fornecimento de água em Várzea Alegre era feito pela CAENE – Companhia de Água e Esgoto do Nordeste.
O gerente Em V. Alegre era o Sr. Ribamar.
Raimundo Teixeira ( Padeco ) Primo do poeta Sávio, tinha a água instalada na sua loja de tecidos, apenas para os pássaros beberem. A taxa começou a subir desordenadamente todos os meses, o que fez com que Raimundo reclamasse do Sr. Ribamar. O funcionário mandou fazer uma perícia no registro e nos canos, depois do laudo concluso, disse a Raimundo que estava tudo normal.
Raimundo insatisfeito com a exploração, foi até o escritório da CAENE, pagou a conta e pediu o corte em caráter de urgência. Ribamar interessado em manter o cliente falou: - Não faça isto Padeco. Como é que vão ficar seus pássaros? - Eu vou comprar água mineral pra eles, que fica mais barato.
No domingo seguinte, Ribamar bebia umas cervejas na barbearia de Vicente Cesário, que ficava vizinha a loja de Raimundo. Uma hora lá ele sentiu calor e resolveu tomar um banho. Quando foi pra sair foi pagar a despesa e Vicente cobrou um preço muito alto pelo banho. Ribamar reagiu dizendo: - Mas tá muito caro esse banho. Eu só fiz me molhar.
Vicente respondeu: - É porque a água ainda é da CAENE, quando eu botar mineral o preço baixa.
Dedicado aos meus amigos: Sávio Teixeira e Gonzaga Teixeira.

Compositores do Brasil.


Prezados amigos do Blog do Sanharol.

Semanalmente, as quintas-feiras, o Professor Zenilton, ex-reitor da Universidade Regional do Cariri apresenta o programa “Compositores do Brasil” na Radio Educadora do Cariri e associados. Há poucos dias, o escolhido foi o nosso conterrâneo José Clementino do Nascimento. Tive a honra de ser convidado para participar do programa, e, entre uma musica e outra, fizemos alguns comentários a respeito do compositor, sua obra e sua historia. Não seria eu a pessoa indicada para tanto, mas dentro do conhecimento que dispunha compareci a agreguei dados e algumas informações. Recebi do grande Zenilton um CD com o programa e estarei gravando uma serie de CDs para disponibilizar aos amigos como cortesia da Tabacaria e Bomboniere JÁ, de Várzea-Alegre. O CD ficou muito bom e registra um pouco da historio do nosso grande conterrâneo Jose Clementino do Nascimento. Estou aberto e aceito a correção de algumas informações que por acaso não estejam de encontro com a verdade. Gostaria que enviassem pelo e-mail –:moraisenair@hotmail.com


Musicas tocadas:


Aí não deixo não – Trio Nordestino.
Capim Novo – Luiz Gonzaga - Tema de Saramandaia - Novela da TV Globo. Video abaixo.
Jumento Nosso Irmão – Zé Nilton.
Xote dos cabeludos – Luiz Gonzaga.
Eu Souza do banco – Dominguinhos.
Chinelo de Rosinha – Trio Nordestino.
Mais uma dose para os Cabeludos – Zé Nilton.
Passo em Falso - Messias Holanda
Fazenda Corisco – Dominguinhos.
Contrastes de Várzea-Alegre – Luiz Gonzaga.

Um grande abraço a todos.
Antonio Alves de Morais.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CANTANDO NO CÉU COM ZÉ LIMEIRA - DESAFÍO

Limeira as vezes dizia
Num repente amalucado:
- Se um dia eu fosse chamado
Pra cantar no céu, eu ia;
Pois deu-se que um certo dia
São Pedro parece, escutô
Passou aqui e levô,
O poeta pra fazê
Ou querendo ou sem querê,
Repente pra Nosso Senhô...

Nunca mais se ouviu falá
De Limeira por aqui
Eu mesmo inté me esqueci,
Do galope a beira mar
Que ele sabia cantá
Como ninguém mais sabia,
Pois eu tava em casa um dia
E arrecebí um biête:
Sele o jegue “ sabonete “
Venha faze cantoria.

Tinha que sê Zé Limeira
Pelo jeito do recado.
E só podia te mandado
Ôto escrevê tal besteira;
Que o nêgo, sem brincadêra
Foi poeta de lascá,
Ensinou gente a rimá
Viveu bem e passô fome.
Mais nem mesmo o próprio nome
Aprendeu desenhá.

Pois eu resolvi que ia
Com a viola e sozinho
Só num sabia o caminho,
Mas como esse jegue havia
Levado José e Maria
Por esse mundo sem fim;
Eu fiquei pensando assim:
- Quem já trabaiô com santo
E viajô por todo canto
Diz onde é o céu pra mim...

Eu me montei no jumento
Segui por onde ele quis,
Vendo nambu, corduniz
Cochilei por um momento.
Veio logo um pé-de-vento
Começô a balançá
Quando eu fui me acordá,
Tava caído no chão
Numa nuvem de algodão
Macia de encabulá...

Oiei pru lado e fui vendo
Ele afinando a viola,
E falei : - Nêgo gabola
Hoje eu lhe ensino ou aprendo,
Pelo pôco que eu entendo
- De céu e religião
Não se vem no intrupicão.
Você mandô me buscá
Como se manda jogá
Um preso no camburão.

Limeira se levantô
Me olhô e dixe assim:
- Seu cara de guaxinim
Rolinha fogo pagô.
- É hoje que aqui vô
Aluciná essa gente,
Eu vou cantá deferente
Do que eu fiz no Tauá.
Cabo de pua e fubá

Deixe que eu puxo o repente...
- Eu só madei lhe tirá
Do seu amado sossego,
Pruque eu sô mêrmo um nêgo
Que gosta de azucriná,
Aqui só se faz rezá
Bebê vinho e cumê pão,
Nunca vi uma oração
Que rimasse nem dois verso
É por isso que lhe peço,
Vamos fazê um refrão...

Aí cumeçô cantoria
Pra ninguém botá defeito
O nêgo do mêrmo jeito
Daquele que eu conhecia,
Rimava como queria
Borboleta e trapiá,
Chapéu, pneu, jatobá,
Preá, mocó e cancão,
Benteví, currupião,
Melancia e mangangá.

Os santos preocupados
E eu só ouvido a conversa;
- Que diabo de reza é essa
De uns nome feio danado?...
Limeira chamô pra um lado
E dixe: - É tudo cumpade.
Tem dotô, juiz e pade
Tem tudo que a gente qué
Só num tem mêrmo é muié
Pruque aqui é pecado...

Começô a juntá gente
Im redó da cantoria,
Cada verso que eu dizia
Que Limeira alegremente
Respondia no repente,
São Cosme e São Damião
Que era a ronda de plantão
Ria de batê os dente,
São José e São Vicente
Chega rolava no chão.

Só fiquei preocupado
Quando corrêro o chapéu,
Num lugá como é o céu
Bendito e abençoado
Num saiu nem um cruzado,
Nem o dele e nem o meu
Muita gente se escondeu,
Aí eu fiquei zangado
Já cantei por todo lado,
Isso nunca aconteceu...

Eu dixe Limeira eu já vô
Que aqui eu morro é de fome,
Ele dixe; - ispere o ome
Ele ainda não chegô...
Mais eu garanto que vô
Pedi o seu pagamento,
Que aqui ninguém é jumento
Para trabaiá de graça
Prepare o bolso da calça
E espere só um momento...

Assim Cuma eu já sabia
Que Jesus é caridoso,
Cristão e muito bondoso
E gosta de cantoria...
Cantei tudo que podia
Vingança, dô e paixão
No meio da confusão
Que a cantoria comporta,
São Pêdo esqueceu a porta
E o céu incheu-se de Cão...

Foi quando Jesus Chegô
Viu que o céu tava um inferno,
Um truvão desses de inverno
Num instante arrebentô,
E o diabo foi quem ficô
Pra vê o que tinha sobrado,
Eu pulei logo um cercado
Peguei o rumo,iscapei
E foi aí que acordei
No chão e todo mijado.

O desafío é sobre a autoria desse verso.
Não vale para o poeta Israel, ele é quem vai anuciar o vencedor.
Abraços.
Mundim da Lagoa do Arroz.

Em busca da felicidade – Por Magali e Carlos

* Magali de Figueiredo Esmeraldo
* Carlos Eduardo Esmeraldo

A data de 12 de dezembro de 1972 foi um dia de muitos afazeres para Magali. Para começo de conversa, neste dia ela estava aniversariando. Mas acredito que poucos se lembraram disso, pois ela tinha algo mais importante para fazer: nós dois celebraríamos nosso casamento às nove horas da manhã, pois à noite ela tinha outro evento marcante na vida de qualquer pessoa. Era a colação de grau do seu curso de História. Foi tanta emoção que eu senti quando ouvi Monsenhor Montenegro dizendo: “Carlos, eu te batizei e hoje estou te casando....” As lágrimas molharam minha face. Eram lágrimas de felicidade por estar vivendo aquele momento único na minha vida.

Alguns dos meus parentes gostavam de fazer uns tipos de brincadeiras desagradáveis com os jovens recém casados da nossa família. Para evitar que nós fossemos vitimas, espalhei para todos que iríamos passar os três primeiros dias no Hotel Municipal de Juazeiro, recém inaugurado. Mas um dos meus irmãos cedeu a casa dele, às margens da estrada Crato-Juazeiro. Então passamos três dias maravilhosos, com despesas zero, café, almoço, merenda e jantar enviados por minha mãe. Foi tão bom que até pensei em ficarmos assim para o resto da vida. Mas três dias depois, o trabalho me esperava.

Os laços do amor verdadeiro entre um casal são tão fortes que, como diz a Bíblia “o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua mulher e os dois serão uma só carne”. Foi isso que aconteceu comigo e com Carlos, e logo após os três primeiros dias do nosso casamento, lotamos o bagageiro de um “fuscão branco” e partimos para enfrentar as estradas do Ceará, Piauí, Maranhão e Pará com destino a Tomé-Açu no Pará, onde Carlos estava trabalhando na construção da estrada Tomé Açu – Paragominas.

Eu com vinte e três anos e ele com vinte sete nos sentíamos pronto para o início da construção de nossa família. Apesar de sair do conforto e da proteção da casa de meus pais e também morar numa cidade como o Crato, ótimo lugar para se viver, onde nasci e estava acostumada. Estava, portanto disposta a juntos superarmos as dificuldades que teríamos pela frente. As estradas sem asfalto eram o que iríamos encontrar e todos os perigos que poderiam ocorrer numa viagem longa. A nossa residência seria numa pequena aldeia, de casas construídas com madeira e localizada na floresta amazônica. “Quatro Bocas do Breu” era o nome desse lugarejo próximo da cidade de Tomé-Açu.

Mesmo enfrentando a falta de conforto, eu estava confiante e decidida a fazer Carlos feliz e, tinha certeza que também ele iria me fazer feliz.

Antes do nosso casamento Carlos já deixou nossa casa alugada. Era uma construção de paredes, piso e telhado de madeira que foi caiada de branco por iniciativa dele, para que se tornasse mais acolhedora. Delicadeza e sensibilidade de quem ama e quer agradar a pessoa amada. A confiança era grande tanto minha quanto dele que estávamos dando os passos acertados para nossa felicidade.

Eu já vivia longe de casa há mais de oito anos e, portanto estava acostumado a uma vida de dificuldades, agravada pelo desconforto e a falta dos entes queridos. Para Magali seria a primeira vez que sairia de casa, agora definitivamente para sempre e, isso me fez vislumbrar uma enorme responsabilidade. Então procurava tratá-la com todo carinho, não ferir sua sensibilidade, atitude mantida até os dias de hoje, quase trinta e oito anos depois.

Partimos do Crato para Tomé-Açu no dia quinze de dezembro, pois Carlos deveria estar em Belém no dia vinte. A despedida foi dolorosa, pois saí chorando, deixei minha mãe também chorando e meu pai e irmãos com saudades. Logo enxuguei as lágrimas, confiante seguimos viagem com a certeza de que facilmente me adaptaria a minha nova vida.

A falta de conforto começava no transporte: um fuscão apertado, repleto de bagagens, sem som e sem ar condicionado, mas nada disso nos afetava, pois a alegria e a confiança nos acompanhavam.

Como não havia som no carro, suprimos essa falta com um toca-fitas portátil. “E haja Paulinho da Viola cantando: “minha viola vai pro fundo do baú”; Paul Mauriat com “L’amour est blue”. Ainda hoje, quando ouço a música “Mamy Blue”, sinto-me rasgando aquelas estradas ora poeirentas, ora lamacentas. Horríveis as estradas, inesquecíveis as músicas.

Saímos do Crato à uma hora da tarde, subimos a Serra do Araripe até o “Posto do Exu”, um posto de gasolina localizado antes de se descer a serra para Exu à esquerda e Araripe à direita. Na ladeira, próximo de Araripe uma pedra enorme bateu na barriga do carro e travou a caixa de marcha, de modo que tivemos de andar na terceira até Picos. Lá os mecânicos afirmaram que havia danificado a tampa seletora da caixa de marcha e só no Crato ou Teresina haveria conserto. A sorte é que de Picos até Teresina, a estrada já estava asfaltada, e eu havia trabalhado um ano antes no projeto dessa estrada, de modo que por conhecê-la bem, pudemos trafegar devagar e chegar à capital do Piauí, à uma hora da madrugada. Passamos a manhã do sábado em Teresina e às onze horas o carro já estava consertado. Almoçamos e continuamos a viagem. A estrada estava asfaltada até Peritoró, no Maranhão. De lá entramos numa rodovia sem pavimentação que nos levaria até Porto Franco na Belém – Brasília. Passamos por Presidente Dutra, uma cidade mais ou menos do porte do Crato. Como era ainda dia claro, resolvemos ir mais adiante, até Dom Pedro. Uma cidade velha, sem luz elétrica, cujo hotel era um casarão com banheiro e privada no fundo do quintal. O quarto em que nos colocaram tinha uma cama de casal da marca patente, colchão de estofo de algodão e era separado por uma meia parede dos demais cômodos da casa. Como vocês devem observar, aposento muito adequado para um casal em “lua de mel”...

No domingo viajamos o dia todo, e dormimos em Imperatriz, às margens da Belém-Brasília. No dia seguinte seguimos viagem até Paragominas. Lá almoçamos. Continuamos o restante da nossa viagem pela estrada de serviços da futura rodovia que estávamos construindo. Cem quilômetros nos separavam de “Quatro Bocas do Breu”, nosso ponto final, uma vilazinha de pouco mais de 10 casas de madeira e o acampamento da construtora.

Quando avistamos a pequena casinha de madeira com os raios solares do cair da tarde deixando-a mais branquinha do que era, senti a emoção de saber que este seria o nosso lar. Mas nós moramos nela pouco mais de um mês e Carlos foi transferido para Goiás. Outra viagem de Belém até Brasília em estrada de terra.

Anos mais tarde, quando já morávamos no Crato, ao ouvir pelas rádios o cantor Gilson cantando: “Eu queria ter na vida simplesmente. Um lugar de mato verde. Pra plantar e pra colher. Ter uma casinha branca de varanda. Um quintal e uma janela. Para ver o sol nascer.” Lembrávamos dessa casinha de nossos primeiros anos.

Por Magali de Figueiredo Esmeraldo e Carlos Eduardo Esmeraldo

Desafio - Antonio Alves de Morais

Eu já disse a todo mundo
Que botei bastante força
Para roubar uma moça
Na festa de São Raimundo
Resolvi em um segundo
Peguei ela pela mão
Botei na casa de João
Quando foi raiando o dia
O povo em massa dizia
Ate o poeta foi ladrão.

Leia os versos com atenção e responda quem é o autor:

a - Dr. Savio Pinheiro
b - Poeta Israel Batista
c - Mundim do Vale
d - Ze Pequeno
e - Claudio Sousa
F - Nenhum deles.

domingo, 1 de agosto de 2010

CHARADAS RIMADAS - DESAFÍO - mundim do Vale X Dedé França.

Charada Provocadora. Mundim.

Quem provoca um poeta
Tem que ter certa noção,
Fazer charada correta
E rimar com precisão.
Se charada ele aprecia
E responde em poesia
Fica difícil o contato.
Mas vou sempre provocar
Eu gosto de perturbar
Esse poeta do CRATO.

Sei que sou muito teimoso
Não nego isto a ninguém,
Mas também sou primoroso
E sei o que me convém.
Se exo com Dedé França
Tenho toda segurança
Que isto não lhe afeta.
Se a charada dele vem
Vai uma minha também
Taí mais uma, POETA.

Uma ARMA ATIRADEIRA
Com DUAS fica legal,
Já a chave derradeira
É muito ESPIRITUAL.
Fiz ela também com DUAS
Querendo imitar as suas
Mas ainda não sou prático.
Por mais que tento aprender
Consigo desenvolver
Somente o conceito BÁSICO.



NÃO ENGULO CORDA. Dedé.

Quem muita corda engole
Talvez até adoeça,
Quem com muitas pedras bole
Uma lhe cai na cabeça.
Eu não vou corda engolir
Nem deixo a pedra cair
Porque não jogo pra cima.
Vou matar sua charada
E devolver bem rimada
Porque eu gosto da rima.

Sua ARMA ATIRADEIRA
Com a minha não confunda,
Pois a minha é verdadeira
Vale por DUAS é FUNDA.
Encontrei as pedras suas
ESPIRITUAL com DUAS
Eu decifrei como MENTO.
E esse BÁSICO conceito
Agora ficou perfeito
Com base e com FUNDAMENTO.

Dedé França, 19-10-1996.

Desafio.

Postagem reprise. São irmãos. Netos do segundo filho de Jose Raimundo do Sanharol e Maria Anacleta de Menezes. Trinetos de Papai Raimundo. Bisnetos de Manuel Alves Feitosa de Morais da Fazenda Pita no Arneiroz. Já foram identificados anteriormente. Exercite sua memoria. Quem acertar ganha um CD com o programa Compositores do Brasil, apresentação do Prof. Zenilto na Radio Educadora do Cariri e Associados com a participação desse amigo Antonio Alves de Morais em homenagem a Jose Clementino do Nascimento. Vamos lá.

De caveira pra caveira - Bidim

Eu esta noite sonhei
Que por me faltar conforto
Tinha me encontrado morto
No cemiterio cheguei
Logo me desencarnei
E vi surgir da poeira
Uma ossada extranoeira
Me apresentando uma peça
Assim travou-se a conversa
De caveira pra caveira.

Acordei contrariado
Julgando o sonho nocivo
Me rescostei pensativo
Sobre o portão do mercado
Nisso um mendigo coitado!
Passou com a companheira
Magros assombrando a feira
Por seus aspectos medonhos
Reproduziu o meu sonho
De caveira pra caveira.