sexta-feira, 19 de julho de 2013

VEM AÍ - O Cravo e a Rosa - Walcyr Carrasco

"O Cravo e a Rosa", novela do Walcyr Carrasco. Posso assegurar que foi uma das melhores novelas dos ultimos 10 anos. pelo bom humor, pelos figurinos dos personagens, posso imaginar que o Walcir se inspirou no Sanharol. O Januario sempre agarrado ao seu bacurim e os fuxicos de Lindinha lembram muito a nossa verve, e a musica muito bonita:
O Cravo e a Rosa.
Catarina Batista é a mulher moderna, na sociedade paulista da época de 20, que recusa o papel feminino de se restringir a lavar ceroulas em um tanque. Julião Petruchio é um homem cuja crença é a de que a mulher deve ser a rainha do lar. Duas pessoas tão diferentes vivem um romance contraditório. Conhecida como "a fera", por botar todos os seus pretendentes para correr, Catarina vai esbarrar na teimosa cínica de Petruchio, que inicialmente, decide conquistá-la para, com o dote do casamento, salvar sua fazenda de ser leiloada.
Eles acabam se apaixonando, mas não dão o braço a torcer, vivenciando cenas muito bem-humoradas e hilárias de discussões e brigas vulcânicas. Ele fingindo-se de "cordeirinho", e ela cada vez mais furiosa com sua insistência.
Mas há os que são contra e a favor desse improvável romance. A começar pela família de Catarina. Nicanor Batista, seu pai, quer vê-la casada, livrar-se do constrangimento que passa por causa das atitudes da filha e lançar sua candidatura a prefeito; Bianca, a irmã mais nova, é o contraponto de Catarina: quer noivar e casar, mas só terá permissão após a filha mais velha arrumar um pretendente.
Já Cornélio Valente, tio de Petruchio, torce pelo sobrinho; assim como Calixto, velho empregado da fazenda que considera Petruchio como um filho e se apaixona pela governanta de Catarina, Mimosa. Também apoiam o romance Dinorá, esposa de Cornélio, e Josefa, irmã e mãe do esportista Heitor, pois as duas querem vê-lo casado com Bianca, por causa da fortuna dos Batista.
Entre os que não aprovam o casamento, há a ardilosa Lindinha, criada com Petruchio na fazenda, apaixonada por ele e que conta com a ajuda de Januário para atrapalhar o romance dos dois; o jornalista Serafim, que pretende conquistar Catarina para dar o golpe do baú; e o vilão Joaquim, homem misterioso cujo único objetivo é arruinar Petruchio porque acredita que ele foi o responsável pela perdição de sua única filha, Marcela.
E para piorar esse cenário, chega Marcela, vinda de Paris para se apossar dos bens do ingênuo pai e para reconquistar de vez Petruchio, batendo de frente com a "fera" Catarina.
Postado Por A. Morais

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

AS  COISAS  QUE  GOSTO  DE  FAZER.

Conversar com o meu pai sobre o passado
Sem com isso forçar a sua mente,
Ler notícia de paz no Oriente
E o Dólar baixando no mercado.
Evitar desavença de cunhado
Em arenga de casal não me meter,
Fazer verso esperando o sol nascer
Botar lenha na boca da caieira.
Tomar banho de chuva na biqueira
SÃO AS COISA QUE EU GOSTO DE FAZER.

Receber e retribuir um bom presente
Encontrar com a família no natal,
Conservar o conceito da moral
Esperar a chegada de um parente.
Conversar com menino inteligente
Mandar carta e a resposta receber,
Ensinar um endereço com prazer
Desejar boa sorte a um amigo.
Não negar uma esmola a um mendigo
SÃO AS COISA QUE EU GOSTO DE FAZER.

Cochilar com  vento no telhado
Escutando o seu som na cumieira,
Abraçado com a minha companheira
Porque foi pelo padre autorizado.
Acordar vendo o céu todo nublado
Com o tempo preparado pra chover,
Numa reza começar a agradecer:
- Obrigado meu santo pai eterno!
Pois rezar pra pedir um bom inverno
SÃO AS COISAS QUE EU GOSTO DE FAZER.

Escutar uma pessoa bem decente
Em silêncio total para ouvir,
Balançar minha neta pra dormir
E velar o seu sono inocente.
Vê o sol apagando no poente
Dando espaço pra lua aparecer.
Exercer meu direito e o dever
Amparado pela constituição.
Passear sempre que posso no sertão.
SÃO AS COISA QUE GOSTO DE FAZER.

Ler cordel do Dr. Sávio Pinheiro
Apreciando a correta poesia,
E o prazer de fazer uma parceria
Do Fígado Valente e do Pé do Cruzeiro.
É poder lhe chamar de companheiro
Aguardando outros versos ele fazer,
Para assim Várzea Alegre aparecer
No cenário da cultura popular.
Ler  poema, fazer e divulgar
SÃO AS COISAS QUE EU GOSTO DE FAZER.

Mundim do Vale.

VERSO LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

PARA  ACORDAR  O  GIGANTE

Meu nome é Mundim do Vale
Morador desse sertão,
Se alguém quiser que me cale
Não me conte nada não.
Eu assisti no jornal
Que soltaram o Nicolau
Por ser do judiciário.
Logo aquele dito cujo
Que tava muito mais sujo
Do que cordão de rosário.

Até no espírito Santo
O espírito mal baixou,
Lá o cambalacho é tanto
Que o santo não perdoou.
Eu acho muito esquesito
Mas será se é o Benedito
Ou o governo do estado?
Enquanto alguns enchem o saco
O pobre anda mais fraco
Do que jantar de guisado.

Depois que a promotoria
Resolveu ficar de olho,
Tem político hoje em dia
Que está com a barba de molho.
Tem uns que largam o poder
Vão brincar de esconder
Ninguém sabe o paradeiro.
F.H.C. Perturbado
Fica mais aprerreado
Que barata em galinheiro.

A energia já era
Por falta de eficiência,
A única coisa que gera
É desemprego e falência.
O pais semi-apagado
Porque vive ameaçado
Com medo de apagão.
E o povo sem socorro
Perdido igual a cachorro
Que acompanha procissão.

No senado não demora
Um presidente também,
O Jáder já foi embora
Criar rã lá em Belém.
Não sei o que está havendo
Mas pra mim, tá parecendo
Com coisa de cambalacho.
O senado tá sem tino
Trocando mais que menino
Em areia de riacho.

O Nordestino não sabe
Porque não presta atenção,
Mas quem mexe na CONAB
Está furtando o sertão.
O que o verso quer dizer
Se alguém quiser saber
Digo tim-tim por tim-tim.
Sou um poeta sem estudo
Mas dou notícia de tudo
Do pais tupiniquim.

Mundim do Vale.

VERSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale

COISAS  QUE  EU  FAÇO  SEM  GOSTAR.

Ver um cabra falar de viloleiro
Sem saber que aquilo é uma arte,
Sem noção que a viola já fez parte
Da história de Antônio Conselheiro.
Eu que sei que o folclore brasileiro
Tem viola e poeta em seu lugar,
Eu não posso ver isso e me calar
Porque acho uma falta de cultura.
Tolerar essa pobre criatura
SÃO AS COISAS QUE EU FAÇO SEM GOSTAR.

Furar dedo em caraca de algodão
Tanger porco em subida de ladeira,
Pernoitar numa casa com goteira
Escutar as piadas do patrão.
Segurar numa alça de caixão
Procurar endereço e não achar,
Escutar um barbeiro fuxicar
Encontrar um caroço no angu.
Ter um sonho que estou andando nu
SÃO AS COISA QUE EU FAÇO  SEM  GOSTAR.

Receber visitante fofoqueiro
Entregar um bilhete de cobrança,
Discutir com a minha vizinhança
Tolerar confusão de cachaceiro.
Espremer um furúnculo no trazeiro
Dar um espirro na hora do jantar,
Segurar um bebê pra vacinar
Confirmar a mentira de alguém.
Sugerir paciência a quem não tem
SÃO AS COISA QUE EU FAÇO SEM GOSTAR.

Arranjar um dinheiro emprestado
Sem saber quando posso devolver,
Vê um padrasto com raiva ofender
Espancar e humilhar seu enteado.
Ter que ouvir com atenção o leriado
De um gago quando cisma de falar,
Cortar meu cabelo e me barbear
Me deitar com a claridade de uma luz.
Me engasgar com batata ou com cuscuz
SÃO AS COISA QUE EU FAÇO SEM GOSTAR.

Me sentar na cadeira do dentista
E fingir que estou muito feliz,
Espremer uma espinha no nariz
Escutar a conversa de mchista.
É trocar um pneu perto da pista
Vendo a hora outro carro me pegar,
Ler notícia que a água vai faltar
Sem saber qual vai ser a solução.
Ouvir papo de  queimadas do sertão
SÃO AS COISA QUE EU FAÇO SEM GOSTAR.

Mundim do Vale.

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

Dedicado ao primo Fernando Souza, que há tempo vem me cobrando a divulgação desse causo.

INVASÃO  DE  DOMICÍLIO.

Todas às vezes que nós íamos à Várzea Alegre-Ce. Pedro Souza programava umas pescarias.
Era festa do padroeiro e o cardume dos Piaus estava todo na cidade. Pedro marcou uma pescaria para o domingo, na ponte dos Grossos. No sábado nós tomamos uma cervejada nas barracas e completamos o tanque no CREVA – Clube Recreativo de Várzea Alegre. No dia seguinte nós fomos para a Vazante, para pegar os pescadores e o material de pescas. Na hora da saída Liêda olhou para Pedro e perguntou:
- Tu vai também Pedro?
- Claro que vou. Fui eu que organizei a pescaria.
- Ave Maria! Esse homem chegou ontem aqui quase morto. Parece que tomou  todas as cervejas das barracas sozinho.
- As que eu não bebi, Raimundim mais sérgio beberam.
Na chegada do Riacho do Machado, João Piau, Vieira Neto, Nonato Souza, Fernando Souza, e Luís Sérgio, já foram logo jogando tarrafas e metendo as mãos nas locas atrás dos peixes.
Eu me afastei um pouco do riacho e me deitei de baixo de uma moita de mufumbo e comecei a cochilar. De repente escutei a voz de Pedro:
- Ou de casa!
- Ou de fora!
- Ainda cabe um nesse apartamento?
- É só um?
- É.
- Pois entre e ocupe aquele outro quarto.
Pedro forrou a cabeça com um bornal e começou a cochilar também.
De repente foi chegando Luís Sérgio, que estava com uma ressaca maior do que a minha e a de Pedro juntas. Mas sendo ele mais novo, ainda estava aguentando ficar de pé. O suposto inquilino foi querendo se acomodar, quando eu disse:
- Ei Sérgio. Não cabe mais não. Pode arribar.
Ele foi na direção de Pedro, quando começou a mexer na moita, Pedro gritou:
- Tem gente!
Sérgio zangou-se e falou:
- Arre égua, que povo mais mal edudado, não sabem nem receber visitas.
Pedro rebateu:
- Que visita? Você não sabe nem se fica e já vai logo armando a rede. Isso aí é INVAZÃO  DE DOMICÍLIO. Vá ver se consegue se agasalhar naquele quartinho que era de Antônio André.
Sérgio desceu para o riacho, encheu uma garrafa de água, pegou um copo descartável e subiu para uma moita, que ficava à seis metros do local onde nós estávamos. De lá ele enchia o copo e jogava na nossa direção. Como o local que Pedro estava era mais próximo, a água só chegava até ele.
Uma hora lá Pedro sentou-se com a cara ruim e falou:
- Ôxente, Raimundim. No teu quarto também tem goteiras?
- Tem não. Não tá nem chovendo lá fora.
- Pois no meu tem.
Vieira Neto vinha subindo para pegar um landuá, Pedro chamou Vieira e ordenou:
- Vieira. No dia que nós vier pescar de novo, você venha antes com Roberto e tire as goteiras desse apartamento.
Vieira Neto que estava de pé, olhou na direção norte e avistou Luís Sérgio com a garrafa e o copo na mão. Notando a pegadinha de Sérgio falou:
- Que goteira? Pai parece que tá é delirando. Olhem aí de onde é que estão vindo as goteiras.
Quando eu confirmei a brincadeira falei sério com Sérgio:
- Sérgio. Você devia respeitar os mais velhos.
Sérgio só fez dizer:
- Vocês tem muito é sorte, porque a minha intenção era jogar mijo. Mas eu mijei pouco e o jeito que teve foi misturar com água.
Para completar o castigo de Pedro, Vieira ordenou:
- Já que foi pai que inventou a pescaria, ali tem um baláio de peixes pra pai tratar pra melhorar da ressaca.
Pedro olhou pra mim e perguntou:
- Tu vai me ajudar , Raimundim.
- Vou não Pedro. O que eu podia fazer por você eu já fiz, que foi dividir o apartamento. 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

SITUAÇÃO CONFUSA - Por Mundim do Vale.

DEUS  E  O  POVO.

 A pior coisa que pode acontecer ao ser humano, é ter que escolher entre duas situações a melhor para o seu futuro.
Eu sou um exemplo dessa situação.
No ano de 1971 eu tinha um emprego de oficial de justiça da comarca de Várzea Alegre –Ceará, conquistado em concurso público.
No mesmo ano a minha família mudou-se para Fortaleza me causando o primeiro impacto, pois na época eu ainda era solteiro e fiquei igual a pinto de granja, sem família. Em seguida vieram as cobranças dos meus irmãos, para eu largar tudo e vir para Fortaleza, foi o segundo impacto, deixar um emprego com estabilidade para arriscar outro na cidade grande.
Para garantir o emprego eu tive a ideia de requerer licença para interesse particular por dois anos para assim poder analizar melhor a situação.
Foram dois anos de tortura. Todo os dias eu pensava o que fazer quando vencesse a lilença e não encontrava a solução.
As opiniões da família e dos amigos eram divergentes.
Uns diziam:
- Como que tu vai deixar um emprego garantido na tua cidade, onde todo mundo te conhece, para morar em Fortaleza? Só tando doido.
Outros diziam:
- Como é que tu vai deixar de morar em Fortaleza, onde tem mais facilidade  de estudo e de emprego, para viver numa cidade carente de tudo?
Pareceia a história da família e o burro.
E assim a minha dúvida aumentava e eu nada de achar um critério de escolha para aquela situação.
Quando já estava perto de vencer a lilença, eu tive a ideia de fazer a escolha de uma forma, que se desse errado, eu não teria ninguém para responsabilizar pelo meu fracasso.
No domingo eu estava com os meus irmão na área de casa e falei;
- Eu tenho uma coisa para dizer a vocês. Encontrei uma forma de resolver a minha situação.
Peguei uma moeda e disse:
Essa moeda vai resolver por mim. Se der cara eu fico em Fortaleza, se der coroa eu volto para Várzea Alegre.
A trocida ficou dividida, metade cara e a outra metade coroa.
Peguei a moeda entreguei ao meu irmão caçula, ele arremessou para o alto, quando caiu deu cara, ficando assim definida a minha situação.
Não sei dizer o que teria sido melhor para mim, porque Deus é quem me conduz.
Quando um amigo pergunta se a escolha foi boa eu respondo:

- Não sei te dizer. Porque hoje quem cuida da minha vida é DEUS E O POVO.

Sem obrigação - Por Lauro Jardim

O governo vem recebendo todos os recados possíveis sobre as dificuldades para a tramitação da MP dos Médicos, que ainda nem chegou ao Congresso (Saiba mais em: Caiado mira STF).

Henrique Eduardo Alves reconhece que não faltarão obstáculos – vindos da oposição e da base aliada -, mas diz ter uma carta na manga para tentar acalmar os colegas convictos em derrubar o projeto.

Aliás, Henrique Alves quer mexer num dos pontos mais delicados da MP, e adianta: - A MP não sairá daqui como entrou, sem dúvida. Eu sugiro alterar o trecho que obriga médicos recém-formados a prestar serviço na rede pública. Eu retiraria essa obrigatoriedade no caso de profissionais que cursaram universidades particulares. Eles estudaram por conta própria e não têm que dar contrapartida ao Estado.

Bolívia humilhou o governo brasileiro.


Morales: seu governo violou soberania do Brasil vistoriando ilegalmente avião da FAB, sem autorização do ministro da Defesa, Celso Amorim.

O Ministério da Defesa negou hoje nota publicada pelo colunista Cláudio Humberto que o blog reproduziu sobre violação da soberania de um avião da Força Aérea Brasileira no final de 2012, mas informou que, no final do ano anterior, o governo de Evo Morales uma vez mais passou uma rasteira no Brasil — como fizera com o envio de tropas para instalações da Petrobras — fazendo exatamente isso: vistoriando um  avião da FAB, a gloriosa FAB que teve participação heroica na II Guerra Mundial e que, pelos serviços prestados à população desde que existe, é um orgulho dos brasileiros.

O ato de hostilidade dos bolivianos foi feito sem autorização do ministro da Defesa, Celso Amorim, mas, como reação, tudo o que o governo brasileiro fez foi encaminhar uma tímida e pusilânime “nota de reclamação” ao governo de Evo Morales.

Alguém aí se lembra de essa “nota de reclamação” ter sido pelo menos divulgada a nós, brasileiros?

O Brasil se curva aos governos bolivarianos, e em troca obtém esse tipo de atitude.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

PARA DESCONTRAIR - Antonio Gonçalo de Sousa

Nas décadas de 60 e 70  os cantadores de viola eram  comuns e faziam muito mais sucesso que hoje nos sertões Nordestino. Contam os mais assíduos desses eventos, que lá pelas bandas do Quixeramobim - CE reuniram-se alguns afamados profissionais para uma cantoria na casa do “Zé Cascudo”, que tinha uma grande predileção por política e estava empolgado com o desempenho do construtor de Brasília, a  capital federal . 

Quando a dupla de cantadores  Zé Pangola e Cabacinha  se postaram nas cadeiras em cima da calçada para começar a cantoria, o anfitrião foi logo implorando e quase exigindo  para que os mesmo desenvolvessem um verso sobre o seu grande ídolo,  Juscelino Kubischek.

 O  Zé Cascudo não entendeu bem o mote, mas começou:

 Jucelino “Cu” de cheque
Que diabo de nome fei
Vá passando logo o cheque
Que de “Cu” já tamo chei.............

 A cantoria continuou, mas não se sabe o resultado final..........

Antonio GONÇALO de Souza

Analista de Central de Retaguarda

Banco do Nordeste

CASOS LÁ DE NÓS - Por Bezerra de Morais.

CADÊ  O  MEU  SOFREU.

Natércio Andrade, de saudosa memória, possuía um sofreu, que era a sua prenda preciosa. Quando Natércio chegava em casa que o sofreu ouvia a sua voz, começava a cantar com alegria, o dono do pássaro abria a porta da gaiola e ele vinha cantar no seu ombro. Não tinha nenhum negócio para o pássaro. Fizeram várias propostas milionárias, mas ele rejeitava sempre.
Uma vez Natércio viajou e Chiquim de Pedro Belo foi bater na casa dele. Foi atendido por uma senhora já idosa que era tia de Natércio. Chiquim deu bom dia e foi logo dizendo:
- Seu Nateço dixe qui mandasse o sofreu,
A ingênua senhora sem imaginar que aquele portador estava mentindo, entregou o pássaro.
Quando Natércio voltou de viajem chegou em casa logo falando alto, para o sofreu responder cantando, mas não teve a resposta. Foi até o local onde ficava a gaiola e encontrou o canto limpo. Foi até onde estava a tia e perguntou:
- Tia cadê o sofreu?
- Você não mandou o homem vir buscar?
- Que homem?
- O homem que você mandou.
- E como é o nome dele?
- Eu não perguntei, não.
- E como foi que a senhora entregou sem conhecer?
- Mas eu sei quem é ele.
– E Quem é?
- É aquele homem que trabalha fazendo calçamento. Aquele que fica assoviando e batendo com a colher de pedreiro nas pedras.
- Já sei quem é. É Chiquim de Pedro Belo. Eu vou buscar.
Natércio chegou na casa de Ciquinho e bateu palmas na janela. Chiquinho que estava no corredor, viu que era o dono do sofreu e falou de lá:
- Isbarre aí, Seu Nateço. Eu vou já.
Antes de atender a visita, Chiquim pegou a gaiola com o sofreu e escondeu debaixo de um fogão a lenha e foi receber a visita:
- Diga Seu Nateço, pode entrar.
- Chiquim. Cadê meu sofreu?
- Eu num sei de sofreu seu não.
- E você não pegou com a minha tia?
- Eu mermo não. Ela tá é caducando.
- Pegou, que ela me disse que foi você.
- É mentira dela.
- Você respeite minha tia, que ela não mente não.
- Apois pode precurar dento de casa.
Natércio foi entrando e nada de encontrar, mas quando chegou na cozinha, falou um pouco mais alto e o sofreu respondeu num canto bem abafado. Ele foi falando e seguindo o canto, até que chegou no fogão e encontrou a gaiola que foi logo tirando e dizendo:
- Tenha vergonha. Chiquim !
Chiquim sem ter o que fazer mais, só fez dizer:
- Quem terá sido qui butou o bichim aí?

CAUSOS LÁ DE NÓS - Por Mundim do Vale.

A  EXTREMA-UNÇÃO  DE  LILA.

Luís Salviano Macedo ( Lila ) Gostava de dizer que era valente e contava histórias de valentia. Mas todos sabiam que Luís não era muito disposto para brigas.
Certa vez o Padre Antônio Vieira, veio passar um final de semana com os seus pais no Cristo Rei e trouxe com eles um grupo de seminaristas que eram seus alunos.
No sábado à noite vinha uns amigos da carrapateira para visitar o padre e na passagem da Extrema Luís perguntou:
- Pra onde vão?
- Zé de Mariinha respondeu:
- Vamos visitar o padre Vieira lá no Cristo Rei.
- Apois eu vou também.
Chegaram no Cristo Rei conversaram com o padre e os alunos e quando foi por volta das 22:00 Horas o padre entrou com os seminaristas.
Facaram conversando na calçada; Vicente Vieira Lila e os Soares da Carrapateira. Foi naquele momento que Luís se danou a contar as histórias das valentias dele:
- Uma vez eu tava numa bodega lá no São José e tinha uns amargoso dizendo piada cumigo. Eu peguei um facão rabo de galo que tinha detrás do balcão, mas num ficou nem um, correu tudo.
Vicente Vieira disse:
- Luís. Eles correram porque pensavam que tu ia cortar lenha e queria chamar eles para ajudar. Aquilo é o povo mais preguiçoso do mundo.
Outra vez eu tava dento da minha casa na Extrema, já era tarde da noite, quando eu iscutei uns assobí. Aí eu dixe a Ester, aquilo é ladrão. Eu escorei a ispingarda na ginela e gritei:
Tão cum vontade de morrer? Pode vim. Depois que eu falei eu vi dois vuto pulando a cerca e quebrando o mato.
Vicennte falou novamente:
Luís. Aquilo era os cabras do Fundão atrás daquela cabrocha, que trabalha lá em tua casa.
Quando foi uma hora Luís saiu para esvaziar a bexiga e os amigos combinaram com Vicente para fazer um medo a ele.
Um deles falou:
Vicente quando Luís voltar você entrete ele lá po dentro, que nós vamos ficar escondido lá atrás da capela para ver se ele tem coragem de voltar sozinho.
Assim fizeram. Quando Lila retornou um dos amigos pediu água e vicente entrou para pegar, chegando lá ele pediu a dona Senhorinha para servir um prato de coalhada para luís.
Quando o amigo tomou a água vicente disse:
- Luís vá deixar o copo lá na conzinha que a sua tia quer falar com você
Quando Luís voltou que não viu os companheiros já perguntou preocupado:
- Cadê os caba?
- Já foram.
- Foro não qui eles num ia deixar eu voltar sozim.
Mas eles foram, porque deram boa noite e saíram.
Luís começou a ficar aperriado e inventou logo uma dor no peito:
- E agora, Vicente? Eu não posso ir só não, qui dispois da cuiada me deu uma dor no peito e pode ser qui eu sinta alguma coisa no camim.
- Você não tá sentindo nada não,
É porque qualhada de noite dar uma reação mas logo passa.
- Mais eu tou sintindo! Vá logo chamao o pade pra fazer a estremunção qui eu vou morrer.
- Mas ele já está dormindo.
- Apois então vai ser priciso eu durmir por aqui, porque qalquer coisa o pade tá aí pra incumendar a minha alma.
- Não dar certo não Luís. Antônio trouxe esse povo e a casa tá cheia.
- Apois eu vou pegar aquela esteira e me deitar no pé da porta, se eu gritar você venha viu?
Luís já estava gemendo na esteira quando os amigos voltaram. Ele teve uma melhora repentina e disse:
- Eu pensei qui vocês já tinha ido.
Zé de Mariinha falou:
- É nós já ia mesmo, Mas quando chegamos ali na frente tinha uns cabras do Junco puxando fogo e nós achamos melhor voltar, porque se eles quiserem bigar  tem você para enfrentar.
Vicente interrompeu:
- Mas Luís está doente, não pode brigar não.
Luís levantou-se deu um pulo e falou:
- Pois eu já fiquei bom. Mais eu acho mais mior nóis passar o resto da noite aqui na calçada, porque se os caba for inventar de mexer cum nóis, vai ser priciso eu fazer uma besteira.

Zé Gatinha - Por Antonio Morais

Um Sábado qualquer do mês de Dezembro do final da década de 60 do século passado. Festa no CREVA, atrás da prefeitura, já no seu final, Pedro Sousa tocava a ultima musica, “Gatinha manhosa". Zé de Zuza fechava a ultima porta do Bar localizado a Rua Major Joaquim Alves, como gosto de falar do Major Joaquim Alves. Aproximaram-se Zé Gatinha, Zé Bezerra, Zé Bobô e Mundim do Vale.

A muito custo conseguiram convencer Zé de Zuza a reabrir o Bar, servir uma antártica gelada e marcar o tempo no velho relógio da parede.

Começaram a jogar uma partida de sinuca. Foram a cima, foram a baixo, - Zé de Zuza deu um cochilo e Zé Gatinha foi no relógio e voltou o ponteiro em meia hora.

Quando a barra quebrava, Zé de Zuza deu outro cochilo e acordou com Zé Gatinha com a mão na massa, ou seja, no relógio voltando o tempo mais uma vez.

Então, Zé de Zuza se levantou, se espreguiçou e perguntou: meninos se eu der outro cochilo desses quanto é que eu vou ter que pagar pra vocês no fim deste jogo?

Relembrando o Creva – Gatinha manhosa.

Medo de vaias? - Lauro Jardim.


Vai ou não vai?

Dilma Rousseff ainda não bateu o martelo sobre sua viagem ao Ceará, inicialmente agendada para quinta-feira. Hoje, Dilma cumpre agenda no Paraná.

Enquanto isso, o Palácio do Planalto está tirando a temperatura política do Ceará, onde Cid Gomes enfrenta forte insatisfação, e as manifestações também marcaram presença em Fortaleza. Dilma, claro, teme ser recebida da pior maneira possível por lá.