Depois da passagem do “Gran Circo” pela Vazante, proeza narrada por Mundim do Vale há poucos dias, Kaus Ku Dô mudou de nome e de profissão. Passou a se chamar Cascudo e deixou o picadeiro para ser servente de pedreiro.
João Piau estava construindo uma casa no Pecém, região metropolitana de Fortaleza, e, levou Cascudo e Batista para fazer os acabamentos. A obra durou quase um ano. Quando se aproximou a festa de São Raimundo, João Piau chamou os dois e disse: Vocês estão liberados, vamos prestar contas em tempo de chegarem em Várzea-Alegre no período na festa, das novenas de São Raimundo. Com os bolsos receados de dinheiro, Cascudo nunca vira tanta bufufa de uma só vez, tomaram o ônibus para Fortaleza. O ônibus cheio, o Batista colocou as mãos nos bolsos e protegeu o dinheiro, enquanto Cascudo segurava-se com as mãos levantadas e os bolsos livres. Cascudo dizia sempre: Batista cuidado pra não ser roubado. Depois de vários avisos o grito foi retumbante: Batista eu fui roubado. O Tempo fechou, o ônibus foi levado para delegacia. Cascudo ficou na porta com o delegado que revistava as bolsas e bolsos dos passageiros. Dado momento chegou um sujeito mal encarado, Cascudo deu uma cubada e disse: Foi você, se abofelou com o cabra e saíram bolando pelo chão. O Delegado prendeu os dois. O cabra porque estava com o dinheiro roubado e Cascudo por desacato a autoridade.
Depois de algumas horas Batista disse ao delegado: Deixe agente ir embora, faz um ano que nós estamos fazendo uma construção de João Piau e fomos liberados para visitar a família. Ah! Vocês conhecem João Piau, ele é meu amigo, disse o delegado, liguem pra ele que eu solto. Cascudo mais afobado do que Mundim da Varjota disse: Ligo não, quando você prendeu não foi preciso ligar. O delegado se compadeceu e soltou Cascudo e Batista.





